JVS Posted November 20, 2006 Report Posted November 20, 2006 David Chipperfield Museu Literatura Moderna Marbach, Estugarda Em Junho deste ano foi oficialmente inaugurado o Museu da Literatura Moderna situado na pequena cidade de Marbach, perto de Estugarda, na Alemanha. O museu encontra-se situado no parque da cidade, no topo de um plateau rochoso sobranceiro ao vale do rio Neckar. O parque da cidade que é berço do dramaturgo Friedrich Schiller, alberga também um museu nacional com esse nome datado de 1903 e ainda o Arquivo de Literatura Alemã construído em 1970. O edifício do Museu da Literatura Moderna apresenta-se como um templo neo-palladiano e ao mesmo tempo, um ensaio de minimalismo austero. Embebido na topografia, o novo museu revela-se ao visitante em diferentes níveis conforme o ângulo de visão. O aproveitamento do declive acentuado da escarpa através da criação de plataformas permitiu a criação de diferentes ambientes – uma entrada sombreada e intimista na fronte da encosta de frente para o Museu Nacional Schiller e o seu jardim e depois uma série de terraços descendentes de frente para a encosta e para o vale abaixo. Um volume em forma de pavilhão localiza-se na plataforma de cota mais elevada, oferecendo e induzindo ao visitante a entrada para o museu. Chipperfield explica que o seu trabalho está a adoptar características diferentes consoante o país em que se encontre a projectar. ‘Algumas questões no atelier de Berlim são muito diferentes das do atelier de Londres’, diz ele. ‘Estamos claramente a jogar com diferentes linguagens arquitectónicas’. Os interiores do museu vão-se revelando à medida que se faz o percurso descendente desde a loggia, foyer e núcleos de escadas, preparando o visitante para as galerias de exposição revestidas a madeira de tom escuro, apenas iluminadas com luz artificial devido à fragilidade das peças expostas. Ao mesmo tempo, cada um destes ambientes controlados dá para uma galeria com iluminação natural para equilibrar o mundo interno dos textos e manuscritos com a paisagem cénica para lá do vidro. O conceito adoptado para a escolha dos materiais a usar baseou-se também na austeridade e na pureza da linguagem dos materiais em bruto (betão à vista, pedra calcária, madeira e vidro), acompanhando a linguagem calma, racional e sensitiva da forma do edificio. Para o pavimento foi usada pedra calcária local, para a estrutura e paredes internas foi usado betão com inertes do mesmo tipo de pedra e para as paredes da galeria e caixilharia da fachada de vidro no piso da entrada foi usada madeira de ipê. Para melhoramento do comportamento acústico foi usado tecido para alguns revestimentos interiores. O aspecto mais marcante do edificio é o seu aspecto austero, em forma de templo e apesar de parecer relativamente simples, a geomorfologia do lugar permite ao edificio assumir um aspecto monumental quando observado de sudoeste, onde a fachada de dois pisos é visível. A ortogonalidade é vincada com uma estrutura em betão atrás da qual se esconde uma pele de madeira. Apesar da austeridade dos materiais, o resultado final é bastante despretensioso e até descontraído incitando ao movimento pelo espaço do museu em vez de apresentar uma imagem estática e definitiva ao visitante. Ao aproximar-se pelo lado da praça até ao lado nordeste do edificio, a primeira impressão do visitante é a de um paralelepípedo com uma colunata. Contudo existem duas hipóteses de aproximação ao edifício. A primeira é descer a escadaria pelo lado este do museu ao longo da colunata e depois rodar 180º até à área de recepção. A segunda (e mais provável) seria continuar na direcção poente em direcção ao Museu Schiller, virar em diracção a sul, andar um pouco até ao espectacular terraço antes de virar novamente em diracção a nascente e entrar. A segunda hipotese de percurso é claramente aquela que se quis induzir como sendo a principal e culmina na entrada propriamente dita, sinalizada simplesmente pela ausência de 5 colunas no lado noroeste do edificio. Este gesto é pura retórica mas é parte de uma sequência de percurso fabulosa. A área de recepção é uma mistura de superficies de betão e de vistas através do edificio novamente para o exterior. As galerias situam-se num piso subterraneo, dada a necessidade de preservar os manuscritos e outros documentos da luz natural. As obras expostas incluem o manuscrito original de ‘The Trial’ da autoria de Franz Kafka e muitas outras relíquias da literatura alemã do século XX. A planta desta galeria é uma sequência assimétrica quase palladiana dos diversos espaços que a compõem, com diferentes áreas e pés-direitos. Todos os espaços da galeria menos um têm acesso directo a um espaço naturalmente iluminado no perímetro do edificio, onde o visitante pode desafogar a vista. Um destes espaços percorre um dos flancos do museu, revelando a sua escala apenas com um relance, uma experiência única num edifício enterrado. O outro espaço que dispõe de luz natural é o mais espectacular. Tem-se acesso a ele directamente das áreas de exposição e oferece uma vista tão fantástica para o vale do rio Neckar quanto o terraço que situa acima. O único espaço que não tem acesso às vistas é, curiosamente, o único que é iluminado por luz natural e albergará exposições temporárias. O duplo pé-direito do espaço permite a entrada de uma luz zenital não agressiva de norte, criando uma atmosfera semelhante à de uma capela.<br> A escolha dos materiais funcionou perfeitamente nas galerias e é resultado da larga experiência de Chipperfield no projecto de museus. Contudo, pelo facto do objecto de exposição ser tão sensível (manuscritos e livros delicados) o nível lumínico máximo permitido é de 50 lux. Na galeria principal, a luz emana apenas das vitrinas, algo que a madeira de ipê aguenta perfeitamente sem perder o seu efeito estético. Algumas críticas acusaram este edifício de se parecer superficialmente com arquitectura fascista mas as referências nasceram sim dos cânones da arquitectura clássica. O projecto foi influenciado pelo arquitecto Schinkel no seu ecletismo e neo-classicismo urbano e pelos arquitectos alemães que antecederam o modernismo da Bauhaus - Hans Poelzig e Peter Behrens que usaram referências classicistas fazendo uso de materiais industriais. É um edificio cheio de subtileza e humanismo com influências minimalistas e zen próprias de Chipperfield. Não poderia existir vencedor mais merecedor do Stirling Prize este ano. Edição Construlink.com Arq. Ana Rita RemourinhoIN http://www.construlink.com/Homepage/verDestaqueArquitectura.php?id=36 Quote
Sérgio Barbosa Posted November 21, 2006 Report Posted November 21, 2006 Muito interessante sim senhor, gostei sobretudo da sua implantação, do seu enquadramento na envolvente... Quote
3CPO Posted October 7, 2007 Report Posted October 7, 2007 Museu de Literatura Moderna - David Chipperfield Fonte: EuropaConcorsi Quote
nunomiguelneto Posted October 9, 2007 Report Posted October 9, 2007 Há certos jogos de luz e cor que ficam sempre fantásticos... e o Arq. David Chiperfield sempre soube (e sabe) conjugar todos esses enquadramentos! Quote http://nunomiguelneto.tumblr.com/http://canaisdoneto.wordpress.com
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