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Arquitectura.pt


O Prof Godin

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Posts posted by O Prof Godin

  1. Eu, que sou mais velho…há quem diga sénior…mas eu prefiro velho, porque sénior é alguém de sucesso…e sucesso em arquitectura, salvo os ditos "filhos de Deus" ou de "deuses menores", não existe…sou do tempo da velha Associação dos Arquitectos, dos diplomados e da (des)Ordem como todos os que eu conhecia lhe chamavam…sobretudo os mais velhos ainda do que eu…desOrdem dos arquitectos é o que hoje existe…tentacular, tenta escravizar os associados, pedindo-lhes dinheiro e mais dinheiro, ameaçando de penhora se não pagar…meteram-se na avaliação do ensino da arquitectura…fazem projectos…cursos…exames…promovem-se a si próprios e ninguém sabe exactamente o que é ou representa a dita Ordem… protegem os arquitectos nas várias vertentes do exercício da arquitectura ?…não…dizem que só na prática profissional…ajudam os arquitectos desempregados ?…não…não faz parte das suas competências…defendem os jovens arquitectos de serem explorados pelos arquitectos seniores ?…não…gostam desta situação dos 500 euros por mês a recibos verdes, sem férias ou Natal…então para que serve esta treta designada Ordem dos arquitectos, se não há trabalho…os ditos Grandes, mandam-nos emigrar…não vá a gente incomodar "alguém"…O dia do Arquitecto é uma fraude formal, para enxovalhar todos aqueles que não conseguem viver da arquitectura…temos o exemplo de Helena Roseta, que nunca exerceu arquitectura e se perdeu nos meandros da política, chegando ao ponto de em determinada eleição haver uma lista única, onde se fundiram todos os interesses pessoais…continua a espantar na sua presença permanente na televisão onde até assusta o seu conhecimento prévio das desgraças deste país…portanto a Ordem está como o País…quer mais dinheiro, contrata os grandes escritórios de advogados de Lisboa para perseguir os seus membros…politizada e corrupta, é hoje uma extensão do poder estabelecido e conivente com ele…assim só fazendo o "reset", apagar tudo e começar de novo…uma nova instituição que represente efectivamente os arquitectos e não determinados grupos, lobys, interesses ou pessoas, escolas…talvez esteja a pedir de mais, pois isto que afirmei aplica-se a todo o poder estabelecido, que quer perpetuar-se no poder…seja estado…sejam partidos políticos…sejam pessoas individuais…a minha ideia é que tal como os gregos disseram em determinado momento…é a própria vida que tem de mudar…portanto hoje é dia triste, para velhos, novos e futuros arquitectos…

  2. …está escrita nas regras do bom-senço, capítulo I, ponto I, "Relações entre a ética e a estética em arquitectura", nunca escrito, mas subentendido por todos os que têm uma prática continuada, sem esquecer que a arquitectura, para além de ser também "uma coisa mental", uma arte e uma ciência…é sobretudo uma profissão, e uma postura de vida…mas não passa da arte das artes, a que todas integra…ainda que hoje parece que todas se lhe sobrepõem…ninguém, a partir de certa idade, quer se assumir como arquitecto…são escultores, pintores, artistas…sobretudo porque queremos contornar as regras nunca escritas, mas bem entendidas e passadas, em segredo…de geração para geração…nós somos seres humanos, caprichosos, vaidosos, que procuramos a todo o custo…sobressair da aldeia global, num mundo massificado…nem que seja pela imposição de um gosto construído de uma corporação…os tais grandes mestres da arquitectura portuguesa…recentes, historicamente falando que, para além de meia dúzia de mortos…sobrevivem meia dúzia de vivos…que impõem uma certa história…ao gosto do seu paladar…

  3. …que eu saiba não está aprovado…algumas alterações só se podem entender no contexto de uma relação de mais de 10 anos…entre cliente e arquitecto…isto para quem é arquitecto e gente…sabe bem que a obra não nos pertence, pois obviamente não é nossa propriedade, é um trabalho que se faz para outro…em Portugal a criança é Rei e faz o que lhe apetece…se cair no precipício…a culpa não é dos país…é do arquitecto que projectou mal a obra…e não fui que acompanhei a obra…algumas alterações acontecerem bem piores do que o que refere…também não sou responsável pelo futuro de nenhuma das minhas obras…elas têm vida própria…

  4. …passados uns anos, e por mero acaso vim parar aqui outra vez…as poucas obras feitas por arquitectos comuns, e não por vedetas que brilham no escuro, não são fáceis e é necessário relembrar que toda a obra tem de obedecer a regras, agradar ao cliente, cumprir toda a legislação, ter o acordo de todas as entidades, e um pouco do que o técnico pensa valer a pena… com os recursos limitados que temos…sem perder a alma…e não criar rancores…vou ver se tenho informação suficiente para meter umas obras na Figueira da Foz…a ver se consigo agradar a Deus e ao diabo…o que define bem a nossa profissão…

  5. …bom chame-se-lhe o que se quiser…eu tenho de fonte segura…que roda dinheiro, talvez a título de ajudas de custo, subsídios, custos de representação…com direito a carro…tenho amigos-colegas com 60 e 70 anos…e muita história para contar. …o grande problema é a completa ausência de democracia/transparência…que chegou ao ponto onde chegou… …também não sou jurista…e parece-me que existe um estatuto de Ordem e não associação…mas penso também que isto deveria ser publicitado nos média, porque de abusos e aldrabões, corruptos e ladrões está o país cheio…e as palavras não são minhas…são ditas todos os dias em vários jornais e televisões…ora não haver um ou outro exemplar na ordem, seria a excepção à regra… …eu não faço projectos há tanto tempo que já não sei se ainda é preciso pedir um papelinho de autorização à ordem…o que já Freitas do Amaral se pronunciou de inconstitucional… …enfim, os dias de hoje são mais virados para o dinheiro rápido…contas e multas vêm de todo o lado, todas com mesmo tom agressivo e malcriado…e nós toleramos tudo, aceitamos tudo, calamos e pagamos…mas há muita gente que "vive" à custa da ordem… …eu tenho 52 anos, sou arquitecto porque tirei uma licenciatura de 6 anos, e tive actividade de projecto e urbanismo, fiz um mestrado e um doutoramento…não tenho trabalho; ganho meia dúzia de tostões a ensinar arquitectura numa privada…e estou praticamente na miséria… …a questão do urbanismo também é complicada, não percebendo eu como é que a ordem criou uma espécie de departamento de urbanistas, avisando que de momento não se paga nada, embora se tenha que prestar provas (desconheço a qualificação do júri…), mas no papelinho diz lá que não está posto de lado que no futuro não se tenha de pagar… …eu verdadeiramente descri deste país, sobretudo desde que o termo loby, passou a ser considerado uma coisa boa…e viu-se no que deu… …cabe a vocês mais novos, […lutarem, berrarem e exigirem…caso contrário ninguém vos dá nada…e quem tem o trabalho, não o pode guardar só para si…], palavras do Papa João Paulo II… Faço minhas as palavras dos gregos, quando recentemente se revoltaram contra o governo:…[…é a própria vida que tem de mudar…]…o povo, que somos todos nós, não tem culpa de que quem governa, seja o próprio estado através das seus múltiplos institutos e instituições, quer no nosso caso especifico a (des)ordem dos arquitectos…

  6. …o que é que isso interessa…português, chinês, americano, africano…qualquer gabinete, entenda-se empresa, com disponibilidade para colaborar com um regime corrupto, por natureza… …a mim o que me preocupa, não são os maus projectos de Angola, mas sim a ausência de critério que hoje existe para com as ditaduras, pela parte dos estados ditos democráticos, o que exclui a China e Cuba…pelo menos, durante a dita "guerra fria" havia algum critério…hoje, onde houver dinheiro para ganhar…há mil antifascistas dispostos a, contornando toda a sua dialéctica, a dizer…it is just business… …preocupante mesmo são os "investimentos" de Isabel dos Santos, a filha do ditador José Eduardo dos Santos, em Portugal, que se presta à lavagem do dinheiro da família Dos Santos, pela mesma razão…it is just business…

  7. Oh Prof, voce disse tudo no seu primeiro paragrafo, procura uma visao mais pluridisciplinar, ou, quem sabe, mais laica da arquitectura.

    deve de dizer que li atentamente todo o thread no skycrapper city, e que no final de contas so vi comentarios que se afastam do entendimento da estrategia de intervencao. Como quer sequer que critiquemos o projecto se nem sequer temos como base a estrategia da intervencao?

    se que uma discussao seria, entao comece pelo inicio, e nao por avaliar fachadas.


    …mas eu não sei nada de estratégia nenhuma…não existe nenhuma publicação, salvo uma frase do arquitecto numa parede…
  8. …agradeço as respostas e gostava que fosse possivel uma discussão…sei também que o Daniel 322 por vezes mete aqui os tópicos do sk…mas desconhecia…talvez possam fundir os dois postes…lamento… Mas aceito o desafio da leitura de fachadas…embora aqui as discussões são tão longas no tempo e tão pouco participadas que duvido que se chegue a um confronto sequer… A minha grande crítica à arquitectura de hojue, tem pouco a ver com os nomes (sempre os mesmos desde o meu tempo de estudante…), mas sim como se acede à obra. Volto a perguntar: Houve concurso? Era limitado? porquê? Houve discussão, divulgação prévia, acções de consulta pública? O Mono embargado em frente ao Parque da cidade (o novo) é da autoria de Gongalo Byrne - O Plano de Pormenor (que eu aliás vi na CMC nos anos 90)… Centro de Interpretação que deram ao Alves Costa, é outro caso de democracia…pois ele não ganhou o concurso…mas isso é outra história…

  9. Independentemente das √. Palavras deixo aqui o meu testemunho. Recebi uma dessas cartas ameaçadoras tipo finanças/sócrates…vai que eu estive a fazer um doutoramento aqui há uns 4 anos, e como não projectava não paguei e mais tarde expondo o problema das suspensões, foi-mo negado. Deixei de pagar pois, como muitos outros colegas, pouco temos para viver…dizem que o presidente da ordem tem um ordenado de 1.500 contos (5.100 euros), facto que, a ser verdade, é extremamente grave e lesa os associados… Uma classe que se esmifrou por pretender a toda a força afirmar-se de esquerda e anti-salazarista, mostra agora, que estamos em plena crise, que o seu lema foi alterado, na essência, passando a ser…é melhor não classificar, mas de corre-com-pobre, que nós-só-queremos é ricos… Mas para terminar com seriedade, eu diria que é uma vergonha como as más práticas do estado, são transportadas para organizações particulares ou corporativas – talvez a administração seja a mesma…? Espero que alguém da Ordem leia isto…e se lembre que quando se está em crise o dinheiro é muito pouco…e ser solidário é fundamental…

  10. Olá
    Já há algum tempo que não participava aqui. Ando com pouco tempo e, omo de habitual fiz o thread/Tópico no forum skyscrapercity que, como já aqui disse é um espaço mais pluridisciplinar que me interessa mais a opinião geral…pois é a opinião do "cliente"…para consumo interno fiz aqui um apanhado com links directos ás fotografias…

    Penso que que aqui o forum arquitectura.pt, embora muito concorrido, está um pouco parado em relação a opiniões que não sejam concordantes…

    …estou com muita curiosidade sobre a discussão que, mais cedo ou mais tarde, tem de vir sobre este assunto…

    …assim nas primeiras opiniões (ainda estou a digerir a obra…), parece-me que fizeram com o Machado de Castro algo parecido com o que fizeram com a igreja de Santiago, na Praça Velha ou do Comércio, em Coimbra…

    …se bem entendo, existiu uma preocupação de limpeza das fachadas ou, o programa interior de alguma forma levou a que tirassem a maioria das janelas…

    …no entanto o edifício, que sofreu numerosas intervenções de 1910 até hoje, tinha adquirido forma própria…

    …enquanto os anteriores arquitectos dos monumentos nacionais procuraram uma estética de integração histórica (não sei qual a época…) no sentido de harmonizar fachadas e funções, melhorando , melhor, equilibrando as fachadas (veja-se os estudos que eu meti…são diferentes soluções…)…Byrne retira tudo (segundo um critério que com certeza existiu…??…mas qual?) e volta a desequilibrar as fachadas…a ausência de vãos (portas e janelas), o retirar socos e lambrins/lambris a leitura da fachada dos claustros altera-se…

    …também os tubos de queda exteriores parecem-se excessivos…é óbvio que não existiram durante séculos…quero eu dizer que se encontram contradições, que numa obra comum ninguém reparava…mas aqui…

    …o alçado que dá para o pequeno largo de S. Salvador…é indescritível…ele apaga uns 5 vãos (??) e mete lá uma janelinha catita…ora aqui existem duas questões a ter em conta…uma é o edifício propriamente dito…outra é a importância que este tem no largo e na sua linguagem…

    …o cunhal existente na entrada tinha uma leitura típica/marca de algumas intervenções DGME, acentuava ou realçava o tempo…e os telhados (a ser telha…), tem uma rigidez excessiva…

    …outra questão relacionada com a obra é a ausência completa de estacionamento…o museu não tem um lugar de estacionamento…embora esteja ou estivesse previsto um parque para o largo da Sé Nova…

    …eu gostava de discutir o assunto…


    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=248799&page=7

    …a obra em si…não está má…é contemporânea, etc…mas apagou a visibilidade do edifício antigo…a meu ver, os 3 principais edifícios de Coimbra, aqueles que fazem a diferença pela sua história e pela sua presença são: O Mosteiro de Santa Cruz; a Universidade e o Museu Machado de Castro…ninguém se lembraria de tapar com edificado novo estes edifícios…

    …a intervenção de Távora integra-se perfeitamente e não tapa nada…este tapa quase tudo, na imagem da cidade…

    …mas, a existir culpado, não se resume a Byrne. Existe um leque mais alargado de responsabilidades…quem fez o programa deve ter tido a noção que não cabia lá dentro tudo…Houve concurso?…ou foi ajuste directo?…houve acções de divulgação das propostas? para que a população desse uma opinião?…mas porque é que nada disto se passou…a actual construção vai ali ficar uns séculos…

    …enfim…parece que estamos a regredir…

    …olha anulou o alçado…para fazer uma janelinha…

    Sobre o aspecto geral antes das obras:
    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=33469766&postcount=145

    …este claustro então…retirou os vãos…meteu os tubos de queda…tirou os telhadinhos dos alpendres…Antes o Siza, porque esse ao menos é coerente…

    …e se formos a ver bem, Byrne em Coimbra, só fez *****…os edifícios do parque, o plano de pormenor é dele…o novo Estoril Sol, no Estoril…é lindo…cada vez mais sou contra estas figuras de estado que são chamadas a intervir (em obscuros concursos limitadíssimos)…qualquer arquitecto com uma boa formação faz melhor…e depois a obra recente deste homem são habitações muitifamiliares para ricos…claro que também existem os estagiários que para ele trabalham…


    …vou lá dar um salto…já tomei um valium forte…espero aguentar…



    …voltei e tomei outro valium…está pior do que eu pensava…vou editar e logo mais meto as fotos…
    …eu não vou dizer mais nada…não tenho nada de pessoal contra o Byrne…pelo contrário, até o estimava e apreciava a sua obra…mas tudo tem limites…

    Fotos intervenção (minhas)

    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=33580006#post33580006

    …chegados ao interior…nada…
    …perguntei-me onde estava…não sei responder…até achei os interiores pobres e vulgares…
    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=33580408&postcount=161

    …publicações?…não há…explicações?…não há…existe uma frase do arquitecto em que ele diz que teve de acrescentar um modulo…o resto…vazio…como esta parede…
    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=33580534&postcount=162

    …desci ao criptopórtico romano…não estava ninguém…
    …bom…mas estava iluminado…eu a pensar nos primeiros meses de inaugurações em Barcelona…nem multidão…nem gente…vazio…

    …percorri o espaço…não está mal…pouca informação…cada espaço tinha uma placa indicadora da antiga utilização ou época…remetia para um audio que ninguém me deu…tive outra vez a noção de vazio…de indiferença, de província profunda onde, pergunto eu, estão as elites?…onde está a cultura…o espectáculo…o simples vídeo…ou o simples interesse por uma obra, no mínimo polémica?…nada…tudo vazio…

    …à saída nem boas tardes beirãs tive direito…os 2 funcionários estavam ocupados a falar um com o outro…paguei 2 euros…

    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=33580962&postcount=163

    …sai e fui até ao Largo de S. Salvador…
    …sentada na escada da igreja estava uma velha…- Olá, disse ela, - veio ver o monstro?…isto é que está aqui uma coisa bonita…!, ironizou…entretanto passam dois funcionários da universidade que me cumprimentam muito bem…- Boa tarde, respondi…estavam enganados, pois eu há muitos anos que não dou aulas lá…é impossível lembrarem-se de mim…

    …ocorreu-me um frase…queiras ou não queiras…estás nas beiras enterrado…

    …de resto o dia estava bonito, calor, muitas mulheres novas "desacadinhas" e um vago cheiro a amores de primavera…

    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=33581376&postcount=164


    …bonita, bonita, estava a Sé Nova…restaurada…


    Agora uma barrocas

    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=33966160&postcount=179

    …arte pública…Já está

    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=34172232&postcount=188

    Mais umas fotos

    http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=36692666&postcount=204

    Pedem-se opiniões…?

    __________________
    Curam habe de bono nomine: hoc enim magis permanebit, quam mille thesauri
    pretiosi, e magni

    É a própria vida que tem de mudar…

    Crónicas de Coimbra,…país profundo…

  11. …tem-se hoje uma espécie de preconceito em relação a África…já bem identificado pelos Americanos…e também em relação aos "ricos"…
    …impensável à uns anos Portugal tem hoje boas relações comerciais com vários países não democráticos, dos quais eu destaco a Venezuela, Cuba e Líbia, onde arquitectos estão a projectar em força…
    …ora isto, para mim e em minha opinião, é errado…por principio…

    …se é verdade que os arquitectos não têm alma…efectivamente à época do 25 e outras revoluções, nunca se ouviu que algum arquitecto tenha saído lesado (…salvo Conceição Silva, para confirmar a regra e talvez por equivoco…)…hoje os tempos são outros…já Speer se vangloriava de ter tido duas carreiras de sucesso…não creio que sejam exemplos a seguir…

    …tão críticos uns em relação aos outros, aparentemente, desde que haja trabalho…vale tudo…

    …hoje, muito antes de ser ou me afirmar como arquitecto, sou professor…mas antes disso sou um ser humano, do qual me orgulho de ser…

    …e como não há verdades absolutas, aqui deixo uma outra opinião do mesmo thread referido…


    O projecto da Baía de Luanda é um insulto ao Povo»

    Imagem colocada

    A reconstrução da Baía de Luanda está longe de ser um “porto” de concórdia para o povo angolano. O conhecido jornalista e activista Rafael Marques é uma das vozes críticas que não poupa o projecto.

    Por Jorge Flores
    in Africanidade.com

    Até às gruas começarem a romper o “cartão postal” da Baía de Luanda, ainda muita água terá de passar pelo principal porto de Angola. Não será pacífica a reconstrução da baía, já adjudicada à empresa “Luanda Waterfront Corporation”, com o beneplácito do próprio Presidente José Eduardo dos Santos.

    O projecto orçado em 600 milhões de dólares prevê o alargamento da Avenida Marginal para seis faixas de rodagem (três em cada direcção) e a criação de 1600 lugares de estacionamento. Mas promete, acima de tudo, acimentar muitos ódios entre as hostes luandenses, que se consideram “roubados” na sua “memória colectiva”, caso as máquinas rasguem a famosa baía.

    Rafael Marques é uma das vozes mais críticas. E considera que esta “empreendedora iniciativa” como um verdadeiro “insulto à cidade”. Em entrevista telefónica com a Africanidade, a partir de Luanda, o jornalista não escondeu a revolta que lhe assalta a alma. Ainda que alimente uma secreta esperança de que o projecto não passe disso mesmo: de um projecto! “Obras como estas, há muitas por aqui…

    É apenas uma questão de marketing, e nada deverá sair do papel. Além do mais, não acredito que se encontre um sindicato de bancos para financiar um projecto desta natureza.

    Só a mudança do porto para outro local envolveria mais do que os 600 milhões de dólares anunciados para a reconstrução toda”, afiança o nosso interlocutor, que acusa ainda o Governo de Luanda de apenas pensar em “obras de grande impacto, que permitam mostrar aos estrangeiros sítios com que eles se possam identificar”.

    O “opinion maker” não considera, porém, disparatado um investimento turístico em Angola. Mas noutros moldes e noutro local. Um exemplo? “ Em Kuanza Sul, a 500 quilómetros da capital… Poderia ser um bom ponto de atracção turística e de desafogueamento de Luanda, atraindo residentes e estrangeiros. E evitava que muitos angolanos gozassem as férias em África do Sul”…

    Eduardo dos Santos como padrinho

    Embora tudo possa não passar de uma manobra de “marketing”, como sugere Rafael Marques, o certo é que o projecto corre o seu curso a plenos pulmões. A cerimónia de apresentação pública da “nova Baía” contou com o apoio inequívoco do Governo e com o “apadrinhamento” directo do presidente José Eduardo dos Santos. Quais as razões para tal empenhamento? “É muito difícil entender o comportamento do Presidente. Não era ele que continuava a marcar presença nos concursos da Miss Angola, mesmo quando o país estava em guerra?”, indaga-se o jornalista. E à laia de resposta, adianta: “Só ele poderá explicar os seus próprios apadrinhamentos.

    Aparentemente vive no país, mas parece desconhecer a realidade angolana. Com os problemas urbanos de Luanda, não faz qualquer sentido estarmos a falar nesta obra. O que interessa ao povo mais uma faixa ou menos uma faixa na Baía, quando o Governo não apresenta sequer a data das eleições, nem tem qualquer preocupação em elaborar um plano de recuperação interna. Primeiro teriam de ser criadas mais empregos e estabilizar a situação socio-económica”.

    A título de justificação para as suas reservas, Rafael Marques recorda ainda que o passeio para pedestres, construído em redor da baía, há apenas três anos, e que custou cerca de três milhões de dólares… já não existe. “Não se consegue conservar sequer um passeio, quanto mais um complexo destes”…

    Micro-cosmos para elites estrangeiras

    Outro argumento que não colhe é o de que a reconstrução da Baía de Luanda poderá melhorar a vida aos habitantes locais. Para o jornalista, este é um projecto que exclui completamente o povo angolano dos seus pensamentos. “É como um micro-cosmos que pretende apenas satisfazer as necessidades sociais das elites estrangeiras, em pleno centro de Luanda.

    O poder elitizou-se de tal maneira (no mau sentido) que precisa de transportar para Angola espaços ou ilusões feitos à imagem de gigantes centros comerciais como o do Colombo em Lisboa”. Isto porque não há, na verdadeira acepção da palavra, um “pólo urbano” em Luanda. Mesmo locais como Mira Mar , Alvalade e Bairro Azul “estão todos rodeados por musseques”. O que poderá, no seu entender, estragar a vista que se quer dar aos turistas. “E onde poderá o Presidente sair para jantar quando deixar o seu cargo?”, remata Rafael Marques.
    in Noticias Lusofonas

  12. …de facto duvido muito que nas próximas décadas se chegue a um consenso entre o gosto do público, o dos arquitectos e dos empresários… …toda a nossa liberdade está limitada ao que se consegue fazer perante as expectativas do cliente, a opinião que o técnico acha válida para o lugar e a legislação aplicável… Seja como for a liberdade não é só um direito. É também uma obrigação…e sem um mínimo de regras…os arquitectos actuais perdiam-se em sonhos de vaidade…

  13. …no meu espaço no skycrapper já opinei varias vezes sobre este assunto…relações entre a arquitectura e o poder…a arquitectura e o urbanismo, não tendo ideologia politica, tem, ou melhor pode ser utilizada para fins de glorificação – monumentalização – como por exemplo em Barcelona e Berlim nos seus 3 tempos… …gosto sempre de contar que a minha mãe nasceu em Maquela do Zombo, Congo Português, e é loira de olhos azuis…o meu avô esteve em Angola uns 20 anos (Militar) entre 1914 e 193(?)…e eu já não sou novo…assim tenho uma visão, pode não ser a mais politicamente correcta, mas é a minha opinião. Também tive alguns alunos angolanos, dos quais me recordo do Vladimir Lenine, nome inesquecível… …assim de entrada direi que não entendi e ainda não entendo como pode acontecer esta cavalidade de correrem à pressa com os portugueses, que lhes deram um pais…ou venderam…não sei…foi errado e deveria existir indemnizações aos legítimos proprietários…mas passando à frente… …o problema de Angola e de muitos outros países africanos é que não tinham uma cultura de cidade, quanto mais uma cultura urbana. A cultura era tribal e nómada e por muito que procurem, na África negra não houve “cidades”…existiam territórios…sem fronteiras…etc.… …o que ainda lá está é português…o Palácio do Governo, a marginal e muito mais pelo pais a fora, infra-estruturas, vias, ferrovias, pontes…tudo foi feito por nós portugueses…e mais ou menos destruído por eles… …quando estes actuais angolanos “ganharam” uns países…esqueceram-se de pedir o manual de utilização…entre a apropriação de espaços, alguma cultura soviética, cubana, etc., que por lá ficou, só terá complicado o bom entendimento do que é uma cidade… …o senhor da guerra que venceu o outro senhor da guerra, são gente simples e sem grande formação…trazem imagens na cabeça, retiradas das suas viagens e tentam reproduzi-las fora do contexto…e aqui, talvez, os brasileiros tenham tido a sua influência, trazendo o modelo dito “liberal”, das suas caóticas cidades recentes…que com os chineses a construir e o pior dos “engenheiros” portugueses a ajudar deu o que deu… …existe uma expressão antiga — Novos Ricos…mas ainda assim com jeito para o negócio, na imoral figura da filha do senhor a entrar em força na Madeira e em Portugal…todo este dinheiro que eu, com pena, não vejo ninguém criticar, é dinheiro de guerra e de apropriação de propriedades e empresas…tal como na Rússia, na China, em Marrocos e outros países magníficos, onde as mais elementares leis democráticas não se aplicam, e onde os lucros e o crescimento da economia disparam ano após ano, muito bem vistos pela comunidade dos economistas, gestores e outros empresários portugueses… …e porque a arquitectura é também uma coisa mental…e não existe estética sem ética, assim como em arquitectura Deus está nos pormenores…saiu um belo campo de futebol… Perdoem-me o pragmatismo céptico das minhas palavras, mas como disse um membro do skycrapper, que eu desconfio ser um militante para a defesa da imagem exterior do país, Mathias Ofroditte, [… a democracia, por vezes não é boa para o “desenvolvimento” da nação…]…

  14. …por fim queria aqui deixar algumas ideias…vocês, jovens arquitectos e estudantes devem-se preocupar com a qualidade do trabalho e pelo direito, já e agora, ao trabalho… Ponham os olhos nos engenheiros…eles não dizem mal uns dos outros, nem discriminam escolas…um bom arquitecto é algo de difícil de definir…Souto Moura mal punha os pés na então esbap…Siza trabalhou com Távora…esse sim um senhor, no seu tempo…e pronto de projecção internacional não há mais…e foi naquele tempo… Agora os “Deuses Menores” e outros tiranetes vos garanto que tiveram uma formação muito inferior do que hoje se dá, na maioria das escolas… A importância de uma formação não está directamente relacionada com a escola A, B ou C, mas sim com o que cada um consegue aproveitar da formação/informação transmitida…e da sua capacidade de empreendorismo…isto é gestão, dedicação e objectivos claros…já ouviram falar nos economistas, gestores e empresários que (aparentemente…) levaram o mundo ocidental à falência, aldrabando aqui, roubando ali, intrujando acolá? qualquer um deles, hoje, seria um nome a vender arquitectura…mas não foi isso que me ensinaram, nem eu vejo aqui a intemporanea figura de um arquitecto… Por outro lado eu continuo a perguntar: onde pára a obra dos arquitectos?…é que eu não vejo nada que não seja na televisão…na realidade, seja aqui na minha terrinha ou em Lisboa ou Porto, vê-se muito pouca arquitectura e muito empreendimento sem qualidade, que nascem como cogumelos…onde eu estou certo que trabalharam arquitectos… Eu li todo o thread. De quando em quando dou por aqui uma espreitadela. Acho que este fórum está um pouco morto, mas muito educado. Se vocês não reclamarem, exigirem, bradarem, ninguém vos dá nada…não esperem nada! Exijam… Bom ano span.jajahWrapper { font-size:1em; color:#B11196; text-decoration:underline; } a.jajahLink { color:#000000; text-decoration:none; } span.jajahInLink:hover { background-color:#B11196; }

  15. Sim, estamos de acordo que os projectos do Socrates não se aproximam muito à Arquitectura contemporânea, nem figurarão como nenhum exemplo, no entanto, talvez se aproximem mais dos desejos dos donos do edifício, aqueles que realmente vão pagar pela construção do imóvel, que vão beneficiar dele e acarretar com a sua manutenção ao lonfo do tempo.


    …socrates é filho de um arquitecto/político, autor de aquele enorme edifício abandonado na Covilhã…

    …o grave na sua actuação enquanto projectista…foi o método rasca de província/corrupção assumida…deixar passar isto em branco…é insultar toda uma classe…mas não creio que Helena Roseta se tenha preocupado…e aí é que começam os problemas sérios…eu vi-a com alguma frequência a falar sobre tudo e sobre nada na tv…quando quem manda não nos proteje…porque que é que manda…e se eterniza de lugar em lugar até à lista única…

    …portanto caro Ricardo…ainda temos de ouvir hoje opiniões como a sua…

    …tal é o alheamento da Ordem, que eu hoje não sei quem é o patrão…

    …irei mais longe…para mim, hoje com 50 anos…presidente de Ordem até um engenheiro podia ser…desde que fizesse alguma coisa…procurar nomes sonantes para abrilhantar uma lista, é juntar mais um inútil aos outros…que só vai tratar da sua vida e de questões que em nada tem a ver com a maioria dos arquitectos comuns…
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