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orlopesdesa

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  1. Alguém tem a memória descritiva do projecto? É que eu só posso encarar esta obra como uma crítica aos ícones que se vão formalizando pelo mundo inteiro, caso contrário entro em depressão, porque o aspecto do edifício é inenarrável! Mas e daí, porquê formalizar uma crítica num edifício?
  2. Ark, Claramente temos interpretações diferentes da História, dos tratados, dos edifícios. Parece-me que vamos passar a discutir o sexo dos anjos, na medida em filtramos a historia da arquitectura de modos diversos. Disseste que eras conservador, talvez até nem sejas de todo, não é garantido que um Ghery seja mais arrojado que um Siza, até porque o processo de cada um é distinto. Talvez pelo esforço de estabelecer relações com o que os rodeia e esta obsessiva procura, os edifícios do Siza sejam mais arrojados que os do Ghery. Mas, assim como perante muitos colegas de nacionalidades diferentes eu não aceito que se faça uma observação simplista da obra do Siza, que muitos consideram formalmente já muito esgotada, ignorando a poética dos espaços por ele criados, eu também não consigo adjectivar de má arquitectura um edifício que pretenda exactamente o oposto - a ruptura. Lembra-te de que no concurso para a casa da música estavam no júri Siza e Souto Moura, e ambos escolheram a proposta de maior ruptura com o local. João Pedro Silva, Ao princípio estava até para não te responder, porque é sempre uma perda de tempo explicar duas vezes a mesma coisa a quem não percebeu rigorosamente nada da primeira vez. Mas como ainda és estudante, eu permiti-me a mim mesmo abrir uma excepção. Eu sei que estás fresquinho na História do 3ano e isso é facilmente perceptível. Mas em História não se decora apenas, pensa-se! E claramente isso é cada vez mais raro. Por isso é que tenho trocado argumentos com o ARK, porque claramente ele também está disposto a pensar. Gostei muito da tua revisão de História do 2ano (Mesopotâmia, Grécia, Roma) mas a observação está descontextualizada, porque não só não estamos a falar de aglomerados habitacionais urbanos, como não estamos a falar da adaptação destes núcleos á morfologia do terreno. Estavamos sim a discutir arquitectura de Autor, a Habitação pensada e teorizada, como ponto de partida para afirmação de uma determinada visão arquitectónica e a sua relação visual, metafórica e só por vezes física com o terreno. Podes portanto ficar descansado, porque eu não só já tive aulas e discussões de história com o Professor Quintão (pessoa que respeito muito), como inclusive com o Professor Domingos Tavares (que tem também bastantes coisas publicadas sobre o Renascimento) e o Professor Alves Costa (que infelizmente já não dá aulas na Faculdade). Aproveita para perguntar ao Professor Quintão se há apenas uma linha de interpretação da História da Arquitectura, se em História as coisas são aceites pura e simplesmente como dogmas. Talvez te surprendas com a resposta. E quando quiseres ir a Florença para absorver com os teus olhos o que é Arquitectura Renascentista, entra em contacto comigo, porque como lá vivi e estudei um ano, posso-te dar algumas dicas valiosas, e inclusive colocar-te em contacto com alguns do meus antigos professores de História da Arquitectura, que talvez possam esclarecer algumas das tuas dúvidas.
  3. Ark, Desculpa, mas não concodo. A arquitectura do Renascimento foi feita á escala do Homem. Esta era a única preocupação inerente à pesquisa presente nos tratados elaborados pelos grandes génios como o Alberti, Bruneleschi, mais tarde o Vasari e outros tantos. Se passeares pelas ruas de Florença vais ver que todos os edifícios concebidos naquele período jamais foram desenhados para se relacionarem com os edificios adjacentes, mas sim desenhados de forma a procurar a maxima coerência e harmonia entre as diversas partes que o constituem. Proporção embasamento/resto do edificio, proporção entre as aberturas e os paredes cerradas, e, acima de tudo, como tudo isto é apreendido pelo olhar de quem o contempla, ou seja, como essas proporções se relacionam com a escala humana. Mesmo quando no renascimento se desenharam espaços urbanos, a prioridade foi sempre a reformulação completa da malha urbana em questão. E não sou um partidário ou defensor de uma determinada doutrina. Só acho que é pouco salutar abordar a problemática da habitação, dizendo que esta deve estar sempre em relação com o local. Para mim, e penso que não serei o único a pensar assim, o importante é o processo, são as premissas que são lançadas pelo arquitecto aquando da abordagem a uma determinada problematica. Se as tuas premissas são não assumir uma relação franca e directa com a envolvente, qual é o problema?!!! Desde que sejas coerente durante todo o processo, é tão válida uma abordagem como a abordagem aposta, desde que estas sejam sempre assumidas pelo projecto. É a coerência que conta, e é por isso que facilmente se destingue um Siza ou um Souto de Moura das muitas cópias baratas que se vão espalhando pelo território Português.
  4. Argos, Analisando então os últimos 500 anos, chega-se facilmente à conclusão que só praticamente no século XX e apenas alguns arquitectos (arriscaria mesmo a dizer algumas escolas) é que se interessaram pela profunda relação habitação paisagem. Alberti, Brunneleschi, todos os Barrocos e os Neo's que se seguiram, modernistas, pós-modernistas, e a maioria dos contemporâneos jamais estabeleceu como prioridade ou objectivo a integração na paisagem. Óbvio que uma casa não é um museu, mas se tu fazes uma breve análise da história da arquitectura vês que os arquitectos que fizeram a arquitectura evoluir (bem ou mal, segundo a sensibilidade de cada um), utilizaram a habitação como porventura o maior elemento de pesquisa e reflexão. Desde Alberti à casa máquina de Corbu, passando pelas casas do koolhas até aos nossos dias. Não é que me identifique com os nomes atrás referidos, apenas os uso como base de comparação. Eu percebo que aches a casa fria como espaço de convivência de uma família, mas até aí estás a restringir claramente o campo de análise, uma vez que uma habitação nem sempre é usada por vários indivíduos (muita gente vive só), e acima de tudo a percepção espacial e as ambições de cada um variam bastante. É que cada um absorve e reage de forma diferente perante determinados espaços. Resumindo, e porque não quero entrar no campo da pura subjectividade, devo dizer que esta casa não me impressiona muito. Apenas acho que não podes afirmar categoricamente que "a habitação que hoje se faz não tem nada a ver com isto". É perigoso e induz em erro um olhar mais desatento.
  5. Portanto parece-me então que, para ti, toda a arquitectura que não esteja em relação directa com o lugar é desinteressante, certo? É que arriscas-te a ter no teu balde do lixo a maior parte da produção Arquitectónica dos últimos 2000 anos...
  6. Zuka: Eu concordo com algumas das coisas que disseste,até porque não acho que o funcionalismo deva guiar o processo, mas sim que deva ser um dos intervenientes. O problema é que pegando no teu texto, ele não se aplica de maneira alguma e este projecto, já que dizes que "Arquitectura tem que ser vista como um organismo vivo em constante mutação". A tal mutação aqui não se aplica pura e simplesmente. É um objecto formal cuja (extensão, reorganização, readaptação, seja lá o que for que entendas por mutação) torna-se claramente impossível, tamanha a complexidade geométrica do interior. Quem já construiu e fez mais do renders, sabe daquilo que estou a falar. Recapitulando, é um exercício de estilo engraçado, mas uma obra com muito pouco conteúdo.
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