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RAQUEL SILVA, VEREADORA DO URBANISMO "Só Angra não tem sociedade de reabilitação urbana"


Publicado na Quarta-Feira, dia 09 de Fevereiro de 2011, em Actualidade
Angra é, actualmente, a única cidade património mundial portuguesa que não possui uma sociedade de reabilitação urbana. A vereadora com responsabilidade no urbanismo refere tratar-se de uma empresa que dinamizaria empreiteiros, proprietários e a urbe a livrarem-se de prédios devolutos. Raquel Silva dá-nos a sua visão para a cidade e antecipa algumas das intervenções urbanas. Sinais de trânsito fora da circulação dos passeios, placas toponímicas refeitas, mupis e substituição de toda a iluminação pública serão, refere, exemplos disso.
“Todas as cidades património mundial em Portugal têm sociedades de reabilitação urbanas (SRU) menos Angra do Heroísmo” – a constatação da vereadora responsável pelo urbanismo, Raquel Silva, quer não só constatar um facto como desmitificar “receios” e “dúvidas” que existem quanto à eventual criação de mais uma empresa municipal: “eu percebo que haja aqui grandes dúvidas em relação à SRU porque elas existem no elenco camarário. Trata-se simplesmente ainda um assunto em cima da mesa que pedimos para ser estudado para saber se existe viabilidade ou não”.

A responsável, porém, não tem dúvidas que criar uma SRU em Angra “dinamizaria, em traços gerais, empreiteiros locais, dinamizaria os proprietários e dinamizaria a própria cidade”.

Isto porque, uma SRU “tem poderes legais que a autarquia não tem”, além de que o seu núcleo duro é composto por uma equipa multidisciplinar composta por técnicos da áea do urbanismo, da arquitectura, da engenharia. Em suma: “por pessoas que percebem de património e que percebem sobre aquilo em que vão intervir”.

O sucesso da SRU´s, refere, está naquilo que já foi feito noutras urbes com a mesma classificação: “a minha opinião surge pelo que eu vejo noutras cidades: se resolveu os problemas dos outros, porque é que não há-de resolver os da nossa?”.

“Guimarães reabilitou-se em seis/sete anos com base numa SRU”, exemplificou.

Raquel Silva quer tornar claro que “uma SRU extingue-se quando o património estiver requalificado, ou seja, não é uma empresa para durar 20 anos. É uma empresa para trabalhar na sua requalificação e quando esta finda, a empresa finda”.

Património moderno

A visão da vereadora para a cidade é a que já possuía anteriormente ao cargo em exercício: “eu julgo que não é por termos uma cidade património mundial que não podemos ter elementos modernos na sua construção. Até pelo contrário, todos os passos que podermos construir de acordo com a modernidade devemo-los fazer porque estamos nessa altura, estamos na modernidade”, da mesma forma como, acrescentou: “a nossa modernidade, no futuro, vai ser o passado para alguém”.

Como exemplo dessa modernidade, apontou, surge o projecto para a requalificação do mercado municipal de Angra: “é um projecto contemporâneo, moderno que, de alguma forma, entrelaça a tradição: a sua fachada é toda rendilhada com as rendas açorianas. É, sem dúvida, um projecto que trará um marco diferente, que vai dignificar a nossa cidade e trazer novamente o mercado para o centro de Angra com a valorização que ele precisa”.

Outra intervenção que, tem na mira a atracção das pessoas ao centro urbano, vai para o Jardim Municipal, com a criação de uma “casa de chá cultural” no espaço da estufa: “um espaço multifuncional, onde uma pessoa poderá ver uma exposição, usufruir de uma refeição”, além de outros atractivos culturais.

Angra com nova iluminação

Em termos de iluminação pública do centro histórico, actualmente heterogénea, esta vai ser alvo de uma substituição total, cujo financiamento surge através, não da autarquia, mas de uma candidatura da Direcção Regional da Energia a fundos europeus: “aguardamos esta candidatura e a ideia será a substituição massiva desta iluminação por um candeeiro a escolher”, adiantando, desde já, que provavelmente será adoptada “uma luminária muito idêntica à actual ou até se calhar alguma feita para o próprio centro histórico”.

“Uma dos grandes interesses dessa substituição não se adivinha só com o gosto, mas com a eficiência energética”.

Já antecipando uma necessidade de participação pública, semelhante à desencadeada na intervenção da Praça Velha, Raquel Silva deixa a garantia que no processo da escolha haverá outra “atenção”: “nessa altura, quando se escolher esse candeeiro tem que se ter muito atenção, tendo em conta o que aprendemos com a questão da Praça Velha”.

Poste de sinais de transito em “L”

No que diz respeito à sinalética, Raquel Silva é peremptória: “queremos retirar os sinais de trânsito do centro dos passeios”, explicou a vereadora que reconhece representarem uma das “dificuldades para as pessoas com mobilidade condicionada” e não só.

“A nossa ideia, no âmbito deste quadro de acção, é fazer os postes em “L” de maneira a que sejam encostados ao edificado e que permitam a sua visualização segundo as regra de circulação rodoviária” em toda a zona histórica.

Em termos de sinais toponímicos da cidade, e segundo um levantamento efectuado que revelou “disparidades” (desde azulejo, calcário, mármore) nos materiais escolhidos, “a nossa ideia é uniformizar”, em principio com recurso ao azulejo”, já existente na maioria das placas e que, segundo, a vereadora, far-se-á “com mais facilidade” com recurso a mão de obra local.

Outra intenção é a da colocação de mupis, na zona de protecção do centro histórico, com a seguinte salvaguarda: “terá de ser um mupi muito específico que não seja muito alto, nem muito grande, que não fira a vista”. Estão já apontadas várias hipóteses de localização, como em frente à corporação de bombeiros de Angra ou na rotunda do Fanal, entre outros.

“Não esperava tanta polémica na Praça Velha”
A vereadora do urbanismo da autarquia angrense confessa não ter antecipado tamanha reacção à requalificação da Praça Velha: “não tinha noção de que um banco na Praça Velha poderia causar tanta polémica. Pensei sempre que mexer na malha da calçada da Praça Velha fosse muito problemático. A substituição do mobiliário urbano sempre foi mais um elemento da intervenção. Aliás, como tem sido feito ao longo do tempo”, explicou.

Raquel Silva voltou a esclarecer que o mobiliário em questão “não é o essencial dessa requalificação”: “se esse mobiliário é causa de tanta manifestação pública, que ele se mantenha o mesmo. Não acho que seja um recuo. A imagem do todo seria benéfica, mas também entendo que existem opiniões contrárias e temos que ser humildes no sentido de abdicar desses elementos que não põem em causa essa mesma requalificação”.

“Este projecto que tanto se fala não pode ser entendido como um projecto de arquitectura que carece de um autor, que encaminharia para projectos de especialidades e para pareceres”, desmistificando que: “não há propriamente um projecto mas sim uma intervenção, uma substituição”.

Novo quiosque: resolve três problemas

Sobre o novo quiosque que se manteve do projecto anunciado pela autarquia, Raquel Silva explica que: “o quiosque novo resolve três aspectos fundamentais: a gestão dos lixos (o novo quiosque tem espaço interior para arrumar contentores de lixo); a abertura de um espaço ao longo de todo o ano; e a questão da publicidade institucional e cultural” que, acresceu: “temos que fazer chegar aos nossos munícipes”.

Com uma área de 2,5 metros por 5 metros, metade da área é balcão e a restante, envidraçada, o quiosque terá capacidade, no seu interior, para seis pessoas sentadas, explicou.

Em suma, a Praça Velha, cuja intervenção de requalificação deverá ter início até ao final desta semana, reafirmou a vereadora é “sempre um local delicado. É sempre um sítio complexo de se tocar porque mexe com a imagem da Praça mais querida de todos”.

Humberta Augusto

in http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=22870

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