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Boa arquitectura um direito


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Boa arquitectura um direito

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Manuel Correia Fernandes, Arquitecto

A "corporação" dos arquitectos foi a votos pela segunda vez e menos de quatro meses. Pretensas irregularidades na convocação das eleições para os órgãos nacionais da respectiva "Ordem", reconhecidas pelo tribunal com argumentos, no mínimo, patuscos, determinaram que uma terceira lista tivesse de ser integrada no processo que tinha sido realizado apenas com duas no passado mês de Dezembro. Com números evidentemente diferentes mas com o mesmo resultado final, foi eleita a mesma lista. A repetição do acto tornou a eleição juridicamente válida porque se cumpriu a vontade do tribunal mas não a dos arquitectos que, agora, vão ter de ter um "bastonário" quando nunca quiseram tê-lo! Em todo o caso, nada disto interessa ao cidadão comum que olha para estas minudências com a maior das indiferenças. E tem razão.

De facto, os problemas da arquitectura em Portugal não são de ordem "corporativa" e nem só dos arquitectos! São problemas do país e é com o país que os arquitectos têm de se preocupar. Aos cidadãos que não são arquitectos, cabe exigir que a Ordem dê sentido ao seu estatuto de Ordem, ou seja, que exerça os poderes que o Estado nela delegou para pôr "ordem" no exercício duma actividade que é, seguramente, uma das mais determinantes para a qualificação do nosso quadro de vida e para o nosso desenvolvimento consistente.

Portugal tem hoje mais de 16 mil arquitectos e todos os anos chegam à profissão mais de mil, vindos das mais de 30 escolas que há em Portugal. Digamos que, neste sector, Portugal rebenta com todas as estatísticas, já que possui uma das maiores capitações do mundo nada mais, nada menos, do que um arquitecto por cada 625 habitantes. O que quer dizer que um arquitecto que construa, por exemplo, um bairro com mais de 180 casas ou equivalente, já está a tirar trabalho a outros oficiais do mesmo ofício para toda a vida!

Estes números dão que pensar, obrigam a uma leitura correcta da realidade e, sobretudo, cometem à Ordem a ingente tarefa de pôr ordem na Ordem. É que, como se dizia nos tempos do PREC (1974/75), "o inimigo principal, são vários"!

Efectivamente, todos reconhecemos a falta de qualidade geral do nosso espaço construído. Ora, isto terá, por certo, a ver com o grau de preparação e de competência profissional dos nossos arquitectos. No entanto, se verificarmos que mais de metade dos projectos que se constroem não são da autoria de arquitectos, não será que a questão está, antes, na (I)legalidade da situação e, simultaneamente, na mentalidade e na (in)cultura que torna isso possível? Claro que, como em qualquer profissão, há bons e maus arquitectos. Só que, isso, não explica tudo! É que, sabendo-se que a quantidade é inimiga da qualidade, não se deverá, antes, questionar a responsabilidade da menos boa (ou, até, da má) formação proporcionada por muitas das mais de trinta escolas que por aí há? Claro que, neste caso, também se poderão - e deverão - questionar as razões porque foram dados tantos "alvarás" e feitos tantos "reconhecimentos" de cursos por parte de tantos governos deste país, desde há pelo menos vinte anos atrás? E porque razão não avalia o Estado o estado das escolas? E, em não o fazendo o Estado, porque razão não pode a Ordem fazê-lo? Mas há muitas mais perguntas a fazer quanto ao modo como estamos a formar arquitectos assim como muitos outros técnicos de nível superior! É o que faremos em próximas crónicas.

Mas, se é facto que está publicamente reconhecido o direito universal a uma "boa arquitectura", as questões com ela relacionadas não são apenas dos arquitectos e exigem reflexão e respostas por parte de toda a sociedade. Voltaremos, pois, ao assunto.

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Link:
http://jn.sapo.pt/2008/03/07/porto/boa_arquitectura_direito.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Concordo com o Márcio... O que se fazia de arquitectura a 100 anos a trás era a boa arquitectura para a época... Que moral temos nós de dizer que não era!? Gaudi certamente considerava a sua arquitectura boa... mas será que concordava que a arquitectura de Siza fosse boa!? Talvez não... ou talvez sim... quem sabe... Isso tudo depende... lá esta se não fosse assim... como se poderia considerar arquitectura, arte!?

Josué Jacinto - Mais Fácil
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Já estou à muito tempo indignado com o Estado, com a Ordem e com o estado da "coisa". São levantadas muitas questões pertinentes, e é bom ter quem as levante, as traga à discussão. Parabéns ao MCF. Por outro lado acho extremamente redutores os comentários aqui feitos sobre o texto apresentado. De tudo o que é dito apenas retêm a "boa arquitectura"...e onde é que no texto se diz que o passado não tinha bons arquitectos ou boa arquitectura?...apenas diz que, em termos contemporâneos, é um direito reconhecido. Com um maior reconhecimento do papel da arquitectura vem uma maior responsabilidade...no entanto parece que caminhamos no caminho inverso.

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