3CPO Posted April 12, 2007 Report Posted April 12, 2007 É preciso repensar Faro Faro tem algumas limitações ao seu crescimento, como ele é entendido, a meu ver mal, pela maioria das cidades. Mas isso pode ser um estímulo para boas ideias de futuro.Espartilhada entre a Ria Formosa a Sul, cujo valor nunca será demais realçar, por muito que isso signifique entraves a um turismo massificado que continua a ser a nota dominante do turismo no Algarve, e terrenos agrícolas na envolvente, Faro não possui indústria nem nenhum pólo industrial previsível para além de indústrias de ponta em tecnologia e serviços. Mas, a meu ver, Faro pode tirar excepcional partido de alguns factores se souber fazê-lo: -o aeroporto -a Universidade - a capital cultural da Região - recuperar qualidade urbana, tornando-se, por si mesma, uma cidade agradável para se estar. Sob o ponto de vista urbanístico e arquitectónico, dizemos com franqueza que Faro é uma cidade «feia». Não houve cuidado ao transformar o velho burgo antigo de casinhas de rés-do-chão numa cidade burguesa de prédios em altura, e o urbanismo é incipiente. As ruas viram mudar a altura e a volumetria dos prédios, mas ficaram na mesma, com as consequências normais e conhecidas destas situações e que me furto aqui a repetir. A arquitectura de grande parte dos prédios construídos é, com algumas excepções, de má qualidade, não passando daquela arquitectura de subúrbio, que permite os estendais de roupa e o empilhar de grades de cerveja e caixotes nas varandas. É uma arquitectura que serve para arrumar gente, mas não dá qualidade urbana, nem estética. Portanto, o que pode fazer-se para melhorar Faro? A Universidade deve ser ligada à cidade (e à Região), às empresas e às actividades culturais; deve mesmo atrair a população em geral, para que não seja um pólo elitista – embora preservando a sua função e o seu prestígio. Fazer com que os jovens, em vez de quererem ir estudar para Lisboa, fiquem a estudar cá, atraídos por uma Universidade que ofereça qualidade e prestígio no ensino, ampliando o que até agora tem sido tentado. Capital cultural – é uma exigência, uma oportunidade, para Faro não ser marginalizada pelas cidades mais progressivas do Algarve. Falta em Faro um palácio de congressos, que devia ser «a prioridade», situado centralmente em relação às cidades do Barlavento e do Sotavento e próximo do aeroporto – uma vantagem que não pode deixar de ser explorada. Depois, seria necessário promover constantes eventos de vários tipos, como foi agora a feira Algarve Jardim, pois eventos destes, com qualidade e regularidade, poderão ser a «marca» de Faro – mais em qualidade do que em quantidade (abandonarmos a paranóia portuguesa de ser o «maior da Europa» ou o «maior do mundo» ou a entrada no Guiness). Por fim, a qualidade urbanística da cidade – deveria ser agradável vir e estar em Faro. Chegam os meses de Verão – quatro ou cinco, conforme o ano – e a cidade é quente, abafada, sem sombras frescas - o volume construído altera e prejudica a circulação atmosférica e a proximidade do mar nem sempre ajuda . Não são precisos relvados com flores, é precisa sombra, arvoredo abundante e criterioso, que deixe a cidade fresca no Verão e soalheira no Inverno. É preciso reforçar o trânsito pedonal e retirar os automóveis do centro da cidade; é preciso parques de estacionamento periféricos e amplos, transportes colectivos permanentes. É preciso planear a rearborização da cidade, deixando de lado aquele disparate dos caixotes com laranjeiras (não há dinheiro para nada, mas há para estas tontices) e criando sombra e agradabilidade nas avenidas, nas praças. Tratar das periferias, proporcionando percursos verdes até ao campo. Enfim, proporcionar condições para que quem chegue a Faro possa dizer «que bem que se está aqui!» Fonte: barlavento Quote
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