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Lisboa: Objectivos do plano de reconstrução do Chiado atingidos 20 anos depois
2008-07-19 01:37:49

Lisboa, 19 Jul (Lusa) - Vinte anos depois do grande incêndio do Chiado, foram "atingidos e estão perceptíveis" os objectivos do Plano para a Reconstrução da Área Sinistrada, segundo disse à agência Lusa o arquitecto coordenador do projecto.

Jorge Carvalho, que foi o "braço direito" de Álvaro Siza Vieira no projecto, explicou que "foram introduzidas melhorias nas ligações urbanas entre a Baixa e a Alta [Chiado], foi integrada uma estação de metro e criou-se habitação como factor de revitalização e segurança da zona".

"Agora vê-se vida intensa no Chiado a várias horas do dia. Há 20 anos, o incêndio demorou a ser notado e a ser dado o alarme devido à inexistência de habitação", reiterou.

O arquitecto, que coordenou o plano entre 1991 e 2001, falou com a Lusa na sexta-feira, à margem de uma visita guiada ao Chiado promovida pela Ordem dos Arquitectos, no âmbito dos 20 anos do incêndio que deflagrou a 25 de Agosto de 1998 naquela zona da cidade.

Mas ainda há pelo menos um objectivo por cumprir. "Falta o último troço de uma ligação pedonal através de escadas, que ligam um pátio criado na traseiras de alguns prédios da Rua do Carmo ao Convento", contou.
Segundo explicou, a ligação ainda não foi concretizada "por problemas com propriedade".

Revitalizar o Chiado foi, na altura, para um jovem arquitecto, "um grande desafio e uma grande lição, com a responsabilidade acrescida de ser uma zona central da cidade com um grande simbolismo".

Quando olha agora para o Chiado, Jorge Carvalho vê "uma cidade que parece existir há já muito tempo".

"A intervenção pós-incêndio felizmente está escondida e é ela que possibilita esta vida que se vê, e isso é gratificante", disse.

No edifício onde antes do incêndio ficavam os Armazéns do Chiado está agora instalado um centro comercial com o mesmo nome que, garante o arquitecto, "mantém algo da estrutura original".

"A estrutura espacial do edifício, que foi projectado no século XVIII, era baseada em dois pátios à volta de um corpo central, essa estrutura forte mantém-se. O centro desenvolve-se entre dois pátios cobertos com vidro", explicou.

A ideia inicial para aquele edifício era a de instalar ali um hotel, que ocupasse a maior parte da área. Além do hotel haveria ainda zonas comerciais.
"O centro comercial tem a vantagem de diversificar horários, como o hotel teria. O que permite a permanência de pessoas pelo Chiado a horas mais tardias do que na Baixa", afiançou.

Visivelmente satisfeito com o trabalho realizado na zona, Jorge Carvalho guiou um grupo de curiosos pelos locais de intervenção do plano.

"Voltar a falar do Chiado agora que está vivido e usado é extremamente grato", Jorge Carvalho com os presentes antes de dar inicio à visita guiada.

JYS.

Lusa/fim

in http://aeiou.visao.pt/Pages/Lusa.aspx?News=200807198565866

  • 1 month later...
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"Siza Vieira considera que os críticos da forma como o Chiado foi reconstruído têm «falhas de memórias». Em declarações à TSF, o arquitecto sublinhou a necessidade de se avançar urgentemente para a reconstrução da Baixa de Lisboa.

O arquitecto Siza Vieira rejeitou as críticas que têm sido formuladas sobre a reconstrução na zona do Chiado e lembrou que para concretizar esta reconstrução foi necessário ultrapassar vários problemas jurídicos.
Ouvido pela TSF, o responsável pela reconstrução do Chiado após o grande incêndio de 25 de Agosto de 1988 considerou que os críticos desta obra têm «falhas de memória», porque um processo como estes é sempre demorado.
«A reconstrução dos Armazéns do Chiado e do Grandella estive retida na sua conclusão durante muito tempo, porque estava em tribunal. Para além dos problemas técnicos e de construção, os maiores problemas foram de ordem jurídica e de propriedade», explicou.
Depois do Chiado, o arquitecto defende que é necessário uma recuperação urgente de toda a Baixa de Lisboa, obras que Siza Vieira prevê mais complicadas do que aquelas que tiveram de ser feitas após o grande fogo de Agosto de 1988.
«Essa recuperação vasta é que vai dar o envolvimento e a densidade que permite ao próprio Chiado levantar a sua movimentação, porque o que se passa num sector da cidade não diz respeito só essa sector», adiantou.
Para Siza Vieira, «há toda uma gama de ligações que dão lugar à complexidade e à densidade da vida urbana» nesta recuperação da Baixa lisboeta que o arquitecto sublinhou ser «urgentíssima por razões de segurança»."

Fonte:TSF

Link para entrevista:

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=984255

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Um novo Chiado após o incêndio de há 20 anos


Os populares armazéns foram substituídos por um centro comercial e dezenas de lojas e cadeias internacionais.

O grande incêndio que destruiu o Chiado em Lisboa foi há 20 anos. O fogo galgou vários quarteirões e deixou em ruínas o «coração» da capital. Hoje o comércio voltou, mas o Chiado está diferente.


Quinta-feira, 25 de Agosto de 1988. Às 05:30 era dado o alerta. Um forte incêndio destruía o Chiado. Os bombeiros combateram o fogo durante 12 horas. Duas pessoas morreram e 73 ficaram feridas. Dezoito lojas foram consumidas pelas chamas e mais de 7500 mil metros quadrados arderam. Vários edifícios do século XVIII ficaram destruídos. As verdadeiras causas do incêndio que destruiu parte do «coração» de Lisboa nunca foram apuradas.
Vinte anos depois do incêndio, o Chiado é uma zona de contrastes. A requalificação urbana que se fez depois do incêndio permitiu restituir o Chiado aos lisboetas. Nasceram edifícios novos e uma nova estação de Metro.
Os armazéns populares foram substituídos por um centro comercial e dezenas de lojas de cadeias internacionais. No Chiado instalaram-se as marcas mais exclusivas da Europa.

O Chiado tem a construção mais cara de Lisboa. Em alguns casos o metro quadrado chega a atingir os 4 mil euros. O arquitecto responsável pela requalificação da zona, Siza Vieira, assumiu que o objectivo foi cumprido. A Câmara de Lisboa diz que o Chiado é um exemplo a seguir noutras zonas da cidade e em especial na baixa.

in http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=984668#

Chiado: Siza Vieira diz que recuparação do Chiado está quase concluída

O responsável pela reconstrução do Chiado depois do incêndio, Siza Vieira, diz que a missão que lhe foi atribuída ficou quase concluída. Isto porque ainda falta a conclusão de algumas obras na Rua Garrett, no Largo do Carmo e também a saída do Elevador de Santa Justa.

A autarquia lisboeta chamou recentemente o arquitecto para que este termine os trabalhos de reconstrução, revelou Siza Vieira. João Soares, antigo presidente da Câmara de Lisboa, recorda um "cenário vazio e sem vida antes do incêndio", no entanto, diz que "depois da tragédia, a autarquia podia ter tido maior controlo sobre o projecto de reabilitação".

Maria José Nogueira Pinto, responsável pelo projecto de reabilitação da Baixa-Chiado, afirma que se gerou um clima emocional muito vincado depois do incêndio. A responsável diz também que, "há 20 anos as decisões não tiveram em conta o futuro do coração da cidade". 20 anos volvidos, estas são algumas das reacções ao incêndio que destruiu o Chiado.

in http://radioclube.clix.pt/noticias/body.aspx?id=11681

Chiado/incêndio: Comerciantes lamentam a falta do "charme" de antigamente
25 de Agosto de 2008, 13:39

Lisboa, 25 Ago (Lusa) - Ardeu há 20 anos, foi reconstruído por um dos arquitectos portugueses mais prestigiados mas nem por isso manteve o charme de antigamente, pelo menos na opinião de alguns comerciantes do Chiado antes e pós incêndio de 25 de Agosto de 1988.

Para António Lemos, da Casa Pereira, e José Manuel Gomes, da Sapataria Hélio, o projecto de reconstrução do Chiado, da responsabilidade do arquitecto Siza Vieira, recuperou a zona mas o espaço perdeu o "charme" de antigamente.

António Lemos e João Manuel Gomes são dos poucos comerciantes da zona que se recordam do dia exacto do incêndio que destruiu o Chiado e têm presente as memórias anteriores à tragédia.

O Chiado antigo - "que era lindo" - foi consumido pelas chamas e um novo, de serviços e lojas de marca, nasceu das cinzas, com novas caras e novos donos.

António Lemos, funcionário da Casa Pereira, é dos poucos que recorda o dia do fogo como o "dia da tragédia". O comerciante chegou à Casa Pereira às 06:30 da manhã, quando as chamas já ameaçavam habitações e comércio.

"Era um pandemónio, só se viam chamas. Felizmente que o pior, que se chegou a temer, não aconteceu", recorda, ao mesmo tempo que lamenta o facto de tudo ter mudado "para pior".

E se no final dos anos 80 o Chiado já não era o mesmo de há uns tempos atrás, "tudo piorou" desde o incêndio. Para António Lemos, a zona "perdeu habitantes, perdeu vida e perdeu 'glamour'".

E apesar de ter ganho em construções reconstruídas, a dificuldade em parquear carros é, segundo António Lemos, o "grande problema" que o Chiado "nunca" vai conseguir ultrapassar.

"Quem é que vai comprar casa aqui se custam uma fortuna e não há onde arrumar os carros à noite?", questiona.

João Manuel Gomes, empregado da sapataria Hélio é outro dos que recorda o incêndio de 25 de Agosto de 1988.

Empregado da extinta sapataria Cinderela, ao 33 da Rua do Carmo - uma das sapatarias da Hélio - pouco passava das 07:30 quando João Gomes chegou ao Chiado.

"Quando cheguei já não conseguia passar e, três horas depois, já só se viam chamas enquanto uma nuvem de fumo tapava Lisboa", refere.

Apesar da mudança operada no Chiado com o projecto de reconstrução de Siza Vieira, João Gomes não vê que melhorias tenha trazido para a zona.

"O Chiado devia ter ficado reservado para as grandes lojas que estão na Avenida da Liberdade. Isso sim, seria devolver a vida e o charme ao Chiado de antigamente", sustenta.

"O melhor centro comercial de Lisboa era o Chiado, mas acabaram com ele", remata.

Das lojas que resistem na Rua do Carmo e na Rua Garrett pós incêndio contam-se a sapataria Hélio, a Casa da Sorte, a Picadilly, a Livraria Lello e a Portugal, a Luvaria Ulisses, a Casa Pereira, a sapataria Hélio e pouco mais.

De resto são lojas novas, de novas marcas que povoam o Chiado pós 25 de Agosto de 1988. Tal como as pessoas, na sua maioria estrangeiros que desconhecem que aquela zona foi devastada por um incêndio há 20 anos.

Madalena Gonçalves, que hoje cumpre 24 anos, não tem qualquer memória do incêndio, que há 20 anos consumiu uma das zonas consideradas das mais belas de Lisboa.

Do fogo só recorda o que ouve falar em família. Talvez por isso discorde de que o Chiado está mau, porque para si "o Chiado é a zona de Lisboa mais bonita para passear e namorar".

CP.

Lusa/fim

in http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/75a65b37063a54005911c3.html

É um «escândalo» o tempo que demorou a recuperar o Chiado

«A Baixa não se reanimou com aquilo, a Baixa ganhou zero», afirma o arquitecto Leonel Fadigas

A mudança que o Chiado sofreu, depois do incêndio de 1988, é um mau exemplo para o arquitecto Leonel Fadigas, que classifica de «escândalo» o tempo que demorou a reabilitar-se «dois ou três quarteirões».

«20 anos a pensar no Chiado é demais. Não foi uma parte da cidade que ardeu, embora tenha sido uma área importante. É um escândalo levar-se 20 anos para fazer aquilo», disse à Lusa o arquitecto paisagista e urbanista, doutorado em Planeamento Urbanístico e Professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

Mais do que reabilitar, Leonel Fadigas defende que é necessário «regenerar» certas zonas da cidade. «A Colina de Santana, entre a Avenida da Liberdade e a Avenida Almirante Reis é uma zona crítica e das mais esquecidas que precisaria de intervenção. É uma zona de risco, muito degradada e a cidade não tem olhado para ela com atenção», referiu o arquitecto, que foi Director e Presidente da empresa municipal Ambelis, Agência para a Modernização Económica de Lisboa, entretanto extinta.

«Temos de intervir na reabilitação dos edifícios e na melhoria das condições de vida da população», disse Leonel Fadigas que faz «uma leitura muito crítica» da reabilitação do Chiado.

«Passou demasiado tempo para o que foi feito. Foram renovados meia dúzia de edifícios. A Baixa não se reanimou com aquilo, a Baixa ganhou zero», afirmou. «É fácil reabilitar edifícios como se fez no Chiado. Lá não morava ninguém, não havia problemas com alojamento», defendeu.

Como reabilitar a Baixa?

Quanto à regeneração urbana da Colina de Santana, o arquitecto salienta que «primeiro é preciso olhar para a zona em termos de estado de degradação física, urbanística e caso social [é uma zona muito envelhecida com estratos sociais de baixos recursos]».

Lisboa preocupa Leonel Fadigas. «A cidade tem grandes desafios, e o Chiado ainda é um problema. Substituíram-se uns edifícios por outros. Tem mais vida? Tem mais comércio? Teve um efeito estimulante na zona envolvente? Há mais moradores na Baixa?», questiona.

Para o arquitecto, quando se fala de reabilitação da Baixa, é necessário ligar a recuperação física à social, e «não pode esquecer-se a colina de Santana».
«É preciso requalificar os edifícios e também as condições de vida da população. São necessárias políticas de habitação associadas para levar gente», salientou.


in http://diario.iol.pt/sociedade/chiado-incendio-baixa-fogo/984417-4071.html

Chiado atirou decadência pela colina abaixo Imagem colocada
25.08.2008 - 08h07 Ana Henriques
Quem desce a Rua do Carmo, em Lisboa, repleta de lojas para a classe média, não pode deixar de bater com os olhos nos reclamos fluorescentes à entrada do Rossio. Na esquina de uma das praças mais nobres da cidade há cuecas de homem a dois euros e soutiãs a menos de quatro, num local até há pouco tempo ocupado por uma tabacaria. Tal como lá em cima, no Largo do Chiado, as etiquetas dos preços são o que mais prende a atenção dos transeuntes. E no entanto dificilmente podia ser mais flagrante o contraste das vitrinas da casa Hermès, primorosamente forradas a flores, com as montras do supermercado de lingerie do Rossio.

Cá em cima o vestido pérola de costas em V, rematado por uma barra azul, suscita exclamações de espanto. Não é pelo corte, nem pelo tecido. É que custa quase três mil euros. Na Cartier, uns metros abaixo, há colares a 39 mil. Cá em cima, no Chiado, faz hoje 20 anos que um comércio em parte decadente serviu de pasto às chamas, e é também por isso que os preços subiram em flecha. Como os escombros que atulharam as ruas depois do incêndio, também a maioria dos sinais de decadência do Chiado foram atirados colina abaixo.

Hoje, perante a crescente dinâmica do Chiado, há quem lamente que as labaredas não tenham resgatado também a Baixa ao seu torpor. O homem que fez renascer o Chiado das cinzas, Siza Vieira, lamenta que a revitalização do centro da cidade continue por acontecer, apesar de todas as promessas: "A recuperação que fiz foi apenas de 22 edifícios, e não do centro histórico. Foi muito pouco. A Baixa devia estar cheia de vida, mas à noite morre".

O arquitecto sabe como o seu renascimento faz falta ao Chiado, e acredita que um dia ele sucederá, como já aconteceu em Barcelona e noutras cidades europeias. Sabe também que nem tudo correu bem lá em cima, por muito que o luxo encha o olho a quem passa. "Os preços do Chiado são um entrave tremendo", admite. "As rendas são caríssimas. Não se encontrou um meio jurídico de as controlar". Resultado? "Algumas casas são habitadas permanentemente. Outras pertencem a pessoas de fora de Lisboa", que as deixam vazias grande parte do tempo. O administrador de um banco pagou um milhão de euros por um apartamento num último andar na Rua Garrett. É dos poucos habitantes que não se queixam da falta de estacionamento, porque o edifício tem parque. Mas se quiser um produto de primeira necessidade, terá que descer à Baixa ou subir a Santa Catarina.

Neste Chiado renovado não há espaço para mercearias nem para supermercados. Almoça-se nos restaurantes. Jantar nem tanto, que a vida nocturna ainda não passou por aqui. Os horários do comércio são outro problema, aponta Siza: "As lojas fecham quando as pessoas chegam ao Chiado", depois de saírem dos empregos. Já foi pior: hoje é possível encontrar estabelecimentos abertos até às 20h00. A partir dessa hora começam a chegar os sem-abrigo e o local torna-se corredor de passagem, porque todos os caminhos vão dar ao Bairro Alto. Ou melhor, quase todos: um dos bares mais exclusivos de Lisboa, o Silk, nasceu há pouco tempo na fronteira entre o Chiado e o Bairro Alto, no último andar do centro comercial Espaço Chiado.

Com menos glamour, o centro comercial Armazéns do Chiado foi, juntamente com a estação de metro, um dos grandes contributos para a revitalização depois do incêndio. Siza Vieira já se conformou, apesar de não terem sido estes os seus planos: "O edifício dos antigos armazéns era para ser todo ele um hotel. Espantou-me na altura não haver uma empresa portuguesa que pegasse na ideia".

FNAC é pólo de atracção

No centro comercial, pegado ao qual foi construída uma pequena unidade hoteleira, é sobretudo a FNAC que atrai a clientela. "É um dos factores de animação do Chiado", reconhece o arquitecto, secundado pelo professor universitário João Seixas. O investigador fala dos "conteúdos cosmopolitas" que esta multinacional da cultura trouxe para a zona e da operação de reabilitação encabeçada por Siza, "coordenada pelos poderes públicos", para chegar à conclusão de que o renascimento do Chiado é um caso de sucesso.

A identidade do local contribuiu para isso: "Apesar da gravidade do incêndio, o Chiado teve músculo para se manter vivo".

Mas é este o Chiado que queremos? João Seixas admite riscos: "Um dos maiores é o da turistificação e da banalização". Os centros históricos demasiado virados para agradar ao turista acabam por parecer-se todos muito uns com os outros. É preciso que os governantes da cidade apoiem o comércio tradicional e de proximidade, aquele que pode fazer a diferença. "A prioridade do Chiado deve ser o usufruto dos lisboetas", frisa.

Os turistas virão por acréscimo. Há quem veja neste novo Chiado um claro caso de gentrificação, com os seus velhos habitantes a serem substituídos por uma nova camada abastada de residentes e lojistas. "Num espaço com estas características é inevitável", observa João Seixas. "Não vejo mal nenhum nisso".

Vinte anos depois das chamas, Siza vai agora completar a reconstrução, ligando um pátio das traseiras da Rua do Carmo ao Convento do Carmo. O elevador do metropolitano para a Rua Ivens também será uma realidade, assegura o arquitecto. "A renovação de toda a zona em seu redor vai conferir ao Chiado o seu papel de zona central, nuclear da cidade".

João Seixas também acredita no futuro: "A Baixa é uma Bela Adormecida à espera de que um beijo a desperte".

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1340358&idCanal=59

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