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PROJECTOS: CASCAIS
Evidenciar o antigo pelo novo
28 Novembro 2010

A proposta do arquitecto Miguel Arruda está nomeada para o prestigiado prémio Miles Van der Rohe, atribuído pela Comunidade Europeia. Os arranjos de superfície visam dar uma nova dinâmica a uma zona histórica da vila junto às muralhas quinhentistas da fortaleza.

O projecto de arranjos de superfície da Praça D. Diogo de Menezes, em Cascais, da autoria do arquitecto Miguel Arruda, é o único projecto português nomeado para o prémio Mies Van der Rohe, um dos mais importantes prémios mundiais, atribuído bi-anualmente pela Comunidade Europeia com o intuito de reconhecer e distinguir trabalhos de arquitectura contemporânea caracterizados pela excelência a nível conceptual, estético e técnico, avaliados por um grupo independente de peritos e pela associação europeia de arquitectos.

Situado na área adjacente às muralhas quinhentistas da fortaleza de Cascais, o projecto contempla o arranjo urbanístico daquela parte da vila, outrora ocupada por um parque de estacionamento à superfície, mas também a valorização arquitectónica e histórica da própria muralha. Refere-se que esta integra um conjunto defensivo e de navegação de fortes, fortalezas, muralhas e faróis, erguido ao longo da costa, para navegação e defesa de Lisboa.

E a ideia do arquitecto Miguel Arruda foi a de realizar um exercício de contrastes, "de evidenciar o antigo pelo novo", conforme confidenciou ao DN. Para tal, recorreu à criação de uma praça, elemento urbanístico multifuncional, que permite a realização de eventos, actividades culturais, feiras ou simplesmente estar, e que, na opinião do arquitecto, escasseia em Cascais. E que por ser um espaço amplo e neutro do ponto de vista funcional, evidencia a própria muralha.

Esta praça organiza-se de uma forma funcional e extremamente rica do ponto de vista estético e histórico: através de duas grandes plataformas a cotas diferentes, uma ao nível das vias de ligação à vila, e por isso mais urbana, e outra mais baixa e mais próxima da costa, ligadas através de um sistema de rampas, acessos pedonais e caixas de elevadores. A plataforma mais baixa pode funcionar como um palco para actividades culturais e a mais elevada, como área para espectadores, estando o conjunto tecnicamente preparado para diversos tipo de eventos ao ar livre.

"Esta diferença de cotas evoca ainda o fosso" - escavação profunda e regular, destinada a impedir ou dificultar a transposição da linha de defesa de uma fortificação, conforme confidenciou Miguel Arruda ao DN.

Esteticamente, toda esta movimentação de cotas altimétricas sugere uma movimentação de planos que evoca a superfície geométrica da própria muralha. E o material escolhido para os pavimentos - betão branco - pela sua homogeneidade e ausência de coloração, evidencia a verdade construtiva das muralhas .

O tratamento da iluminação artificial foi outro elemento fundamental para o desenho do conjunto urbano. Optando por iluminação de pavimento em LED, à base de fibras ópticas, em detrimento dos tradicionais candeeiros de pé, Miguel Arruda evidenciou a amplitude da praça e a leitura da muralha. Recorrendo a um desenho no pavimento inspirado nos mapas quinhentistas de navegação, da época dos Descobrimentos, contemporânea da fortaleza, o arquitecto cria dois momentos distintos para os espaços. Durante o dia , a iluminação é principalmente de presença para os transeuntes, assinalando percursos e evidenciando a muralha. No período nocturno, o espaço transfigura-se: a muralha quase que se desvanece pela efusão de cores que vão alternado dos tons mais quentes (laranjas) até os mais frios (azuis) , que emanam dos pavimentos, das caixas dos elevadores ou das zonas de estar. Esta iluminação colorida é rasante e subtil, e não "encandeia ou esmaga os monumentos", situação habitual no tratamento do património arquitectónico
Para o arquitecto, o desenho lumínico tem uma importância que extravasa a própria arquitectura e urbanismo, uma vez que é um factor "predominantemente estético na educação e valorização pessoal", explica ao DN. De facto, a iluminação é um dos elementos que melhor permite o utilizador reconhecer o espaço, contribuindo para uma melhor fruição estética ou aumento de níveis de segurança.

Relativamente à nomeação para o Prémio, o arquitecto salienta "ser um momento muito simpático, e tratando-se da arquitectura uma disciplina pluridisciplinar, a nomeação estende-se a todos os que trabalham e já trabalharam no atelier, e àqueles que nos têm apoiado e dado a possibilidade de executar os nossos trabalhos, incluindo os nossos clientes".


IN http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1722107&seccao=Arquitectura

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