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"o bitaite" do Bruno Nogueira

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Carissimos,

Raramente posto por aqui, mas não resisti perante tamanha pérola deste Sr., deste grande Senhor Bruno Nogueira ;):palmas::p

Pato bravismo.

Já tivémos um país bonito.
As casas de antigamente era bem feitas, com pormenores de classe, bons materiais, e acima de tudo eram bonitas.
Tinham charme.
Mas isso era antigamente.
Hoje em dia, graças a uma raça que dá pelo nome de "pato-bravo", isso já foi exterminado, para gáudio de quase toda a população.
Demos cabo de tudo.
Tudo.
Da ponta de portugal até aos seus calcanhares, nós fomos arquitectando monstros de cimento.
As construções não seguem uma linha lógica de arquitectura, os prédios passaram a ser só caixotes, e as moradias novas passaram a ser "móradias", cor de rosa, ou amarelo, todas iguais, e com interiores à base do dourado e da mármore, que são materias considerados "finos".
Neste fim-de-semana fui ver várias casas, e o "luxo" dos dias de hoje deixou de ser o "luxo" dos dias de sempre.
O pato-bravismo, anda de braço dado com o novo riquismo.
E o novo riquismo, anda de braço dado com o mau gosto.
O meu pai sempre me disse, e cada vez o entendo mais: "o dinheiro não compra o bom gosto".
E de facto não compra.

Dois destaques para as casas que fui ver então neste fim de semana.
A primeira era uma em Cascais, que aparentava ser uma casa com traça antiga, com um belo terreno, e que mal se entrava pela porta nos parava qualquer coisa cá dentro.
O homem, um pato bravo na casa dos sessenta, tinha partido tudo por dentro e tinha reconstruído com o seu "gosto pessoal".
À base de quê?
Mármore, dourados e puxadores de portas em forma de diamante.
O jardim todo em tijoleira (sim, ele cobriu a maior parte da relva) e um salão na cave todo na mesma tijoleira e com uma coluna em mármore no meio.
Não vou sequer falar do valor nem do orgulho com que o homem mostrava a casa para não envergonhar ninguém.
Depois fui ao Estoril.
Estoril esse que, lá está, já consegue ter prédios assustadores e grafittis ainda mais assustadores em pleno Monte Estoril, que sempre foi uma "zona nobre".
O "Cruzeiro", no centro do Monte Estoril é uma edificio de vidros partidos e graffitis, e é impossível olhar em redor sem ver uma mamarracho daqueles que provocam um misto de pena e "é bem feita".
A casa em questão era uma casa antiga, de uma familia também ela antiga, que lhe custava muito vender e que tinha conservado a traça antiga não só no exterior, como no interior.
Visitei a casa tendo a perfeita noção da raridade que estava a visitar e que tão cedo não veria nenhuma igual.
Uma casa com anos e anos de história, que conseguiu manter-se intacta, apenas com os devidos arranjos a que o tempo obrigou.
A senhora explicou-me que já a tinha quase vendido, que esteve quase a asssinar os papéis, até o comprador lhe dizer:
"Epá, isto vai ficar lindo. É arrancar este chão todo (que era madeira, casquinha) e pôr aqui uma bela mármore."
Resultado: não a vendeu.
Bem sei que o bom gosto é, e sempre será uma coisa relativa.
É bom que assim seja.
Por isso apenas posso falar de acordo com aquele que tenho: Portugal está a ficar mais feio de dia para dia.
As zonas verdes são assaltadas por casas construídas às muitas pancadas.
A autoestrada de cascais vai passar a terminar no Guincho.
No Guincho!
Uma zona verde e de praia que nunca teve problemas de trânsito, nem nunca terá, mas ainda assim, alguém achou que a autoestrada valia a pena.
No nosso país tudo se compra.
E nós que sim, como se nada fosse.
Um dia vamos olhar para trás e perceber que Portugal já foi dos países mais bonitos do mundo, até nos cansarmos de estar bem.
Lord Byron disse um dia: "Portugal não merece Sintra".
Não vou tão longe, mas vou para perto.

http://corpodormente.blogspot.com/2008/11/pato-bravismo.html

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Infelizmente é essa a realidade!! (...)

... Façamos a nossa (arquitectos) parte ...



O interessante é que não vejo as novas gerações de arquitectos a tentarem inovar na arquitectura.



Desculpem lá a pergunta... mas este texto deixo-me a questão:
Vocês (estudantes de arquitectura) só aprendem as "normas" de Le Corbusier?

Josué Jacinto - Mais Fácil
My web: maisfacil.com | soimprimir.com | guialojasonline.maisfacil.com

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O interessante é que não vejo as novas gerações de arquitectos a tentarem inovar na arquitectura.



Desculpem lá a pergunta... mas este texto deixo-me a questão:
Vocês (estudantes de arquitectura) só aprendem as "normas" de Le Corbusier?


para inovar na arquitectura temos de esquecer o nosso passado, a nossa historia e a nossa cultura?? porque é isso que se consta nesse texto...

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para inovar na arquitectura temos de esquecer o nosso passado, a nossa historia e a nossa cultura?? porque é isso que se consta nesse texto...


nao mas devemos de olhar as solucoes tradicionais de uma forma critica e nao copista, compreendelas e utilizalas de uma forma sensata, usar o que faz sentido usar, o marmore nao e um material tradicional Portugues, o Beiral e uma solucao tradicional que fara sentido se depois nao se forem pendurar caleiras de PVC por baixo dos mesmos, as armacoes das janelas serao repartidas se as mesmas forem de madeira e cumprirem a sua real funcao, e por ai adiante, respeitar a arquitectura tradicional e respeitrar as solucoes tecnicas contidas na mesma para proporcionar a uma melhor utilizacao.

se achas que este texto nao defende a Arquirtectura tradicional, entao o que podera defender? os Hoteis de 7 pisos em Portimao com chamines algarvias? os predios da Tapada das Merces aos telhadinhos e rococos? tudo elementos deslocados das tecnologias de construcao utilizadas, mas pior um pouco, os ditos puxadores em diamante, e outros "acessorios" que mais lembram uma loja de artigos chineses que uma casa na Europa...

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nao mas devemos de olhar as solucoes tradicionais de uma forma critica e nao copista, compreendelas e utilizalas de uma forma sensata, usar o que faz sentido usar, o marmore nao e um material tradicional Portugues, o Beiral e uma solucao tradicional que fara sentido se depois nao se forem pendurar caleiras de PVC por baixo dos mesmos, as armacoes das janelas serao repartidas se as mesmas forem de madeira e cumprirem a sua real funcao, e por ai adiante, respeitar a arquitectura tradicional e respeitrar as solucoes tecnicas contidas na mesma para proporcionar a uma melhor utilizacao.

se achas que este texto nao defende a Arquirtectura tradicional, entao o que podera defender? os Hoteis de 7 pisos em Portimao com chamines algarvias? os predios da Tapada das Merces aos telhadinhos e rococos? tudo elementos deslocados das tecnologias de construcao utilizadas, mas pior um pouco, os ditos puxadores em diamante, e outros "acessorios" que mais lembram uma loja de artigos chineses que uma casa na Europa...


penso que nao percebes-te o meu comentario porque eu concordo contigo, eu disse que o texto refere que se fazem intervenções onde se esquece completamente as nossas raizes e o nosso passado, dai a minha pergunta se nao será possivel inovar mantendo tambem a nossa tradição (é isso que eu defendo).

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Ena.... inovar mantendo a tradição... nao sei nao... senão "bejamos"... os revivalismo são un tanto ao quanto banidos, seja pelas novas exigencias, quer pelo desconhecimento ou inadequação dos materias e técnicas outrora utilizados, podemos somente nos aproximarmos do que era o passado, criar um cenário, uma especie de operação de cosmética, nao quero dizer que não se faça, mas tem que o justificar, nao devemos ser hipocritas em muitas renovações em que se continua com a mesma "estética", devemos assumir o novo, associar ao renovar o inovar. Mas que o casamento ou divorcio seja coerente, e não um misto de "disto" e "daquilo".

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