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Estádio Cícero Pompeu de Toledo – São Paulo / SP
A polêmica e necessária cobertura do Morumbi
February 28, 2011 às 03:00

Estádio oficial do São Paulo Futebol Clube, conseguido com muita batalha por parte dos interessados, inicialmente era para ser construído onde hoje está o Parque do Ibirapuera. Projeto de Vilanova Artigas, 370 pranchas de papel vegetal depois, as obras são iniciadas em 1953 e finalmente o estádio é inaugurado em 1960 com capacidade para 130 mil pessoas (Em 1990 é reduzida para 85 mil), só teve suas obras totalmente concluídas em 1970.

De caráter obviamente modernista e projetado em concreto armado, como a maioria dos estádios brasileiros hoje, o Morumbi também sofre com a falta de investimentos em restauro e melhoria de infra-estrutura. No entanto, quando o Brasil se candidatou à sede da Copa do Mundo de 2014, a realidade de muitos desses estádios foi ocultada por uma máscara de euforia e por muita politicagem; meses, quase posso dizer anos depois, ainda não temos um estádio para abertura da copa do mundo, e meu amado Morumbi (que ainda sonha com a abertura), esse marco da arquitetura paulistana, está causando vergonha à todos nós brasileiros.

Durante o ano de 2007, em campanha prol “Morumbi para abrir a copa do mundo”, o SPFC (São Paulo Futebol Clube), solicitou ao nosso querido Ruy Ohtake que apresentasse propostas de projeto onde o Morumbi aparecesse completamente adaptado conforme solicitações da FIFA. Muito papel depois Ruy Ohtake nos apresenta um projeto de cobertura e adaptação inspirador, porém com certos questionamentos. (Daqui pra frente considerem que a opinião da redatora está ignorando criticas de especialistas)

O projeto de Ruy Ohtake, além de todas as adaptações internas para vestiários, áreas de convivencia e comércio, também contava com uma cobertura constituda primordialmente de duas grandes vigas metálicas apoiadas em quatro pilares externo que sustentariam uma membrana de ETFE (filme tensionado de alta tecnologia, capaz de suportar 400 vezes seu peso próprio, extremamente leve, transparente e disponível em variada gama de cores; foi utilizado como elemento de vedação no estádio de abertura da Copa de 2006. ADOROO!)

O grande problema a meu ver (além do custo de R$ 140 milhões que descartou as esperanças dos torcedores de ver o projeto fora do papel) é que, apesar dos esforços do arquiteto para não descaracterizar horizontalidade da obra de Vilanova Artigas, a excessiva contemporaneidade da cobertura acabou por ‘disfarçar’ a beleza MODERNISTA BRUTALISTA do projeto de Artigas. (Era para o concreto aparente chamar mais atenção que a cobertura multicor!!!)

Sendo assim, como admiradora que sou do modernismo brasileiro, não acho que tenha sido grande perca que tal cobertura não tenha sido aprovada pelo comitê julgador da FIFA, fato que culminou na convocação da equipe de arquitetos germanicos GMP para tentar solucionar o impasse.

Em parceria com o GMP, uma nova proposta de cobertura foi apresentada, e nessa nova proposta seria utilizado um sistema de compensação de forças, com um anel de tração e um de compressão apoiados em uma linha de pilares de sustentação externos, com configuração em ‘V’ (uma contribuição de Ohtake ao projeto e que me agrada muito mais do que a solução anterior)em sistema semelhante ao utilizado pelo GMP no Mineirão.

Sendo assim, com excessão da cobertura nova do GMP, os aspectos de adequação do projeto apresentados pelo Ruy Ohtake aos requerimentos da FIFA foram mantidos e, já estão com previsão de início e término de obras, mas a cobertura, acabou por ter sua aprovação adiada, e conforme anunciado em nota oficial pelo presidente do clube no dia 27 passado, a decisão à respeito da cobertura não passará do dia 20 de abril. (DUVIDO!)

O grande problema é, com a prorrogação do anúncio e decisão à respeito da cobertura do Morumbi, no dia de hoje (27 de Fevereiro de 2010), São Paulo vivenciou uma cena que não pode JAMAIS ocorrer em um evento como a Copa do Mundo, e, se nossas autoridades não derem um pontapé alavancador nessas tão esperadas obras, é uma cena com grandes chances de se repetir.

Com uma chuva de verão um pouco mais forte do que o usual, e uma partida de futebol clássica entre São Paulo e Palmeiras, o Morumbi apresentou ao mundo o fracasso de seu sistema de drenagem perante as intempéries, e mais ainda, apresentou a urgência da necessidade de uma cobertura decente. As arquibancadas que deveriam abrigar torcedores, viraram alvo de piada para o brasileiro, já que mais se assemelhavam a verdadeiras PISCINAS. (E que piscina grande meu bem!!)

No entanto, não que seja um problema exclusivo do Morumbi, já que estádios como o Pacaembu também já passaram por situações de inundação, mas os estádios são apenas mais um exemplo do descaso público com a arquitetura característica de nosso Brasil. Estádios, edifícios, palacetes, pontes, ruas, nossa cidade inteira depende em sua grande maioria do investimento privado para receber os restauros necessários, e diante dos eventos vindouros, não dá mais para permanecermos indiferentes. Que venha a Copa, e que venham os investimentos necessários para torná-la viável ao nosso país.


in http://www.arquitetonico.ufsc.br/estadio-cicero-pompeu-de-toledo-sao-paulo-sp

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