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Portugal mais perto de ter Política Nacional de Arquitectura


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Portugal está mais perto de ter uma Política Nacional de Arquitectura, disse hoje, à agência Lusa, o ministro do Ambiente, apontando que ela deverá ver sempre lado a lado paisagem e edifícios e concentrar-se na "exigência".

"Um país culto e civilizado precisa de boa arquitectura e a paisagem é um dos seus principais recursos", disse Nunes Correia no rescaldo de um encontro com várias personalidades ligadas ao sector, convocado pelo Ministério na resposta a um desafio da Ordem dos Arquitectos.
"Há muito trabalho a fazer para fazer face à indisciplina que se praticou", disse o ministro, destacando a importância de educar, não só nas escolas mas ao nível dos decisores, a nível executivo e autárquico.
"Estanos com certeza mais perto [de uma Política Nacional de Arquitectura] disse ele, considerando que "foi muito estimulante ouvir personalidades que têm décadas de reflexão sobre esta área"
"O Estado, as políticas regionais e locais têm que partilhar a mesma exigência de qualidade, de boa relação entre a paisagem construída e a paisagem natural", acrescentou.
Nunes Correia afirmou ainda que vai ser constituído um grupo de trabalho em parceria com o Ministério da Cultura para começar a trabalhar num documento que, de acordo com o "consenso geral" dos arquitectos e arquitectos paisagistas ouvidos pelos Ministérios do Ambiente e da Cultura, deverá ser constituído por "grandes orientações e linhas de acção, deixando muita margem para os decisores", embora também haja quem defenda que deve ser "um programa denso".
Para a Ordem dos Arquitectos, que desafiou o Ministério do Ambiente a consagrar uma política de arquitectura, o importante é que o governo participe com os outros estados da União Europeia no foro que os junta para concertar as suas políticas nacionais, disse à Lusa o bastonário João Belo Rodeia.
A Ordem já participava sozinha no Foro Europeu de políticas de arquitectura, em que os estados-membros, cada um com a sua política, concertam princípios orientadores que são depois votados no Conselho da Europa.
"A nossa tristeza é a Ordem estar sozinha a participar no Foro, os ministros votam no Conselho da Europa, mas não participam a montante", apontou João Belo Rodeia, acrescentando que países como a Estónia, a Lituânia ou a República Checa, "que estão há muito menos tempo na União Europeia", já têm as suas políticas definidas.
"Qualidade, ambiente, regeneração urbana/sustentabilidade energética/alterações climáticas e educação" são os principais pilares em que assentam as orientações decididas no seio da União.
"O que precisamos é de ter interlocutores organizados, porque estas políticas têm um reflexo no dia-a-dia das pessoas", disse ainda.
A presidente da Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas, Margarida Cancella de Abreu, destacou a importância de articulação entre os vários ministérios envolvidos, inclusivamente o da Agricultura, com jurisidição sobre boa parte do território.
Quanto aos tipos de paisagem, já inventariadas nas orientações gerais do ordenamento do território, devem ser considerados "de forma integrada", disse.
"A paisagem é sempre uma construção, é sempre alterada, sejam socalcos, matas ou serras. Temos que recuperar umas preservar outras, valorizar", acrescentou.
Margarida Cancella de Abreu referiu que "chega de leis, não são precisas mais", antes um "grupo de trabalho para desenvolver uma estratégia para a paisagem, a concretizar em medidas e acções concretas".
A arquitecta paisagista apontou também a importância da educação e sensibilização da população, através da "divulgação de boas práticas e bons exemplos", referindo que, concretamente no caso das autarquias, as más práticas muitas vezes não são seguidas "por ganância mas por ignorância".
Os arquitectos Nuno Portas, Nuno Teotónio Pereira, Helena Roseta, Gonçalo Ribeiro Telles, o arqueólogo Cláudio Torres e o especialista em Urbanismo Fernando Nunes da Silva foram algumas das personalidades convidadas pelo Ministério do Ambiente para debater o futuro da uma Política Nacional de Arquitectura.
APN.


fonte: Lisboa, 11 Mar (Lusa)

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