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Intervenções na Cidade – Quarteirões Novos para as Avenidas Novas
Tiago Simas Freire e Tiago Farinha

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A proposta:
Em qualquer cidade de herança cultural ocidental se coloca a mesma questão inadiável. Para quê crescer por fora quando precisa e pode crescer por dentro? As cidades alastram-se difusas invadindo desconexamente os territórios envolventes enquanto o(s) centro(s) de origem se desertifica(m). É preciso inverter este processo. A cidade que chamamos consolidada esconde em si cidades invisíveis. Dentro desta sua consolidação obsoleta, lugares esquecidos precisam ser vistos como laboratórios de uma modernização da densidade urbana. Uma densidade nova que responde às exigências de mobilidade e acessibilidade da vida do homem urbano contemporâneo. A proposta, mais que desenho, é a abertura a uma política de desenho, que é uma política de reabilitação e reciclagem da cidade. Não acreditamos nem defendemos arquitecturas de desenho ambicioso quando questões mais latas de base conceptual são o fundamento da problemática e o ponto de partida necessário ao pensamento urbano. O lugar urbano que escolhemos como laboratório é o bairro das avenidas novas. Pela sua escala, desenho e estado actual apresenta todas as potencialidades para renascer como exemplo desta densidade nova. Neste lugar é urgente deixar de pensar a cidade lote a lote transferindo a unidade de projecto para a escala do quarteirão e para as relações inter-quarteirões dentro do bairro. O processo de prática deste pensamento implicará, naturalmente, a complexidade de muitos acordos entre diversos proprietários, utilizadores, investidores.

Mas é exactamente disso que se trata a cidade - relações humanas. É mais fácil quando vivemos mais juntos, por isso inventámos as cidades.


O que disse o júri:
Esta proposta tem o mérito de polemizar a questão do crescimento ilimitado da cidade, proposto como alternativa ao modelo da dispersão “fora de portas” uma densificação do centro, mais especificamente dos interiores dos quarteirões da Avenidas Novas. A construção de percursos alternativos, a apropriação pública de espaços invisíveis ao quotidiano da cidade, reivindica uma dinâmica que se justifica discutir.


Contributo para uma reflexão:
A dupla Tiago Freire e Tiago Farinha avançam com uma proposta teoricamente interessante: inverter o sentido de crescimento urbano especulando volumetrizações internas a uma malha consolidada. Faz-se assim nascer uma nova silhueta edificada, resultante de corpos verticais e horizontais que interligam o núcleo de uma sequência de quarteirões. Uma proposta diferente que faz reflectir sobre a relação entre cheios e vazios da cidade, numa apropriação de espaços adormecidos por novas funções que lhes restituam o sentido de uma cidade mais vivida por dentro.

Fonte:
Blog _ Trienal de Lisboa

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