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Reconstrução da Cidade de Lisboa Pós-Terramoto

ISCTE - Análise do Plano Nº1 de Reconstrução da Baixa Pombalina - Trabalho de Grupo
3º Ano - Projecto Urbano I

Por entre ruínas, miséria e o desespero era necessário criar um plano de reconstrução para a cidade de Lisboa sendo este destinado ao futuro e ao bem-estar de todos.
Sebastião José de Carvalho e Melo que revelou ser um homem forte de acção, capaz de ultrapassar as adversidades, ordenara que o engenheiro-mor do Reino, o velho Manuel da Maia, estudasse a reconstrução da cidade, (e entregasse ao Duque de Lafões, Regedor das Justiças) sendo as propostas deste elaboradas afanosamente, entregando a primeira parte do seu memorando a 4 de Dezembro de 1755, a Segunda a 16 de Fevereiro de 1756 e a terceira e última parte a 19 de Abril de 1756.Na primeira parte das suas dissertações este inicia a sua exposição apresentando cinco modos que considera possíveis para a reconstrução da cidade de Lisboa:

“O primeiro modo restituí-la ao seu antigo estado, levantando os edifícios nas suas antigas alturas, e as ruas nas suas mesmas larguras”.

“O segundo modo, levantando os edifícios nas suas antigas alturas, e mudando as ruas estreitas em ruas largas”.

“O terceiro modo, diminuindo as alturas [dos edifícios] a dous pavimentos sobre o térreo, e mudando as ruas estreitas em largas”.

“O quarto modo, arrazando toda a cidade baixa, levantando-a com os entulhos, suavizando assim as subidas para as partes altas, e fazendo descendo para o mar com melhor correnteza das águas, formando novas ruas com liberdade competente, tanto na largura como na altura dos edifícios que nunca poderá exceder a largura das ruas [...] livrando Lisboa baixa das inundações que padece em ocasiões de maré-cheia”.

“O quinto modo, desprezando Lisboa arruinada, e formando outra [cidade] de novo desde Acantara até Pedrouços [belém]; com permissão porém de que os donos das casas de Lisboa arruinada as pudessem levantar como quizessem”.


Assim Manuel da Maia enunciava as duas alternativas fundamentais: reconstruir Lisboa no mesmo local, ou criar uma nova cidade na margem ribeirinha de Belém. Mas constata-se a dificuldade de Manuel Maia em escolher entre os cinco modos referidos mas este conclui: “ Só a eleição que S. Majestade fizer do sitio para o seu Real Palácio poderá fazer pesar a opinião que lhe for mais apropriada”. Ao longo de toda a sua dissertação sobre a renovação da cidade de Lisboa Manuel da Maia apresenta uma visão inovadora do espaço urbano enquanto espaço público, onde a vida social se desenrola, e que consequentemente deve ser planeado com essa finalidade. E é esta visão que demostra claramente uma preocupação com o bem-estar da população lisboeta. Examina assim os melhoramentos técnicos que dizem respeito principalmente aos esgotos e recolha de lixos, ao abastecimento domiciliário de água e das bocas de incêndio.


Propôs que sempre que possível, deverá ser construída uma cloaca (colector) no meio das ruas principais, a que se virão ligar as tubagens subterrâneas dos edifícios. As ruas mais movimentadas deverão ter arcadas “[...] para comodidade da passagem da gente em tempo de inverno, e chuvoso [...]”, e ter de largura cerca de 60 palmos, tendo dois passeios com dez palmos de cada lado. Para além destas preocupações Manuel da Maia insiste e repete a ideia de que os novos edifícios deverão ter apenas três andares, e recomenda que Eugénio dos Santos desenhe todas as fachadas para garantir a harmonia de composição de cada rua. A última parte do seu trabalho apresenta a exposição de vários desenhos ilustrados ou seja as diversas alternativas da planificação de Lisboa, depois deste ter organizado três equipas de engenheiros militares, fornecendo a cada um o levantamento topográfico de 1718 sobre o qual deveriam trabalhar e executar plantas da nova cidade. Mas Manuel da Maia impõe que os templos e as capelas sejam mantidos nos mesmos sítios, e sugere a criação de novas praças com vista a uma maior circulação do ar e que se desenhe uma nova praça no Terreiro do Paço. Deste projecto nascem seis plantas das quais os autores são:

Planta Nº1 - Pedro Gualter da Fonseca e Francisco da Cunha
Planta Nº2 - Capitão Elias Sebastião Pope e José Pope
Planta Nº3 - Capitão Eugénio dos Santos e Carvalho e Carlos A.
Planta Nº4 - Pedro Gualter da Fonseca
Planta Nº5 - Eugénio dos Santos e Carvalho
Planta Nº6 - Elias Sebastião

Plano Nº 1 - Pedro Gualter da Fonseca e Francisco Pinheiro da Cunha

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A esta equipa fora pedido que alargasse as ruas estreiras e abrisse os becos. Foi também pedido que alargasse as dimensões do Terreiro do Paço, para além de se colocar a Bolsa em local de destaque.

Como resultado foi apresentado um plano com múltiplos quarteirões de forma irregular em que as ruas principais ligam vários largos.

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[Topografia e Estratégia de Adaptação ao Terreno]

A topografia determinou a forma como se iriam clarificar certos aspectos: a imposição dada pelo Conde de Oeiras permite a regularização e consequente afirmação dos principais eixos da cidade antiga. Os declives do terreno justificam a direcção e torção de ínumeras ruas, principalmente nas zonas de transição entre a malha antiga e a nova.

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[igrejas e Edificios Notáveis]

1. Igreja de S. Domingos
2. Igreja de S. Mateus
3. Hospital Real de Todos os Santos
4. Igreja de Sta Justa
5. Igreja de S. Cristóvão
6. Igreja de São Nicolão
7. Igreja de Nª Sª da Palma
8. Igreja e Convento do Corpus Christi
9. Igreja de S. Mamede
10. Igreja de Conceição das Freiras
11. Igreja da Madalena
12. Igreja Sé (Stª Maria Maior)
13. Igreja da Misericórdia
14. Alfandega
15. Casa dos Cantos
16. Alfandega do Tabaco
17. Bolsa
18. Igreja da Conceição
19. Igreja de São Julião
20. Igreja de Nª Sª da Vitória
21. Igreja de São Roque
22. Igreja da Trindade
23. Igreja e Convento do Carmo
24. Igreja do Sacramento
26. Igreja Nª Sª da Encarnação
27. Igreja do Espirito Santo
28. Igreja do Convento da Boa Hora
29. Igreja da Patriarcal
30. Igreja do Convento de São Francisco
31. Igreja de Nª Sª dos Martires
32. Corpo da Guarda
33. Casa da India
34. Palácio Real




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[Estrutura e Hierarquia - Antigo vs Novo]

No plano para a nova cidade, previa-se que se mantivessem os dois eixos principais, as praças principais, as praças de articulação do traçado anexas às ruas principais.
Estas ruas ganham uma maior importância devido à presença das igrejas, das praças e de edifícios notáveis.
A relação com o traçado da cidade pré-terramoto é evidente, estando assinalados os eixos, as igrejas e edifícios notáveis que se mantiveram.




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[Estrutura de Quarteiroes - Antigo vs Novo]

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[Relação e Articulação da Malha com as praças - Antigo vs Novo]

A estrutura de quarteiroes e respectiva malha urbana são evidentemente um reflexo da cidade pré-terramoto. A organização é elaborada segundo principios da época, mantendo uma estrutura base medieval.
Nesta organização, as praças assumem um papel crucial na articulação das diversas malhas de quarteirões.



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[Tipologia de Fachadas]

O alinhamento e repetição de fachadas torna-se um aspecto fundamental mencionado pelo Conde de Oeiras nas Dissertações.
O uso de módulos facilita esta medida a adoptar na uniformização da nova cidade.
Este sistema de módulos e repetição de fachadas irá depender da hierarquia e importância das ruas.

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[Tipologia 1 e 5]


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