3CPO Posted March 18, 2007 Report Posted March 18, 2007 SIL _ Lisboa ADOC _ 2006 Na área de intervenção lê-se um espaço sobrante, resultante da confluência de várias intervenções urbanas, distantes no tempo e na sua conceptualidade. Como espaço sobrante é confinado por elementos urbanísticos consolidados, não necessariamente regrados, mas que transformam esta parcela numa espécie de ‘ilha’. Esta ausência de sinais tornou importante a criação de uma ‘paisagem’ própria que suportasse a acção da colagem e da continuidade. A proposta centra-se na reinvenção de um percurso existente dando-lhe sentido e urbanidade. A alameda central assume esse lugar, desmultiplicando a diferença de cota entre a Rua Conselheiro Lopo Vaz e a Avenida Recíproca, o que possibilita a existência de ‘rua’, edificado, usos, jardim e sobretudo pessoas. Assim, a alameda induz um percurso aparentemente labiríntico e ramificado que procura uma complexidade que se pretende dinamizadora desta nova unidade urbana, e capaz de criar sinergias entre as várias valências. Em alternativa a este percurso é criada uma escadaria, que conduz ao parque público na cobertura das construções que definem a alameda e que alberga o comércio de conveniência, desenhando o embasamento. O embasamento, além de aglutinar as áreas de comércio e serviços, revela-se como o elemento de suporte urbanístico e o alicerce visual dos volumes que resolvem grande parte do programa habitacional da proposta. Desta maneira, pretende-se que o embasamento seja uma peça com gravidade, evitando fragilidades formais, cujo desenho revele a sua tectónica – um grande monólito de pedra é rasgado por finas fenestrações e colectores solares. É ainda prevista uma pequena percentagem de uso habitacional destinada a residências de estudantes e a um sector mais económico. A nova urbanidade que esta intervenção pode proporcionar não se encerra apenas no seu desenho, mas num conjunto de intenções que passam também pela distribuição dos diferentes usos que compõem o projecto. Deste modo a abertura de novos espaços complementares da Rua Conselheiro Lopo Vaz, com vivências distintas, contribuem de certo para uma melhoria das condições psicossociais da envolvente. Os edifícios habitacionais criam uma regra urbana capaz de promover novas actuações na frente norte da Rua Conselheiro Lopo Vaz e de constituir simultaneamente a frente e o remate da rua, já que, o limite a nascente é a linha ferroviária. A tentativa de que as pessoas se relacionem entre si de uma forma mais próxima e para que habitem este espaço como comunidade da grande ‘urbe’, gera a forma escultórica dos edifícios de habitação. A ideia de ampliar a relação de vizinhança, potenciadora de uma melhor harmonia social, sem a restringir ao residente mais próximo, constrói estas formas de lógica aparentemente aleatória. Ao invés do embasamento, aqui os recortes são francos, com vista ao aproveitamento da luz e do clima característicos da cidade. A orgânica dos edifícios assenta na criação de dois módulos tipológicos, um destinado a habitações do tipo T1 e T2, e outro destinado a habitações do tipo T3 a T5. Os edifícios ‘A’ e ‘B’ são compostos por um módulo de cada, o edifício ‘C’ é composto por dois módulos maiores, e o edifício ‘D’ por dois menores, sendo que o módulo menor estará sempre do lado da Rua Conselheiro Lopo Vaz. O modelo de habitação proposto procura devolver a dimensão familiar da ‘casa’. A recuperação da zona social como elemento regrante de toda a estrutura espacial e a criação de novos espaços de reflexão são as bases desta solução. O ‘bairro’ surge como a tipologia urbana de referência, a união dos usos como elo de dinamismo e o azulejo como a imagem agregada. Uso Habitacional nos Edifícios ‘A’, ‘B’, ‘C’ e ‘D’ 27.000m2 (aprox. 60%) Uso Habitacional no Embasamento 5.500m2 (aprox. 12,5%) Uso Comercial no Embasamento 5.500m2 (aprox. 12,5%) Uso Terciário e Indústria compatível no Embasamento 6.750m2 (aprox. 15%) Fotografias: Fonte: EuropaConcorsi :) Quote
JVS Posted March 24, 2007 Report Posted March 24, 2007 O projecto é extremamente interessante. Joga com duas lógicas e joga com um imaginário islâmico do oásis e dum pátio-rua que se prolonga... Há qualquer coisa nele que não funciona bem. São as fachadas que arriscam numa vanguarda formalista sempre proxima dos bairros sociais existentes em Chelas. Resulta nesta idolatria pelo feio da função pela função e do conceito pelo conceito. Onde está a beleza nisto? Quote
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