m a r g a r i d a Posted July 16, 2008 Report Posted July 16, 2008 Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira foram convidados a integrar um projecto de arquitectura na Mongólia Interior. Chama-se “Ordos 100” e os dois jovens são os únicos portugueses escolhidos pelo Herzog e De Meuron - atelier que concebeu o Estádio Olímpico de Pequim - para participar naquele que é o primeiro projecto feito a 100 mãos. Maria João Belchior “Surpresa”. É assim que a arquitecta Inês Vieira da Silva descreve a reacção à escolha dos arquitectos suíços Jacques Herzog e Pierre De Meuron para a Sami - Arquitectos integrar uma equipa onde 100 arquitectos iriam desenhar 100 casas diferentes na cidade de Ordos, na Mongólia Interior. O primeiro contacto aconteceu em Julho de 2007 e três meses depois chegou a confirmação para a Sami – Arquitectos viajar até à China. Parte de um projecto que pretende expandir a cidade de Ordos na província da Mongólia Interior, a ideia das 100 casas desenhadas por arquitectos de todo o mundo, junta novamente o artista plástico chinês Ai Wei Wei e o atelier Herzog e De Meuron. (em caixa). Para Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira esta foi a primeira oportunidade de contacto com a China e de uma maneira única porque os obrigou a “pensar a China”. “Ordos 100” é uma ideia ousada que surge através de Cai Jiang, um mongol com negócios na área da exploração do carvão e que nos últimos anos entrou no ramo da imobiliária. Com um percurso ascendente enquanto homem de negócios em várias áreas, Cai Jiang, de 40 anos, partilha um amor especial pela arte e foi ele quem propôs à Herzog e De Meuron a ideia das 100 casas em Ordos. Para o atelier suíço, a ideia podia prometer mais e com Ai Wei Wei, curador do projecto, alargou-se a ideia para uma arquitectura que traga o resto do mundo à Mongólia Interior. Inês e Miguel são unânimes ao dizer que o projecto “Ordos 100” é “arquitectura pura”. Para os jovens portugueses que em Junho passado apresentaram o seu projecto na Mongólia, a forma de pensar para Ordos lançou um desafio uma vez que as casas desenhadas serão depois vendidas a outras pessoas que os arquitectos desconhecem. Cai Jiang é apenas o mentor de uma ideia que Inês Vieira da Silva considera que “alterou a maneira de pensar o início do projecto”. “O processo e os parâmetros mudaram, uma vez que não havia um cliente e era como se fosse um exercício, era arquitectura pura, uma coisa conceptual”. A arquitecta diz ainda que o facto de não haver um sítio e não haver um cliente específico “retira todos os constrangimentos que temos normalmente e isto é o mais difícil de tudo – dizerem-nos que não há limites.” Na verdade, a área onde vão surgir as casas a partir de 2009, estava quase deserta aquando da primeira visita e tem sido objecto de uma reflorestação assim como de uma enorme construção de infra-estruturas necessárias ao novo distrito. Cada arquitecto convidado tem uma área de aproximadamente 1000 metros quadrados o que soma um total de 100 mil metros quadrados. Mas como Inês Vieira da Silva salienta “é apenas uma pequena parte da área do novo distrito artístico e cultural em Ordos”. Um problema, cem ateliers Concentrar 100 diferentes ateliers sobre o mesmo problema foi para a Sami – Arquitectos outro dos pontos fortes deste projecto e como Miguel Vieira refere “foi a primeira vez que tivemos contacto com tantos países diferentes a nível de arquitectura.” “Ordos 100” junta 27 países entre a Ásia, Europa, América e África. De continentes só a Oceânia não consta da lista. Mas trata-se de uma arquitectura sem fronteiras porque imaginada para um espaço onde ainda não havia nada e sem obrigação de ter referências de estilo como por exemplo à Mongólia Interior. Miguel Vieira refere que o projecto da casa que apresentaram se “sintetiza numa parede contínua”. Uma mesma parede delimita a casa relativamente ao exterior mas também divide todos os compartimentos. Para o arquitecto, a ideia, que foi desenvolvida em dois meses, trata-se de “uma coisa conceptual que de alguma maneira nos remetia para a China onde todas as coisas têm um significado próprio e onde as palavras são ideogramas e, logo, uma representação de uma ideia”. Elogiados por vários dos outros arquitectos presentes, a Sami – Arquitectos foi, na apresentação, logo associada à arquitectura de excepção que a nível internacional se reconhece em Portugal através de nomes como o do arquitecto Siza Vieira. Miguel reconhece que “estávamos muito longe de ser anónimos”. “Há uma grande consideração por Portugal em termos de arquitectura com as pessoas a conhecerem o país e inclusive a terem ido lá para fazer o roteiro Siza.” Desta forma, a curiosidade dos outros arquitectos para verem o projecto de Inês e Miguel aumentou devido ao grande respeito pela obra desenvolvida há anos por Álvaro Siza Vieira. Entusiasta da ideia que se desenvolveu, Cai Jiang - que investiu neste projecto 4,5 mil milhões de Renminbis - acompanhou os arquitectos todos os dias e assistiu a todas as apresentações, uma actividade que durou dois dias. No fim, as maquetas que todos levaram até Ordos, juntaram-se como que a fazer um puzzle do que vai ser o Ordos 100. Uma ideia e, por enquanto, um projecto cuja versão final todos os arquitectos terão de enviar durante os próximos dois meses. Depois, a obra ficará a cargo do Chinese Design Institute que a terminará em 2009. Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira, que alargam desta maneira o seu trabalho até à Ásia, concordam ao dizer: “vamos ter vontade de voltar à China.” CAIXA Renovar o panorama arquitectónico Ai Wei Wei é um dos mais conhecidos contemporâneos artistas plásticos chineses. Com formação em arquitectura e um trabalho desenvolvido na área da arte conceptual, Ai Wei Wei, nascido em 1957, integra uma geração de artistas que modificou o panorama artístico chinês nos últimos 20 anos. Curador da obra “ninho de pássaro”, Ai Wei Wei aparece associado à ideia desde o primeiro desenho do projecto no ano 2000. O concurso realizado em 2003, foi ganho pelo atelier Herzog e De Meuron para a obra que ficou terminada este ano e se tornou num ícone da China Moderna, tendo sido escolhida para aparecer na primeira nota comemorativa dos Jogos Olímpicos de Pequim. Apesar de ficar para sempre associado a este projecto - entre vários outros que tem na China como o Parque Arquitectónico Jinhua em Zhejiang - Ai Wei Wei distanciou-se desde o início de qualquer campanha a favor dos Olímpicos e já fez saber que não estará presente na cerimónia de abertura. Mas se com a obra do Estádio Olímpico a relação de Ai Wei Wei com o atelier Herzog e De Meuron se afirmou como uma dupla de qualidade, com o projecto “Ordos 100” a tendência é para continuar. Esta terá sido, aliás, uma das principais razões do empresário Cai Jiang ao surgir com uma ideia que vai claramente renovar o panorama arquitectónico da Mongólia Interior. www.hojemacau.com Quote margarida duarte
nunomiguelneto Posted July 17, 2008 Report Posted July 17, 2008 :icon_pistoles: muito bom! Quote http://nunomiguelneto.tumblr.com/http://canaisdoneto.wordpress.com
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