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Porto | "A discreta casa de arquitectos" | Alvaro Siza Vieira


3CPO

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A discreta casa de arquitetos

Erguido no alto de uma encosta, com vistas para o estuário do rio Douro e o oceano, o edifício se dissimula num entorno onde predominam estabelecimentos comerciais e blocos de residências. Ele não se manifesta de imediato como obra de um dos maiores arquitetos da atualidade.
Mimetizado na forma pragmática e aparentemente despojada de um lugar de trabalho, o prédio requer um olhar atento para distinguir-se nele a propriedade formal, o árduo trabalho de escala - que singelamente propõe inseri-lo na paisagem suburbana em transformação - e a pluralidade de linguagens típica da arquitetura de Álvaro Siza.

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Embora implantado no subúrbio, em lote de forma irregular e inclinado, o edifício, erguido de frente para o belo estuário do Douro, tem ambições urbanas. Com um subsolo que ocupa quase toda
a área do terreno e abriga garagens, lojas
e escritórios, o prédio foi projetado em U, criando
um pátio interno voltado para o sul, que articula
os quatro pavimentos de escritórios.

O térreo, parcialmente enterrado, recebe ventilação e iluminação a partir da rua do Aleixo (única via que limita o terreno), do grande pátio interno e de outro menor. A circulação vertical - com elevadores e escadas - e as instalações sanitárias foram implantadas na face norte e dão acesso ao terraço, de onde se avista a vasta paisagem marinha ao sul.

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A horizontalidade e a morfologia do corte, que capta a atmosfera de beira-mar, denunciam
a continuidade de formas anteriores projetadas por Siza, inclusive certa semelhança com a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, igualmente situada às margens do Douro.
Em contraste com o volume prismático dos escritórios, o térreo, aparentemente amorfo,
joga com o variado alinhamento resultante da irregularidade da superfície do terreno.
A indeterminação da linha do solo promove a fusão do bloco de escritórios com a laje do térreo.
Essa noção de divisão e fusão é abandonada com
a organização bilateral dos espaços em cada pavimento.

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Para melhor captar a luz do sol, o arquiteto projetou os dois lados do edifício de formas diferentes: um deles tem planta semelhante a dentes de serra, com grandes janelas pivotantes.
O outro, de frente para a rua, apresenta organização linear, com aberturas de proporções quase domésticas. A complexidade espacial exprime as variadas exigências dos usuários.
Embora o edifício seja um trabalho do escritório de Álvaro Siza, representantes das quatro gerações de arquitetos da chamada escola do Porto colaboraram em sua evolução e realização: Fernando Távora (mestre de Siza) e seu filho, arquiteto Bernardo Távora, ocupam o terceiro piso; os arquitetos Eduardo Souto de Moura, Rogério e Cecília Cavaca compartilham o primeiro pavimento; Jorge Antonio Ferreira de Barros divide o térreo com escritórios de engenharia e distribuidores de materiais de construção; o filho de Siza, o também arquiteto Álvaro Leite Siza Vieira, instalou-se em parte do subsolo.

Álvaro Siza mudou-se em 1999 para o segundo pavimento. Durante mais de 20 anos, Siza ocupou um escritório “provisório” em um prédio da rua da Alegria, no centro da cidade, um espaço animado continuamente pela presença de jovens colaboradores, construtores, artesãos, mestres, aprendizes, fornecedores, clientes e jornalistas de várias partes do mundo.
Com o aumento do número de projetos, o escritório se expandiu para outro pavimento de um edifício vizinho. Graças à difusão do uso do computador e da telemática, nos últimos anos Siza passou a contar com colaboradores e consultores espalhados pelo Porto e por diversas cidades da Europa e de outros continentes.

O conflito entre a globalização e as regionalidades é antigo para o arquiteto e uma condição do seu trabalho. Universal, contemporâneo e extremamente sensível às condições locais, Álvaro Siza é autor de projetos coerentes e refinados, que embelezam as mais diferentes cidades do mundo. Ele tem projetos em Los Angeles, EUA; em Porto Alegre (o Centro Cultural Iberê Camargo); e em Rosário, Argentina.

Desenhos Técnicos:
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Fonte:
www.arcoweb.com.br
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Este é o edifício que alberga os gabinetes do Siza, do ESM, entre outros...
Como edifício pode ser bonito, mas não concordo nada com a descrição que é feita...

Erguido no alto de uma encosta, com vistas para o estuário do rio Douro e o oceano, o edifício se dissimula num entorno onde predominam estabelecimentos comerciais e blocos de residências. Ele não se manifesta de imediato como obra de um dos maiores arquitetos da atualidade.

O edifício destaca-se demasiado na paisagem, parece que aterrou ali...
Quem o observa de baixo, do largo do Ouro, apercebe-se como ele surge a dominar a paisagem "por cima" de edifícios antigos até 3 pisos...
Está edificado sobre uma plataforma (o estacionamento fica por baixo), elevando-se como que num pódio sobre a paisagem...

PS: Ainda pior é o condomínio fechado que construiram no terreno a norte deste...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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  • 1 year later...
  • 2 weeks later...

Caro mrc64, "escritórios triangulares sem janelas"??... Em primeiro lugar gostava de perceber onde está a forma triangular e onde é que não estão as janelas e em segundo entender o porquê de um espaço triangular ou sem janelas ser à partida um espaço sem qualidade para trabalhar... A forma assemelha-se claramente ao Pavilhão Carlos Ramos da 'FAUP'.

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Ui! curto aqueles escritorios triangulares, devem ser bons para trabalhar ou ter uma reunião e sem janelas então... :D




Ou nunca visitaste a obra e nem de deste ao trabalho de pesquizar e ver plantas, etc., ou de arquitectura não pescas nada lol, desculpa-me a frontalidade, mas escritorios triangulares e sem janelas? :p loool este edifício está brutal desde a garagem até ao páteo na cobertura...
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é verdade... tive um ano a pensar numa resposta básica para te dar! Como deves imaginar, nem todos os posts se observam no momento da colocação como também poderias dar ainda mais uso ao teu poder de observação e reparar que só me registei neste site em março deste ano. Voltando ao que interessa e ao sítio do '3' só tenho um comentário... Pior que um cego é aquele que não quer ver. Desculpa a frontalidade mas realmente, e nem com toda a criatividade do mundo, vejo uma planta triangular e não encontro janelas. Não insisto mais porque parece-me inútil convencer alguém de que o mundo é redondo se ele afirma convictamente que é quadrado...

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Pois experimenta passar 6 horas seguidas a trabalhar numa sala sem janelas, que já te passa a poesia toda... Pois conheço bem a obra do mestre, e esta inclusivo, pois morei aqui ao lado (sob risco de ser assaltado pelos vizinhos ali do aleixo) e acho que, sendo uma obra bem feita, não tem nada de especial - talvez derivado do facto de ter sido feita em grupo, ou porque não estava lá muito inspirado, sei lá. O Herzog, por exemplo, tb tem obras boas e obras más - como aquele triângulo estúpido que projectou para Barcelona... Só porque é assinada por um mestre não significa que seja uma obra de arte. Não se pode ser sempre genial em todas as obras. Digo eu.

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Também conheço o edifício e, da obra do Siza, é dos exercícios mais desinspirados de arquitectura dele, cinzentão, impondo-se sobre o terreno e com os tiques de linguagem todos do homem. Quanto à forma ser parecida com a do Pavilhão Carlos Ramos, só se fecharmos muito bem os olhinhos é que lá vai: o Carlos Ramos não tem os braços ortogonais, e as salas abrem completamente sobre o pátio interior, não são só janelas. Já a FAUP, apesar de todos os seus defeitos, é uma obra a sério.

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  • 9 months later...

sobre as analogias: só formalmente se assemelha ao carlos ramos, o c.r vive do pátio, quase não tem janelas para fora. tem alçado de vidro onde todos veem todos a trabalhar, onde quem quer vem ao pátio, principalmente quando não houver aulas, porque ninguém gosta de ser observado... o atelier vive de janelas, para todo o lado, para controlar a luz e as vistas e o pátio é mais um alçado que entra luz, do que um claustro vivencial como esperamos que o siza faça. sobre o edifício: visto de gaia, da afurada, do novo passeio marginal do menezes, o edifício pousa muito bem, remata bem a construção anterior, marca bem a praça-alargamento posterior, com edifícios em frente leia-se, não é um ovni, não tem cor forte, nem é grande, está bem ali, não choca, e o espaço interior, que já visitei é muito interessante, não sendo contudo o meu espaço ideal de trabalho, é sossegado e recolhido, bom para trabalhar em equipa, com mesas, maquetes e afins a perturbar.. quanto os "tiques" do mestre, pois, espaço caracterizado, funciona e é bom, a linguagem pode-se sempre criticar com gostos e há muita gente que não gosta dos tiques do mestre, mas que funcionam em harmonia,lá isso funcionam....

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