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Lisboa | Igreja do Restelo | Troufa Real


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Um dos autores do plano de urbanização do bairro do Restelo, Nuno Teotónio Pereira, considera “uma aberração” a igreja que ali começou a ser construída na terça-feira. Para este arquitecto, a gravidade do caso deveria levar a Câmara de Lisboa a mandar parar a obra e a exigir outro projecto.

Desenhada pelo arquitecto Troufa Real, a nova igreja do Restelo inclui uma torre de cem metros de altura em forma de minarete e uma paleta cromática ousada, com paredes pintadas de dourado, vermelho, verde e cor-de-laranja. O edifício tem, num dos lados, a forma bojuda de um barco assente numas cornucópias que imitam ondas, numa alusão à época dos descobrimentos.

Autor de várias igrejas – uma das quais, a do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, classificada como monumento nacional –, Teotónio Pereira não tem dúvidas sobre a obra que está a nascer no Restelo: “Ofende de forma muito grave a paisagem urbana e os princípios basilares da arquitectura contemporânea.”

No seu entender, o projecto está completamente desenquadrado do conjunto urbano que planeou juntamente com Nuno Portas, nos anos 70, e, se for por diante, vai descaracterizar toda a encosta que se estende até ao rio. “Pela sua dimensão excessiva para as necessidades do local e pelo seu custo, nunca acreditei que fosse construído”, admite. “E, do ponto de vista da arquitectura religiosa, parece-me um completo disparate. A arquitectura das igrejas deve pautar-se pela pureza de formas e pela beleza”.

“Espanta-me por isso que o patriarcado e a própria câmara tenham consentido na sua construção”, prossegue. “A câmara deveria estar vigilante e defender os interesses da cidade”.

Movimento de opinião

Teotónio Pereira ressalva que lhe custa estar a criticar a obra de um colega – até porque partilha do princípio de que a liberdade de criação dos arquitectos não deve ser limitada. “Mas, perante este caso, não posso ficar em silêncio”, observa. “Devia formar-se um grande movimento de opinião para impedir esta obra”.

O PÚBLICO tentou perceber os meandros da aprovação deste projecto, cujos passos decisivos foram dados nos mandatos de João Soares e de Santana Lopes. Mas a consulta do respectivo processo camarário não foi esclarecedora. Tentámos, igualmente, chegar à fala quer com Troufa Real, quer com a vereadora de Santana Lopes que aprovou o projecto de arquitectura, Eduarda Napoleão, sem sucesso. Igualmente infrutíferas foram as tentativas para obter declarações por parte do actual vereador do Urbanismo, o arquitecto Manuel Salgado.

Em 2007, a propósito da escultura de Rui Chafes que o escritório de advogados de José Manuel Júdice colocou em frente à sua sede, na Avenida da Liberdade, o presidente da autarquia, António Costa, mostrou-se de acordo com uma sugestão do PCP para a constituição de uma comissão municipal de estética. Este organismo serviria para evitar a profusão de “mamarrachos”. A comissão, que de resto se destinava apenas à arte pública, acabou por não vingar.

Processo pouco claro

Apesar do seu exotismo, o projecto da igreja de Troufa Real para o Restelo foi apreciado pelos técnicos camarários como se de outro qualquer se tratasse. Não há, no processo consultado ontem pelo PÚBLICO na Câmara de Lisboa, qualquer referência dos técnicos nem à torre de cem metros, nem tão-pouco às cores a usar ou ao facto de a igreja ter a forma de um barco com ondas por baixo. Os funcionários apenas repararam em questões menores, como o número de lugares de estacionamento ou as taxas de construção a pagar pela igreja à autarquia. E estas, no valor de 198 mil euros, foram perdoadas, dada a finalidade da obra.


Fonte: publico.pt

Um padre e uma igreja invulgares

3 de Dezembro, 2011por Liliana Garcia



Esta tarde há não uma, mas duas inaugurações na Igreja de S. Francisco Xavier, no Restelo, em Lisboa. No dia em que o polémico projecto do arquitecto Troufa Real abre portas, a pequena Camila Colimão Morgado, de 16 meses, dá o passo inaugural na vida cristã. Este baptismo marca a primeira celebração sacramental na igreja-caravela, atracada entre ruas com nomes de navegadores.

Camila e os pais vivem em Lagos, no Algarve. Mas o baptismo vai ser feito no templo que inaugura no dia do padroeiro dos missionários. Maria José Colimão Morgado, mãe de Camila, explica ao SOL a razão: «O padre é meu tio e é ele que faz os casamentos e baptismos de toda a família; então decidimos juntar o baptizado da minha filha com a inauguração». Para o baptismo, a bebé vai levar um vestido que foge do convencional. «Quando disse ao meu tio que a Camila ia com um vestido rosa, e não de branco, a resposta dele foi: ‘Quem disse que ela tinha de ir de branco?’», lembra Maria José.

O padre António Colimão, de 76 anos, nascido em Damão (Índia), tem pouco de convencional. Se assim não fosse, não teria desafiado o gosto predominante e levado adiante o projecto oferecido por Troufa Real. O arquitecto transformou o edifício numa alegoria aos Descobrimentos e à vida de S. Francisco Xavier, missionário conhecido como ‘apóstolo do Oriente’. Numa entrevista ao SOL, em que explicou o projecto, Troufa Real afirmou: «Achei que o templo deveria ser uma caravela porque foi o espaço sagrado de S. Francisco Xavier, um santo que não sendo português se meteu nas caravelas portuguesas em missão».

Os moradores do Restelo não revelam entusiasmo perante o novo templo.«O projecto não se enquadra nesta zona; não gosto muito», indica Ana Freire, de 47 anos. «Não gosto, mas admito que vá trazer mais vida a esta zona», exprime Maria José Henriques, de 85 anos. Jorge Correia, de 32 anos, afina pelo mesmo diapasão: «Não gosto nada; ao princípio achei que era um estádio de futebol». Milka Kuusined, de 32 anos, quer conhecer a igreja só «para ver se é tão feia por dentro como é por fora».

Para já, como o dinheiro escasseia, o projecto – cuja primeira fase custou três milhões de euros e que contou com contribuições de fiéis que chegaram a 1,5 milhões – não vai ficar concluído. Há paredes por pintar, a caravela ainda não vai ter as cornucópias que simulam as ondas e a torre, com vista panorâmica, fica adiada. A casa paroquial cobriu-se de laranja, tal como previsto, e aí funcionará a sacristia e os serviços administrativos.

Por fora, sobressai o aspecto enferrujado; por dentro, o branco e as janelas em forma de óculo. A nave da igreja assemelha-se ao casco de uma embarcação. E, perante o altar de madeira, que ainda estava em construção a três dias da inauguração, 60 bancos aguardarão a devoção dos fiéis.

De Luanda, capital angolana onde reside Troufa Real, veio a imagem de Nossa Senhora do Restelo. Já a imagem de S. Francisco Xavier foi feita em Palmela; e a imagem de Cristo saiu das mãos de «um homem de esquerda, de 80 anos, de Lisboa», explica ao SOL António Colimão.

O pároco, entusiasta do projecto, prefere desvalorizar as vozes críticas:«As pessoas não sabem que uma minoria silenciosa me apoiou». E esclarece: «Continuei a obra porque tive apoio; se o cardeal-patriarca me tivesse pedido para parar, parava». Este padre acredita que a igreja-caravela irá fazer parte do circuito do turismo religioso. Já o arquitecto responsável pelo Secretariado das Novas Igrejas, Diogo Pimentel, acredita que irá ser «uma atracção turística, não por boas razões, mas por ser bizarra».

Diogo Pimentel sublinha que «o Patriarcado de Lisboa não faz censura arquitectónica aos projectos». No entanto, o arquitecto considera que a igreja-caravela é «uma proposta inadequada, com uma simbologia demasiado primária». E lembra que «a Igreja, na forma como se apresenta para o exterior, não deve ser ostentatória».

(link para um video que acompanhava a notícia)


http://videos.sapo.pt/atlzbC6Jn1rgUBnl3dSQ



Igreja da polémica já navega no Restelo
Por Jorge Pessoa e Silva

«Tudo está bem quando acaba bem», desabafou ontem António Colimão, pároco da paróquia de São Francisco Xavier, após a cerimónia litúrgica da «dedicação e bênção» da nova igreja, presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

Para trás, nas palavras que encontramos no site da paróquia, «uma Via Sacra» com 21 anos de duração, desde que o sonho nasceu até ao dia de ontem. Uma via-sacra devido ao tempo de espera, a avanços e recuos burocráticos, problemas com terrenos, licenciamentos e financiamentos. E, acima de tudo, um processo fortemente marcado pela polémica do projecto do arquitecto Troufa Real, que se baseou na vida e obra de São Francisco Xavier para conceber uma igreja em forma de caravela, com cores fortes, inspiradas nas bandeiras de Portugal e Índia, e uma torre de 108 metros, que definiria o ponto mais alto de Lisboa, a fazer lembrar um minarete.

O projecto está apenas concluído na primeira fase, que custou três milhões de euros. Ou seja, foi erigida a Igreja propriamente dita e a casa paroquial, faltando ainda a construção da Torre, do centro social e a colocação de cornucópias junto ao tal corpo principal em forma de caravela, que darão um efeito de ondas. E ainda há retoques no interior, mas ficará para mais tarde que a cerimónia tinha de ser ontem, dia do padroeiro.

Divisões começam no Patriarcado
Nem dentro do Patriarcado de Lisboa o projecto foi consensual. Diogo Pimentel, arquitecto responsável pelas novas igrejas, chegou a dizer ao Sol tratar-se de uma «atracção turística, não por boas razões, mas por ser bizarra», juntando que a Igreja «não deve ser ostentatória». Mas não deixou de receber apoio, apesar disso, porque «o Patriarcado não faz censura arquitectónica».

Entre os moradores do alto do Restelo a discussão também não é pacífica, havendo quem considere que a obra choca com o meio em que está inserido. De resto, o movimento cívico Fórum Cidadania chegou a fazer campanha contra o projecto. Que acabou por ser aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa em 2004 e licenciado em 2007.

Talvez para minimizar um pouco a polémica, o vivo dourado exterior foi substituído pela cor ferrugem, como que a imitar o casco dos barcos.

De Goa, Damão e Diu
Os paroquianos não parecem muito preocupados com as discussões arquitectónicas. Apareceram em peso. A nova Igreja tem capacidade para 500 lugares sentados, mas outras tantas pessoas ficaram de pé e assistiram a uma cerimónia que durou mais de duas horas.

Tudo começou com uma procissão, passou pela abertura oficial das portas da igreja, Eucaristia e bênção.

Primrose R. Sharma, de roupas tradicionais, ocupava um lugar na segunda fila. Embaixadora da Índia em Portugal, testemunha a veneração ou simples respeito que São Francisco Xavier granjeou como missionário no seu país, tendo ganho o cognome de «Apóstolo do Oriente». De resto, Goa, onde o santo se encontra sepultado, viveu ontem um dia de fervor religioso, juntando-se centenas de milhares de pessoas para evocar o santo missionário. «Parece o 13 de Maio em Fátima», comenta um dos fiéis, que de Goa trouxe muito mais do que a tonalidade da pele.

A nova Igreja de São Francisco Xavier juntou muitas pessoas de origem indiana, em especial Goa, Damão e Diu. Uma delas logo na primeira fila: António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, com raízes familiares em Goa. Esteve a título oficial, que o próprio já assumiu não ser crente, mas fez questão de marcar presença.

Câmara paga promessa antiga
A festa de ontem teve ainda um motivo suplementar para alegrar o pároco António Colimão e os paroquianos. António Costa cumpriu uma promessa feita em 2001, pelo então presidente da Câmara João Soares. Dos então 46800 contos prometidos para subsidiar a obra, apenas cinco mil foram entregues, até porque entrou novo executivo.

Dez anos depois, António Costa deu a boa nova que os agora pouco mais de 200 mil euros foram, finalmente, atribuídos à Paróquia de São Francisco Xavier.

O padre António Colimão
Grande obreiro desta igreja é o padre António Colimão. Ele próprio nascido em Damão, há 76 anos, e grande devoto de São Francisco Xavier. O homem ideal para comandar o rebanho desta paróquia e arregaçar as mangas em prol do projecto.

«A comunidade tem sido maravilhosa e ajudado muito, passando por cima das polémicas», comenta, reconhecendo que «para já não há dinheiro para avançar com o resto do projecto».

Para António Colimão, «a alma portuguesa, mais do que em Goa, está em Damão e Diu». Reconhece que «Portugal não estará a dar a devida atenção», e apoio, a muita gente que ainda se revê em Portugal, sem o conhecer, e apela a que, às vezes de ambos os lados, «se acabem com os pudores de uma colonização no passado».

António Colimão estava também feliz por ter sido ontem uma festa ecuménica, já que marcaram presença representantes da comunidade ortodoxa grega e islamita em Portugal. No fundo, na casa de Deus cabem todos. Por muito polémica que seja essa casa...

O Apóstolo do Oriente
Imortalizado como Francisco Xavier, no baptismo recebeu o nome de Francisco de Jaso y Azpilicueta. Nasceu a 7 de Abril de 1506, em Xavier, Navarra (Espanha).

Foi na universidade, em Paris, que conheceu Inácio de Loyola, companheiro de quarto. Coofundaram a Sociedade de Jesus, que esteve na origem da fundação da Companhia de Jesus, já com a colaboração de outras pessoas, entre as quais o português Simão Rodrigues.

D. João III, Rei de Portugal, ouve falar dos jovens cultos e eloquentes da Companhia de Jesus. É assim que se chega a Francisco Xavier, que aceita partir nas naus portuguesas como missionário do padroado luso.

A 7 de Abril de 1541 parte na nau Santiago, rumo à Índia, o início de uma viagem missionária, deixando obra e fama em Moçambique, Índia, Malaca ou Japão. De resto, é considerado o missionário que mais pessoas converteu, a seguir ao apóstolo São Paulo.

Francisco Xavier morreu a 3 de Dezembro de 1552, atacado por fortíssimas febres, na ilha de Sanchoão, quando se preparava para tentar entrar na China.

Foi canonizado pelo Papa Gregório XV 1 12 de Março de 1622. É o patrono dos missionários.


Fotos retiradas daqui.
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