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[Projecto] Cobertura das Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, Coimbra _ e-studio


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e-studio
Cobertura das Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, Coimbra . 2006

Monumentos
Todo o contínuo da Rua Ferreira Borges e Visconde da Luz está inserido, pelo IPPAR, na Zona Especial de Protecção ao Centro Histórico da cidade de Coimbra. No perímetro destas duas vias podemos encontrar classificados como Monumentos Nacionais a Igreja e o Mosteiro de Santa Cruz, a Igreja de Santiago, a muralha, a Torre e o Arco da Almedina, ou como Imóvel de Interesse Público o edifício do Chiado. Além deste edificado isolado, não nos deixou insensível a coerência da imagem urbana das frentes de rua ou as qualidades de espaços como a Praça do Comércio ou a Praça 8 de Maio. Foi com consciência destes valores patrimoniais que se desenvolveu uma proposta que, assumidamente e como forma de salvaguarda, não interfere na leitura das fachadas dos edifícios citados. Além disso, o desenvolvimento de um novo espaço público à cota da Praça 8 de Maio (antigo Largo de Sansão) vem desafogar os edifícios da Igreja de Santa Cruz e da Igreja de São Tiago, vítimas dos aluviões do rio Mondego. Potenciam-se as relações destes monumentos com a envolvente urbana, como oportunidade para uma intervenção de carácter dignificante, como foi a descida de nível da Praça 8 de Maio num passado mais recente.

Património Mundial
A Universidade implanta-se há mais de sete séculos no topo da colina da Alta, num núcleo definido de edifícios dedicados ao ensino e à investigação, que no final do século XVI transitaram da posse da Coroa para a própria instituição universitária. Com um panorama excepcional sobre a envolvente, o lugar desta estrutura educativa identificou-se até ao século XX como o próprio centro da cidade, e imprimiu uma marca indelével no skyline de Coimbra.
Talvez por influência humanista, no prosseguimento do protótipo de um campus renascentista, D. João III desenvolve o projecto de construção de um novo pólo universitário na envolvente do Convento de Santa Cruz, no que havia de ser a Rua da Sofia, inserido no contexto da transferência da universidade de Lisboa para Coimbra em 1537. Passados seis anos, todo o ensino superior é mudado para o Paço Real na Alta. Dos colégios da Graça, do Carmo, do Espírito Santo, de São Boaventura, fica apenas o Colégio das Artes como instituição de ensino propedêutico.

A estrutura das Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz encontra-se, precisamente, na charneira entre estes dois núcleos universitários, apresentados em 2004 como candidatura na UNESCO a Património Mundial.
Baseia-se esta classificação em critérios que pretendem salvaguardar bens tangíveis de conteúdos culturais, exemplos de edificado relacionado com períodos particulares da história e valores urbanísticos que são inerentes ao desenvolvimento da própria universidade. Neste sentido, a área em estudo faz parte da Zona Tampão de protecção ao património candidatado, pelo que é uma intenção prioritária do nosso projecto a não interferência da cobertura das ruas na leitura da paisagem da cidade, sem interferir no cenário da acrópole da Alta ou do enfiamento perspectivo da Rua da Sofia.

Proposta
O Programa Preliminar não aponta explicitamente para uma cobertura elevada, nem ao nível das cérceas dos edifícios confinantes, nem à cota do primeiro ou do segundo piso. Não sendo excluída uma solução que implique que a cobertura das Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz seja constituída pelo seu próprio pavimento, resta-nos apresentar uma proposta que, de uma forma ou de outra, contribua para a promoção do comércio, dinamize a vivência do centro histórico, mas também respeite os valores patrimoniais presentes e sustente uma gestão consertada de um sítio classificado como Património Mundial.
A galeria enterrada, que precorre todo o espaço sob as Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, estende-se do Largo 8 de Maio ao estacionamento na Praça da Portagem, sobrepondo-se a um dos eixos pedonais com mais energia no quotidiano da cidade, entre a Rua da Sofia e Santa Clara. Entrando-se de nível pela cota da Igreja de Santa Cruz, a primeira comunicação vertical que encontramos, por escada, liga-nos ao entroncamento com a Rua do Corpo de Deus. Quase paralelamente, na fronteira poente, uma suave rampa eleva-nos à cota da Praça do Comércio, por uma circulação marginal às escadas de São Tiago. A ligação ao arco da Almedina, elemento que pontua esta rua, tanto pelo seu carácter simbólico, como pela marcação do momento de entrada no casco muralhado da cidade, é efectuada por um elevador apoiado num núcleo de escadas, que continua a direcção da descida do Quebra -Costas. Na própria galeria, o momento de passagem pelo arco da Almedina é marcado pela abertura de um vão de grandes dimensões que dá espaço às circulações verticais.
Já na outra extremidade da Praça do Comércio, no enfiamento da fachada da Igreja de São Bartolomeu, é aberta a última comunicação perpendicular a esta galeria. Ocupando quase toda a dimensão da secção deste espaço, que diminui de dimensão na proporção da largura da rua, fica uma escada mecânica e uma escadaria convencional que conectam a cota baixa ao Largo da Portagem. Como foi referido, sob esta praça, fica um estacionamento dividido por dois pisos, e com acesso pedonal directo pela Rua dos Gatos.


Ficha Técnica:
Lugar: Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz
Tipo: Espaço Público
Engenharia: José Pedro Venâncio, Betar Estudos e Projectos lda [estruturas]; Fernando Fonseca, Energia Técnica lda [instalações eléctricas, mecânicas e segurança]
Equipa: João Ferrão, João Costa Ribeiro, com Madalena Atouguia, Sónia Oliveira e Sílvia Merca
Promotor: Câmara Municipal de Coimbra
Concurso limitado por prévia qualificação: Dezembro de 2006


Agredecemos a colaboração do e-studio.
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Este projecto ganhou o concurso?... Tinha grande curiosidade de ver "isto" construído... é sem dúvida uma forma interessante de ver a cidade, se resultará verdadeiramente não sei... há muitas variáveis que pelo apresentado, não é possível perceber se resultarão ou não...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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  • 1 month later...

é, para mim, bem mais viável do que outras propostas que foram construídas por este país fora que são um atentado ao património. Não deixa de ser um projecto interessante. Gostava de o ver aplicado a uma cidade para tirarmos daí as nossas conclusões e saber se realmente vale a pena. Penso que só saberiamos se realmente fosse posto em prática.

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Bastante interessante!! fico com dúvidas do seu resultado e concordo com o asimplemind..era preciso por em prática para podermos tirar conclusões, porque a construção de uma superficie comercial debaixo de um centro histórico é como uma provocação..agora depende do que resultaria desta provocação e o que iria provocar na organização da cidade...

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Pessoalmente conheço bem o local, e quase que me atrevo a afirmar que, na minha opinião, nunca iria resultar. Pois mesmo encontrando-se por baixo da rua, obrigava a que houvessem alterações na superfície, o que afectaria claramente todo aquele espaço de uma das principais ruas da cidade de Coimbra.
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  • 2 weeks later...

Muito interessante mas, mesmo vencendo as dificuldades operacionais para execução e ainda que não alterasse a estrutura urbana existente, um espaço comercial subterrâneo não é muito convidativo e consequentimente fadado ao fracasso. De qualquer forma, todo espaço sofre modificações ao longo do tempo, com ou sem uma intervenção direta. O espaço é vivo. Se for mantido inerte, congelado por um conservacionismo cego, morre. Talvez se hover uma maior integração entre "sub e solo", onde a nova cidade ressurja na raiz da cidade antiga, talvez dê certo. Com ou sem as senhoras de saia a passar!

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  • 4 months later...
  • 4 months later...

Não acredito que fosse comercial. Um piso inferior seria para o tráfego, para as descargas, os armazenamentos, quer os projectistas queiram ou não. Esta proposta é a de devolver à cidade histórica a sua dimensão pedonal, à cota do segundo piso. Parece-me muito interessante. Mas concordo que é inviável. Mais viável seria cobrir toda a rua com uma estrutura de aço e vidro, por exemplo. Um centro comercial natural! Por exemplo.

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Logo à partida duvido que alguem quisesse escavar aquela zona era mais facil esse percurso escavado tornar-se um museu do que propriamente uma zona comercial devido à quantidade de vestigios que iriam, muito provavelmente, encontrar. Depois essa rua fica muito próxima do rio o que iria complicar a construção, além de que coimbra já tem suficientes problemas de drenagens das suas ribeiras subterrâneas que passam muito perto da zona projectada. De qq maneira as pessoas que fizeram o projecto já deviam estar a contar com este tipo de problemas e se o fizeram deviam ter soluções já pensadas para isso, mas que ia ser facil é q acho q não. Outro aspecto que não me parece muito bem é que a solução, para a zona especifica, não me parece que fosse favorecer a utilização da zona superior da rua, que me parece que é realmente o importante em qq tentativa de reabilitação ali devido à desertificação que essas ruas conhecem durante a noite. Aliás aquele render à noite até acho que prejudica a proposta, definitivamente raras seriam as pessoas que utilizariam aquela rua superior tão escura (que não o é na realidade) e escolheriam a tal rua inferior, que, digo mais uma vez, não me parece a abordagem correcta.

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  • 7 months later...

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