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segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010 | 10:29 Imprimir Enviar por Email

Construção em terra é alternativa económica e sustentável

A construção em terra é uma boa alternativa económica e sustentável para a arquitetura contemporânea, nomeadamente a habitacional, defende uma especialista da Universidade de Coimbra, organizadora de um seminário internacional sobre o tema.

«É de baixo custo e acessível em qualquer parte do mundo», disse à agência Lusa Maria Fernandes, arquiteta, ligada ao Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra e membro da organização do 6.º Seminário de Arquitetura de Terra em Portugal/9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitetura e Construção com Terra, a realizar nos dias 21 e 22 na sua instituição.

Na sua perspetiva, trata-se de uma construção de custos muito mais baixos, que permite a produção dos materiais e tem custos energéticos menores, dada a sua elevada eficiência térmica.

Até algumas fragilidades, como a resistência a sismos, tem vindo a ser melhorada, com técnicas que aconselham uma construção o mais equilibrada possível, a utilização de redes de malhas plásticas nas paredes e o escoramento com vigas em madeira.

Embora seja um tipo de construção muito utilizada para resolver problemas em países pobres, a arquitetura de terra tem vindo a integrar projetos contemporâneos, designadamente nos Estados Unidos da América (Texas, Califórnia e Novo México), na Suíça ou na Alemanha.

Também em Portugal se assiste a um recuperação desta técnica milenar na arquitetura contemporânea, nomeadamente em projetos de Alexandre Bastos, Graça Jalles, Henrique Schreck ou Teresa Beirão.

A arquiteta Maria Fernandes considera que em Portugal os exemplares mais significativos de arquitetura de terra são as construções de castelos em taipa militar, do período de islâmico, do domínio Almóada, como os de Alcácer do Sal ou de Paderne.

Do século passado, nomeadamente no Alentejo, há exemplos de um cineteatro em taipa ou de montes, mas este tipo de construção está disseminada por Portugal.

No património classificado pela UNESCO encontram-se núcleos habitacionais onde a arquitetura de terra é utilizada, como nos centros históricos de Évora, Porto, Guimarães e Angra do Heroísmo.

No resto do mundo são mais de 100 os sítios e perto de um milhar os bens com a classificação como património da humanidade, nomeadamente no Brasil, México, Gana, França, Azerbaijão, Japão, Guatemala, Argélia ou Irão.

Neste seminário, a decorrer em Coimbra, a 21 e 22, estarão presentes cerca de duas centenas de investigadores e profissionais estrangeiros ligados a áreas como a arqueologia, arquitetura, engenharia, antropologia e história.

O programa do evento, no qual serão apresentados mais de uma centena de artigos, está estruturado em quatro painéis - «Arqueologia, Arte e Antropologia», «Património e Conservação», «Técnicas, Construção, Investigação e Desenvolvimento» e «Arquitetura Vernácula e Contemporânea».

A preceder o seminário, no dia 20, realiza-se uma oficina teórico-prática de construção com terra, e para o dia 23 estão programadas visitas a Conímbriga e ao património arquitetónico em adobe no concelho de Ílhavo.

A 24 realiza-se a 9.ª Assembleia Geral da Rede Ibero-Americana PROTERRA, uma organização de cooperação técnica que promove a investigação e o desenvolvimento da construção em terra e que conta com mais de 100 membros da Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

O 6.º Seminário de Arquitetura de Terra em Portugal/9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitetura e Construção com Terra é promovido pelo Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Escola Superior Gallaecia, Fundação Convento da Orada, Associação Centro da Terra e Rede Ibero-Americana PROTERRA.

Diário Digital / Lusa

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=114&id_news=435661&page=4

Especialistas discutem a Arquitectura em Terra enquanto solução ecologicamente sustentável e património a preservar

Investigadores e profissionais reúnem-se na Universidade de Coimbra para abordar as últimas novidades da construção em terra, uma técnica milenar que pode também ser solução para os problemas ambientais da actualidade.

A procura de soluções mais sustentáveis a nível energético, numa actualidade marcada por questões ambientais, mas também a preservação do património das construções em terra e da sua memória, vão estar no centro do "6.º Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal / 9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitectura e Construção com Terra", que decorrerá nos dias 21 e 22 de Fevereiro, no Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Neste evento vão estar reunidos cerca de duas centenas de investigadores e profissionais oriundos de países da América Central e do Sul, dos Estados Unidos e de vários países europeus, incluindo Portugal, e ligados a áreas que vão desde a arqueologia, a arquitectura, passando pela engenharia, antropologia e história, entre outras.

Em destaque estará o papel que a construção em terra pode desempenhar na arquitectura contemporânea, tendo em conta o seu potencial em termos de eco-sustentabilidade: as matérias-primas não carecem de processos de transformação industrial, existem nos locais onde se pretende construir e de forma abundante, têm uma elevada capacidade isolante, tanto a nível térmico como acústico e são recicláveis. Além disso, diversas investigações nesta área têm tornado possível adaptar as antigas técnicas às exigências da vida moderna.

O panorama português estará também em análise, tendo em conta que Portugal é um dos países europeus com tradições na construção em terra, nomeadamente em adobe e taipa, duas das técnicas mais usadas neste tipo de arquitectura. É objectivo dar a conhecer esta realidade para alertar para a preservação deste património e da sua herança cultural.

Do programa do evento, no qual serão apresentados mais de cem artigos e que se divide em quatro painéis Arqueologia, Arte e Antropologia, Património e Conservação, Técnicas, Construção, Investigação e Desenvolvimento e Arquitectura Vernácula e Contemporânea fazem ainda parte, no dia 20 de Fevereiro, uma oficina teórico-prática de construção com terra e, no dia 23 de Fevereiro, visitas a Conímbriga e ao património arquitectónico em adobe no concelho de Ílhavo.

O evento é promovido pelo Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, pela Escola Superior Gallaecia, pela Fundação Convento da Orada, pela Associação Centro da Terra e pela Rede Ibero-Americana PROTERRA.


INFORMAÇÃO ADICIONAL
Sítio Web do 6.º Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal / 9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitectura e Construção com Terra
www.esg.pt

A UNIVERSIDADE DE COIMBRA

A Universidade de Coimbra é uma referência incontornável no panorama do Ensino Superior em Portugal, pela qualidade reconhecida do ensino ministrado nas suas oito Faculdades e pelos avanços que tem permitido em várias áreas do conhecimento, em Portugal e no mundo.

Não só esta universidade constitui um verdadeiro ícone de Portugal no estrangeiro, como prossegue, em diversas frentes, esforços de melhoria constante que lhe permitem continuar a afirmar a qualidade do seu trabalho, em ligação com organizações multinacionais e internacionais.

IN http://www.universia.pt/servicos_net/informacao/noticia.jsp?noticia=57854

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