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[Projecto] Museu da Academia em Veneza . Itália _ Francisco Portugal e Gomes


3CPO

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Francisco Portugal e Gomes
Museu da Academia em Veneza . Itália . 2006
Concurso Internacional
4ª Menção Honrosa


Os objectivos da proposta do novo Museu-Ponte da Academia, partem do reconhecimento de uma estrutura urbana muito consolidada com significado patrimonial e paisagístico muito intenso, e consistem por um lado na criação arquitectónica da “porta” de entrada no Grande Canal em “S” invertido que serpenteia Veneza, e por outro lado na revitalização do percurso Sudeste/Noroeste que estabelece ligação entre zona de Dorsoduro com a parte interior da cidade, desde a parte central do bairro de São Marcos, passando por diversas ruas e praças, para terminar na Ponte de “Rialto” e na grande praça de San Giacomo. Constitui ainda objectivo adicional garantir a integridade do jardim do Palácio Cavalli Franchetti no âmbito de um programa de conservação da generalidade das espécies vegetais existentes na área de intervenção tendo em consideração a sua importância para a requalificação ambiental de Veneza, face à escassez de espaços verdes.

O conceito desenvolvido baseia-se no princípio de edifício-porta como ponte-disciplinar. Tomando como ponto da partida a especificidade de um museu-ponte, elemento de fusão entre a função da travessia pedonal lúdica e a função de museu de arquitectura, reveste-se de particular relevância explorar a criação de um signo arquitectónico onde se reconhece o seu carácter tipológico excepcional – um elemento singular como parte de uma infra-estrutura territorial e cultural onde se estabelecem ligações recíprocas. Muito mais importante do que o significado formal específico do edifício-ponte em si, interessa sobretudo desenvolver uma solução que recria não só a ligação física, concreta, mas que também possibilite estabelecer ligações espirituais entre o passado e o futuro, gerar “pontes” do conhecimento arquitectónico, dos valores a preservar e a testemunhar.

A implantação do edifício inscreve-se na área de 15x78 m de ocupação definida no progarma do concurso. Não obstante a sua ocupação limita-se a uma faixa de 10,5 m de largura, de modo a não invadir nem a destruir a integridadade do jardim do Palácio Cavalli Franchetti. O edifício é composto por três unidades, em que uma dela (unidade A), pousa em duas peças distintas de suporte onde se localizam os acessos verticais (escadas e elevadores). A unidade B, localizada do lado da Academia, junto da Igreja de S.Maria della Carità, dispõe de hall de entradra, serviços administrativos e instalações sanitárias públicas. A unidade C, localizada na margem oposta, limita-se a um acesso secundário onde se ergue uma “grande coluna” de suporte estrutural cuja articulação volumétrica directa com a nave suspensa, unidade A, liberta o espaço para a ponte pedonal sobre o Grande Canal, definindo-se a partir deste lado como uma porta do percurso urbano que estabelece ligação com a ponte do “Rialto”. O espaço do museu caractriza-se pela presença da luz natural que atravessa os envidraçados que, preenchem os arcos dispostos alternadamente para cima e para baixo, formando treliças estruturais em betão branco, que determinam a personaliadade do edifício e atribuem corpo e presença ao espaço interior. Este é organizado com base em critérios de versatilidade funcional entre as várias áreas expositivas que, permitem utilizações distintas dos espaços- salas de exposições temporárias e sala de exposições permanente - caractrizadas pela proximidade ao acesso principal e à cafeteria, localizada na numa das extremidades, junto do acesso príncipal.

A ponte e o museu partilham o mesmo território. A travessia pedonal é um grande espaço coberto que permite desfrutar livremente do “Belvedere” do Grande Canal. A face inferior da grande lage em betão branco com 71x10,5 m é uma superfície espelho do interior do edifício, um registo das memórias do seu arquivo, na qual surgem gravados em baixo relevo os nomes das obras mais significativas de Veneza, as datas e os seus autores que, se podem ler desde aa escadas da ponte. O texto gravado na betonagem da obra ou a gravar no futuro, orienta-se segundo o curso das águas do Grande Canal, em sentido ascendeste e descendente, como que fixando memórias através dos fluxos transitórios e cíclicos. Os sons ambientes são captados e ampliados a partir da caixa de ressonância determinada pela grande lage que cobre a ponte, este espaço converte-se num lugar das sonoridades dos homens e das mulheres que o percorrem e do movimento das águas do Grande Canal em contacto com os muros dos edifícios e plataformas das margens por onde se chega e se parte de Veneza.

Ficha Técnica:
Arquitectura: Francisco Portugal e Gomes
Localização: Veneza, Itália
Colaboração:
Jorge Garcia Pereira (Arquitecto)
Fernando Gabriel (Arquitecto)
João Alexandre Abreu (Arquitecto estagiário)
Cecília Paulo Rato (Acessoria cultural / pesquisa)
Sandra Rocha (Versão do texto em inglês)

Consultores:
Fundações e Estrutura:
A400-Projectistas e Consultores de Engenharia Civil, Lda
Líder do Projecto : António Monteiro

Projecto de HVAC:
GET- Gestão de Energia Térmica, Lda
Líder do Projecto : Raul Bessa

Instalações Eléctricas e Comunicações: MEGAVAR - Engenharia, Lda
Líder do Projecto: Sónia Almeida

Arquitectura Paisagista:
Angélica da Rocha + Daniela Apolinário


Agredecemos a colaboração de Francisco Portugal e Gomes.
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pessoalmente tenho dificuldades em aceitar esta proposta neste contexto. A ideia de criar um museu-ponte em Veneza é bastante interessante, no entanto a formalização dessa ideia, a meu ver deixa um pouco a desejar. Primeiro pela forma como toca nas margens. Se por um lado temos uma ponte pedonal esguia e leve que se solta das margens, por outro o volume do museu que também se torna esguio pelas transparências, assenta no chão de uma forma brutal através daqueles dois blocos verticais o que, para mim, estraga completamente a estética do edifício e a sua inserção. Em segundo lugar, também não considero que a forma geral do edifício seja de certa forma a mais adequada para o local, é um volume demasiado rígido e mesmo com as permeabilidades que permite através dos vidros, temos sempre presente uma massa enorme por cima do grande canal. Como ideia acho interessante, mas penso que deveria ter sido abordado com maior sensibilidade nos contactos com o chão. Quando este se solta, assume-se como obra autónoma, mas quando se liga à cidade perde-se por não haver uma maior sensibilidade na conexão às pré-existências.

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Concordo completamente, o ponto fraco desta proposta são mesmo as ligações do volume do museu à cidade... O certo é que também não sabemos, por falta de informação, como é a envolvente naqueles pontos, até pode ser demasiado congestionada para um qualquer outro tipo de solução para esse acesso, mas de qualquer forma acho que, mantendo o sistema, se conseguiria dar muito mais leveza a esse volume... talvez mesmo trasmitir a ideia de corpo em suspensão...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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concordamos com tudo o que foi acima dito, a obra tem muitos pontos fracos, talvez como já foi dito acima devido á pouca informação fornecida, mas quando falamos acima só nos referimos á ideia do material do tecto, e concordamos plenamente que existem muitas coisas por melhorar e explicar como interagem com a envolvente.....

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Já agora ponho em questão a esteriotomia dos pavimentos, porque a função fundamental daquele espaço não é o da circulação de uma margem para a outra. Os circuitos de "visita", do "estar" não serão propriamente lineares (pelo manos pelas imagens apresentadas) pelo que este factor pode entar em contradição com a função do edifício... Formalmente, ao nível do conceito estético da ponte, agrada-me, funcionalmente não sei... a questão surge para perceber as vossas opiniões...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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  • 1 month later...

Excelente esta iniciativa da ARQUITECTUM! Em relação a esta proposta de projecto em Veneza, acho interessante do ponto de vista da conjunção de uma ponte pedonal com um museu... cria dificuldades, mas o resultado final pode ser bastante engenhoso... Não foi nada de especial esta menção honrosa para o Francisco Portugal e Gomes, porque sinceramente só a conseguiu graças às imagens 3D do projecto... de resto, nada tem de inovador. De todos os projectos que vi no site da Arquitectum, o melhor é o que conseguiu o 3º lugar... muito boa a ideia de contornar a situação... e claro... tinha de haver portugueses a salvar a honra do convento :)

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  • 1 year later...

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