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Arquitectura. Conheça todos os segredos da nova geração de ouro




O i foi ver diferenças e semelhanças entre alguns dos arquitectos portugueses mais promissores


Estudaram na mesma escola, quando a Faculdade de Arquitectura de Lisboai foi conhecer três dos novos ateliês de arquitectura na cidade da sete colinas. Miguel Abecassis e Steven Evans, João Maria Trindade e João Tiago Aguiar foram os escolhidos. Estão separados por poucos quilómetros e começos diferentes, mas entre todos existem mais semelhanças que diferenças.


A mais jovem geração de arquitectos já lançados conhece a receita certa para o sucesso: serem criativos e responderem às necessidades sem nunca ignorarem os instintos. Mas projectar edifícios é uma arte mais complexa que a culinária. O ingrediente-chave de um bom projecto é mais difícil de gerir que os mais fundamentais nas receitas dos grandes chefes: os clientes são o centro do mundo da arquitectura porque "sem eles não há projectos", mas a relação pode tornar-se facilmente amarga. O truque é deixá-los satisfeitos sem abdicar da visão própria, num caminho ainda não percorrido em Portugal: meter os clichés num saco e provar que a arquitectura é essencial para a felicidade das pessoas. ainda tinha morada no Convento de São Francisco - e a capital continuou a ser a casa deles depois do final dos estudos. O

MASEA - Ganas de pôr o mundo bonito
Juntaram-se muito antes de acabarem o curso. Enquanto estudavam alugaram uma casa na Rua Miguel Bombarda para desenvolverem os seus projectos. O ateliê que é hoje a sua casa de trabalho é o terceiro espaço que ocupam num raio de 50 metros. Miguel Abecassis e Steven Evans revêem-se um no outro desde que se conhecem e brincam quando o i pergunta porque quiseram ter um ateliê. “É como o casamento, tem benefícios fiscais”, lança Steven. Miguel reage: “Não somos casados.” “Mas gostamos muito um do outro”, remata Steven. A sua arquitectura é um desafio maior à partida, pela simples razão de trabalharem juntos. “Somos os dois muito ferrenhos a defender um princípio qualquer, nada nos é indiferente”, explica Steven. Mas a coisa “às vezes dá luta”. Apesar dela, sempre souberam que queriam fazer uma “arquitectura taylormade” – ou seja, feita à medida do cliente.
No início, durante o curso, foi a febre de ver as obras extraordinárias e de se deixarem contagiar por elas que definiu o seu mundo arquitectural – palavras de Steven. “Chegados cá fora somos confrontados com a necessidade de nos medirmos com colegas, mortos ou vivos, que respeitamos.” As influências têm um peso relativo no trabalho da parelha – sempre definido pelo cliente. Otruque, partilham com o i, é “pensar com ele” e não acima dele. Enfrentar “cada trabalho, sem descurar a experiência acumulada, como o recomeço de uma coisa qualquer”. Ao contrário de outros ateliês, no MASEA o objectivo é variar no tipo de projectos. “Envolvemo-nos com as mesmas ganas num projecto muito pequeno de remodelação e num muito grande de raiz”, sublinham.
No curso foi-lhes dito que o trabalho dos arquitectos é fazerem do mundo um sítio mais bonito. Pareceu superficial, mas hoje percebem o chavão. Um dos seus sonhos, ainda por cumprir: “Fazer um bocado de cidade, muitas casas, um sítio que afecte o dia-a-dia de muita gente.” Sempre com um toque intemporal.


Ventura Trindade - Pupilo de Carrilho da Graça
Hoje abriu as asas para voos mais altos, já sem a companhia do mentor. A meio do curso conseguiu uma entrevista no ateliê de um dos nomes sonantes da arquitectura em Portugal. Carrilho da Graça recebeu-o e ensinou-o durante dez anos. “É a minha referência incontornável. Aprendi mais com ele do que no curso de Arquitectura”, explica João Maria Trindade no seu ateliê na Rua da Madalena, com vista para a Lisboa reordenada pelo marquês de Pombal.
Hoje Trindade saiu da sombra de Carrilho da Graça em todo o esplendor. Há uns meses foi anunciado vencedor do Prémio FAD 2009, o mais importante prémio de arquitectura da Península Ibérica, pela estação biológica do Garducho. O edifício junta o melhor da arquitectura às necessidades de conforto ambiental e ecológico, uma constante no seu trabalho. “Uma pessoa sabe dizer quanto consome o seu carro, mas não sabe quanto consome a casa. As casas perdem imensa energia e esse é um dos grandes problemas da construção.” E os problemas são o seu motor. Um exemplo? “É preciso explicar ao cliente que um telhado é só uma maneira que foi inventada há muitos anos atrás de impedir que entre água em casa. É preciso mostrar-lhe que hoje há outras formas de resolver esse problema.”
Sustentabilidade é a palavra de ordem nos seus projectos e isso, sublinha, ultrapassa a moda green. “Há uma ideia, ainda hoje muito generalizada, de que só quem tem muito dinheiro é que se dirige a um ateliê de arquitectos. Tentamos contrariar essa ideia”, sublinha.
Trindade saiu do ateliê de Carrilho da Graça em 1992, “exausto” e sem “rigorosamente ideia nenhuma do que queria ou ia fazer”. Mas nem chegou a ter tempo de descansar: foi convidado a orientar os projectos de referência do programa Polis e os dois anos de supervisão do trabalho de outros trouxeram saudades de fazer arquitectura. O ateliê nasceu em 2005. “Gosto de acreditar que as coisas podem sempre ser reequacionadas, que não é preciso uma folha em branco para fazer coisas interessantes”, explica, apontando para a maquete de uma adega em processo e acrescentando: “Cada projecto é uma lição de cultura geral, é das coisas mais interessantes em arquitectura.”


João Tiago Aguiar AC Arquitectos - Variar sem perder o jeito

João Tiago Aguiar passou os últimos três anos da década de 90 em Amesterdão. O curso estava terminado há pouco e os trabalhos de freelancer sabiam--lhe a pouco. Enviou o portefólio – ainda fino – para o ateliê de Erna Van Sambeek e foi chamado para estagiar. Em poucos meses, foi promovido a coordenador. “Foi mais do que um estágio, aprendi muito”, diz-nos no apartamento que adaptou para instalar o seu ateliê.
Abri-lo foi motivado pela vitória do concurso para reabilitar o edifício das antigas instalações da RTP e transformá-lo num hotel de luxo no coração de Lisboa. “Foi o ponto de viragem”, admite, explicando que o hotel foi quase todo pensado por si. “Fizemos de tudo, do exterior ao mobiliário e a peças de iluminação.” Variar é o foco do trabalho de João Tiago, que entrou para arquitectura à revelia do pai. “O meu pai não concordava: para ele, eu e os meus irmãos tínhamos de ser todos engenheiros ou médicos.”



Arriscou e venceu. O pai não se zangou e, hoje, é cada vez mais procurado para todo o tipo de obras, sempre com a fórmula “luz e espaço”. Do grupo entrevistado pelo i, é o optimista. “Hoje as pessoas já percebem que optimizam e que melhoram as coisas ao contratar um arquitecto”, acredita. Desde os tempos em que “andava na faculdade a ver”, João Tiago evoluiu. Diz-se ainda um miúdo, mas continua a acreditar que “um arquitecto não deve querer mostrar que é um virtuoso, antes desligar-se de boas ideias por uma única boa ideia”. Sorri e sublinha: “Temos imensa sorte por termos programas variados.”






http://www.ionline.pt/conteudo/32961-arquitectura-conheca-todos-os-segredos-da-nova-geracao-ouro---video

margarida duarte

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