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Arquitectura.pt


_egp

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Posts posted by _egp

  1. Zinaida, sem querer ofender ou menosprezar o seu trabalho, a verdade é que a Rússia em termos artísticos ficou de certa forma isolada ao longo do último século e, para além disso, não há dúvida de que a igreja ortodoxa tenha regras mais rígidas que a católica romana.

    Falo disto enquanto estudante de música e enquanto estudante de arquitectura, pelo que conheço de ambas as artes e da forma como evoluiram no último século nesse grande país...

    E a verdade é que as suas palavras, quando fala na «pobreza» da arquitectura religiosa portuguesa, referindo-se à aparente «simpleza» do seu traço, demonstram desconhecer conceitos e ideias tão simples - e tão basilares no século XX- como «Less is More», do Mies van der Rohe.

    E isto são ideias que já fazem quase um século!...

    Acredite que para várias religiões do mundo a famosa igreja do Siza seria inquestionavelmente mais divina, pura e redentora e tranquilizante que qualquer igreja ortodoxa!

    Mas basta recuar alguns séculos para encontrar uma linguagem arquitectónica ainda mais «minimalista» no sentido formal: falo das igrejas românicas. E, no entanto, que outros espaços há onde o habitante se sinta mais relaxado, abrigado, concentrado no divino, resguardado?

    Não vou adiantar muito mais... A sua postura atesta que lhe falta compreender a sensibilidade moderna desta europa actual, falta-lhe entender pelo menos um século de história e de ideais arquitectónicos...

    Mas, independentemente de ideais arquitectónicos, de movimentos e de estilos... O que é mais próximo da ideia de divino do que o mar e o seu som, as pedras, a natureza, tudo isso que se não reveste de talha dourada mas que tem uma qualquer poesia na sua complexa simplicidade, tem a mão transcendente de um criador qualquer? E o que preconizam os valores básicos do cristianismo? Será o luxo para impressionar, ou a simplicidade como conduta de vida?

    Ou, já agora (e tente pensar nisto não como crente ortodoxa ou cidadã russa mas como simples ser humano), que outra criação humana há, mais telúrica e ao mesmo tempo simples e impressionante que um menir?

    E acha que pela «simplicidade» da estrutura é menos «grandiosa» na sua poesia e no seu valor reliogoso?

    E que tal a famosa capela de Zumthor?

  2. Os concertos são de entrada livre e terão lugar no

    Instituto Superior de Psicologia Aplicada

    (Lisboa, Rua do Jardim do Tabaco, perto do Museu Militar - Sta. Apolónia)

    Classes de Música de Câmara do professor Eli Camargo Jr
    (Conservatório Nacional)



    17 ABRIL
    18h30

    Obras de: Eli Camargo Jr, W.A. Mozart, Lutoslawsky, Pixinguinha, André Victor Corrêa, Thea Musgrave, Fernando Lopes-Graça, Almeida Prado e Edward Pinto (estreia de sinais, para fagote e tinta-da-china).

    Intérpretes: Las Três (Flauta Transversal: Joana Pereira; Clarinete: Cláudia Varino; Saxofone Soprano: Raquel Martins); Piano4Mãos (Duarte José Martins e Luís Filipe Leite), Daniel Faria (fagote) e Edward Pinto (projecção de imagem).

    18 ABRIL
    18h30


    Obras de: Marlos Nobre, Béla Bártok, Erik Satie, John Corigliano, Francis Poulenc, Dave Brubeck. Estreias de obras de Fábio Boavida, André Hencleeday e Edward Pinto.

    Intérpretes:

    Duos e Trios [Trombone: Francisco Couto; Trompa tenor: Samuel Cotrim Pestana; Contrabaixo: João Franco]
    Quinteto [Flauta: Catarina de Sousa; Fagote: Daniel Faria; Guitarra Portuguesa: Ricardo Bragança; Guitarra: Fábio Boavida; Cello: Sara von Holstein; Contrabaixo: João Franco]
    Trio Bartroque [piano: Edward Pinto; piano-dentro (percussão): André Hencleeday; guitarra: Fábio Boavida]
    Tragicomédia para Fagote e Tinta-da-china (fagote: Daniel Faria; projecção de imagem: Edward Pinto)
    Piano 4Mãos (Duarte Martins, Luís Leite)
    Trio (Flauta: Joana Pereira; Contrabaixo: Luísa Marcelino; Piano: Duarte José Martins/ Luís Filipe Leite)


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    Notas

    Estes concertos têm repertórios fortemente marcados pelo desejo daquilo que é/talvez/será contemporâneo: o Mix, a busca do criativo sem julgamento de hierarquia, a busca das formas relaxadas ou livres e de novas abordagens do arquétipo grupo instrumental/autónomo.
    Música para trombones, contrabaixos, cellos, conjuntos não-convencionais, flautas, brasileiros, portugueses e até ouvintes; música francesa, sul-americana, para guitarras;
    música para o vento; música rápida, mas alguma é lenta;
    música do Lutoslawski, do Marlos Nobre, minha e dum colega, e do Mozart, e do Satie. Chorinhos tem dois e mais alguma do Bartok:
    tem música doce; interrogativa; tem música pela música, e também alguma música adolescente – quase – prodígio:
    todas elas em partilha, buscando o seu público.

    Prof. Eli Camargo Jr.


  3. Olá... Parabéns pela iniciativa... Mas... Ainda só olhei para a apresentação e há algo que gostava de comentar. No "Espaço Arte" enumeras pintura, escultura, arquitectura, desgin (suponho que te refiras a desenho, ou a design), fotografia, instalação (instalação pode ser escultura, arquitectura, e acho que não vale por si), e depois ultimas com "outros estilos". O que não sabia é que pintura era um estilo, escultura outro, et caetera. Não seria mais adequado, no mínimo, "outras áreas"? Já agora, podias criar um separador para Música, a eterna marginalizada das "enciclopédias da "arte"", feliz ou infelizmente... Até sempre, e continuação de bom trabalho!... :)

  4. Há vários candidatos a rei português hoje em dia... E se estivessemos em monarquia, com um rei já decidido, iria continuar a haver (e a poder haver) candidatos... Tu podes achar que és o melhor representante e o que está à melhor altura, reunires assinaturas e candidatar-te... Ou fazer um golpe de estado, como muitos... LOL =P Para Presidente ou para Rei. Mas para Rei convém teres já mulher e filhos, fica sempre bem uma "Rainha" e o "Príncipe Herdeiro"...

  5. Há vários candidatos a rei português hoje em dia... E se estivessemos em monarquia, com um rei já decidido, iria continuar a haver (e a poder haver) candidatos... Tu podes achar que és o melhor representante e o que está à melhor altura, reunires assinaturas e candidatar-te... Ou fazer um golpe de estado, como muitos... LOL =P Para Presidente ou para Rei. Mas para Rei convém teres já mulher e filhos, fica sempre bem uma "Rainha" e o "Príncipe Herdeiro"...

  6. :) Espero que não tenhas ficado ofendido. Mas continuo a achar a ideia de todos nascermos iguais um sonho completo. Somos iguais nos direitos e deveres, mas nem toda a gente poderá ser presidente da república. É preciso ser-se, antes de mais, extremamente inteligente e ter grandes competências técnico-políticas, cultura e um currículo profissional ou humanitário assinalável. Logo aqui reduzes imenso o número de pessoas. Depois, ter um inquestionável carisma. Que foi o que fez, aliás, com que o Hitler chegasse onde chegou. Logo aqui reduzes ainda mais drasticamente o número de pessoas. Para além disto, é necessário que sejas corajoso e patriota, que tenhas vontade de construir e ajudar a construir um país... Ah!... E para seres presidente da república, tens de ter passado por um partido e sido uma figura incontornavelmente dianteira nesse partido/movimento. Afinal, sem mediatismo/meios publicitários também não consegues ser presidente do que quer que seja. Se te podes candidatar? Claro... Reúnes umas quantas assinaturas... Mas isso, também te podes candidatar a Rei... :)

  7. :) Espero que não tenhas ficado ofendido. Mas continuo a achar a ideia de todos nascermos iguais um sonho completo. Somos iguais nos direitos e deveres, mas nem toda a gente poderá ser presidente da república. É preciso ser-se, antes de mais, extremamente inteligente e ter grandes competências técnico-políticas, cultura e um currículo profissional ou humanitário assinalável. Logo aqui reduzes imenso o número de pessoas. Depois, ter um inquestionável carisma. Que foi o que fez, aliás, com que o Hitler chegasse onde chegou. Logo aqui reduzes ainda mais drasticamente o número de pessoas. Para além disto, é necessário que sejas corajoso e patriota, que tenhas vontade de construir e ajudar a construir um país... Ah!... E para seres presidente da república, tens de ter passado por um partido e sido uma figura incontornavelmente dianteira nesse partido/movimento. Afinal, sem mediatismo/meios publicitários também não consegues ser presidente do que quer que seja. Se te podes candidatar? Claro... Reúnes umas quantas assinaturas... Mas isso, também te podes candidatar a Rei... :)

  8. R|L, se acreditas que todos nascemos iguais e que qualquer um pode ser Presidente da República, bastando para isso «provar o seu valor e prestar bom serviço para o bem do público», só posso dizer que és a pessoa mais ingénua e sonhadora com quem jamais contactei... Acreditas que quem governa numa república também não é uma elite? Se nalgum país o governo não fosse constituído pela elite, seria um país desgovernado. A questão é o tipo de elite: se elite economico-financeira, elite religiosa, elite intelectual... Numa monarquia democrática há a virtude de haver uma elite simbólica e partidariamente imparcial, personificada no papel do rei, que é educado desde pequeno para o seu trabalho, não deixando de haver uma elite técnico-política, eleita pelo povo, para trabalhar directamente com os problemas do país... Digo eu... :??:

  9. R|L, se acreditas que todos nascemos iguais e que qualquer um pode ser Presidente da República, bastando para isso «provar o seu valor e prestar bom serviço para o bem do público», só posso dizer que és a pessoa mais ingénua e sonhadora com quem jamais contactei... Acreditas que quem governa numa república também não é uma elite? Se nalgum país o governo não fosse constituído pela elite, seria um país desgovernado. A questão é o tipo de elite: se elite economico-financeira, elite religiosa, elite intelectual... Numa monarquia democrática há a virtude de haver uma elite simbólica e partidariamente imparcial, personificada no papel do rei, que é educado desde pequeno para o seu trabalho, não deixando de haver uma elite técnico-política, eleita pelo povo, para trabalhar directamente com os problemas do país... Digo eu... :??:

  10. Faltam ai opções:
    E se o Rei foi um Rei eleito? Como se chama isso?


    Um rei não é eleito, por definição... É um representante imparcial do país, educado desde pequeno para o cargo...

    Só seria eleito se uma república passasse a monarquia, ou quando numa monarquia democrática o rei mostra não ter aptidão para o cargo (isso nunca aconteceu nas monarquias modernas)...

    Também concordo que o sistema presidencialista faz muito mais sentido do que uma parlamentar.
  11. Isto começa a ser ridículo, daqui a pouco não se pode fumar em casa com as janelas abertas porque incomoda quem vai na rua.
    Vocês ganhem juízo, quem fuma, fuma porque quer fumar, porque tira algum prazer disso, e ninguém tem nada a ver com isso.


    Nós não temos nada a ver porquanto isso seja um acto que não retire liberdades anteriores aos outros... Fumar é uma liberdade, mas respirar sem o tabaco é uma liberdade anterior a essa...

    Não é preciso não fumar para pensar assim. Basta ter o mínimo de ética e conhecer a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Conheço várias pessoas que fumam, mas que sabem fazê-lo sem obrigar os outros a fumar...

    Quanto às crianças no restaurante... Existe algo que se chama abstracção, e que, se não tens (m a r g a r i d a), podes conseguir com vários exercícios.

    Era bom que com abstracção também se conseguisse fumar passivamente sem danos para o organismo... Infelizmente o tabaco não é um mal psicológico, mas físico...
  12. JVS devia era também ser proibido fumar na rua :p E já que os toxicodependesntes têm 'salas' os fumadores também podiam passar a ter XD


    Não só devia ser proibido fumar na rua como deviam ser punidos aqueles pais e aquelas mães, que por mais que eu tente perceber, nunca entendo, e que andam pelos jardins e pela rua a passear e a fumar para cima das crianças e bebés que lhes acompanham...

    E depois queixam-se da falta de respeito, dos direitos que não têm...

    Mas o ser humano nasceu a fumar? É-lhe intrínseco? Se não é, no espaço público deve-se ter o mínimo de respeito para com os que querem viver um pouco mais "naturalmente", apesar da poluição da cidade...

    E será que esses pais são assim tão ignorantes que não sabem o quanto irreversivelmente mau é o fumo passivo nas crianças???

    Enfim...
  13. Cristóvão Colombo, de Manoel de Oliveira. Como sempre, uns planos geniais, uma fotografia deliciosa... Alguns pormenores intrigantes e, neste caso, nada de novo nem de verdadeiramente interessante relativamente à história e ao enredo...

  14. Nas monarquias democráticas, como na Suécia, o rei funciona melhor que um presidente, porque é um representante da nação com muito mais força histórica e carismática, além de que é educado desde novo para essa função; aliás, mais do que o rei, é a família real que representa todas as famílias de um dado país, simbolica e dilplomaticamente. Como diria Fernando Pessoa, «Considero que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considero, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República.» Esse D. Rosário é um italiano que acredita que vai chegar um dia a ser rei de Portugal... Diz que a D. Maria Pia deixou-lhe em herança os direitos régios... Enfim, ridículo...

  15. :bash2::wall::censura::wall::bash2:

    O governo está a tomar uma série de medidas surpreendentemente ridículas e mutiladoras da cultura musical em Portugal!

    Urge combater a surrealidade da ignorância ministerial.


    Seguem duas ligações para as petições e um texto sobre o que está a acontecer...


    --> PETIÇÃO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
    http://www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html

    --> PETIÇÃO AO PRIMEIRO MINISTRO E AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
    http://www.petitiononline.com/prpm/petition.html



    Portugueses, nunca o nosso país se mostrou tão vanguardista quanto agora.


    Diria até que o governo do nosso país é o mais perfeito objecto de arte contemporânea: nunca, até agora, os políticos deste planeta vestiram tão surpreendentemente o papel de actores de artes performativas, criando verdadeiros happenings dialécticos, verdadeiras demonstrações de surrealidade e grandes demonstrações de demagogia ludibriantemente hipócrita, ignorante, non-sense.


    Poderia citar belos exemplos. Deter-me-ei contudo com a mais bem acabada surrealidade do actual Ministério da Educação. Trata-se da «Democratização do Ensino Artístico».


    Ora haja, antes de mais, aplausos. O Ministério pretende alargar a música a todas as crianças do primeiro ciclo (mais de um milhão e meio de alunos), que terão talvez duas horas semanais de aulinhas extra-curricularmente enriquecedoras. Que não haja péssimos professores suficientes, quanto mais professores minimamente competentes, não é problema. O Ministério quer, e pronto.


    Ora haja, depois disto, mais aplausos. Com a anterior medida, pretende então o Ministério extinguir, por completo, a iniciação musical ministrada nos conservatórios, para economia de recursos. Não importa que os conservatórios deixem de poder formar músicos como os que formou ao longo de cento e setenta anos, músicos esses que constituem o corpo artístico de maior qualidade do país. Não importa que as aulinhas do primeiro ciclo, onde porventura os meninos irão aprender a cantar «O balão do João» e mais meia dúzia de cantigas enternecedoras, nada e rigorosamente nada tenham a ver com a especialização e exigência do ensino dos conservatórios. Não importa sequer que, depois, só se possa entrar no conservatório com uma idade bem mais avançada que o cientificamente ideal, nem que, para que possam entrar com a preparação que não tiveram e que desde sempre se exigiu, os pais desses alunos especialmente dotados tenham de pagar balúrdios a escolas privadas que os preparem.


    Ora haja, ainda e cada vez com mais ímpeto, mais aplausos. O Ministério decidiu que o regime supletivo não funciona e, como tal, reduzirá o conservatório ao regime integrado.


    Mas antes de mais aplausos, detenhamo-nos neste ponto. Depois sim, aplaudam furiosa, derisória e freneticamente.


    O regime integrado consiste na frequência única e exclusiva de um curso no conservatório. O regime supletivo é aquele que permite ao aluno a frequência do conservatório paralelamente ao currículo escolar da maioria dos portugueses. Apesar de esta ser uma opção exigente e difícil a nível de carga horária, é a mais escolhida porque:


    1) Não é no fim da escolinha primária que os meninos decidem ser médicos e descobrem imediatamente a sua vocação, tão pouco arquitectos ou engenheiros, vulcanólogos ou feirantes ou políticos. E a música não será, decerto, excepção.


    2) Os seres humanos não são seres monovocacionais e, caso não raro, dedicam-se a várias disciplinas e aprofundam prática e saber em várias áreas. Se o aluno é apto psicológica e fisicamente a suportar as aulas do ensino regular conjuntamente com o ensino da música, do mesmo modo que pode (e deve!) frequentar ainda outras actividades como o desporto e outras artes, por que razão decide o ministério retirar-lhe essa oportunidade?


    Passemos a números. A título de exemplo, a Escola de Música do Conservatório Nacional, com cerca de novecentos alunos, passará a ter quarenta (o número de alunos do integrado).


    Passemos à realidade prática. Centenas de alunos do Conservatório Nacional e dos Regionais serão obrigados a abandonar o seu desenvolvimento vocacional, a não ser que, caso raro, o agregado familiar possa suportar os custos de um ensino particular e, caso ainda mais raro, encontre a qualidade do ensino do conservatório nesse ensino particular.


    Os alunos de canto, que só podem entrar, por razões fisiológicas, depois da mudança de voz, em idade relativamente avançada, ficam portanto excluídos completamente, já que, mesmo que quisessem entrar no regime integrado, não o poderíam fazer depois de acabarem a escolinha primária.


    Mas não é tudo. O ministério chegou mesmo a pretender que as aulas de instrumento fossem leccionadas colectivamente. Esta ideia não cabe na cabeça de qualquer músico. Isto só revela uma ignorância tremenda do que é a complexidade e a especificidade do ensino musical, por parte das entidades ministeriais.


    A ignorância é mesmo tanta que justificam o fim do regime supletivo com o suposto facto de os alunos "desistirem do curso", por não serem emitidos diplomas. Ora a maioria dos alunos não os chega a pedir, porque para entrar numa orquestra, num coro ou para realizar qualquer trabalho artístico não se apresenta um diploma: fazem-se audições.


    Mas não, não precisam de aplaudir mais. Divulguem, isso sim, a mensagem, e ajudem a que esta pseudo-democratização não contribua para que Portugal fique cada vez mais na cauda da Europa, desta vez a nível cultural e formativo.


    O Conservatório Nacional é uma instituição centenária, passaram por eles a grande maioria dos músicos eruditos de renome nacional e internacional. Centenas de profissionais de inquestionável prestígio estudaram em regime supletivo. O Conservatório organiza anualmente centenas de audições, concertos e recitais de música de entrada gratuita, contribuindo muito mais para a divulgação da música do que óperas emmanuelnunianas, e será certamente mais barato de manter que estas, se pensarmos também na riqueza que daí advém.


    O alargar da educação a musical a todos os estudantes portugueses não tem nada, nem pode ter nada a ver com o conservatório. O primeiro trata da alfabetização musical dos cidadãos, o segundo da formação de profissionais e artistas amadores especializados.


    Que país europeu não tem o seu Conservatório?


    Pelos vistos, Portugal será o primeiro a deixar de ter o seu, e a perder um património cultural que muito dificilmente será recuperado, e que fará na História da Música Portuguesa e na História da Música Europeia uma ferida irremediavelmente trágica.

  16. Poeme Electronique pode ser visto aqui: [ame="http://www.youtube.com/watch?v=rC3OXai7W9I"]YouTube - Varèse/ Xénakis/Le Corbusier - poeme électronique (1958)[/ame]

    ...As Le Corbusier said himself : "Le Poème électronique se propose de montrer, au sein d'un tumulte angoissant, notre civilisation partie à la conquête des temps modernes"...

    E a peça Metastasis, de que o Pedrucci falou:

    [ame="

    "]YouTube - Iannis Xenakis - Metastasis[/ame]
  17. Um hino à hipocrisia
    Portugal teve mais orgulho em quinze pessoas que nunca foram apoiadas do que em toda uma indústria subsidiada (e, já agora, falida) que é o futebol.

    Ricardo Costa


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    Devo ser dos poucos portugueses que não ficou espantado com as imagens dos jogadores da selecção nacional de râguebi a cantar o hino nacional. Conheço o jogo, tenho filhos que praticam este desporto e sei que toda a actividade do râguebi português gira em torno de boa-vontade, empenho, dedicação e sacrifício. Há ainda características próprias do jogo, que o distinguem de muitos outros, e que fazem de cada partida um "tudo ou nada" em que o colectivo pura e simplesmente apaga a mais ténue vontade de individualismo e fica à vista de todos.

    Foi a absoluta "verdade" das imagens que espantou o país. Já ninguém canta o hino daquela maneira, muito menos sem ser a fingir. Portugal ficou a saber que por cá se joga râguebi e que uma equipa de médicos, advogados, estudantes, veterinários (etc) aguenta 80 minutos de pressão total contra alguns dos melhores profissionais do mundo. E ficou a saber isso, quando ainda estava a digerir a descoberta de Nelson Évora e a confirmação de Vanessa Fernandes. Descobrimos isto tudo e descobrimos também que os nossos campeões de atletismo treinam em Espanha porque não temos uma única pista coberta e que a selecção de râguebi treina, muitas vezes, às seis da manhã antes de ir para o trabalho!

    Tudo isto somado às miseráveis exibições da selecção de futebol (o desporto de que mais gosto e que mais alegrias nos dá, isso é indiscutível) e à agressão de Scolari mostram que não existe em Portugal um mero rascunho de política de Desporto. Já aqui o escrevi e repito: uma verdadeira reforma estrutural seria implodir o estádio do Algarve, juntamente com o de Leiria e o de Aveiro. E quem devia pagar a dinamite da implosão era o actual primeiro-ministro e o José Luís Arnaut. Só a partir daí é que se pode fazer alguma coisa estrutural.

    O que o hino de St. Etiénne nos disse, de forma transparente, foi que, em poucos segundos, Portugal teve mais orgulho em quinze pessoas que nunca foram apoiadas do que em toda uma indústria subsidiada (e, já agora, falida) que é o futebol. Para citar Luís Amado (que teve esta semana um ataque súbito de 'realpolitik'), tudo isto acontece pelas "razões conhecidas". E as razões conhecidas são uma mistura de vistas curtas e de hipocrisia.

    Agora, já vamos construir uma pista coberta e de certeza que a malta do râguebi vai levar medalhas em Belém e louvores em São Bento. Emenda-se a mão onde se pode, mas nada muda. É um pouco como a triste história do Dalai Lama: a China pede, e nós, de gatas, fingimos que ele não anda por cá e que defende uma causa bizarra e duvidosa; mas quando a perigosa Inglaterra levanta dúvidas sobre o senhor Mugabe, nós batemos com a mão no peito e dizemos que quem manda aqui somos nós. Sinceramente não percebo: desde quando é que a China foi mais recomendável (a não ser, eventualmente, na culinária) que a Inglaterra? Nunca. E é extraordinário que aceitemos os caprichos da China e façamos um braço de ferro com o governo inglês…

    A pouco e pouco vamos transformando o país num protótipo de hipocrisia. E é por isso que nos arrepiamos a ver certas imagens. São imagens sem um pingo de artificialismo, que não foram (nem podiam ser) encenadas por nenhuma agência de comunicação nem estudadas pelo protocolo do MNE. São imagens verdadeiras e nós já estamos pouco habituados a isso. Sugiro ao primeiro-ministro que passe as imagens do hino de St. Etiénne no próximo Conselho de Ministros e que as distribua em DVD nos Estados Gerais. São mais rápidas que um discurso do Almeida Santos e mostram o país que somos.
    ____

    Ricardo Costa, Director da Sic Notícias


    Para quem não está a par: [ame="
    "]
    [/ame]
  18. Para a 2ª fase não é apenas com as vagas sobrantes e desistências de matriculas? Presumo que não sobrem muitas...

    :)


    Exactamente... E normalmente, por isso mesmo, as médias sobem mais... Só talvez 1 em cada 300 acasos acontece descer um pouco... E como eu fui mesmo dos primeiros primeiros a não entrar...

    :icon_pistoles:

    Mas o meu objectivo era só garantir entrada, caso na Lusíada não entrasse... Mas realmente como diz o joaoneves, deve haver 99,9% probabilidade que entre.
  19. Vou experimentar a Lusíada... De qualquer maneira... Ainda nem sei se lá fico... Vou-me inscrever esta semana e sei os resultados dia 24... Já vi que há 400 vagas... Bem, não me parece que fiquem lotadas, mas não estou dentro do assunto... :? Enfim... Por isso candidato-me à 2ª fase também esta semana... Se por acaso entrar, na altura (15 de Outubro) decido se vale a pena mudar ou continuar onde estou, se tiver ficado. :icon_pistoles:

  20. Viva!...

    Hoje fui à Lusíada e ao IST e não me souberam informar com exactidão, tanto porque Bolonha é recente e não há um historial desse tipo de casos, como isso depende de muita coisa.

    Enviei também um e-mail cuja resposta a seguir transcrevo:



    Caro Edward


    Poderá no fim do ano lectivo candidatar-se a uma transferência para o IST. Sobre
    as equivalências, estas só são analisadas após ingresso do aluno no IST. Os
    cursos não são todos necessáriamente iguais e depois é necessário que o programa
    da disciplina, número de horas etc... seja coincidente.

    Pode consultar o currículo do nosso curso no site do candidato na página do ISt.

    Atentamente

    »»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

    :) Portanto... IST ou FAUTL ou ISCTE... Não será impossível... Mas é questão de se candidatar e ver depois as equivalências na altura... :icon_blink:
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