Jump to content
Arquitectura.pt


Calheta, Madeira | Centro Das Artes - Casa Das Mudas | Paulo David


Recommended Posts

Imagem colocada

Centro Das Artes / Casa Das Mudas - Mon, 16 Oct 2006 16:19:00 +0000

Imagem colocada

O Centro Das Artes Casa Das Mudas, na Calheta, ergue-se numa falésia em queda sobre o mar. O projecto da autoria do arquitecto Paulo David tem como uma das suas características mais marcadas um sentido de criação de território, de fundação do lugar. É um gesto que nos reporta para a monumentalidade mas que foge, ao mesmo tempo, da mera ideia de exaltação pela dimensão. Trata-se, afinal, da construção de referência humana num lugar tão extremo e natural.
O edifício vive, ele próprio, de uma certa abstração entre a arquitectura e a topografia. Como uma celebração telúrica, ergue-se por uma geometrização de volumes cuja textura basáltica ajuda a fundir-se na paisagem. Como se escavado na própria rocha, o Centro faz sentir o fim da terra sobre o vasto mar.

A arquitectura que se formaliza nesta Casa Das Mudas despe-se de artificialismos icónicos com a ousadia de quem quer ser também um criador de montanhas. Parece seguir as palavras de Gonçalo Byrne, com quem colaborou Paulo David, para pisar leve mas pisar de facto. Assim se cavam naqueles volumes percursos, rampas, pátios. A grande plataforma desenha-se ancorada na rocha e desce ao seu interior onde se descobrem salas rasgadas de luz e se abrem grandes vãos que perspectivam as vistas que se projectam para lá do promontório.
Os percursos são acompanhados de detalhes cuidadosos de iluminação, natural e artificial, dramatizando o contraste luminoso dos paramentos brancos e da textura da madeira. O desenho da luz acaba por resultar como uma assinatura interna do edifício, culminando nesse momento maior de que faz corpo o auditório, uma daquelas fusões perfeitas entre intenção e execução técnica.

A obra que agora se apresenta em livro é registada pelo olhar fotográfico de Fernando Guerra. É um trabalho que transcende a simples reportagem de arquitectura para extravasar uma dimensão mais subjectiva da sua experiência. Esta viagem representativa do corpo construído dá-nos a conhecer a vida do edifício ao longo do seu dia até ao cair da noite, por vezes extrapolando verdadeiros quadros onde se faz registar a expressividade e textura da sua arquitectura.
Nos contrastes de luz, no céu atlântico que se rasga no horizonte, descobrimos esse refúgio basáltico e perene sobre o oceano. Não se trata assim de conceber uma relação pictórica ou cenográfica com aquela natureza, antes a procura da solidez de um tempo mais vasto, da terra e da rocha.

Fica a recomendação para a descoberta deste pequeno livro que nos convida ao percurso e à ponderação de uma obra que já faz parte do nosso património, aqui acompanhada de alguns apontamentos desenhados e dos textos de Ana Vaz Milheiro e José Mateus, entre outros.

Imagem colocada

(1) O livro Centro Das Artes | Casa Das Mudas é uma publicação das Edições FG+SG sobre a obra do arquitecto Paulo David, com fotografias de Fernando Guerra.
(2) A reportagem fotográfica de Fernando Guerra ao edifício do Centro Das Artes está disponível para consulta no website Últimas Reportagens.
(3) O Centro Das Artes / Casa Das Mudas integra o conjunto de obras seleccionadas no âmbito da exposição Habitar Portugal 2003/2005, presente no Centro Cultural de Belém até 10 de Dezembro.


Imagem colocada Ler artigo...
Link to post
Share on other sites

Não querendo comparar-me ao Daniel, aqui fica também a referência ao texto sobre o mesmo assunto que publiquei no dia 11 de Setembro passado (a data não foi propositada).
Embora a qualidade da minha escrita não chegue à do Daniel Carrapa, a quem aproveito para tirar aqui o meu chapéu, vale sempre a pena uma segunda opinião.

http://arrumario.blogspot.com/2006/09/um-diamante-atlntico.html

Zé Maria

Link to post
Share on other sites

O texto que o daniel colocou na mensagem é a transposição do texto do artigo mencionado abaixo, que por sua vez penso ser uma transposição do artigo da página dos srs. Guerra, os fotógrafos. Acho esta obra realmente fascinante, e dito por quem já lá foi, é realmente única e um marco na arquitectura portuguesa... A forma como o edifício se adapta ao terreno, a forma como se integra na paisagem, a forma como se torna parte dela... a forma como da cota baixa (ao nível do mar) ele parece ser uma continuidade da falésia... tudo revela um toque e um cuidado que muitas vezes não se vê na arquitectura... É uma outra forma de procurar a monumentalidade, sem ir atrás de "cânones" que grandes arquitectos do mundo parecem querer impôr...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

Link to post
Share on other sites
  • 2 months later...
  • 2 months later...
Centro das Artes - Casa Das Mudas _ Paulo David
Calheta, Madeira - 2001.2004

Place
the Arts Centre Is a Landscape Mark, Placed Strategically on the Top of the Cliff That Abruptly Terminates over the Atlantic Ocean.
Calheta Is a District With Large Extension, Located on the West Coastline of the Island. It Is Situated in the Middle of the Deepest Point of a Valley and Surrounded by High Mountains.

Concept
the Original Concept Aimed at the Mountain’s Resetting, a Concept Where the Building Would Act Merely As a Topographic Mark. the Final Outcome Is a Large Set of Sculpted Volumes, Formed by an Abstract Geometry Where in the End the Intervention Is Brought out, Blending the Merging With Nature.
the Relationship Between the Old House, Casa Das Mudas, With Its Surroundings, Formed by Land-Steps, a Typical Agricultural Solution of Madeira, Brought out a Humanized Landscape, One That Was Meant to Be Recreated by the Project, As a Reminder of What the Traditional Madeira Rural Landscape Used to Look Like. the Solution Arrived by Resetting the Mountain Levels, Through a Large Complex Top-Platform That Opposes the Different Floor Topographic Adaptations.

Imagem colocada

Corpo
the Core Is Developed Through a North-South Longitudinal Axis, and It’s Extensions Match the Topographic Construction Limits. This Buried and Sculpted Core Promotes an Underground Experience; the Outer Spaces, Subtracted from the Original Conceptual Core Are Characterized by the Texture and Colour of Their Pavements, Which Reflect the Particular Island’s Skylight.

Funcional Structure
the Main Access Is Made Through a Large Ramp That Leads to a Squared-Pivot Patio, from Which All the Existing Programme Functions Are Distributed Independently, at the Top Level, but All Connected in the Lower Floors.
This Fragmented Functional Distribution, Which Aimed at a Better Independent Management of Each Module Within the Building Complex, Allowed for a More Flexible Display of Paths Running Through the Exhibition Areas.

Imagem colocada

Exhibition Areas
These Are Divided in Three Proportional Altimetric Opposite Spaces, Spread by Two Different Storeys.

Store / Bookshop
This Room Have Direct Contact to the Main Patio, and Also Works Independently from the Arts Centre; It’s Strategically Placed, Not Only in the Beginning but Also at the End of the Exhibition Paths.

Workshop Rooms
These Are Physically Connected to the Exhibition Rooms, Meaning the Possibility of Use for Interactive and Pedagogic Activities That May Be Developed in Future by the Art Centre.

Library
the Library Is Divided in Three Open Storeys, Also Developed As “Land-Steps”: Traditional Reading Rooms, Multimedia Compartments, Backup Rooms, Book Deposit Area and Newspaper and Magazine Room, Can Be Found Spread in These Steps; the Roof-Top Access Is the Final Stop, As the Centre’s “Belvedere”.

Auditorium
the Auditorium Holds 238 Seated Places, and Is Meant for Multiple Purposes, Such As Contemporary Dance, Theatre, Concerts and Conferences, With Facilities and Proper Equipment for Movie Display, Video and Simultaneous Interpretation. the Dressing Rooms Are Located at a Lower Stage. the Preparation Areas for Scenography and Arts Are Located Near the Main Cargo Access.

Restaurant
the Restaurant Is Located in One of the Complex’s Turning Point, and As All of the Other Functions in the Centre, It Works Autonomously, and Has Public Free Access. It’s Fitted With 48 Inner Places, Plus Another 48 Spread over an Esplanade, With a View to the Ocean and to the Calheta’s Downtown.

Imagem colocada

Administrative Services
the Administrative Services Are Located in the Old House Casa Das Mudas on It’s Upper Floor. a Stairwell Access Was Created to Access the Underground Parking Lot and the Main Patio.

Materials
the Centre Was Built in Black Basalt Stone, As an Approach to the Volcanic Landscape’s Nature. Being a Local and Profuse Material, Its Colour and Texture Brings Continuity and Support to the Building’s Merging in the Landscape, Thus Enhancing the Value of the Landscape and Its Nature.

Fotografias:
Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada
Fotografias de: Fernando Guerra / FG+SG - últimas reportagens | recent work

Desenhos Técnicos:
Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada Imagem colocada

Fonte: EuropaConcorsi

Mais informações em:
FG+SG - Ultimas Reportagens
[a barriga de um arquitecto] Centro Das Artes / Casa Das Mudas
Casa das Mudas - Galeria Fotográfica de Ana Luzia Rapouso
Habitar Portugal - 2003>2005 - Casa das Mudas
hARDbLOG - A natureza das Coisas
O Arrumário - Um diamante atlântico

:)
Link to post
Share on other sites
  • 2 weeks later...
  • 2 months later...
Casa das Mudas na Trienal de Lisboa
A Região volta a estar representada num dos maiores eventos nacionais da arquitectura com a participação do Centro da Artes Casa da Mudas na Trienal de Lisboa. O evento, que deverá ser inaugurado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, decorre até ao final do mês de Julho tendo como sede o Pavilhão de Portugal. A obra, assinada por Paulo David, vai também marcar presença na Bienal de São Paulo, que se realiza no final deste ano.

http://img411.imageshack.us/img411/7639/128876162910c1006kj4.jpg
Fotografia: Fernando Guerra e Sérgio Guerra


O Centro das Artes Casa das Mudas, da autoria de Paulo David, volta a estar em destaque no plano internacional, a partir de amanhã, no âmbito da Trienal de Lisboa, que irá decorrer na capital portuguesa até ao final do mês de Julho, promovido pela Ordem dos Arquitectos.
A Trienal da Lisboa, que deverá ser inaugurada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, está dividida em quatro pólos expositivos, nos quais decorrem 11 exposições com a participação de 12 países, 37 comissários, 40 conferencistas, 20 universidades nacionais e internacionais num total de 250 participantes de todo o mundo.
O projecto madeirense, encomendado pela Vice-Presidência do Governo Regional através da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, vai estar em exposição no Pavilhão de Portugal, que é também a sede da Trienal de Lisboa, juntamente com outras duas dezenas de obras construídas em diversos pontos do país.
Após esta participação em Lisboa, que termina no final de Julho, a mesma exposição, que integra o Centro das Artes Casa das Mudas vai para o Brasil, para a Bienal de São Paulo, um dos maiores eventos do mundo ligados à arquitectura e que se realiza no final deste ano.
De realçar ainda que esta obra de Paulo David tem vindo a merecer grande destaque entre os trabalhos de arquitectura portugueses, merecendo, inclusive, algumas referências em revistas nacionais e internacionais da especialidade.
Entre as várias distinções obtidas pelo Centro das Artes Casa das Mudas está, por exemplo, a participação na Bienal de Veneza (em Outubro de 2006), um dos mais importantes eventos do mundo na área da arquitectura, bem como na Bienal Ibero-Americana (Dezembro de 2006) e, mais recentemente, na Bienal de Padova, também conhecida como Barbara Cappochin.
Além disso, o Centro das Artes Casa das Mudas esteve também presente em inúmeras exposições em diversas cidades europeias, pelo facto de ter sido seleccionada, juntamente com outros cerca de 30 trabalhos de todo o mundo, para o prémio Mies Van Der Rohe, considerado a maior distinção da arquitectura a nível internacional.
É também de referir que o projecto de Paulo David integrou ainda a exposição itinerante “Habitar Portugal”, também promovida pela Ordem dos Arquitectos, a qual deverá terminar, no final deste ano, na Madeira, precisamente, no Centro das Artes Casa das Mudas.


«Arquitectura a puxar pelo país»
O arquitecto Paulo David, autor do projecto Centro das Artes Casa da Mudas, salienta a importância de eventos como a Trienal de Lisboa, que decorrerá até final de Julho, para a dar visibilidade ao trabalho dos arquiectos portugueses, que, em seu entender, estão ao melhor nível.
Aliás, conforme referiu Paulo David, a qualidade do trabalho dos arquitectos portugueses é tão bom que, «neste momento, em que o país vive um ambiente de tédio e de reformulação económica, penso que é a arquitectura que está a puxar pelo país e a levar Portugal para a frente». Por isso, considera que é necessário apostar mais na arquitectura, para que esses valores nacionais da arquitectura possam ser observados no terreno, «o que não está a acontecer, neste momento».

Fonte: Jornal da Madeira
Link to post
Share on other sites

Vou falar por mim é não pelo grupo em que estou inserido... Concordo plenamente com o meu conterranio Paulo David na questão de se apostar mais na arquitectura portuguesa pois tambem acredito que estamos numa fase de grande evolução, e de grandes profissionais, ultimamente tenho "consumindo" muita arquitectura portuguesa, e aposto plenamente no nosso país nesse campo. ass: Nuno Sousa

Link to post
Share on other sites

Assino por baixo...=) Acho que é geral , a opinião de que Portugal "viverá" maioritariamente de serviços, e não de indústria. Ou seja, pela quantidade de indústrias a encerrar e a trespassar para o estrangeiro, é cada vez mais necessário repensar em que área actuaremos para levar o barco para a frente. Investir no turismo, é fundamentalmente, um meio de atrair turistas e de deixarem cá o seu dinheiro, o seu investimento. Portanto, assim como Paulo David afirma, a arquitectura portuguesa, num processo moroso, tem vindo a elevar-se e a realçar Portugal no estrangeiro. Deste modo, comecemos por nós próprios, portugueses, valorizar mais os arquitectos portugueses e o seu trabalho. De forma a que Portugal seja também um atractivo icon arquitectónico, estabelecido por cidadãos portugueses.

Link to post
Share on other sites
  • 11 months later...

Please sign in to comment

You will be able to leave a comment after signing in



Sign In Now
×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.