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WANG SHU SUCEDE A SOUTO DE MOURA
Prémio Pritzker 2012 é chinês
Wang Shu tem uma "obra artesanal", muito valorizada pelo júri do mais importante prémio da arquitetura do mundo.
O sucessor de Eduardo Souto de Moura na lista de arquitetos premiados com o prémio Pritzker é chinês e tem 48 anos.
Segundo o júri, a obra de Wang Shu respeita o meio ambiente e tem uma grande profundidade filosófica, conciliando tradição e modernidade.
O arquiteto tem desenvolvido trabalho maioritariamente na China e em particular na cidade de Hangzhou, 170 quilómetros a sudoeste de Xangai, onde dirige desde 1997 o Estúdio de Arquitetura Amateur.
Thomas J. Prtizker, presidente da Fundação Hyatt que anualmente promove a atribuição do "Nobel da Arquitetura", justificou assim a escolha: "A eleição de um arquitecto chinês supõe um importante passo no reconhecimento do papel que a China terá no desenvolvimento dos ideais arquitetónicos". "Além disso, o êxito do urbanismo chinês nas próximas décadas será importante, não só para a China mas para o mundo inteiro", sublinhou.
O Pritkzer consiste num prémio monetário de 100 mil euros (cerca de 74 600 euros) e uma medalha de bronze.
A cerimónia de entrega do prémio acontece no dia 25 de maio, em Pequim, capital da China.
Portugal tem dois prémios Pritzker: Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura.

in http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2329327&seccao=Arquitectura&page=2

Prémio Pritzker para Wang Shu estimula arquitectos ocidentais na China
A inédita atribuição do Prémio Pritzker 2012 ao arquitecto chinês Wang Shu, anunciada na terça-feira, é «um estímulo» para as centenas de jovens criadores ocidentais estabelecidos na China, disseram hoje profissionais do sector.
«É um grande impulso para todos os arquitectos e mostra que a China também produz coisas fantásticas», afirmou Jan Félix Clostermann, director do ateliê britânico Sparch em Pequim.
Considerado «o Nobel da arquitectura», o Premio Pritzker já distinguiu, entre outros, Álvaro Siza Vieira (1992), Eduardo Souto Moura (2011), Óscar Niemeyer (1988) e o sino-americano I.M. Pei (1983), autor da famosa pirâmide do Louvre, em Paris.
Wang Shu, 49 anos, radicado em Hangzhou, é o primeiro arquitecto da República Popular da China a receber o prémio.
«Foi uma boa surpresa. Conheço vários arquitectos chineses que se sentem influenciados pelo trabalho de Wang Shu», disse Nuno Lobo, que trabalha há cinco anos num ateliê chinês em Pequim.
Na opinião daquele arquitecto português, a atribuição do Pritzker a Wang Shu «vai estimular a qualidade da arquitectura que se faz na China».
«A quantidade continua a prevalecer sobre a qualidade, mas, até por uma questão de competitividade, a criatividade começa a ter um papel cada vez mais importante», afirmou Nuno Lobo.
Nuno Batista, sócio-gerente do único ateliê português de arquitectura estabelecido em Pequim, diz que «as pessoas, no Ocidente, vão agora reparar que a China não é só construção rápida, barata e mal executada, e os próprios chineses vão começar a apostar mais na qualidade».
«O prémio é uma boa notícia para a arquitectura chinesa e um bom tónico também para nós», acrescentou o responsável da ‘Saraiva & Associados’ em Pequim.
Segundo Jan Félix Clostermann, do ponto de vista da arquitectura e da presença de técnicos ocidentais, «Pequim já é bastante internacional», mas após a atribuição do prémio Pritzker a Wang Shu «irá falar-se mais em ‘criado na China' do que em ‘feito na China'».
O prémio, instituído em 1979 nos Estados Unidos, será entregue em Pequim no dia 25 de Maio.
«Como qualquer grande arquitecto, Wang Shu criou uma arquitectura intemporal, profundamente enraizada no seu contexto e conteúdo universal», disse o presidente do júri, Lord Palumbo, citado pela agência noticiosa oficial chinesa.
Lusa/SOL


in http://sol.sapo.pt/i...ontent_id=42784


Prémio surpresa para a arquitectura da China
MARCH 1, 2012
O Pritzker 2012 para Wang Shu é prematuro e traz uma mensagem implícita, sugerem alguns arquitectos portugueses com gabinetes estabelecidos em Pequim. Outros entendem que é um reconhecimento contra a adversidade.

Vera Penêda, Pequim

O mundo e a China reagiram com surpresa ao prémio internacional Pritzker, o mais importante na área da arquitectura, atribuído ao arquitecto Wang Shu, o primeiro cidadão chinês a ser galardoado. Enquanto o laureado agradecia o sucesso inesperado, uma onda de orgulho patriótico inundou a blogosfera chinesa. Arquitectos portugueses em Pequim têm opiniões divergentes quanto à atribuição, que consideram prematura, do Nobel da arquitectura a um profissional com mérito, mas que não é uma pedra de toque na arquitectura chinesa, nem mundial.

“Estamos muito orgulhosos de Wang. O povo chinês e a cultura chinesa começam finalmente a ser reconhecidos no mundo,” disse Wang Beiwen, entre os mais de 3000 comentários que os internautas chineses escreveram online no microblogue Sina Weibo. Num longo rol de mensagens, um internauta admitiu que acha o trabalho de Wang “feio”, outro lamentou que a arquitectura chinesa prime pelo “tamanho gigante, fraca tecnologia e baixa qualidade.”

“A China encontrou finalmente o seu Rem Koolhaas,” escreveu outro internauta referindo-se ao arquitecto holandês distinguido com o Pritzker em 2000 que desenhou a torre da CCTV [China Central Television], um dos ícones arquitectónicos que a capital Chinesa viu crescer durante a remodelação urbana na corrida aos Jogos Olímpicos de 2008. Outro internauta que assinou com o nome de Ikouun disse: “É o primeiro chinês a ganhar o prémio. Penso que mais chineses vão receber outros prémios nos próximos anos. Este é o momento de viragem.”

Na China, muitos profissionais têm esperança que o estilo contracorrente de Wang – uma fusão de formas modernistas com materiais associados à cultura e à história chinesas – inaugure um novo capítulo na história da arquitectura do país.

De olho na China

“Foi um misto de surpresa e alguma vergonha: ganhou um chinês e eu não sabia quem era o senhor,” confessou Sofia David, 33, anos, associada da Sparch Asia, uma multinacional com ateliê em Pequim.

“O reconhecimento da obra de Wang faz sentido porque o trabalho que ele desenvolve na China é singular no panorama nacional e muito diferente do que faz a maioria dos ateliês,” disse David, que vive na China desde 2004, elogiando a obra independente de Wang pela “reinterpretação da herança cultural da arquitectura chinesa adaptada ao meio envolvente e aos requisitos modernos.”

Miguel Saraiva, 43, presidente executivo do primeiro ateliê de arquitectura português a abrir no Continente concorda que o prémio foi “inesperado mas válido, considerando que é um arquitecto que tem levantado controvérsia em terreno chinês no qual todos temos os olhos postos, e pela qualidade demonstrada nos seus trabalhos”.

A trabalhar numa multinacional norte-americana em Pequim há ano e meio, José Quelhas, 28, discorda. “Parece-me excessiva e desproporcionada a entrega desta distinção a um arquitecto em meio de carreira, com obra concretizada apenas na China e relativamente anónimo internacionalmente,” disse Quelhas.

O português conhece a obra de Wang, em particular o Museu de Arte Contemporânea de Ningbo, mas preferia que o Pritzker estivesse nas mãos de um arquitecto com o reconhecimento e força para ser uma pedra de toque no campo da arquitectura.

“Trabalhos como os de Wang Shu merecem reconhecimento mas não reflectem a prática projectual corrente na China,” acrescentou.

“O trabalho de Wang é original, não comercial e foge à tendência chinesa de obra grande e vistosa,” descreveu o arquitecto chinês Li Hu, 39, co-fundador do ateliê Open Architecture que dirigiu por vários anos o estúdio local do norte-americano Steven Holl, um forte candidato ao Pritzker.

“A obra de Wang e impressionante considerando que foi desenvolvida no âmbito da arquitectura chinesa, um campo caótico e problemático, dominado pela rapidez, ganância e comercialismo,” acrescentou Li, que ensina arquitectura fora da China.

Obra firme em terreno fraco

Tal como o Nobel, também o Pritzker e facilmente interpretado como um ‘prémio sinedoque’ que premeia o indivíduo e a sua obra mas tem um impacto nacional e além-fronteiras. A comissão do Pritzker afirmou que a obra de Wang Shu “vai envelhecer muito bem, e isso não é algo que se possa dizer de todas as construções novas na China.”

“Arquitectos como Wang Shu são uma minoria que nos obriga a repensar o que se está a construir à nossa volta num país com graves problemas de infra-estruturas e onde as obras com mais visibilidade são da autoria de escritórios internacionais,” referiu Quelhas, que discorda do júri do Pritzker quanto à influência da China no desenvolvimento da arquitectura mundial.

Considerada uma “tela em branco” para os arquitectos, a recriação da paisagem chinesa no que toca a edifícios icónicos esteve maioritariamente nas mãos de estúdios estrangeiros, enquanto os ateliês locais aceitavam maioritariamente projectos comerciais de rápida execução comprometendo a qualidade.

“O mercado chinês assume-se como uma plataforma experimental e de fuga à crise para escritórios europeus e norte-americanos, que raramente aproveitam as excelentes oportunidades que o país proporciona,” explicou Quelhas.

Saraiva acredita no puro reconhecimento da obra. “A mensagem subjacente é sempre em defesa da qualidade, seja na China, seja em qualquer outra parte do mundo,” disse. “A filosofia deste arquitecto rompe com os valores instalados porque é irreverente, intemporal, moderna, mas em harmonia com o ambiente onde se insere,” nota.

Se a mensagem for mal entendida, o Pritzker pode complicar a tarefa dos arquitectos estrangeiros. “Os ateliês chineses são bastante nacionalistas. É possível que com uma valorização do trabalho ‘made in China’ pensem que podem dispensar o contributo dos arquitectos ocidentais,” disse David, que preferia que o prémio desse novo ímpeto ao profissionalismo e qualidade dos parâmetros da arquitectura na China.

Uma nova arquitectura?

Com cerimónia de entrega há muito agendada para 25 de Maio em Pequim, alguns arquitectos argumentam que o Pritzker chinês tem uma intenção política. “É um reconhecimento antecipado que me parece algo forçado e que ultrapassa os princípios que guiam o Pritzker,” referiu José Quelhas.

“O prémio pode ser uma tentativa de dinamizar ainda mais um mercado de salvação para grande parte dos escritórios internacionais. Ou pode visto ser visto como um grito de alerta para o descontrolo que se verifica no campo da prática projectual na China. Independentemente da intenção, parece-me que Wang Shu sai sobrevalorizado, o que torna o prémio injusto para nomes como Toyo Ito, Steven Holl ou Daniel Libeskind, que seguem em lista de espera para um merecido reconhecimento,” explicou Quelhas.

O prémio pode ajudar a China a enfrentar as críticas nacionais e internacionais pela falta de competitividade do país nas áreas criativas. “O mundo é político, não?” sugeriu Li Hu, adiantando que toda a atribuição de prémios e subjectiva. “Wang não é reconhecido internacionalmente, mas talvez fosse hora de recomendar um desconhecido que se demarca num ambiente adverso. Este Pritzker valoriza a obra criativa num país em que a arquitectura é dominada pela rapidez e comercialismo e aponta que afinal também pode sair obra criativa e de qualidade da China.”

“A China sempre foi mais conhecida pela construção que pela criação; isto prova que a China fez progressos no que respeita à área da cultura e da criatividade. É um sinal positivo para todas as indústrias no país,” disse o vencedor Wang Shu à imprensa nacional, reconhecendo que, num contexto de crescimento urbano massivo, o prémio tem um significado pesado para os jovens arquitectos, incentivando-os a explorar a via mais cultural e menos comercial da arquitectura na China.


in http://pontofinalmac...ctura-da-china/



Pritzker 2012 para Wang Shu é um sinal para o futuro da arquitectura na China
Pouco conhecido fora do seu país, Wang Shu mostra com a sua obra que o que se constrói na China "é mais do que a produção em massa da banalidade", diz um dos membros do júri.
O prémio Pritzker 2012 foi atribuído a uma obra que "abre novos horizontes ao mesmo tempo que ressoa com o lugar e a memória" - foi com estas palavras que o júri daquele que é considerado o Nobel da arquitectura justificou ontem a escolha este ano do arquitecto chinês Wang Shu.
Jovem, com apenas 48 anos, e com obra construída unicamente na China, Wang Shu - que fundou com a sua mulher, Lu Wenyu, o atelier Amateur Architecture Studio - é um arquitecto relativamente pouco conhecido fora do seu país.
"É bastante inesperado", comenta Ricardo Carvalho, crítico de arquitectura do PÚBLICO. Mas, lembra, "também Eduardo Souto de Moura [o arquitecto português que recebeu o Pritzker de 2011] era conhecido apenas num certo meio, entre arquitectos, e Wang Shu tem um pouco o mesmo perfil. São prémios a falar de uma outra visão sobre o mundo, de uma qualidade local e não necessariamente que sirva a qualquer lugar."
Trata-se de um prémio que "tem claramente a ver com o momento chinês", e que é, ao mesmo tempo, "uma crítica a esse momento". Isto porque, quando se olha para a obra de Wang Shu, percebe-se claramente que "no contexto chinês ela é muito diferente da espectacularidade e do kitsch" de muito do que se tem construído naquele país, "é muito mais arcaica, com a ambição de ser perene".
O júri do Pritzker - presidido por lorde Palumbo e que integrava, entre outros, o arquitecto chileno Alejandro Aravena, o chinês Yung Ho Chang, a britânica Zaha Hadid, Pritzker de 2004, e o australiano Glenn Murcutt, Pritzker 2002 - assume isso mesmo: "O facto de ter sido escolhido um arquitecto chinês supõe um importante passo no reconhecimento do papel que a China vai desempenhar no desenvolvimento dos ideais arquitectónicos. Além disso, o êxito do urbanismo chinês nas próximas décadas será importante não só para a China mas para o mundo inteiro."
Aravena di-lo claramente: "Há questões significativas ligadas ao recente processo de urbanização na China - se deve ser ancorado na tradição ou se deve olhar para o futuro. Como em qualquer grande arquitectura, o trabalho de Wang Shu consegue transcender esse debate produzindo arquitectura que é intemporal, profundamente enraizada no seu contexto e no entanto universal." E Yung Ho Chang reforça a mesma ideia ao afirmar que a obra de Wang "mostra que a arquitectura na China é mais do que a produção em massa da banalidade que responde ao mercado e de reproduções do exótico."
Para se conhecer a arquitectura de Wang Shu é necessário ir à China e, sobretudo, à região de Hangzhou, onde está a maioria dos trabalhos - entre os mais conhecidos conta-se o Museu Histórico de Ningbo, um edifício em pedra, com pequenas aberturas rasgadas de forma incerta, e uma estrutura "quebrada" em vários pontos. É um edifício com "uma dupla condição", descreve Ricardo Carvalho. "Tem formas perfeitas mas ao mesmo tempo parece quase inacabado."
Trabalho artesanal
Autor dos pavilhões da China na Expo de Xangai e na Bienal de Veneza de 2006, Wang Shu fez vários edifícios públicos, entre os quais o Campus Xiangshan da Academia Chinesa de Arte, mas também as delicadas casas sobre água conhecidas como Five Scattered Houses, em Ningbo.
Wang Shu tem uma relação muito próxima com o trabalho dos artesãos. Nascido em 1963 em Urumqi, na província de Xinjiang, filho de um músico e carpinteiro amador e de uma professora, parecia destinado a ser artista plástico ou escritor. Mas os pais aconselharam-no a estudar ciências ou engenharia e ele optou por uma via intermédia - a arquitectura. Depois de se formar, foi trabalhar, no início dos anos 90, com artesãos e construtores para aprender tudo sobre técnicas de construção, sobretudo na recuperação de casas antigas.
"Escolhi o trabalho artesanal e o espírito amador em vez do sistema", disse. "Eu desenho uma casa em vez de um edifício. Um dos problemas da arquitectura profissional é pensar demasiado no edifício. Uma casa, que é mais próxima da vida simples e quotidiana, é mais fundamental do que a arquitectura."Texto actualizado no dia 28/02 às 10h20


in http://www.publico.p...shu-1535539?p=2

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