3CPO Posted April 19, 2007 Report Posted April 19, 2007 Obras da Colecção Berardo na Assembleia da República desafiam a repensar escultura Uma árvore que não dá sombra e 2200 mãos em ferro a manifestar-se são algumas das ideias de artistas portugueses e estrangeiros contemporâneos concretizadas em esculturas que podem ser vistas a partir de hoje e até 19 de Agosto na Assembleia da República. Estas obras fazem parte de um percurso de 30 criado por Jean-François Chougnet, comissário da exposição "3d - Colecção Berardo na Assembleia da República" hoje revelado aos jornalistas pelo também director do Museu Berardo. Inserida no programa cultural do parlamento para divulgar e promover a arte contemporânea, a exposição"é uma pequena introdução" ao que o público poderá ver a partir do final de Junho, quando abrir o Museu Berardo, referiu. "Muitas pessoas têm uma relação difícil com a arte contemporânea, sobretudo com a escultura, por ser tão conceptual. São frequentes os comentários: qualquer criança faria isso", ironizou. Mas esta relação difícil poderá ser aligeirada, segundo o comissário, se o público visitar as obras num espaço que não é um museu, e com as devidas explicações de um guia. "Quero ver as reacções das pessoas a estas obras que mostram um percurso importante da história da arte contemporânea", apontou Jean-François Chougnet, que irá ele próprio guiar algumas das visitas, de entrada gratuita, mas marcação obrigatória. "Estas obras colocam questões e rompem limites. Isto é, afinal, a essência da arte, um questionar e pesquisar permanente". Lembrar cem anos do pensamento sobre o conceito de escultura As obras foram colocadas em vários espaços do parlamento para evocar cem anos do pensamento sobre o conceito de escultura e a sua apresentação no espaço público. A exposição começa no claustro do edifício onde foram colocadas obras dos artistas portugueses Rui Chafes ("Perder a alma", em ferro), Fernanda Fragateiro ("Caixa desmontagem 6", em aço inox), Rui Sanches (Sem Título, em madeira) e Ângelo de Sousa ("L´Hômme qui Marque et la Femme aussi", em aço inox escovado), recentemente adquiridas pela Fundação Berardo. Continua pelo interior do edifício neo-clássico, num percurso pelo piso 0 e piso 1 até aos jardins, espaço que o comissário vê como "um pequeno estado de graça" para colocar as peças devido à "luz maravilhosa de Lisboa". Os visitantes vão-se deparando com a "Árvore sem Sombra" de João Paulo Feliciano, criada com tubos de luz fluorescente, uma "Femme à Demi-Tête" de Max Ernst feita em bronze, 16 fotografias a preto e branco de torres de água, tiradas por Bernd & Hilla Becher, e um "Bob Tail" e um "Poodle", dois cães em madeira pintada de tamanho natural criados pelo artista Jeff Koons. Para instalar a peça "Register", de Peter Burke, a equipa teve que fazer uma avaliação da capacidade do primeiro piso do parlamento, isto porque 2200 mãos em ferro fundido e aço, com cinco quilos cada, pesam um total de 12 toneladas. Alinhadas num suporte do mesmo material, as mãos criadas por Burke foram inspiradas numa fotografia de uma manifestação em Espanha, com milhares de pessoas de mãos erguidas. A exposição - com 19 pertencentes à colecção do Museu Berardo e as restantes pertença da colecção pessoal do comendador - são representativas das transformações da escultura ao longo dos séculos XX e XXI, e incluem ainda "Reclining Figure", de Henry Moore, "L´Arbre Biplan", de Jean Dubuffet e "Sandstone Line", de Richard Long. "3d" pode ser visitada na Assembleia da República apenas com guia "por razões de segurança" de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 17h00. Fonte: Publico.pt Quote
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