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Três mundos

04 Outubro 2009

Associados, os ateliers OMA, de Rem Koolhaas, e Urbanus Architects venceram o concurso internacional para aquele que se pretende ser o mais inovador centro criativo do mundo, a erigir em Shenzhen, cidade do Sul da China a que a UNESCO atribuiu, no ano passado, o título de "Cidade do Design".

O Centro ficará localizado na "Ilha de Cristal", um espaço inteiramente destinada à arte, à cultura e à política também.

Para a elaboração do projecto, o colectivo do atelier holandês Rem Koolhaas e dos arquitectos chineses do Urbanus deu especial importância ao simbolismo das formas e à organização espacial que vigora na China há milhares de anos e ainda hoje orienta os principais edifícios e a malha urbana do país.

O projecto irá funcionar como um complexo centro urbano, desenvolvido acima e abaixo do solo, marcado por edifícios culturais e administrativos, rede de transportes públicos e vastos espaços públicos, como parques e jardins.

Conceptualmente, a proposta desenvolve a ideia de mundos superiores e inferiores, caracterizados de forma individual, intercalados por um "mundo intermédio", um elemento de união entre o "alto" e o "baixo".

Acima do solo, o centro criativo caracteriza-se por um núcleo central de 20 hectares, em que espaços públicos e jardins coexistem com áreas edificadas isoladas, apelidadas de design villages, compostos de pavilhões e habitações. Esta forma de urbanismo dispersivo é definida e rodeada por um elevado anel pedestre, que liga múltiplos elementos e infra-estruturas. Fortemente iluminado, quer durante o dia quer de noite, o anel adquire uma expressão irreal, com uma forte carga simbólica, que assinala ser este o "mundo da luz".

O território abaixo do solo, tradicionalmente cavernoso e escuro, é caracterizado por um complexo sistema de caminhos e "atalhos" que unem os meios de transporte subterrâneos - como as estações de comboio e metro - a praças de táxis, e dão acesso a áreas comerciais, à Câmara Municipal de Shenzhen, já existente, e ao futuro centro criativo.

No coração geométrico do projecto, e a ligar estes dois mundos, está previsto o "Olho de Shenzhen", um espaço vazio, de forma esférica, aberto ao céu e sem qualquer função prática. De acordo com a tradição chinesa e não só, simboliza o "centro imutável" e concentra a energia e a visão necessárias ao melhor futuro da "Cidade do Design".

Para a equipa de arquitectos, e já num registo mais próximo do pensamento ocidental, esta proposta para o Centro Criativo de Shenzhen permite criar "urbanidade sem densidade e proporciona a comunhão através de actividades interligadas. Todas as áreas serão sedimentadas numa paisagem de multiplicidade, permeabilidade e abertura graças a actividades e pensamentos criativos".

Com esta proposta, a cidade de Shenzhen irá criar condições físicas e metafísicas para o sonho e a imaginação, potenciar a criatividade dos habitantes e perpetuar o epíteto de "Cidade Criativa".

Tags: Artes, Arquitectura

in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1380689&seccao=Arquitectura

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