m a r g a r i d a Posted March 11, 2008 Report Posted March 11, 2008 Pequim, o estaleiro olímpico que exibe o novo poder da China Pequim, 10 Mar (Lusa) - "Hoje em dia há mais camiões das obras em Pequim do que bicicletas", resmunga o taxista ao ser ultrapassado por mais um monstro de rodado duplo carregado de terra, proveniente de um dos milhares de estaleiros de construção existentes actualmente na capital chinesa.Quando a noite cai em Pequim e os habitantes se preparam para dormir, os estaleiros de construção civil são ilhas de luz no escuro da capital, onde é sempre dia para os milhares de operários que constroem a cidade, à chuva, ao calor ou à neve, para preparar a chegada dos Jogos Olímpicos.A menos de meio ano do início dos Jogos, que decorrem entre 08 e 24 de Agosto, a cidade quer ter prontas todas as infra-estruturas, mas, sobretudo, através da arquitectura, mostrar ao mundo o poder de um país que cresce a mais de 10 por cento ao ano há quase meia década. Além de operários e camiões, Pequim chamou a si arquitectos estrangeiros, novos materiais, as tecnologias mais recentes e projectos audaciosos, como compete a uma super-potência em ascensão. O "Cubo Aquático", inaugurado em fevereiro, é o primeiro destes projectos a ver a luz do dia e é um amostra do que aí vem para os Jogos Olímpicos - edifícios futuristas pagos pelo estado chinês, para mostrar o poder da China e do seu governo, tal como as catedrais europeias do passado mostravam a força da Igreja. As construções olímpicas dependem directamente do governo central, que as financia, mas a utilização desportiva retira-lhes o conteúdo político óbvio. A mensagem é assim mais fácil de absorver.O Centro Aquático Nacional, designação oficial do Cubo Aquático, é uma prova deste esforço chinês. O mais ecológico e mais popular de todos os edifícios olímpicos, o complexo custou mais de 200 milhões de dólares (136 milhões de euros), que pagaram a arquitectura e as soluções técnicas brilhantes.Com a forma de uma caixa de sapatos e três piscinas abaixo do nível do solo, o complexo tem um esqueleto de tubos de aço revestidas por uma membrana de membrana opaca com mais de três mil bolsas de ar feitas de plástico reciclado, como se fosse um papel de bolhas gigante. A membrana permite a entrada luz natural, ajudando a aquecer a água das cinco piscinas e a reduzir em 30 por cento a factura energética.Ao presidente da empresa estatal que detém o complexo, presente na cerimónia de inauguração, não escapou a força política do "Cubo Aquático". "A China e todos os chineses devem estar orgulhosos", disse Li Aiqing, presidente da Asset Management Company."Eu estou muito orgulhoso e muito emocionado. É um projecto tecnologicamente muito ambicioso em termos de tecnologia e um grande desafio de construção", acrescentou.Os descendentes políticos dos imperadores que deixaram Pequim cheia de legados arquitectónicos - e de poder- como a Cidade Proibida e a Grande Muralha, o Templo do Céu e o Palácio de Verão, utilizam assim os Jogos Olímpicos para deixar uma nova marca na cidade. "Querem dizer ao mundo desenvolvido que chegaram, que têm a capacidade financeira e tecnológica para fazer estes projectos", afirma Antony Wood, do Conselho de Edifícios Altos e de Habitat Urbano. Com os olhos do mundo em Pequim durante os Jogos, o Parque Olímpico chinês, é por isso o melhor lugar para mostrar a nova China, através do "Cubo Aquático"ou de edifícios ultra-modernos como o novo Estádio Nacional, conhecido como "Ninho de Andorinha" ou o Centro de Comunicações dos Jogos, o "Computador". É no "Ninho de Andorinha" que o presidente chinês Hu Jintao, em directo para as televisões de todo o mundo, vai dar como abertos os Jogos Olímpicos de Pequim 2008. O estádio, com lugar para 91 mil pessoas, tinha que estar à altura do acontecimento. Os suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron conseguiram dar conta da encomenda, com uma estrutura de 42 mil toneladas de tubos de aço entrelaçados que recria os galhos de um ninho de pássaro.Com um custo de 3,2 mil milhões de renminbi (301,54 milhões de euros), as aberturas na estrutura do edifício favorecem a circulação natural do ar, com uma membrana semelhante à do "Cubo Aquático" a proteger os espectadores. O "Computador", o edifício onde ficará o Centro de Comunicações dos Jogos Olímpicos é a obra que completa a trindade arquitectónica olímpica, com assinatura do atelier chinês Urbanus. Inspirado no circuito integrado de um computador, o alçado principal tem entalhadas calhas de paneis LED (Diodo Emissor de Luz )onde corem fios de água. O chão de Plexiglas cria também um tapete digital transparente para projecção de imagens. Com a forma de uma caixa e revestimento em betão, alumínio e vidro, a construção quer também evocar um código de barras, reflectido na superfície aquática que rodeia o edifício.No entanto, por muito que a China queira impressionar, certas coisas em Pequim ultrapassam o poder do estado e a vontade política. O ambiente e a qualidade do ar na cidade, por exemplo, uma nódoa no pano do modernismo ambiental. Uma camada de areia reveste a cara e avançada membrana do "Cubo Aquático" e do interior do edifício vê-se no telhado a poeira de carvão que a chaminé de uma central eléctrica vizinha vai cuspindo."Agora está um pouco sujo devido às obras. Mas com uma limpeza vai ao sítio", dizia na inauguração o orgulhoso - e optimista - Li Aiqing, o dono do complexo.O governo chinês espera poder dizer o mesmo do país antes do início dos Jogos Olímpicos.www.rtp.pt Quote margarida duarte
VerdeDaCorDoLimão Posted March 16, 2008 Report Posted March 16, 2008 Pequim, o estaleiro olímpico que exibe o novo poder da China E a repressão no Tibete também.....ou melhor... contínua.... VDCDL Quote
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