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Oliveira e o cinema


Rui Resende

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Saíu hoje no JN:

Oliveira filma até aos 100 anos
Imagem colocadaFilmografia com mais de 40 títulos leonel de castro

Manoel de Oliveira escolheu um conto de Eça de Queirós para filmar no ano em que completa 100 anos

Ana Vitória

"Estou muito grato que se tenham lembrado de me distinguir a propósito dos meus 100 anos, mas não quero que façam de mim um dos Grandes Portugueses".

Visivelmente satisfeito, bem humorado, Manoel de Oliveira, o decano dos realizadores em actividade no Mundo, reagiu desta forma à "prenda" em forma de protocolo de apoio a dois novos filmes. Os ofertantes são o Ministério da Cultura, a RTP, a Lusomundo e a Tóbis.

"Nada mais me importa do que realizar os meus projectos. Não há prenda melhor do que me deixarem fazer filmes. Sinto-me feliz com esta ajuda porque o cinema para mim é tudo". O protocolo especifica que das duas novas películas uma será rodada em 2008, data em que o prestigiado cineasta português assinala 100 anos de vida.

O protocolo, com um financiamento superior a 700 mil euros, destina-se a garantir a conclusão de "Cristóvão Colombo - O enigma", já em fase de rodagem, e a iniciar, em 2008, as filmagens de "Singularidades de uma rapariga lura", baseada no conto homónimo de Eça de Queirós.

Cineasta em boa forma

De acordo com fonte próxima do cineasta, a saúde de Oliveira continua em estado de graça. Terá, por vezes, algumas quebras de ânimo, mas assim que começa a filmar muda de disposição. "Em termos de saúde, filmar para ele é estimulante", confidenciaram ao JN.

"Estou muito satisfeito por me considerarem vivo pelo menos até 2008", gracejou o homenageado que, de seguida, fez questão de sublinhar que "o cinema não é apenas o realizador. Dele fazem parte os produtores, os técnicos e todos quanto contribuem para a concretização de um filme".

Manoel de Oliveira agradeceu o empenho do Ministério da Cultura que o apoiou à margem das candidaturas formais para os subsídios ao cinema anualmente abertas pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA, ex-ICAM).

"Não há um realizador melhor que outro. Todos somos grandes", sublinhou em forma de resposta aos elogios que anteriormente lhe tinham sido feitos. "Agora que sou o mais velho do mundo, lá isso sou", acrescentou.

Ao abrigo do protocolo ontem assinado o Ministério da Cultura (através do ICA) irá apoiar as obras de Manoel de Oliveira com um valor global de 550 mil euros, enquanto que a RTP e a Lusomundo contribuem com mais 50 mil euros cada. O valor de apoio da Tobis será prestado através de um desconto comercial que se traduzirá para o primeiro filme no montante de 75 mil euros.

As condições relativas à segunda obra serão no futuro discutidas com o produtor que for indicado por Oliveira mas cujo nome o cineasta não quis avançar.

O protocolo ontem assinado insere-se numa política do Governo de "distinguir os realizadores nacionais que, ao longo da sua carreira, mais tenham contribuído para a cinematografia portuguesa e para a sua projecção no estrangeiro, traduzida no elevado número de obras com estreias comerciais internacionais, presenças e festivais e prémios em concursos internacionais". Um protocolo feito à medida exclusiva de Manoel de Oliveira.

"A melhor forma de homenagear Manoel de Oliveira é dar-lhe meios para ele continuar a filmar.", disse a propósito a ministra da Cultura. Isabel Pires de Lima considerou ainda o protocolo como uma espécie de "lançamento das comemorações dos 100 anos do realizador", que se assinala já no próximo ano.

Este protocolo é uma forma de o MC mais as empresas que a a ele se associaram, facultarem os meios para que Manoel de Oliveira possa, tranquilamente, executar os seus projectos sem que tenha que se sujeitar aos concursos habituais que o MC, através do ICA abre anualmente relativos à distribuição de subsídios para o cinema.

"Além do filme "Singularidades de uma rapariga loira", tenho tantos projectos para concretizar...", confessou Manoel de Oliveira. "Mas não quero sobrepor-me a nada nem a ninguém saindo do habitual esquema dos protocolos", acrescentou.


A obra de Manoel de Oliveira, que tem uma carreira de mais de 70 anos dedicada à filmografia portuguesa, é composta por mais de 40 títulos, desde longas a curtas-metragens, passando por documenários. Obras de antropologia multifacetada como "Aniki Bóbó" (1942), "A caça " (1964), "O passado e o presente" (1972), ou as leituras ficcionais "Amor de perdição" (1979), "Francisca" (1981) "O sapato de cetim" (1985) contribuíram para a consolidação da sua carreira. Oliveira é ainda o realizador de filmes como ", "Party" (1996), "Viagem ao princípio do mundo" "Inquietude" (1998), "A carta", 1999 e "Palavra e utopia" (2000) , premiados em festivais nacionais e internacionais.

http://jn.sapo.pt/2007/03/31/cultura/oliveira_filma_aos_anos.html

Impressionante, pela simples relação idade/ritmo de trabalho. Para além disso; serenamente impressionante o cinema deste mestre. Já por várias vezes se assistiu a este realizador a chegar a Cannes ou a Veneza com o melhor filme do certame. Já ganhou vários prémios, mas consagração, só mesmo o leão de ouro pela carreira em Veneza, 1985 (na altura tinha já 72 anos, tava a ficar velhote, premiaram-no como presente de despedida. 22 anos depois ainda filma. :) ). Admiro muito o seu trabalho, pena que seja, como diz o Bénard da Costa, "mais reconhecido que conhecido", sobretudo em Portugal. Contudo, nunca é tarde para apreciar.

Uma selecção/recomendação pessoal minha:

"Douro, Faina Fluvial" http://www.imdb.com/title/tt0021810/
"aniki-bobó"http://www.imdb.com/title/tt0034461/
"Viagem ao princípio do mundo"http://www.imdb.com/title/tt0120443/
"porto da minha infância"http://www.imdb.com/title/tt0296809/
"je rentre a la maison"http://www.imdb.com/title/tt0283422/
"filme falado"http://www.imdb.com/title/tt0364093/
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Só tenho pena de duas coisas: 1ª Ele fazer filmes com pouco qualidade a nivel de som e os filmes serem muito teatrais. 2ª Os novos realizadores, realizarem como ele realiza... deixando para tras novas tecnicas e não fazerem filmes com 1000x mais qualidade.

Josué Jacinto - Mais Fácil
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lembro-me de ver o Roger Waters num documentário "making of" do Dark side. Ele falava do "Us and Them" e dizia que a música era sobre deixar espaço. colocar sons para balizar espaços vazios, silêncios relativos. Para mim o cinema do Oliveira (este último Oliveira, dos últimos 10 ou 15 anos) representa mais ou menos isso. Colocar serenamente a câmara de tal modo que tenhamos um ponto de vista reflexivo. Somos nós que fazemos o filme, muitas vezes até somos nós que fazemos a história. E é isso que é bonito. Claro que é preciso querer ver um filme dele, não se pode sentar ao domingo à tarde na TVI e esperar que comece a dar e olha, calhou que é oliveira, vou ver. mas isso acontece com as obras de muitos dos melhores, estou-me a lembrar do Tarkovsky (que tem outro relevo indiscutível na história do cinema) ou do Godard. O Malkovich (que coloca o Oliveira entre os seus realizadores favoritos, e fez já 3 filmes com ele) fala precisamente disso. Diz qualquer coisa como "dois personagens despedem-se em frente a um portão e vão um para um carro outro para casa. Qualquer realizador corta no momento da despedida. O oliveira deixa-me vê-los ir. E é aí que o filme faz sentido para mim" . Evidentemente uns dirão "grande seca", outros apreciam. É como tudo.

A qualidade do som, nos últimos 10 anos não é nada má, pelo contrário, os valores de produção do cinema nacional (oliveira incluido) têm dado saltos de gigante.

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Sim é verdade que os ultimos filmes de Oliveira, estão melhores. Eu admito não ser grande fa de Oliveira, mas visto gostar muito de cinema e ser um "grande" critico de cinema, tanto Oliveira como outros realizadores portugueses, tem "erros" a nivel do som... mas a nivel da construção das cenas, e conforme são as falas, etc... ainda se esta muito agarrado ao teatro. O cinema não é teatro, mas para muitos realizadores, continuam a fazer os filmes como teatro. Se não fizerem assim, fazem como se fosse para a TV. Mas continuo a dizer... o som... para mim é o maior erro do cinema portugues. Acho que se devia começar a olhar para as curtas, para dessa forma fazer-se longas com mais qualidade.

Josué Jacinto - Mais Fácil
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A qualidade do som, nos últimos 10 anos não é nada má, pelo contrário, os valores de produção do cinema nacional (oliveira incluido) têm dado saltos de gigante.


Temos já o exemplo da primeira obra do realizador Hugo Vieira da Silva, "Body Rice" que ganhou a Menção Especial do Júri no Festival de Locarno. Na minha opinião a produção do cinema nacional deu um grande salto, já para não falar na fotografia que para mim está no topo do cinema português.
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Na minha opinião a produção do cinema nacional deu um grande salto, já para não falar na fotografia que para mim está no topo do cinema português.


Concordo plenamente...
O cinema portugues, cada vez esta melhor! É pena não haver mais investimento!

Josué Jacinto - Mais Fácil
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ainda se esta muito agarrado ao teatro.

O cinema não é teatro, mas para muitos realizadores, continuam a fazer os filmes como teatro


Aqui não concordo. O cinema, tal como a arquitectura, é o que os criadores fazem dele. Aprecio por motivos diferentes a cãmara móvel do Godard, do Hitchcock, do Antonioni e do DePalma da mesma forma que aprecio o enquadramento completamente pensado em pormenor do Oliveira, do Kubrick ou do Greenaway (sem significar isto q é estático, embora no Oliveira o seja em 99% das vezes). É uma postura, a avaliação vem de como o resultado vem em função disto. O Oliveira assume a postura dramática perante os filmes, e é coerente com isso. Nem sempre corre bem, mas isso com qualquer artista sucede (estou-me a lembrar de dois projectos para mim falhados dele, "La lettre" e "o princípio da incerteza" ), mas quando corre bem, é notável.


primeira obra do realizador Hugo Vieira da Silva, "Body Rice"


ainda não pude ver. recomendas?
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ainda não pude ver. recomendas?


Eu gostei muito mas filmes como o Body Rice são complicados de recomendar a pessoas que não conhecemos porque não é um filme "comercial" nem um filme "fácil". A história é muito simples e tem uma produção, realização e fotografia muito boa e diferente daquilo que estamos habituados em longa-metragens portuguesas. Bem, só por aí acho que vale a pena arriscar.

Deixo aqui um cheirinho:
http://www.youtube.com/watch?v=kM0DDBHOJeE
http://www.youtube.com/watch?v=vNEFhOG6d5Y

:)
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