Jump to content

Recommended Posts

Posted
Intervenções na Cidade - Arquitectura de Ausência
Rodolfo Reis com David Abondano e Kenzo Yamashita

http://img143.imageshack.us/img143/6203/ic004arqausencia1mc0.jpg

http://img143.imageshack.us/img143/6321/ic004arqausencia2si5.jpg

A proposta:
O desenvolvimento da cidade europeia encontra-se num momento em que o crescimento e configuração urbana atingem o seu limite. A elevada densidade dos centros urbanos tem provocado uma fragmentação das cidades, em que cada um dos seus elementos luta pela sua sobrevivência, tentando conservar a sua identidade dentro da cidade global. Actualmente estamos a viver a “ciudad collage”, que, por um lado nos oferece a riqueza da multiplicidade e da heterogeneidade, mas por outro, asfixia o cidadão por meio de uma efervescência de imagens e mensagens, as quais este é incapaz de assimilar.

É tal a necessidade de espaço nos núcleos urbanos, que os poucos lugares vazios, convertem-se em objectos desejados por especuladores imobiliários, ou noutro caso por pessoas sem alojamento com pretensões ocupas. Isto leva-nos a concluir que os vazios urbanos têm apenas dois destinos: ou a construção de um objecto arquitectónico, preenchendo assim o vazio; ou a sua ocupação indesejável traduzindo-se em deterioração e insegurança.

Mas é realmente o vazio urbano um elemento negativo? A dinâmica urbana actual, impede-nos de ver (sobretudo aos arquitectos) que a cidade se pode construir de uma maneira diferente, passando o vazio urbano a desempenhar um papel fundamental. Neste caso, é o vazio que constrói a cidade dando lugar a um “evento”, deixando de ser um espaço para simplesmente ser edificado.

Este projecto pretende incorpora-se nesta perspectiva, onde “construir é propriamente habitar” *. Com base neste raciocínio intervimos no “vazio” situado em frente ao Chapitô, uma companhia de artes cénicas situada na rua Costa do Castelo. Trata-se de um terreno em encosta contíguo às muralhas do castelo de S. Jorge, sendo delimitado na sua cota inferior por um muro em elevado estado de ruína, camuflado pela vegetação que aleatoriamente ali se desenvolve e por um ou outro graffity…Criando uma confecção entre o Chapitô e o Castelo, este vazio deixa de ser uma simples extensão espacial ou territorial e passa a actuar como espaço que pretende dar lugar a diferentes acontecimentos.

Assim, este percurso permite dar um novo contributo para a cidade, já que o espaço que anteriormente se encontrava vazio, na sua forma e função, passa a ser utilizado como um lugar de confluência, propondo-se a criação de um anfiteatro e de uma galeria de arte, explorando assim as qualidades e identidade do lugar.

Ao manter o vazio, o projecto não compete com os elementos pré-existentes, mas sim potencia-os e atribui-lhes um novo valor. Por meio da geometrizarão da paisagem, recordamos a topográfica da colina sobre a qual se eleva o castelo e parte da cidade. Com este projecto criamos uma forma diferente de aceder e experimentar o castelo, tornando-se mais próxima a relação com o Chapitô, dando-lhes deste modo, uma nova qualidade artística e cenográfica.

Incorporando a heterogeneidade da cidade contemporânea, respeitamos e valorizamos o passado, dando ao cidadão um espaço de refugio dentro da densidade urbana.

*Heidegger, Martin, Construir, habitar, pensar. Tradução de Eustaquio Barjau, in Conferencias y Artículos, Serbal, Barcelona, 1994.


O que disse o júri:
Trabalho seleccionado pelo modo como articula a proposta de um novo percurso de acesso ao Castelo de São Jorge, aproveitando parcelas baldias, com a qualificação de um espaço público capaz de proporcionar eventos colectivos e artísticos. A argumentação associada à proximidade do Chapitô assim como a qualidade arquitectónica da proposta de carácter orgânico e sensível à exposição da colina justificaram a selecção.



Contributo para uma reflexão:
Modelar um percurso pela encosta preservando o potencial do vazio como espaço de confluência cenográfica, palco para apropriação teatral e artística. O ensaio de Rodolfo Reis, em colaboração com David Abondano e Kenzo Yamashita, faz reflectir a preocupação por uma experiência urbana estilhaçada pelo excesso de fragmentos informativos, advogando o vazio como contraponto possível para o reencontro com experiências de cidade alternativas, em que a arte e a expressão humana possam ter lugar.

Fonte:
Blog _ Trienal de Lisboa
Posted

Uma fotomontagem e um conceito e temos arquitectura... ao que isto chegou...


Será que esta abordagem conceptual / reflexão urbana é assim tão redutora como dizes?
Ou será que é uma introdução para o que vai estar exposto na Trienal?

:)

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.