JVS Posted April 1, 2010 Report Posted April 1, 2010 A casa de Sequeiros conjuga o passado com o presente No norte do país na designada "terra entre Cavado e Homem", defendida a sul e a poente pelos dois rios e do lado nascente e norte pelos píncaros e desfiladeiros do Gerês, encontra-se a Casa de Sequeiros. Segunda, 22 de Março de 2010 às 11:02 Um projecto com a assinatura do ateliê Topos, dos arquitectos Jean Pierre Porcher, Margarida Oliveira e Albino Freitas. Localizada na freguesia de Sequeiros, concelho de Amares, numa zona de características montanhosas, sulcada por redes de vales fluviais, a casa foi pensada para se integrar na paisagem. A equipa de arquitectos optou por projectar três construções mestras, a casa, o sequeiro e o espigueiro. Os três blocos alinham-se e completam-se na folhagem das ramadas circundantes. "Num piso único, desenvolvemos a casa de lavoura de alvenaria de granito, o sequeiro quadrado e no espigueiro colocámos gelosias de madeira expostas aos ventos, em posições inesperadas, encavalitados nos muros de vedação", refere Jean Pierre Porceher. O arquitecto revela ainda que a maioria destes povoamentos rurais, a contaminação de acrescentos de várias naturezas e tipos de materiais tinham já confundido as construções e iniciado o processo de descaracterização do conjunto. "O primeiro passo da nossa intervenção, consistiu em realizar um levantamento rigoroso, de forma a identificar o traço original das construções para proceder à demolição de todos os elementos perturbadores. Assim, após uma limpeza radical só ficou a alvenaria de granito da Casa de lavoura com o seu portão de entrada e o muro sobre o caminho encimado pelo Espigueiro de madeira", explica. Contudo, estas construções eram apenas suficientes para abrigar os espaços sociais de um programa elaborado para uma segunda habitação. Para acrescentar espaço e conter a parte privativa dos banhos e dos quartos, os arquitectos tiveram a ideia de reinterpretar o sequeiro original, criando uma caixa, de planta quadrada, solta do chão, uniformemente revestida de perfilados em aço "corten", com portadas de abrir sobre pivôs, para possibilitar a entrada generosa do sol ou a projecção de sombras e libertar a partir dos quartos as perspectivas sobre a paisagem envolvente. Na casa, sobre as alvenarias de pedra, optaram por construir uma cobertura que permitisse aproveitar toda a sua sub face para criar uma melhor respiração dos espaços sociais. Desenhou-se uma caixinha de madeira para abrigar o sanitário de entrada e privatizar o espaço da cozinha. "O espigueiro, rigorosamente idêntico ao fotografado no fabuloso inquérito à arquitectura popular em Portugal, foi restaurado. No jardim, a eira é comprometida com a piscina e com uma árvore que lhe dá sombra como se de um tanque de rega se tratasse. Regressando ao uso dos materiais predominantes da casa original, a pedra de granito, a madeira e o ferro, a intervenção procurou, no entendimento e na articulação da tradição e do novo, na reinterpretação de conceitos básicos, preservar a identidade do lugar e produzir uma arquitectura de estética contemporânea sem recorrer à ostentação formal das intervenções que contaminam cada vez mais as paisagens", explica na memória descritiva. Texto Fernanda Pedro in http://aeiou.bpiexpressoimobiliario.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ei.stories/38089 Quote
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