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Quem dorme coberto pelo som do Tibre?


Um estudo sobre a vida que percorrem os nomadas ao lado do Rio Tibre em Roma é iniciado em Março de 2007 pelos estudantes da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Roma Tre sob a orientação do professor Francesco Careri. Este trabalho, que provoca dores de cabeça ao Município de Roma, tentou iluminar mais a fundo os estudantes.
Começando da área de Fiumicino, caminhando ao lado do rio, muitas vezes com dificuldade, os estudantes encontraram os grupos nomadas. Estão escondidos atrás das árvores ou de qualquer outra coisa que lhes possa oferecer proteçcão. Perseguidos pelo municipio, obrigados a viver na campanha romana porque são os excluídos da sociedade. Pessoas com a mesericórdia no rosto, entre as quais se distinguem ROM, ciganos, hungaros e também italianos, todos pobres sem tecto. Toda esta nova civilização agora inaugura pelo menos vinte anos desde os primeiros habitantes, podia até ter um nome: o apartheid romano. Até agora as casas são construidas de materiais que geralmente acabam no lixo. Metal, plastico, cartão, madeira e todos os materiais que suficientemente estaveis para construir um tipo de esconderijo. Instrumentos que dão protecção das condições atmosféricas, frio, chuva, ou da ameça da comunidade. Nos quartos os estudantes encontraram pessoas sem parentes ou familia que se transformam em grupos ligados sob interesses comuns. Ainda familias inteiras com parentescos desde avô até neto, gente que cresceu nestes bairros. O objectivo de todos é sempre a melhoria do nível de vida e a procura de condições humanas.
O percurso era Fiumicino-Tor Cervara todos estes meses, onde os nomadas começam por ser grupos de trezentas pessoas que vivem nestes campos, mas aproximando-se dos limites de Roma tornam-se grupos de 10 ou menos, familias isoladas. Neste ambiente se arrasta tudo, as familias conseguiram achar meios para acomodarem-se. Acham locais como sob os viadutos, próximos das árvores que durante o Verão lhe dão protecção do calor. Não é grande a relação com o rio, no limite usam a água corrente para lavar. Falando com os verdadeiros protagonistas, descobre-se que esta gente se sente indigena mas sempre procura viver melhor como aquilo que sonham. Não desejam ser identificados, porque têm receio de perder tudo o que construiram até agora, ainda que seja pouco.
Sabendo da situação, o Municipio deciciu comportar-se de um modo totalmente frio, sem sentido de altruísmo. O plano é colocar os grupos fora do raccordo annulare e crear para estes uma comunidade com elementos de vigilância, controlo e guarda. Como são a doença que está para infectar a cidade, um tipo de quarentena.
A iniciativa provocou o interesse dos media que se deslocaram ao local para fazer a sua pesquisa, juntos com os estudantes e professores de Roma Tre. Agora esta situação ocupa os jornais e noticiários, os civis comecaram a protestar e existem pessoas que começaram a recolher assinaturas. O objectivo é atingido, este tema torna-se visivel.
O grupo universitário, na noite de 21 de Junho viveu a experiência de ser sem tecto, cuidando todos, os estudantes e professores passaram a noite, dormindo as margens do Tibre, mostrando assim que ainda existem pessoas que procuram a felicidade nas coisa simples que nós consideramos como garantidas.




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Nomada: sem demora fixa, migrator, cigano.

Estes são alguns dos objectivos que, á partida, se utilizam para descrever uma realidade que se esconde em frente dos nossos olhos, mas que existe. É uma realidade paralela á vida de uma cidade, que prova que se insere nos ciclos urbanos. São... pessoas.
Os nomadas procuram melhores condições de vida mas não procuram alguma coisa que lhes seja familiar, provam a construir o seu mundo, a sua vida... pedaços de uma cultura diversa.
Os postos escolhidos são aqueles disponiveis que ninguem quer, escondidos nas areas suburbanas, onde pela janela se vêem os drenos, os ratos, os fossos.
Mas detrás de tudo isto existe uma vida. Existem as ortes, o verde.. a água.
Em Roma, o Tibre é um elemento de partição, de distribuição, mas também de vazios. Os vazios não construidos a qual se adicionam outras negligências á estrutura industrial antiga. Tudo isto à margem de uma cidade que respira e cresce: existe o movimento, a autoestrada, os parques, os armazens.
Os elementos quotidianos da vida privada estão ali, onde tudo se vê: a cozinha em área aberta, os quartos, os habitantes que secam-se sobre o sol. Existe também a mulher que cozinha e se ri, existem as crianças que jogam, existem os animais.
Existe o homem que cultiva as batatas e as favas.
E detrás, no horizonte está a cidade. Sempre a cidade: o perfil dos edificios, os veiculos ruidosos. A cidade para a qual se vive e em que se trabalha e se procura: é tambem aquela em que nos perdemos.

Também, os estudantes de arquitectura de Roma Tre, estão perdidos nesta cidade feita de pequenas cidades. Foram seguindo o percurso do Tibre e descobriram uma realidade onde existem pequenos detalhes da vida das pessoas, deste nomadas sem demora na cidade, mas ao mesmo tempo á margem da cidade. Aqui está: a margem e a barreira.

Duarte Macedo
www.duda1000.spaces.live.com

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