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Arquitectura.pt


Duvidas, duvidas...


JoaoMATFernandes

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Sendo um novo membro deste forum (espero poder participar de forma regular) custa--me um pouco inaugurar a minha participação com perguntas que (para a maioria dos outros membros) poderão ser consideradas básicas. Eu trabalho no Departamento de Projectos de uma autarquia. recem-chegado do ensino superior esperam de mim a transmissão de conhecimentos que não tenho (talvez devido à má estruturação do curso) Ao projectar um espaço público é frequente perguntarem-me "Que árvore devo colocar aqui?" ou "Será que esta espécie é adequada junto daquela?". Se estas questões não me incomodam para os jardins (espaços normalmente com condições para o crescimento das espécies) já o mesmo não acontece quando me fazem esse tipo de questões quando o espaço em causa é uma rua, que obriga a utilização de caldeiras. Um dos problemas que advém da utilização de árvores nas ruas de uma cidade é o desenvolvimento das raízes (isto no ponto de vista da cidade e não da árvore, cujas limitações e condicionantes são diversas). Admito que o meu conhecimento de espécies é bastante limitado. Tenho, ao longo do tempo, adquirido alguns livros que descrevem espécies de todos os tipos, sendo que os poucos que tenho não passam de enciclopédias de árvores (ou arbustos, ou flores) nos quais não existe qualquer tipo de menção ao tipo de raiz que a árvore tem. A minha questão é a seguinte: Haverá algum livro (ou livros) que tenham este tipo de informação? A grande variedade de espécies existentes torna difícil a escolha da árvore certa para o local certo, o que obriga á observação de outros factores que possam ajudar a diminuir a escolha desta ou daquela espécie para este ou aquele local. No desenho de projectos de um arruamento (principalmente) o tipo de raiz de uma árvore é um dos pontos fundamentais. Assim peço que me indiquem (se conhecerem) alguma publicação ou livro, ou enciclopédia, ou até um website que me possa ajudar. Desde já agradecido, despeço-me: João Fernandes

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Olá João há um livro bastante interessante do Arquitecto Ribeiro Telles chamado "A Árvore em Portugal" e que tem bastantes informações sobre os tipos de árvores, a sua escolha e manutenção. No entanto também penso que esse tipo de questões não têm que ser sabidas ao pormenor no momento em que nos perguntam, devemos saber consultar outros técnicos, consultar livros etc por isso mesmo acho que não te deves sentir assim tão incomodado, mas deves estar sempre aberto à busca de novos conhecimentos.

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Caro João,como sabes o reino das plantas é um mundo muito complexo e nem o maior botânico do mundo sabe tudo, quanto mais nós Arquitectos Paisagistas que temos no nosso curso três ou quatro cadeiras de plantas. Concordo, que é com a experiência que se adquire esses saberes e quando acabamos o curso devemos recorrer a colegas mais experientes ou mesmo a antigos professores. Quanto a bibliografia relacionada com esses temas, não conheço, e mesmo o livro mencionado pelo colega "árvore em Portugal" do professor Ribeiro Telles apresenta informação muito geral e não especifica. Quando se diz aquela árvore tem raiz tal, então vamos proceder assim.Como sabes não há receitas e cada caso é um caso.Por exemplo um Populos nigra conhecido por desenvolver raízes muito á superfície, em determinados casos isso é verdade mas em outros pode isso não acontecer dependendo do tipo de solo em questão. Um conselho quando poderes utiliza a técnica em trincheira é muito mais eficaz que a típica caldeira e a médio prazo as plantas desenvolvem-se melhor e não vais ter tantos problemas com as raízes.
Olha á pouco tempo organizei uma acção de formação sobre condução e instalação de árvores ornamentais e o professor que organizou comigo fez um pdf muito interessante dá uma vista de olhos. link: http://land4us.blogspot.com/2007/11/aco-de-formao-pdf.html

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Caro João. Todos já passamos por essas dificuldades, inclusivé recorrendo ao livro do Prof. Ribeiro Teles. O que te posso adiantar é o seguinte: esforça-te por saber da existência de arquitectos paisagistas nessa autarquia, e tenta envolve-os na especialidade. Claro que isso nem sempre é possível, e aí, não há nada como avançar (tal como na arquitectura e urbanismo, vê projectos da especialidade, aplica os teus conhecimentos bioclimáticos, e opta pelas árvores que mais se adequem). Eu, por exemplo, por norma, apenas distingo as árvores quanto à sua folha (perene ou caduca) e ao seu porte, remetendo o desenvolvimento da proposta à especialidade de paisagismo. Quanto às caleiras, e salvo algumas excepções, 1 x 1 metro será suficiente para a maioria dos casos.

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uma ou duas...perguntas: existem arvores na localidade, no seu espaço público? quem faz a sua gestão e decide pelas espécies? pela sua enventual poda? não haverá já um certo conhecimento empirico que pode também ele ser envolvido?não poderá a camara dar trabalho aos arquitectos paisagisticos? ainda que uma consultadoria externa para fazer o levantamento e estudo das espécies no concelho e definir algumas regras?

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Também não percebo nada disso, mas muito se descobre apenas com bom-senso; e se tiver que investigar, provavelmente vou àquele livro que mencionou o Asimplemind, do Telles Ribeiro. Tenta evitar alguns erros crassos: -a escala da árvore pode suplantar a escala do edificado... -a árvore do lado norte do banco... ninguém se irá sentar ali num belo dia de verão! -as raizes tem normalmente a mesma dimensão do que a copa, ou seja, que é preciso dar espaço dela ao edifício (menos de 4 m nunca); -A MANUTENÇÃO! Não se põem árvores de fruto no espaço público. -Algumas expelem uma espécie de resina à noite, não devem ser utilizadas nos parques de estacionamento; -Se uma fachada só tem luz em metade do dia, não deve ser obstruída com árvores de copa alta e folhagem densa; -As espécies devem estar interrelacionadas e serem compatíveis - os eucalíptos secam a terra e matam as outras espécies vegetais à volta, por exemplo; -a cor! Se uma paisagem é muito monocolor, planta umas coisas de flor viva; -enfim, usa a sensibilidade, e trabalha com paisagístas.

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Meus amigos...estamos a falar de seres vivos e não de betão...
Quanto á caldeira de 1x1 só se for para um arbusto ( talvez o Juniperus horizontalis), porque para uma árvore valha-me deus...
Já vi casos de caldeiras de 0.80x0.80 e digo-vos a árvore em questão não durou 2 meses.Dinheiro deitado fora...aAconselho uma leitura ao pdf que mencionei anteriormente, não é que esteja lá a solução, porque não as há, mas ajuda a compreender como as árvores se desenvolvem nesses casos.
E tudo depende se for árvores de crescimento rápido ou lento, se for árvores de alinhamento ou de para um parque ou jardim...
E para rematar os pontos mencionados pelo colega a ter em atenção, devem ser tomados em consideração, e quanto se diz, "Se uma paisagem é muito monocolor, planta umas coisas de flor viva" , essas coisas são seres vivos, e a maior parte das vezes quando vejo colegas a plantar plantas com flores de croma quente geralmente morrem precocemente, e sabem porque ?..porque o bonito nestes casos a maior parte das vezes não é funcional e muito menos sustentável.

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Boa tarde, Parece que vai aqui uma grande confusão no que diz respeito às árvores. Tal como na Arquitectura na Arquitectura Paisagista na maior parte sos casos temos que chegar a um meio termo que consolide a nossa proposta de forma sustentável. É verdade que na maior parte dos casos uma caldeira de 1*1 é o suficiente, mas tendo sempre em conta a espécie vegetal! O que aconselho o colega é que escolha o tipo de árvore que equilibre o seu projecto e então, só agora, se achar necessário, pergunte caracteristicas dessa árvore, tais como o tipo de caldeira, raizes, etc.... Forte abraço, Botto

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Verifico com agrado que a minha questão proporcionou uma discussão tão interessante.

O livro "A árvore em Portugal" é realmente uma espécie de Cânone dos paisagistas, mas como já foi dito é um livro "geral", que analisa o paisagismo e a importância das espécies no nosso eco-sistema. O PDF que foi sugerido é uma ajuda valiosa, na realidade é um bom documento e sugiro a leitura por parte de todos.

Alguns dos livros que tenho focam-se mais na identificação das espécies. O Deodendron é nesse campo um dos melhores que conheço (mais uma vez os meus conhecimentos em relação a livros não são extensos). Outras publicações a que tenho acesso centram-se mais na plantação de flores e na sua manutenção, não aprofundando o mesmo em relação ás árvores.

Em relação à outra sugestão que foi dada (a de me relacionar com outros paisagistas) devo dizer que isso é bastante dificil no meu caso, pois não tenho conhecimento de outros na minha cidade, e apenas consigo manter contacto com uma engenheira florestal que trabalha também na Câmara (o seu conhecimento das espécies é bastante bom, mas limitado quanto á sua aplicação nos espaços).

Pela pouca experiência que tenho, reparo que as caldeiras de 1mx1m são realmente suficientes desde que a árvore tenha bastante espaço para se desenvolver. quando tal não acontece o normal é as raízes subirem e destruirem o pavimento. A "regra" dos 4m da afastamento em relação aos edifícios parece-me também acertada e nos casos em que isso acontece as árvores desenvolveram-se melhor.

Aproveitando o último post coloco uma questão mais específica:
Num separador com 2m de largura a árvore a colocar não deverá ter uma copa de grandes dimensões (carros passam de ambos os lados) nem uma árvore cuja raiz se desenvolva a mais de 2m de profundidade, isto porque as redes de saneamento encontram-se a essa distância. Nesse caso a opção por arbustos (tipo Ilex) parece mais acertada, no entanto temos de ter em conta que o espaço terá um fluxo de tráfego elevado e praticamente constante ao longo de todo o dia. Uma das espécies que me foi indicada foi Quercus Robur Piramydalis, mas tenho receio de optar por uma árvore. Será que os colegas têm, através das respectivas experiências conhecimento de alguma situação idêntica e da sua solução?

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estás a fazer isso só para satizfazer alguma percentagem mínima de espaço verde estipulada em algum plano, ou gostas mesmo de plantar árvores em tudo o que é sítio? E porque não umas sebes? Já é suficiente para evitar a incandiscência da luz do condutor contrário, sem obstruir a vista.

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Concordo com Sputnik...separadores com dois metros só deviam ser "permeáveis" em casos excepcionais. Os recursos e custos utilizados na manutenção de um espaço verde com essas caracteristicas é elevadíssimo (em comparação com um espaço verde devidamente dimensionado). Pessoalmente sou contra "canteiros", e no exercício da minha actividade não admito que esses espaços sejam contabilizados para espaços verdes publicos (como áreas de cedência para o domínio público), porque nunca cumprem essa função. Por outro lado, aceito que hajam soluções que pedem um alinhamento central (árvores) ou uma barreira física e/ou visual (arbustos), e aí também não acho que haja grande problema (vejam por exemplo o exemplo da Av. 5 de Outubro com árvores de porte significativo e caleiras relativamente pequenas). Quanto às infraestruturas, aconselho que na planta de implantação faças um esboço esquemático do traçado das infraestruturas para que fique claro que não devem passar "ao eixo", assim dás indicações às especialidades.

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Desde ja agradeço a ajuda prestada pela "comunidade".

Não existe uma percentagem minima de espaços verdes. o que existe é um projecto cuja obra está praticamente concluida. Nestas situações a posição de alguem como eu é um pouco ingrata, pois as condicionantes são tremendas. Uma das coisas que terei de propor numa primeira oportunidade é a criação de regras bem definidas que deverão ser seguidas ao longo da execução de um projecto. Desde que cheguei à Câmara muito foi já implantado e posso dizer, para minha satisfação, que algumas das minhas recomendações foram seguidas.

Voltando ao assunto do tópico a dúvida continua. Que árvore devo propor? Mais uma vez enfatizo o meu pequeno conhecimento do mundo das árvores e os meus colegas (com mais experiência) não são, digamos, acessíveis, pois creio que vêm em mim uma ameaça. Já tentei mostrar que a importância de uma equipa pluri-disciplinar é vital na criação de projectos, mesmo assim creio que, por vezes sou mal interpretado.

Aceito todas as sugestões e tendo em conta as condicionantes existentes acredito que a espécie proposta será a melhor para o caso.

PS: Não estou a tentar "descalçar a bota" mas antes a procurar informações e conhecimentos onde me parece que eles existem. As minhas pesquisas não terminam e mais uma vez agradeço a vossa ajuda. Os vossos conselhos e opiniões têm em mim um receptor atento e "Critico".

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