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Bem, já que foi lançado o tema dos reis pelo Deisler, aproveito para dizer que tenho uma dúvida há vários meses sobre uma questão dos reis. Fica também um desafio para os apaixonados da história: Existiu um rei que viveu no Palácio da Vila de Sintra há cerca de 895 ou 900 anos o qual desconheço o nome... Eu e mais alguns amigos temos andado a pesquisar sobre isso, mas em vão... Penso que possa ser um bom desafio para um amante da história dos reis... Parabéns ao Deisler pelo gosto pela história dos reis porque é extremamente interessante... Abraços,

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O Palácio Nacional de Sintra é o único sobrevivente íntegro dos paços reais medievais em Portugal. Muito provavelmente, foi construído sobre a residência dos antigos wallis muçulmanos e desde o início da Monarquia os monarcas portugueses aqui tiveram um Paço. As principais campanhas de obras que lhe conferiram o aspecto actual devem-se a D. João I, que o reconstruiu, e a D. Manuel I, que acrescentou a hoje denominada ala manuelina.

Durante a Idade Moderna o Palácio não cessou de ser engrandecido, como o provam os elementos renascentistas do tempo de D. João III, a grande Sala dos Cisnes, a mais antiga Sala de aparato dos Palácios portugueses, e onde se encontram os retratos de D. Catarina de Bragança, de Carlos II de Inglaterra e de D. Pedro II, ou a Sala dos Brasões, cuja cúpula ostenta as armas de D. Manuel, de seus filhos, e de setenta e duas das mais importantes famílias da Nobreza, e cujo revestimento integral das paredes data do século XVIII, obra do ciclo dos Grandes Mestres da azulejaria lisboeta dessa altura.

Fonte: IPPAR

A época que me refiro remonta há cerca de 890vou 900 anos...ou seja...no ano 1100 a 1110...sei que nessa altura morou lá um rei e é esse rei que tenho curiosidade de saber o nome...

Esta história do rei já me anda a dar a volta á cabeça há mto tempo...
Abraços,
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D. Afonso Henriques ou D. Afonso I:

Afonso era filho de Henrique de Borgonha, Conde de Portugal e da infanta Teresa de Leão. Terá nascido e, possivelmente, sido criado em Guimarães, onde viveu até 1128.


Não existe ninguém ligado a esse palácio nessa data...é deveras estranho...
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Pode ter sido um rei "espanhol", ou seja:

O destino de Sintra manteve-se aliado ao de Lisboa, que viria a ser reconquistada pelas forças de Afonso VI, para voltar ao domínio muçulmano em 1095, até cair definitivamente, diante das forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1147

fonte:wikipedia

Porém mesmo assim não bate muito certo...
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Ora nem mais...e que rei espanhol? Durante essa altura (1095 - 1147) poderão ter passado vários reis por lá... Alguma ideia? (Apelo aos "fanáticos" e amantes de história de Portugal...) Este tema tem sido uma constante cá por casa... Abraço

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Há tanto tempo e em Sintra? confesso que não faço a minima ideia e é sem dúvida estranho ter sido em Sintra porque é uma vila onde o grande desenvolvimento aconteceu no periodo revivalista da arte neo-classicista desde a prisão ao palácio da pena. O palácio de Sintra ainda que anterior, teve inicio em meados do século XVI. E recuando tanto tempo chegamos a cerca de 1200, tendo lisboa sido conquistada em 1147 , tendo a carta de foro sido concedida quase 30 anos mais tarde, ou seja, só aí seria uma terra com administração prioritária na distribuição do reino, ainda assim e tendo em conta os problemas de conquista-reconquista do Alentejo dificilmente se pode considerar Sintra como uma serra SEGURA para que uma corte aí pudesse feriar... Considerando um intervalo de 300 anos no periodo que referes e tendo em consideração a primeira dinastia posso dizer que os reis Sancho I e Afonso II fizeram corte no norte precisamente pelos problemas de reconquista e só a partir de Sancho II a corte 'desceu fisicamente' ás reconquistas a sul e com Afonso II é que essas reconquistas se concretizaram nos limites que hoje reconhecemos do nosso território. Deste modo chegamos a D Dinis, esse sim um apaixonado pelo centralismo do território e o primeiro a reconhecer o lugar de Lisboa como o de capital importância na estratégia geográfica do país, tendo sido também o primeiro a iniciar as 'explorações' desta franja de território (são muito conhecidas as lendas da sua presença em Odivelas e do velho trocadilho com "ide ve-las"), tendo em conta que um dos seus oito (!) cognomes ser "O Rei-Agricultor" posso-te dizer que D Dinis é uma forte possibilidade, para além de ser um homem com ligações muito exotéricas nomeadamente á poesia trovadoresca (que chegou a compor) e que levou á exultação da sua esposa (Espanhola - vão lá dizer aos populares que eles veneram uma santa Espanhola.. qual quê? Santa Isabel é portuguesa e não se fala mais nisso... enfim) como uma 'santa', este misticismo do homem poderá levar a uma proximidade com a mistica serra de Sintra (e os seus famosos 'fantasmas'). Daqui para a frente começou um periodo verdadeiramente estranho na coroa com os episódios de Pedro e Inês que levaram a corte de Afonso IV para o norte,o filho Pedro (mais tarde Pedro I) era louco, andou a tentar fazer um país para os lados de Aveiro por causa da tal Inês, conclusão vão dar o nome de 'Ponte pedro e Inês' a uma ponte em coimbra.. Fernando I de Portugal é também possivel pela hipótese de recolhimento aquando das guerras com castela que ele próprio se encarregou de desencadear (consequencia, um dos cognomes : o inconsciente lol!) A partir daí vem D Beatriz como a ultima descendente desta dinastia (da casa de borgonha) que praticamente nem rainha conseguiu ser rainha pelo periodo da revolução e do perigo de cairmos em mãos castellanas. denomina-se este periodo como o do 'Interregno' embora nunca tenhamos ficado sem sucessão reconhecidamente (o papa nunca interviu porque a sucessão a nível dinástico estava assegurada). Nota : Muitos não sabem mas a linhagem pura na Coroa Portuguesa de herança Pai-Filho termina com esta espécie de rainado de D Leonor, pois o descendente que o 'povo arranjou' o famoso Mestre de Avis (o primeiro dos "Joãos" que enumerei na thread da minha apresentação) dizia-se ser filho de Pedro I, exacto, o tal que era louco pela dama Inês, filho ilegitimo claro está, de uma OUTRA DAMA galega, ou seja as possibilidades de o ser realmente, não tendo sido trazido para Portugal pelo rei que nunca o reconheceu como filho nem pela mãe que provavelmente não conheceu outra coisa senão os feudos galegos. Dadas as hipóteses caro Kandinsky.. D Dinis ou D fernando I, mas ainda assim apostaria mais em D Dinis, e ainda assim, com o total não-desenvolvimento de Sintra nem sequer a um nível religioso, leva-me a acreditar que dentro desse intervalo temporal, é mto dificil q essa historia seja real.

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Apesar de só ter sido edificado no século XVI, há relatos da existência de um outro palácio existente nas redondezas. Este terá sido doado pelo rei D. João I ao conde de Seia, no século XIV, voltando para a posse real alguns anos mais tarde

fonte:wikipedia

Portanto nós no fundo nem estamos a falar do Palácio de Sintra que conhecemos hoje mas sim de outro que existiu la perto...

E epa utilizei o termo espanhol (alias entre aspas) so para diferenciar entre um rei de portugal ou outro rei de qualquer outro reino que mais tarde resulta em espanha...
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GinSo com toda a sinceridade é quase um facto impossivel... se Portugal tinha consciencia do perigo que consistia fazer corte numa região isolada (ainda que fortificada) de um país em expansão, os bretãos ou os Galeses mais facilmente teriam essa noção.. e quanto aos mouros, bem, nesta altura eles não queriam estar a ser servidos do nosso trigo propriamente :silly:

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Sim eu sei q é um facto quase impossivel. Vamos la pensar numa coisa pelas datas em questão se fosse alguem da linhagem Portuguesa seria D. Henrique, o pai de D. Afonso Henriques, o que é completamente impossivel porque ele nunca chegou sequer a ver Lisboa. D. Afonso Henriques seria demasiado novo na altura. Portanto essa hipotese está excluida. Depois tens razão quando dizes que aquela região seria bastante instável para qualquer um que não fosse mouro, e mesmo para eles... enfim. Portanto concordo quando me dizes que é extremamente improvável que um rei tenha montado lá corte. Agora se de facto algum o fez, mais uma vez digo nessa data, ainda seria mais improvável que fosse do trono português. O que deixa as coisas num nivel de improbabilidade tal que é quase a mesma coisa que dizer que é impossivel...

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IPA
Monumento
Nº IPA
PT031111110006
Designação
Palácio Nacional de Sintra / Palácio da Vila


Cronologia
Séc. 10 - Primeira referência a um alcácer ou residência de alcaides mouros em Sintra feita pelo geógrafo árabe Al-Bacr; 1147 - Após a conquista de Lisboa consequente rendição de Sintra, D. Afonso Henriques inclui o antigo alcácer nos bens da Coroa, designando-o de "domus"; 1152 - D. Afonso Henriques doa as "prefactas domus" de Sintra a D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários; 1186 - O Papa Urbano III confirma que os paços fazem parte dos bens da Ordem, posteriormente ocupados pela rainha D. Isabel; 1281 - D. Dinis ordena obras de restruturação, ordenando aos mouros forros de Colares a renovação das casas reais incluindo os "mea palatia de oliva" (o Chão de Oliva era o centro da vila de Sintra), localizando-se o quarto real a N., na zona mais elevada, junto da capela; 1336 - O paço é reavido pela Ordem de Cristo;

Fonte: Monumentos.pt

As datas que mencionei enquadram-se na cronologia do Palácio...logo, não é impossivel de alguém lá ter morado nesse período.
Mistério... :)
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Bom mas ha aqui duas coisas que temos de separar, o fazer de um paço residência real e estabelecer uma corte. Uma coisa não tem necessáriamente que levar à outra... Mas ja agora repara, se Afonso VI perde o dominio de Sintra em 1095, então de 1100 a 1110 Sintra estava nas mãos dos mouros, portanto a ter morado lá alguem teria que ser necessáriamente mouro. Até porque a tomada de Sintra fez-se na mesma altura que a de Lisboa o que já acontece em 1147...

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Ora mais algumas citações e referências:

O texto que se segue do século X, do geógrafo árabe Al-Bacr, tem o seu valor acrescido pela escassez de referências anteriores à Nacionalidade. O autor que aprecia a fecundidade da terra e do mar e a salubridade do ar, informa:
(Sintra) ... é uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar. Está permanentemente mergulhada em bruma que se não dissipa. O seu clima é são e os habitantes duram longo tempo. Tem dois castelos de extrema solidez. A vila está a cerca de uma milha do mar (...) A região de Sintra é uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes. Esses frutos atingem uma tal espessura que alguns chegam a ter quatro palmos de circunferência. Acontece o mesmo com as pêras. Na Serra de Sintra crescem violetas selvagens. Da costa vizinha extrai-se âmbar excelente.


Cada vez que se trata de pensar Sintra em épocas remotas, há um trecho que é citação certa. Trata-se da carta atribuída a Osberno, cruzado inglês que em 1147 participou na operação de conquista da cidade de Lisboa aos mouros. Testemunha ocular dos factos que descreve, o cruzado junta ainda outras informações. É aí que Sintra aparece e, curiosamente, entre o real e o mito

Fica-lhe próximo (de Lisboa) o castelo de Sintra,(...) no qual há uma fonte puríssima, cujas águas, a quem as bebe, dizem, abrandam a tosse e a tísica; por isso quando os naturais dali ouvem tossir alguém logo depreendem que é um estranho(...). Nos seus pastos as éguas reproduzem-se com admirável fecundidade por quanto só com aspirar as auras concebem do vento , e depois, sequiosas, têm coito com os cavalos. Desta forma se casam com o sopro das auras.


Esta descoberta dos moradores do "castelo de sintra" vai-se tornando cada vez mais misteriosa e desafiante...
Abraços

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  • 2 months later...

Kandinsky, deves estar muito provavelmente enganado na época da vida desse rei. Tu estás muito provavelmente a falar do rei D.AfonsoVI, filho de D.João IV (o restaurador) e irmão de D.Pedro II, que o sucedeu. A história do Afonso VI é que, a determinada altura, ele abdica do trono em favor do irmão. Conta-se muita coisa, entre as quais que ele sobria de grandes debilidades mentais; certo é que o irmão prendeu-o nos seus restantes 9 anos de vida num quarto do palácio real de Sintra, num quarto apenas, do qual só saía para assistir à missa. Se visitares esse quarto, o que é possível, ou era prai há 10 anos atrás :), encontras uma fita à porta que não te deixa entrar, mas observas o chão e verificas que tem o pavimento extremamente degradado, devido ao facto de o rei deposto não ter feito outra coisa senão caminha caminhar e caminhar à volta da cama nos 9 anos de vida que lá passou... Uma daquelas histórias... mas penso que terá sido o único rei que lá habitou. Até porque, no período que indicas, ainda não haveria, penso, nada que se parecesse com um palácio em Sintra. O castelo deveria ser o mais próximo disso, e mesmo assim, muito primariamente, já que não tinha o desenvolvimento que se vê hoje... ou seja, estamos a falar de um rei de meados do século XVII.

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certo é que o irmão prendeu-o nos seus restantes 9 anos de vida num quarto do palácio real de Sintra, num quarto apenas, do qual só saía para assistir à missa. Se visitares esse quarto, o que é possível, ou era prai há 10 anos atrás :|, encontras uma fita à porta que não te deixa entrar, mas observas o chão e verificas que tem o pavimento extremamente degradado, devido ao facto de o rei deposto não ter feito outra coisa senão caminha caminhar e caminhar à volta da cama nos 9 anos de vida que lá passou....


>>pronto, aí está a conclusão! :nervos: Kandinsky...afinal a alma atormentada sempre existiu!

>>:nervos: num futuro meet do arquitectura.pt.....irá resultar numa imediata visita ao Palacio Real de Sintra [ :);) ] !

>>Meus "Hermanos" gostei de ler, estas jóias escritas sobre os reinados do nosso Portus Calle :s
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Exacto...essa sala continua vedada...e o pavimento extremamente desgastado... Mas ainda existe outro facto que aumenta o misticismo desse espaço. A dada altura, no pátio central sucederem-se imensas mortes e assassinios. Todo este ambiente contribui para o enorme peso espiritual que se sente no Palácio da Vila de Sintra. Estas almas atormentam quem por lá trabalha diáriamente... Acreditem ou não, muita gente ainda sofre com a tormenta do rei angustiado... Abraços

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