JVS Posted January 29, 2008 Report Posted January 29, 2008 O corpo é um dos temas frequentes no desenho de Siza Vieira Agostinho Santos Éo mais internacional dos arquitectos portugueses, mas, sempre que pode, Álvaro Siza Vieira, longe dos estiradores e dos gabinetes de arquitectura, refugia-se no silêncio, apenas acompanhado de blocos de folhas A4. A partir daí, seja em Portugal, no avião ou num quarto de hotel de um qualquer país, Siza Vieira retrata ou o que lhe vai na alma ou o que a imaginação lhe proporciona e dita. "Desenhos" é o nome da exposição que é inaugurada, no próximo mês, a 14, no Museu Municipal-Edifício do Chiado, em Coimbra, e resulta precisamente desses encontros (felizmente, muitos) que o arquitecto tem com o bloco de folhas. São quase sempre diálogos a tinta-da-china, em que prevalece o corpo humano, maioritariamente mulheres. Mulheres esguias que se penteiam, que olham para o espelho, que acariciam os filhos, que tomam chá, cenas do quotidiano de muitas mulheres deste ou de outros mundos, mas que com a magia e o rigor de Siza Vieira ganham novos fôlegos, novas vidas. Depois, parece que bailam e que querem, isso sim, sair do papel e reencarnar novas personagens. Espaços dentro de espaços O desenho ou os desenhos do arquitecto não se ficam por aqui. Até porque Siza Vieira também acredita na invenção do olhar e, por isso, um seu desenho tem à partida uma particularidade que incide na relação com o espaço em que está inserido. Talvez por isso é que as suas figuras surgem num ambiente totalmente inventado que poderá englobar vários cenários, desde um espaço intimista, uma esplanada de café ou uma biblioteca. Siza Vieira também aqui tem o dom de conceber um desenho que inventa o espaço. Nesta mostra em Coimbra, além da inclusão da figura humana, serão também integrados desenhos de cidades inventadas ou reais, algumas por onde o arquitecto tem passado e das quais - nos intervalos das reuniões - transporta para o papel o que a memória lhe retém e a emoção facilita. Os desenhos são de temas e fases distintas, mas vê-se - porque se sente - que foram criados com prazer e alguns até por divertimento, enquanto em outros é bem visível a relação íntima, cúmplice com a arquitectura. No catálogo que acompanhará a exposição, Nuno Higino escreve que "o potencial de invenção em Siza é portador de uma fecundidade tão excepcional que se esgota em si mesmo, sem possibilidade de reprodução futura. Cada desenho é um caso que sucedeu, uma só vez, pela primeira e última vez. Uma vez sem exemplo". E o mesmo texto afiança- -nos que "os olhos de Siza são olhos que vêem, que se aventuram no escuro. Atravessam a malha da realidade, deixam-se enredar nela e nem sempre ficam reféns". De referir que Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira nasceu em Matosinhos, em 1933, e é um dos mais consagrados arquitectos portugueses. Licenciado pela Escola de Belas-Artes do Porto, foi influenciado, numa primeira fase da sua obra, por nomes internacionais da arquitectura como Adolf Loos e Frank Lloyd Wright. Ao longo da carreira profissional, realizou algumas obras que são hoje consideradas emblemáticas, como o Pavilhão de Portugal da Expo'98, a igreja do Marco de Canaveses, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves e, muito recentemente, o Museu para a Fundação Iberê Camargo, no Brasil. Obteve inúmeros prémios internacionais. in jn Quote
Sputnik Posted February 11, 2008 Report Posted February 11, 2008 Desenha musas como Camões pedindo por inspiração. Frequentemente penso que se trata de sua esposa - a tal tragédia. Outras serão simplesmente mulheres, como Nimeyer as via nas nuvens. Quote
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