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Freguesia de contrastes aposta em redes sociais


Marina Almeida
Leonardo Negrão (foto)
Imagem colocada"Prefiro ter uma rede social a funcionar a ter jardins mais verdes ou passeios sem buracos." Paulo Quaresma, presidente da Junta de Carnide (CDU), acredita na "humanização dos espaços e das populações" e está convicto do caminho que tomou, criando "redes sociais" nesta "freguesia de contrastes" onde coabitam o maior bairro social da Europa com habitação "de qualidade". Por isso apoia os novos - assegurando o funcionamento das escolas da freguesia (desde jardins-de-infância até ao primeiro ciclo) das 08.00 às 19.30, "durante todo o ano", com actividades de enriquecimento curricular e fornecimento de refeições. E desenvolveu uma estrutura de apoio aos idosos carenciados - que se prepara para avançar para o apoio domiciliário. O autarca traçou o perfil do bairro de Carnide, que deixa de ser apenas dormitório graças às instituições que ali se instalaram - como a Casa do Artista, o ISLA ou a escola de formação de animadores do Jardim da Luz.

Parque dos Artistas de Circo é bomba-relógio de degradação e insegurança

Um dos ofícios de Karley Aida é o ilusionismo, mas ainda não conseguiu fazer magia no Parque dos Artistas de Circo, onde mora há 26 anos. "Estou com receio de aqui estar, hoje não se sabe quem entra aqui", diz a mulher, de voz forte, que também trabalha com pombos amestrados, é palhaço e professora de Artes Circenses. O universo colorido do circo fica à porta deste local, paredes meias com a Casa do Artista, onde se amontoam roulottes e lonas a que o sol já tirou o viço.

O Parque dos Artistas de Circo tem a sua actual configuração - uma fatia de terreno onde hoje vivem "60 a 70 famílias" de artistas de circo e outro tanto de "forasteiros" - há 12 anos. Nessa altura foram amontoados num dos extremos da propriedade para permitir a construção da Casa do Artista. Também nessa altura, a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que gere o local, realojou muitas famílias. "Cerca de 30 ficaram", conta Paulo Quaresma, presidente da Junta de Carnide, que não hesita em apontar o local como "a nódoa da freguesia."

Há quatro anos, a CML deixou de assegurar a segurança do recinto e, desde então, as portas estão abertas à insegurança e qualquer pessoa entra no parque. "Infiltraram-se pessoas que não são artistas de circo", conta Karley Aida. Hoje é "ela por ela" o número de artistas e de "infiltrados" que ali vivem. "Agora já não se pode deixar as portas abertas", corrobora Paulo Maris, chefe de uma das grandes famílias do parque. Este artista não tem sobre si os holofotes. É a luz de fim de tarde que realça um olhar cansado. "É a câmara que tem a culpa disto tudo", diz, apontando a degradação do recinto, onde as enormes caravanas - que são quarto, sala, cozinha e camarim - não conseguem respirar. "Se há aqui um incêndio, não temos por onde sair, é agarrar na roupa e ir embora."

Desde o "abandono" a que - dizem - a câmara votou o parque há quatro anos, os artistas residentes deixaram de pagar a renda. A autarquia continua, no entanto, a fornecer água e luz ao local. Há um balneário comum, que se foi degradando. O cenário faz lembrar um misto de parque de campismo em época de defeso com bairro de barracas.

Nem sempre foi assim. Antes da mudança para o actual terreno, o recinto "tinha condições", diz Paulo Maris. "Havia onde ensaiar e uma zona de estacionamento", relata. Hoje o pouco espaço de circulação livre acaba por ser ocupado com carros.

Karley Aida foi uma das que não quiseram sair quando a CML fez os realojamentos e colocou os artistas na Ameixoeira: "Daqui não saio, daqui ninguém me tira." A sua determinação é partilhada por Paulo Maris. Explicam-nos que é mais do que simples obstinação que os move. Os terrenos que insistem em pisar foram a Quinta de São Lourenço, cedida pelo conde de Carnide aos artistas circenses. A doação foi feito ao Siarte - Sindicato das Artes e Espectáculos -, ficando a autarquia com responsabilidades de gestão.

O parque onde desde os anos 80 instalaram as suas roulottes foi sendo fatiado. A Casa do Artista de um lado - "é o pavão e o patinho feio", aponta Maris -, as oficinas do Metropolitano do outro. Com a entrada de pessoas "que ninguém sabe quem são" - aponta o presidente da junta - a lotação mais que esgotou. Os residentes e artistas de circo pedem que a autarquia volte a assegurar a segurança do local e que faça o levantamento "das pessoas que não têm direito" de ali estar.

Às condições degradadas do local juntou-se uma nova equação: as linhas de alta tensão que estão sobre o local. Paulo Maris conta que nos últimos meses morreram seis pessoas, "todas com cancro, incluindo o Cantinflas, o rei das anedotas". E há outros casos identificados: "As pessoas queixam-se de dores de cabeça constantes", diz, apontando para o enorme poste que sustenta, lá em cima, os cabos. Entre os novos casos que se prenunciam, está um bebé de um ano. Naquela tarde fez nova visita ao hospital e no regresso os pais não sorriam.


in http://dn.sapo.pt/2006/11/19/cidades/freguesia_contrastes_aposta_redes_so.html

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