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Portal para o mundo


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Portal para o mundo



Marina Cláudia Lemos Cunha


Memória Descritiva:

Se outrora habitar designava morar, cada vez mais surgem novos desafios para significar esta palavra.

Partindo da imagem icónica da “casa”, propõe-se uma reflexão sobre a sociedade actual, onde os valores e o convívio familiares são cada vez mais mediados pela tecnologia, originando assim pessoas mais individualistas que constroem a realidade segundo a sua própria vontade.

A imagem da casa é um cliché da ideia que o senso comum tem da mesma. Muitas vezes não passa de uma imagem naif que se vai moldando ao sabor das mentalidades, sem nunca perder o seu valor enquanto símbolo.

Uma boa forma para perceber o valor deste ícone é pedir a um grupo de crianças que desenhe uma casa. Certamente que uma boa percentagem delas irá desenhá-la exactamente como todos nós a víamos na infância.

Esta reflexão parte dessa premissa, como se fosse uma imagem plana num desenho infantil, onde as translações e rotações criam um volume de aspecto sóbrio. A sua colocação no mundo físico não se remete a um espaço específico, mas a uma universalidade de locais onde as vivências o aceitem.

A porta, símbolo de local de passagem de pessoas e a janela, tradicional local de conversas entre vizinhos, bisbilhotice sobre a vida alheia, ou palco de grandes romances, são cada vez mais locais estanques, que se vão transformando em meros pontos de contacto visual com o exterior. O espírito de vizinhança tende a desaparecer e cada indivíduo vive para o seu mundo.

As aberturas tradicionais transformam-se em entradas de luz zenital, nos alçados, os típicos vazios são agora massa e o volume das paredes é substituído pela leveza do vidro, pela “chaminé” acede-se ao interior.

Uma vez lá dentro, os paradigmas da era informática levam o habitante a fruir deste espaço como um portal para o mundo. A permeabilidade visual das paredes de vidro entra em contraste com a forma como essa relação se estabelece.

A chaise-longue dá-lhe conforto face à rigidez interior, num ponto de relaxamento e reflexão. O portal interactivo obriga-o a estar de pé, pronto para pela internet ir mais longe do que o que a vista pode alcançar.














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  • 1 month later...

bastante interexante a maneira como pegou na forma da casa tradicional e a trabalhou de forma a chegar a uma forma que nao revela de inicio, mas que tambem nao se esconde apos dedicarmos algum tempo a ver. maneira original de trabalhar os cheios e vazios, porem parece demasiado aberta para o exterior k s poderia tornar pouco aconchegadora, mas visto o proprio programa ser um pc "radical"... gostei! parabens pelo conceito

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Antes de mais obrigada pelo elogio :p O princípio nunca foi apresentar uma proposta que desse demasiado enfase à vertente construtiva, mas antes a exploração de uma ideia meramente conceptual, onde se inverte a função de cada um dos elementos. As tradicionais aberturas são fechadas, a tradicional massa é aberta, etc, etc, etc, como se pode perceber no texto de apresentação. Isso de que falas, a aparente abertura excessiva, surge em contraste com o uso do espaço, em que o utilizador acaba por não o viver por se concentrar nos monitores que servem o espaço... Este é um programa de contrastes e de contradições, uma crítica às vivências condicionadas pelos avanços tecnológicos, uma apropriação da imagem icónica da habitação, onde uma simples mudança de plano de visão acaba por dar leituras completamente diferentes da peça. :icon_chick:

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