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“Planos de ordenamento não podem ser feitos por técnicos de gabinete”


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Sociedade 12 Dez 2008, 14:00h

“Planos de ordenamento não podem ser feitos por técnicos de gabinete”

A maioria dos técnicos que fazem planeamento do ordenamento do território não conhece a realidade do terreno e trabalha no conforto dos seus gabinetes. “O país está a saque, e antes de nos preocuparmos com o protocolo de Quioto, temos de acabar com este saque. Somos um país de dez milhões com casas para 40 milhões”, exemplificou o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles num debate que reuniu meia centena de empresários, autarcas e cidadãos da região na quinta-feira no Arripiado, Chamusca.

José Manuel Palma, professor universitário e antigo presidente da Quercus, disse que prefere as decisões de “um político incompetente às de um tecnocrata armado em carapau de corrida”. O especialista em ambiente considerou que Portugal “tem as melhores leis” mas não as sabe aplicar.

Os dois oradores foram convidados pela Associação Empresarial da Região de Santarém- Nersant para falar do ambiente como condicionante ao desenvolvimento económico e optaram por uma abordagem à volta do mundo esquecendo o ponto de partida- a região de Santarém. No final de mais de duas horas de conversa à volta das questões colocadas pela jornalista Rita Neto, houve lugar para apenas duas intervenções do público. Soube a pouco…

“Deixem-me falar, eu vim de longe para falar convosco”, referiu o arquitecto Ribeiro Telles já no final do debate.

Com a autoridade de quem foi ministro, responsável pela elaboração de várias leis de bases na área do planeamento e fundador da licenciatura de arquitectura paisagista, o arquitecto de Coruche defendeu que a charneca e a lezíria ribatejanas devem ser humanizadas e desta forma será mais fácil combater a desertificação de que a Chamusca é um exemplo.

“Não faz sentido irem comprar uma alface que fez 500 quilómetros para aqui chegar a um supermercado da Chamusca, quando têm terras boas e gente que as sabe produzir”, acrescentou. Ribeiro Teles defendeu o regresso das pessoas às aldeias e às quintas e a recuperação das relações de vizinhança. Mas para tal é preciso criar condições e José Manuel Palma diz que é uma questão de opções e entende a actuação de quem governa. “O mesmo montante financeiro investido numa aldeia serve muito menos gente que numa cidade”, justifica.

Os dois oradores cruzaram argumentos em várias matérias, alimentando o debate, mas revelaram perfeita sintonia nas críticas às políticas de protecção ambiental. “Temos de aprender rapidamente com as porcarias”, referiu José Manuel Palma.

À margem do debate, o ambientalista disse a O MIRANTE que a instalação dos dois Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER) na Chamusca é uma mais valia para o concelho, mas é preciso estar atento porque as mudanças sucedem-se a uma ritmo acelerado.

“Estamos no caminho certo, mas não podemos descansar”, concluiu, elogiando a estratégia seguida pela câmara municipal que “encontrou na selecção e tratamento de resíduos uma oportunidade de desenvolvimento, criando emprego e riqueza para o concelho”.

O presidente da câmara Sérgio Carrinho assistiu ao debate que decorreu numa antiga cavalariça na Quinta do Arripiado transformada numa acolhedora sala de reuniões, mantendo a traça e os materiais de outros tempos. Um bom exemplo de que é possível dar vida às quintas, mantendo as suas memórias.


in http://www.omirante.pt/index.asp?idEdicao=51&id=26844&idSeccao=479&Action=noticia

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