Jump to content
Arquitectura.pt


Portugal | Casa Portuguesa | S'A Arquitectos


3CPO

Recommended Posts

A propósito. Para a semana inauguro uma exposição em Roma...
GENERIC PEOPLE, SPECIFIC CITY.
10 notas sobre como as pessoas estão cada vez mais GENÉRICAS, e como as cidades cada vez mais ESPECIFICAS. Acho que diz bastante sobre o que penso em relação a este tema da globalização vs localização...
Quando inaugure, posto o texto da exposição e algumas imagens...

http://sa-arquitectos.com/proj_files/invit2_HIRES1.jpg

Link to comment
Share on other sites

carlos: Em relação à globalização estou totalmente de acordo contigo, agora também defendo uma realidade que cada vez mais se afirma que é quanto mais global somos mais nichos culturais locais se criam. É essa a base da post-modernidade e é isso que devemos defender. Somos cada vez mais genéricos, tudo bem, é verdade, mas a partir do momento em que a 3ª cultura (cultura de massas) se torna cada vez maior e mais genérica, mais nichos culturais se criam no seu interior e mais complexa fica. Para mim é esse o fascínio da globalização. Não entendo quando dizes "Apenas disse que vocês, tão CONTRA uma realidade que é Global, estão nela até ao tutano..." não sei a quem te referes... Para esclarecer um pouco as coisas, eu defendo uma cultura, assim como uma arquitectura, de carácter global (se é que assim a podemos chamar) mas precisamente suportada pela complexidade de valores culturais que subsistem e hão-de permanecer. Não estou a dizer para se fazerem casas de granito no norte e de calcário no sul nem de xisto no interior. Aquilo que já foi referido aqui várias vezes é que é o factor principal para uma definição cultural da nossa arquitectura hoje em dia. Mesmo da que os S'A fazem, como a da maior parte dos arquitectos que têm bases teóricas, pensam e sabem o que fazem. São precisamente as noções de Regionalismo crítico associadas a um Internacionalismo crítico que devem ser pensadas e estruturadoras de um pensar arquitectónico.

Link to comment
Share on other sites

Dá-me ideia que partimos de sitios diferentes, por caminhos diferentes, mas queremos chegar ao mesmo sitio.... O Vocês era generalizado....ninguém em particular. Apenas para os que não partilham o meu ponto de vista e que vivem numa ilusão... Abraço.... CP

Link to comment
Share on other sites

Complexidade (à primeira vista) e contradição (muita e toda no mau sentido).

Foi este título do Venturi que, pelos piores motivos lembrei ao acompanhar o desenrolar deste post.
Do princípio. Um membro do fórum mostra um projecto. Tudo muito bem, o que mais procuro neste fórum é projectos/ideias que ainda não conheça como era o caso, ainda para mais quando o autor é membro activo disponível para esclarecer dúvidas, como também era o caso.
Li o texto, tem muita coisa com que não concordo, é, talvez, o típico texto da publicação arquitectónica contemporânea portuguesa (e internacional em certa medida), com um certo radicalismo revolucionário não diria gratuito, mas talvez superficial. Mas tudo bem. Gosto de conhecer opiniões. Analiso o projecto. Tal como o asimplemind, "tenho dificuldade em entender como é que um texto indicia determinadas atitudes e posteriormente a formalização do discurso não se apresenta segundo os mesmo padrões". Mas já lá vamos. Há quem discorde e pede-se a opinião do autor. E daí em diante, assisti a um divagar completamente inconsequente por ideias, conceitos, puras opiniões, que valem o que vale a opinião de cada um sem mais suporte experimental, teórico, prático, o que se quiser pôr aqui. Tudo para justificar as opções de um projecto que, com as suas qualidades e defeitos (e eu acho que tem aspectos interessantes) não consegue sozinho suportar-se na relação com as ideias (tão revolucionárias!) que supostamente defende.

Vamos lá a ver; são chamados à conversa:
a aventura marítima portuguesa (o empório vs império, ainda tou a ver o que se retira daqui para o projecto),
os buracos na ip5,
o facto de sermos todos (portugueses) tão incivilizados, brutos, atrasados (etc. com más características),
o facto de o siza projectar tudo em branco (?) e de ele e o souto moura serem os únicos que têm atenção ("argumento" repetido ad libitum),
a rivalidade Porto-resto do país (parece que o porto é o mau da história)...

talvez mais algum, não me apetece contar.

Depois, devido ao facto de o autor estar evidentemente muitos degraus acima, porque trabalha cá e lá, já viu mundo, tem escritório em Lisboa e Barcelona e até escreveu um post em Roma com teclado italiano e sistema operativo inglês, significa que aquilo que nos é apresentado (um projecto/ideia) terá, necessariamente, de ser a pedra filosofal que nos permitirá, pobres ignorantes de terceiro mundo, sair da lama em que nos encontramos enterrados até ao pescoço, que até sufoca.

Isto foi um folhetim interminável, no qual quem, pá, porque talvez também tenha um cérebro, discorda desta opinião, é acusado de racismo, preconceito etc. e quem critica tudo de atávico e fechado neste país esquecido por Deus e pela união europeia termina a actuação com um brilhante "os que não partilham o meu ponto de vista e que vivem numa ilusão..." Fabuloso. Quem não está com o autor é um coitado, pobre iludido... muito democrática, esta escola de pensamento.
Sendo eu do Porto, estudante da tal escola do Porto, referida por aqui acima algures também, até tenho medo agora de falar. Mas pronto vamos lá tentar dar uma opinião afastando a discussão anterior:

O projecto é... um projecto. Pessoalmente, fora de qualquer enquadramento da discussão arquitectónica, até o acho feio. Mas pronto, são opções, haverá (e há) quem goste (e não, não é por não ser branco que o acho feio). Acho que falta elegância ao proporcionamento das consolas. Mas é um manifesto, não é por aí. Mas se calhar é pelo próprio tema. Casa portuguesa. Será que a casa portuguesa (genérica, se é que se pode falar disso, mas pronto não vou também por aí), é uma habitação unifamiliar com espaço exterior tão generoso que as crianças podem ter muitos metros quadrados de esconderijos e a D.Odete até pode ter flores para podar? Se calhar. No porto e em Lisboa o que está a dar é lotes de hab unifamiliar de centenas de m2 (not). Para mim, genericamente, a habitação portuguesa contemporânea é colectiva e deve ser trabalhada nesse sentido. Depois a questão da organização. É completamente revolucionário trabalhar o espaço doméstico por eliminação da circulação... sem dúvida... nunca ninguém fez isso. Eu posso dizer que já pude habitar durante um mês uma casa na ilha da Madeira (não é uma metrópole, é uma ilhazinha simpática), no monte das terças, concelho da Ponta do Sol (tem poucos habitantes, nem na Madeira é muito grande). Nessa casa não havia nem um único espaço de circulação. Era o que se pode chamar arquitectura popular madeirense, está catalogada a tipologia por quem já a estudou, foi uma das melhores experiências em termos de uso de espaço doméstico. O edifício tem cerca de 130 anos. Qual é a revolução de acabar com os espaços de circulação? é uma opção que está na mesa há séculos, e que foi repescada pelas pesquisas do Existenzminimum e da descoberta da arquitectura do Japão, etc etc. Dizer que isso é O português contemporâneo, com toda a pompa de quem descobriu a relatividade, é no mínimo ingénuo. É uma opção, nada mais

Esta é a minha opinião; se me vão dar argumentos do quão retrógrado, fechado, retardado, fundamentalista, português eu sou, pah já os li mais vezes do que devia neste post. Conheço muito bem Barcelona, vou até lá para o mês que vem, adoro barcelona adoro a vida de barcelona e acho que se pode aprender muito em barcelona, e em todas as partes do mundo. Mas não sei como é que numa cidade onde o trendy, o underground e a experimentação (sob todas as formas possíveis) são o motor da sua rotina se pode aprender a achar que uma ideia, só por alguém achar, é a única possível. Mas talvez essa ideia tenha sido aprendida em Portugal, terra das misérias.

A quem acha mesmo que a sua opinião vale mais que as outras, convido a (re)ler a frase que uso como assinatura, já aqui abaixo.

(é grande o post, eu sei, e peço desculpa)

Link to comment
Share on other sites

Admito a minha ignorância.
Não percebo.
Pura e simplesmente não percebo o que é que esta casa tem assim de tão português.
Não percebo onde é que está a tal igualdade.
É uma proposta visualmente interessante e apelativa? Talvez, nem discuto isso. Apenas não percebo a tal ligação entre esta casa e a casa portuguesa aclamada no texto.


Concordo.
Esta casa tanto podia ser portuguesa como dinamarquesa ou holandesa. É o chamado Estilo Internacional II. É tudo igual. Estas fotomontagens, estas casas são quase todas iguais. O que muda são os autores.
Link to comment
Share on other sites

Vou dizer uma palermice, uma tolice ou talvez uma grande verdade. A verdadeira arquitectura portuguesa vemo-la na arquitectura do beiral, da coluna e do telhado de quatro águas que existe em grande quantidade pelo país fora. E estou a referir na arquitectura recente. Como disse anteriormente escrevi uma tolice. Momentos antes de a escrever pensei no Siza, pensei no Souto de Moura, pensei nos arquitectos que foram influenciados pelo Inquérito. Podemos afirmar que exista uma verdadeira arquitectura portuguesa. Mas esta arquitectura é baseada na Arquitectura Popular Portuguesa, no famoso Inquérito que foi realizado em reacção à Casa Portuguesa de Raul Lino. E a arquitectura que referi anteriormente não é tão portuguesa pois existem mais como aquela em Espanha... laro que existe esta questão: Existe Casa Portuguesa? Como é o habitar á portuguesa? Será que devemos realizar mais um inquérito da arquitectura portuguesa? E quais vão ser os critérios de selecção para o Inquérito? Vamos escolher aqueles que estão no sistema da arquitectura nacional. Vamos escolher somente aqueles que fazem moradias no Bom Sucesso e em Carnaxide. Vamos escolher todas as casas dos arquitectos em Portugal. Ou vamos cometer aquela heresia arquitectónica de conseiderar a arquitectura do beiral e a casa de emigrante mais as fachadas suburbanas com as ditas marquises em exemplos de arquitectura portuguesa? Quem é que se arrisca em considerar a marquise ou a decoração bimba dos interiores dos portugueses como exemplares do habitar em Portugal? Será que isto foi pensado pelos arquitectos da Casa Portuguesa exposta neste post? Não li o texto do post inicial mas especulo que não. E é assim...

Link to comment
Share on other sites

Eu arrisco.....a marquise, a casa do emigrante, e muito mais coisas do estilo -e que nós não gostamos- são a cara da Arquitectura Tradicional Portuguesa HOJE. Arquitectura Popular. Não Erudita como a incluida no Inquérito... Quem diz que o teu gosto/critério ou de outra pessoa qualquer é melhor ou pior? Eu digo que em caso de dúvida, fazemos um apanhado e uma amostragem, como qualquer estudo que seja cientifico. Isso implica olhar para tudo, quer concordemos quer não. O que temos construido é o espelho da cultura de um pais. É a que temos e quem não está bem, que se mude...

Link to comment
Share on other sites

Ena pá, passei ao lado da discussão...acho a casa interessante q.b., um pouco ascética no sentido em que a envolvente não a cataliza, porque não há envolvente...a apresentação é custeada pelo efeito colagem de photoshop, banal q.b., apetece dizer, já ninguém sabe desenhar uma ***** de jeito.
Os ditos espíritos iluminados, sempre souberem contrapor à História com muitos elementos da própria, o Siza é um mar de referências, mas completamente filtradas pela sua imaginação...acho bem que o Arquitecto Carlos Pedro siga pelo radicalismo panfletário ao sabor das normalizações do consumo, não esquecendo porém que é tão importante saber o que é uma "BUCHA PFG", como conhecer o nologo da Naomi Klein.

Link to comment
Share on other sites

Caro:
Podes perguntar pela envolvente em vez de começares a mandar bitaites. É mais fácil e evita que andes por ai a fazer figura triste. É um lote suburbano, como outro lote qualquer. Anónimo. Sem história. Para tua informação, nem todos os clientes têm o terreno ideal para construir a tua casa de sonho. Acontece frequentemente, e nós temos que lidar com isso. A única coisa interessante aqui? Um bosque que fica na parte de trás da casa e para onde abrimos todas as vistas.

Quanto ao vocabolário, estou surpreendido. Gostei da palavra que aprendeste esta semana (www.uma-palavra-ao-dia.pt???) Sim, tens toda a razão. De facto penso mais do que construo e não me envergonho disso. Do mesmo modo penso mais do que falo (e também não me envergonho disso). Acho uma grande vantagem, pois em boca fechada não entra mosca nem sai asneira (alguns podem imprimir esta frase para colocar na porta do frigorifico). Não vejo que seja motivo de grande orgulho a maioria dos "arquitectos" construa sem pensar... mas não é nada estranho num pais que vende titulos de arquitecto a torto e a direito. Se até o nosso Primeiro Ministro passou de Engenheiro a ser apenas Licenciado em Engenharia, imagino quantos não...

panfleto
do Ing. pamphlet
s. m.,folheto ou opúsculo, escrito em estilo de crítica violenta ou satírica, geralmente de carácter político.


Gostei da expressão do Radicalismo Panfletário. Com a tua autorização Irei usar esse termo na minha próxima apresentação. É bom ser reconhecido pelo que faço, e isso significa projectar como bem me apetece. E conseguir ganhar dinheiro com isso. Não sei se sabes o que isso significa, mas depreendo das tuas palavras que pertences a uma daquelas seitas com um pastor bastante activo. Deve ser bom fazer parte do rebanho, mas eu -como ovelha negra que sou- não estou muito interessado. Vindo de ti, apenas posso tomar essas palavras como elogio...

Quanto às Normalizações do Consumo, voltamos ao tema recorrente. Norte-Sul, O-meu-Branco-é-Melhor-Que-O-Teu-Verde, Regionalismo Critico vs Pragmatismo Critico (esta também uso nas minhas apresentações). Quem é normalizado e quem não é. Podes olhar para o meu trabalho e verás que é tudo menos normalizado. A única coisa normalizada no estudio é o tamanho do papel porque não encontro sentido em ter uma medida personalizada. Agora -como já disse algures lá atrás- olha à tua volta. Queres "espécie" mais normalizada do que os CLONES do Iluminado Siza (foste tu que citaste, para que fique claro!!!)?

Não sei se te devo incluir nessa lista -provavelmente sim- pois infelizmente não conheço o teu trabalho. Seria interessante ver os teus projectos, bem como os projectos de outros Boqueirões Profissionais que por ai escrevem... Se quiseres, posso ensinar-te a trabalhar com Photoshop e tu, em troca, ensinas-me a esquissar. Poderei sempre acrescentar isso ao meu curriculo...
Abraço. CP

ps: Quase que me esquecia. Quanto às BUCHAS PFG, não tenho que me preocupar muito. Posso sempre contratar pessoas como tu.
:tired:
Link to comment
Share on other sites

Complexidade (à primeira vista) e contradição (muita e toda no mau sentido) Do princípio. Um membro do fórum mostra um projecto. Tudo muito bem, o que mais procuro neste fórum é projectos/ideias que ainda não conheça como era o caso, ainda para mais quando o autor é membro activo disponível para esclarecer dúvidas, como também era o caso.

Não decidi mostrar projecto nenhum, mas estou sempre disponivel para conversar.

Tudo para justificar as opções de um projecto que, com as suas qualidades e defeitos (e eu acho que tem aspectos interessantes) não consegue sozinho suportar-se na relação com as ideias (tão revolucionárias!) que supostamente defende.

As opções de um projecto são as que são, e há quem goste e quem não goste. Não preciso do Forum para ter reconhecimento do meu trabalho mas fico contente quando um projecto consegue gerar tanta discussão, e quando é um projecto meu, melhor ainda. Revolucionário? não gosto da palavra.....como diz um amigo meu, o problema da palavra Revolução, é o R que está no inicio. Eu estou de acordo. Deviamos todos fazer MAIS EVOLUÇÕES DO QUE REVOLUÇÕES.

a aventura marítima portuguesa (o empório vs império, ainda tou a ver o que se retira daqui para o projecto), os buracos na ip5, o facto de sermos todos (portugueses) tão incivilizados, brutos, atrasados (etc. com más características), o facto de o siza projectar tudo em branco (?) e de ele e o souto moura serem os únicos que têm atenção ("argumento" repetido ad libitum),
a rivalidade Porto-resto do país (parece que o porto é o mau da história)...

O Porto não é o mau da história e esta história de rivalidades é apenas coisa de aficionados. A questão do Empório, Global, Local, etc....já disse o que tinha a dizer. O titulo da exposição era Casa Portuguesa: Modelos Globais para Casas Locais. É algo que ninguém quis ver pois retira validade a metade dos contra-argumentos que por ai andaram. DUH! O Objectivo? Discutir como os modelos, que se encontram cada vez mais globais se aplicam localmente. Acho que é ponto consensual que a nossa "mochila cultural" está globalizada e que isso influi no nosso modo de pensar. Esta exposição e as 12 propostas apresentadas eram sobre isso e como o fazer arquitectura, que por definição é algo localizado, sofre essas influências.

Siza e Souto são repetidos ad nauseum, bem como uma série de novos autores. Uma espécie de COPYCAT Effect. Basta olhar para qualquer publicação e somos confrontados com uma arquitectura homogénea, de digestão fácil. Obras simples (ás vezes confundo simples com básico, mas aqui acho que simples é o mais correcto!!!) sem postura critica e com coerência duvidosa (lembrei-me daquele, "the chosen one", que assenta o seu discurso num conceito de Massa e Cheio/Vazio, algo bastante tectónico, mas depois constroi tudo em pladur -leve e oco- tipo cenário de filme). Deve ser por isso que nunca vemos as fotografias de arquitectura com ocupação real das casas, pois para a maioria dos arquitectos, o cliente estraga sempre o projecto quando entra a habitar a casa...

Depois, devido ao facto de o autor estar evidentemente muitos degraus acima, porque trabalha cá e lá, já viu mundo, tem escritório em Lisboa e Barcelona e até escreveu um post em Roma com teclado italiano e sistema operativo inglês, significa que aquilo que nos é apresentado (um projecto/ideia) terá, necessariamente, de ser a pedra filosofal que nos permitirá, pobres ignorantes de terceiro mundo, sair da lama em que nos encontramos enterrados até ao pescoço, que até sufoca.

Agradeço a ironia, mas pertenço ao mesmo terceiro mundo que tu e tenho orgulho disso. No entanto pauto a minha actividade profissional para fazer algo positivo, com um olhar critico. Não falo apenas de projectos, mas da divulgação de novos autores da arquitectura portuguesa através de artigos, exposições, quer escritos ou organizados por mim ou por outros.

Não tenho pretensões a encontrar a Pedra Filosofal, mas assusta-me que muitos nem a procurem. Que fiquem felizes apenas com o que sabem e que não tentem ir mais além, "explorando mais uma vez os oceanos desconhecidos...".

Quem não está com o autor é um coitado, pobre iludido... muito democrática, esta escola de pensamento. Sendo eu do Porto, estudante da tal escola do Porto, referida por aqui acima algures também, até tenho medo agora de falar. Mas pronto vamos lá tentar dar uma opinião afastando a discussão anterior:

Não tenhas medo. A tua opinião é bem vinda e longe o Estar Comigo ou Estar Contra Mim. O meu ecosistema extende-se por todos os modos de fazer arquitectura, e talvez por isso não pertenca a nenhum dos grupos instituidos. Como já me disseram uma vez, devo ser uma espécie de franco-atirador. A primeira critica ao que faço vêm de pessoas que me são próximas -muitas estudaram na escola do Porto- e que eu respeito muito. Tenho inumeros amigos ai de cima com quem discuto todas estas coisas -felizmente de modo mais civilizado- respeitando e contaminando mutuamente os diferentes pontos de vista. E este é um dos pontos que me interessam... pontos de contaminação.

O problema não é a Escola do Porto ou outra escola qualquer. Talvez o modo de fazer as coisas ai em cima seja o mais fácil de atacar por ser óbvio, mas a minha critica vai contra a FORMATAÇÃO dos alunos no ensino da arquitectura em Portugal. Porto, Lisboa, Coimbra, etc... Infelizmente estamos a formar pessoas sem capacidade critica -e critica não no sentido de maldizer mas de examinar- com pouca capacidade de fazer. Em resumo, com mais certezas do que dúvidas.

Quantos de vocês -eu tb passei por isso- não levaram já com a receita do professor, estilo: "Não esperava isso de você." ou "Esse tipo de arquitectura pode fazer quando saia da Faculdade" ou ainda "Porque não faz uma caixa?". É uma das queixas que mais escuto de pessoas que ainda estudam ou que agora procuram estágio. E é contra este tipo de formatação que estou contra. Deviamos ter uma escola que ensine a pensar, e não a copiar (isto é geral...de Norte a Sul do pais).

O projecto é... um projecto. Pessoalmente, fora de qualquer enquadramento da discussão arquitectónica, até o acho feio. Mas pronto, são opções, haverá (e há) quem goste (e não, não é por não ser branco que o acho feio). Acho que falta elegância ao proporcionamento das consolas.

Neste momento as opiniões devem andar nos 50/50. A tua também fica registada. Tens razão quanto às consolas, mas ainda é apenas fase de Estudo Prévio em que apenas nos deram o Pré-Dimensionamento -por excesso- não tendo sido depois afinado em fase de projecto base pois está em Stand By. Posso dar-te uma lista de coisas que acho que precisam ser afinadas em fases posteriores. Armários dos quartos, articulação do bloco de garagem com a casa, aspectos eco-tecnológicos, etc....muito pode ser melhorado, como -logicamente- em qualquer salto de fase. Infelizmente não estamos na Faculdade pelo que não podemos dedicar 3 ou 4 meses a pensar uma casa.

Casa portuguesa. Será que a casa portuguesa (genérica, se é que se pode falar disso, mas pronto não vou também por aí), é uma habitação unifamiliar com espaço exterior tão generoso que as crianças podem ter muitos metros quadrados de esconderijos e a D.Odete até pode ter flores para podar? Se calhar. No porto e em Lisboa o que está a dar é lotes de hab unifamiliar de centenas de m2 (not).

Talvez no Norte que sempre foram mais burgueses que no Sul. Idealmente seria um terreno com várias centenas de metros quadrados, mas a maioria dos lotes que hoje existem são pequenos, suburbanos e são vendidos para que qualquer marmelo que seja quadro de empresa ou banco possa construir o seu "castelo". As condicionantes eram estas para as doze casas, umas mais felizes do que as outras, mas com a satisfação de serem todas diferentes. Muito diferentes. E sim...também havia pessoas do Porto e de Coimbra convidadas...

Para mim, genericamente, a habitação portuguesa contemporânea é colectiva e deve ser trabalhada nesse sentido.

100% acordo. Além de ser mais responsável ecologicamente. Devia haver mais concursos para isso -como se faz no estrangeiro- de modo a que se vejam projectos e posturas criticas dos arquitectos. A relação directa com o cliente tende a trazer ao de cima o lado subserviente dos nossos profissionais, e colocarem a critica -enquanto instrumento de projecto- na gaveta à espera do cliente ideal.

Depois a questão da organização. É completamente revolucionário trabalhar o espaço doméstico por eliminação da circulação... sem dúvida... nunca ninguém fez isso. Eu posso dizer que já pude habitar durante um mês uma casa na ilha da Madeira (não é uma metrópole, é uma ilhazinha simpática), no monte das terças, concelho da Ponta do Sol (tem poucos habitantes, nem na Madeira é muito grande). Nessa casa não havia nem um único espaço de circulação. Era o que se pode chamar arquitectura popular madeirense, está catalogada a tipologia por quem já a estudou, foi uma das melhores experiências em termos de uso de espaço doméstico. O edifício tem cerca de 130 anos. Qual é a revolução de acabar com os espaços de circulação? é uma opção que está na mesa há séculos, e que foi repescada pelas pesquisas do Existenzminimum e da descoberta da arquitectura do Japão, etc etc. Dizer que isso é O português contemporâneo, com toda a pompa de quem descobriu a relatividade, é no mínimo ingénuo. É uma opção, nada mais

Aqui agora te confundiste um pouco. Não tenho pretensões de revolucionar o mundo nem o modo como tu colocas isso. Para o projecto, o livro que mais referências nos deu foi exactamente o da Arquitectura Popular Portuguesa, que foi visto e revisto buscando soluções que se adaptem á realidade social contemporânea. As casa que mais me interessaram foram exactamente as do sul e ilhas. Agora não tenho aqui o livro e não te posso dizer com exactidão quais foram, mas essa Ausência de Circulação -que leva a à Informalização do Habitar- é o aspecto que mais me interessa quando se projecta uma casa HOJE. É novo? Não....mas quando o que todos querem é o bolo de noiva -onde se perde 20% de área para circulações- esta fusão de espaços passa a ser uma das opções legitimas para estar em cima da mesa.

Esta é a minha opinião; se me vão dar argumentos do quão retrógrado, fechado, retardado, fundamentalista, português eu sou, pah já os li mais vezes do que devia neste post. Conheço muito bem Barcelona, vou até lá para o mês que vem, adoro barcelona adoro a vida de barcelona e acho que se pode aprender muito em barcelona, e em todas as partes do mundo. Mas não sei como é que numa cidade onde o trendy, o underground e a experimentação (sob todas as formas possíveis) são o motor da sua rotina se pode aprender a achar que uma ideia, só por alguém achar, é a única possível. Mas talvez essa ideia tenha sido aprendida em Portugal, terra das misérias.

Não é a única ideia possivel, muito pelo contrário. Na exposição estavam presentes mais 11 casas de autores portugueses espalhados pelo pais e pelo estrangeiro. Poderiam -e era nossa intenção inicial- estar MUITO MAIS, mas tivemos que reduzir por questões de espaço e orçamento. Fizemos um livro -já editado e paginado- que esperamos conseguir publicar em breve com uma colectânea de textos. Pedimos um deles a um conhecido professor do Porto sobre os melhores 12 exemplares construidos de habitação UniFamiliar em Portugal -que nunca nos entregou e não nos responde aos emails nem aos telefonemas- e também pedimos a um historiador outro texto sobre a evolução da discussão do tema Casa Portuguesa (um texto super interesante com 20 páginas!!!). Temos mais textos, incluindo textos internacionais, de modo a mostrar SIMULTANEAMENTE uma visão global e uma visão local, como era OBJECTIVO e TITULO da exposição. Por tudo isto custa-me aceitar a critica de apenas ver um lado das coisas e achar que é a única formalização possivel.

PENSAR e DISCUTIR arquitectura, COLOCANDO EM CAUSA o que nos foi ENSINADO, numa PROCURA constante de outras VIAS DE ACTUAÇÃO... isso sim... acho que é a única solução possivel.

É a falta desta postura critica, que está bem patente no Porto mas existe também em maior ou menos escala por todo o lado e também no estrangeiro. A Escola em Barcelona peca pelo mesmo, bem como muitas Escolas Italianas. Nesse aspecto, Madrid é muito mais aberto e identifico-me com a POSTURA da nova geração Espanhola, Austriaca e Dinamarquesa que são os sitios onde acho que hoje se faz a melhor arquitectura europeia.

Deves estar a ver-me como um fundamentalista -e em alguns aspectos até posso ser. Nunca pensei muito sobre isso nem tento ser moderado mas acredito que tenho uma visão bastante mais ampla do que este projecto e esta discussão possa mostrar. Na minha actividade profissional ligada à edição, o único critério fixo que tenho para a selecção de autores e projectos é a existência de UMA POSTURA CRITICA. Talvez por isso os resultados formais que publico sejam sempre tão diferentes entre si.

Para mim é o PROCESSO de trabalho, não o RESULTADO final que contam.

Moro em Barcelona à bastantes anos por opção pessoal, não apenas pela cidade mas pelas multiculturalidade das pessoas e mais que tudo pela existência de MUITAS oportunidades dadas a TODOS que provem as merecer. Se vais estar na cidade, estás convidado para um café e conhecer o novo atelier que estamos a montar.
Abraço,
CP

ps: acho que este tópico deixou de ser sobre o projecto em si e passou a ser sobre POSTURAS PROFISSIONAIS. Talvez devesse ser transformado num novo post para então receber mais opiniões, talvez ilustradas com outras imagens e projectos. Deixo isso à consideração do administrador.
ps2: desculpem o longo post.
Link to comment
Share on other sites

Era uma bom tema para uma tese de Mestrado:
A Essencia do Habitar atraves da Utilizacao da Marquise


"I Claim for Architects the Rights and Liberties That Painters and Poets Have Held For So Long".

Adoro o trabalho do Pancho Guedes desde há muitos anos -embora ache que se podia ter poupado à vergonha que apresentou em Veneza- e estou de acordo. Só que isso significa a Liberdade de ser Diferente e mais que tudo, a Liberdade de Criticar, ou seja, de Colocar em Questão, sem preconceitos. Como tão bem fazem os pintores e os Poetas...

Se essa liberdade implica estudar o impacto da Utilização da Marquise na Essencia do Habitar? Que assim seja...sem ideias pré-concebidas sobre o certo e errado...
CP
Link to comment
Share on other sites

Guest
This topic is now closed to further replies.
×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.