Miguel Ribeiro Arq. Posted June 15, 2007 Report Posted June 15, 2007 Partindo de um objectivo concreto, formalizei uma ideia inicialmente abstracta, que se materializa e ganha preponderância no projecto que desenvolvi.Numa primeira fase procurei perceber os valores essenciais a reter nos objectivos do concurso, preconizando e estabelecendo algumas normas em termos de organização às quais me regi durante todo o meu processo projectual. Percebendo a necessidade de projectar um espaço mínimo, que reunisse as condições necessárias e inerentes à vida humana, proclamei ao longo das diferentes fases estabelecer hierarquias na projecção de espaços e na sua organização. Decidi à partida criar uma habitação que subsistisse num núcleo urbano moderno, e que na relação com uma possível malha de implantação, esta (habitação) não a descaracterizasse nem lhe retirasse todo a sua identidade e carácter de uma forma abrupta. Neste sentido proferi uma composição ortogonal da mesma, tornando-a formalmente coerente e libertando-a no seu interior, podendo desse modo desenvolver uma organização espacial com sentido e disciplinada. Abordando o modo como articulei a área habitacional, posso afirmar que desenvolvi espaços hierarquicamente dissemelhantes, onde a zona comum da habitação e a zona privada da mesma se relacionam de uma forma subtil, e a sua configuração material e formal é diferente. Assim, a área comum subsiste numa conexão de espaços, onde a habitação se vai revelando desde a entrada (para a zona de estar) à qual se sucede um lugar determinante, pelo qual se interligam os diferentes espaços. O espaço privado ganha relevância e torna-se num espaço autónomo da habitação, precavendo uma maior noção de intimidade e individualidade. A área destinada ao preparo de refeições (cozinha), liga-se de uma forma directa à zona de comer, fazendo com que a organização espacial não entre em conflito em torno de si própria. A casa de banho (instalação sanitária) como espaço qualitativo e de grande relevância na habitação, serve tanto a área comum como o espaço mais privado da habitação (o quarto).Sendo um dos objectivos do concurso promover um espaço habitável com o máximo de 27m3, tive em atenção promover um jogo a nível do pé-direito dos espaços, onde o espaço mais social da habitação (sala de estar, zona de comer e própria cozinha) teriam um pé-direito maior, relativamente ao quarto (espaço privado da habitação) e instalação sanitária. Este jogo volumétrico, resulta num deslocamento visual de volumes que se consolidam num todo unitário.A escolha dos materiais reflecte a preocupação que tive em diferenciar a zona comum (onde o vidro e o metal cromado envolvem todo um espaço mais frio, mais permeável ao contacto exterior, mais diário, ou seja mais social) e a área privada (onde a madeira como material mais quente, mais acolhedor, que traduz simbolicamente um maior contacto com a natureza e que remete a toda uma intimidade e individualidade inerente ao Homem, ganha forma e como que adquire autonomia no seio da habitação). Em suma, a simplicidade formal da habitação resulta de um desenho esclarecedor da ideia e de uma atitude minimalista, que reflecte e procura solucionar os problemas explícitos no programa do concurso, na concepção do espaço habitável. Quote
3CPO Posted July 18, 2007 Report Posted July 18, 2007 Olá Miguel, Antes de mais, felicito a tua participação no concurso. Aproveito para referir que os renders que publicaste induziram-me em erro nas diversas escalas. No terceiro render, percebo que o perfil da rua é da dimensão do sofá...será mesmo? Abraços :p Quote
Recommended Posts
Join the conversation
You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.