Jump to content

Recommended Posts

Posted
Imagem colocada

Colocada a primeira pedra do Convento de Mafra

Actualizado em 17-11-2009 01:12

Corria o ano de 1711 quando o rei de Portugal D. João V ordenou que se edificasse, em Mafra, um convento dedicado a Santo António. Admite-se que na origem da decisão real esteve uma promessa feita pelo próprio rei para alcançar sucessão.

Apesar de serem vários os mitos que procuram explicar a decisão de construir o convento, António Filipe Pimentel, professor de História da Arte na Universidade de Coimbra, refere que, à luz do ambiente político-religioso da época, a teoria da sucessão é a mais consistente: “A sucessão dinástica era uma questão central na sobrevivência de Portugal como Estado-Nação independente”.

D. Pedro II, pai de D. João V, apesar de governar o país há já alguns anos, só se tornara verdadeiramente rei de Portugal após a morte do seu irmão, Afonso VI, que, por sua vez, não era filho mais velho. “O fio dinástico da Casa de Bragança era, então, muito ténue e o facto de D. João V estar casado há três anos sem sucessão podia reproduzir os episódios de turbulência política já vividos”, explica o especialista.

A cerimónia de lançamento da primeira pedra deu-se seis anos depois, a 17 de Novembro de 1717. Desconhecidos continuam ainda os motivos para a data escolhida, mas documentos da época demonstram que a cerimónia estava prevista para o dia 17 de Outubro, mas teve que ser adiada. “Para a cerimónia, D. João V mandou edificar uma igreja, ainda que em materiais efémeros, igual àquela que seria construída. Acontece que, numa das noites anteriores à data, um temporal destruiu a obra, sendo necessária reedificá-la”, afirma António Filipe Pimentel.

Há exactamente 292 anos, dava-se, então, início à construção do Convento de Mafra. Desde a cerimónia de lançamento da primeira pedra até à Sagração da Basílica, em 1730, o projecto, sob a direcção do arquitecto João Frederico Ludovice, sofreu inúmeras alterações. De um convento para 13 frades passou para um palácio-convento destinado a acolher 300. “Foi necessário demolir um monte que existia a nascente do edifício original, alterando drasticamente a paisagem”, refere António Filipe Pimentel. O conhecido Convento de Mafra acabou por se transformar no Real Edifício de Mafra.

De acordo com o professor da Universidade de Coimbra, longe da promessa para alcançar sucessão, o edifício real pretende “dar à monarquia portuguesa uma imagem simbólica de poder”. Está-se no esplendor do Barroco, época de exteriorização do poder, e é esse ícone que o rei pretende materializar.

Com a ampliação do projecto, o erário da Casa de Bragança não se revelou suficiente para suportar os custos inerentes à obra. O ouro do Brasil tornou-se, assim, num dos elementos fundamentais. Apesar de o Real Edifício de Mafra ser considerado, por muitos, um desperdício de recursos, António Filipe Pimentel discorda: “Evidentemente que é o expoente máximo de um reinado que dispõe de meios económicos, mas não foi ele que absorveu o ouro do Brasil. Ele foi disseminado por várias iniciativas”.

O Real Edifício de Mafra foi habitado apenas esporadicamente. Foi dali que, em 1910, o último rei de Portugal, D. Manuel II, partiu para o exílio, após a proclamação da República, em 5 de Outubro. Ainda nesse ano, o convento foi classificado com Monumento Nacional. Em 2007, foi um dos finalistas para o concurso das Sete Maravilhas de Portugal.

in http://www.rr.pt/informacao_nestedia.aspx?fid=103&did=79575

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.