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Arquitectura.pt


Sputnik

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  1. Não te posso ajudar, pois não conheço nenhum. Acho que um músico surdo pode escrever música, mas um arquitecto cego... Mas recentemente veio parar-me às mãos um pequeno livro de Diderot (o autor da famosa enciclopédia) intitulado "Carta sobre Cegos", onde ele relata vários casos de cegos prodigiosos: matemáticos, geómetras, músicos, filósofos, etc. Nas suas entrevistas aprendi várias coisas sobre os seus hábitos: a obsessão pela arrumação; o gosto pela simetria; o facto de gostarem de viver à noite - altura em que não estorvam nem são estrovados; a forma como concebem o mundo em função do tacto, e como consideram a vista uma extensão do tacto. É uma atêntica lição de filosofia.
  2. Interessante. De facto uma coluna apenas transmite uma pequena fracção do som real. Parece que para reproduzir todos os timbres e sonoridades de um simples violino seriam necessárias centenas ou milhares de colunas. Imaginem para reproduzir o som de uma orquestra!
  3. Cada um pode puxar a brasa à sua sardinha. O que me aconteceu a certa altura, depois de umas quantas decepções, foi pura e simplesmente deixar de ler livros de arquitectura escritos por historiadores ou outros artistas que não arquitectos praticantes. Teoricos puros nada - só servem para dar nós na cabeça. Mesmo pensadores de renome como Rudolf Arnheim dificilmente podem ajudar-me com as questões práticas da nossa profissão.
  4. O truque para nos movermos nesses livros volumosos é conseguir encontrar rapidamente e apenas aquilo que nos interessa. Uma vista de olhos rápida pelos índices e facilmente chegas à página mágica, se souberes o que queres. Não conheço esse livro, nem tenho em mente algum em especial. Mas posso indicar-te um problema clássico relacionado com esse tema de estudo: entre utilizar um módulo de números inteiros (2x3, 3+4, etc) ou utilizar uma proporção geométrica (que dá sempre uma relação entre um número inteiro e um infinito não periódico) há uma incompatibilidade matematicamente insolúvel. Só é possível através de aproximações, como fez o Corbusier numa das suas vilas puristas dos anos 20. E mais não digo.
  5. Escritor italiano, tem já duas obras de interesse: "Mente locale. Per un´antropologia dell´abitare" e "Contro L´architettura" Desconheço se existem traduções em português. Arquitectura é moda! No quotidiano, nas revistas, na televisão, nas escolas. A obra dos archistars são objecto da curiosidade dos leitores, contudo operam mal sobre a resolução dos problemas reais a que a arquitectura deve responder.
  6. Tratado de arquitectura de Vitruvio (dez livros), tratado de arquitectura de Paladio (outros quantos), enfim, os tratados são sempre a base para todos os outros. É bem possível que o nosso João Pedro Xavier tenha escrito alguma coisa sobre isso... Posso adiantar ainda que os egípcios praticamento só utilizavam a proporção de ouro (antes de ser rectangulo ou triângulo, o número de ouro é uma relação entre duas medidas - uma proporção, portanto). Se bem que não irás encontrá-lo nas pirâmides, uma vez que o que determinou a inclinação foram questões construtivas de outra ordem.
  7. Lembrei-me agora da Capela de Rochamp de Le Corbusier como uma tectónica criada a partir de uma ideia de sonoridade - duas enormes conchas acústicas e simultaneamente estruturais. Esta ideia não está isente da experiencia vivida nas catedrais medievais onde o som era naturalmente ampliado pela dimensão do espaço. Ou talvez dos teatros gregos cuja localização era já escolhida em função das capacidades de amplificação acusticas naturais.
  8. Também recordo-me de um episódio do Siza: a proposito do bairro da malagueira, em Évora, escreveram-se diversas interpretações sobre a utilização do branco como estética do branco sobre o branco. Em "imaginar a Evidencia" o próprio Siza se opõe a estas interpretações dizendo que o que o levou a escolher o branco foi o facto deste aquecer menos ao sol - já que a construção estava reduzida a uma única fiada de blocos.
  9. Acho que há mais diferenças de percepção se um tipo é daltónico do que se é de outra cultura.
  10. Concordo com gibag. Aprende-se essencialmente participando em equipes, praticando a profissão. As leis estão todas disponíveis online: REGEU, PDMs, PUs, Segurança contra incendios, etc, etc, etc. Eu aconselharia começares pela 73/73 e respectivas alterações.
  11. Vale a pena dar uma vista de olhos à revisão 73 aprovada no CDN 14 Out. e alterações de 23 de Nov. Pelo que percebi, o "coordenador de projecto" (aquele que assina o contracto) pode ser engenheiro civil ou arquitecto e ter 5 anos de experiência no mínimo.
  12. Alguém me poderia informar onde encontrar legislação afecta à construção de casas de madeira?? Estão sujeitas ao mesmo processo das casas em blocos?
  13. Beringela Penso que só se pode aprender a projectar projectando. Não há outra forma. Tentativa e erro e para a próxima há mais. Conceito primeiro? Ou nasce com o trabalho?: parece o problema do ovo e da galinha: quem nasce primeiro? Pode-se definir o conceito à priori ainda antes de fazer o trabalho, sem saber o que será ainda, e todos os conceitos são possíveis - o que não significa que sejam adequados. Para o caso de um exercício académico não importa muito se o conceito será o mais adequado - importa sobretudo responder ao enunciado do exercício. Há arquitectos que levam toda a vida a trabalhar um conceito de espaço, e todas as suas obras parecem variações do mesmo tema (Souto Moura inclusivo)
  14. Ah, sobre o bicho de 7 cabeças que os estudantes fazem do "conceito", penso que deriva directamente do facto de não terem muita experiencia. Realmente quanto mais experiencia, maior probabilidade de acertar numa ideia eficaz.
  15. O que os professores sempre me mostraram (ou melhor, o que sempre quis tirar deles) foi a convicção de que a arquitectura nasce de um processo de análise, e só através da análise se pode chegar a uma síntese. Análise em que meditamos sobre o programa, sobre o sítio, sobre a construção, e avaliando a importancia e a prioridade de cada factor. É ai que o cérebro, não sei bem como, no meio de uma brain storm, apercebe-se do que seria essencial para a resolução daquele problema específico - essa essência é a própria ideia, ou conceito se quiserem. Essa ideia não é uma ideia qualquer. É sempre uma ideia arquitectónico-construtiva, capaz de ser edificada. Na casa das artes do Souto Moura, a ideia é preservar o jardim e fazer desaparecer o edifício. A Gulbenkian do Jervis D´Athouguia, a ideia foi reduzir o extenso programa ao máximo e ocupar no centro da parcela precisamente para ampliar o jardim! Na FAUP a ideia é desmultiplicar o programa em diversas torres, como estátuas ali a olhar o Rio, o que tem a dupla vantagem de criar um ambiente quase "urbano", e de responder a uma outra escala: a escala de quem vê desde Gaia; etc, etc, etc - cada edifício tem o seu conceito, nascido da análise que cada arquitecto fez, naquele momento e para aquele trabalho.
  16. Curioso... Penso que esta casa foi construída num local diferente para o qual havia sido projectada, no entanto o projecto não sofreu qualquer modificação. Aquele jogo de rampas e escadas da memória descritiva foi, provavelmente, à vida. Continua envolvida por uma zona arborizada, com algumas vistas sobre a costa da ilha, e até se vê o mar ao longe lá de cima do terraço, por isso penso que não fez qualquer diferença para o arquitecto a alteração do cenário.
  17. Deveriam ver mais coisas do Piet Blom... Team ten. O espírito desta época é a crítica ao moderno. É uma experiência de novo tecido urbano, e como experiencia deve ser avaliado. Não funciona, prontos, mas alguém teve a coragem de o experimentar. Quanto a essa via, não conheço detalhes da história, mas talvez não estivesse prevista em 74, que é o mais certo.
  18. Acho que estas intromissões biográficas ajudam mesmo a perceber alguns projectos. Disse-me uma professora que a obsessão por detalhes do Siza era por causa de ser míope... Por essa lógica, o Mies devia ser cego! Mas pronto... É uma dado mais para se entender a obra e o percurso de um arquitecto.
  19. Só para não basar sem uma referenciazita, e já que falaste em vinhos e tal, aqui fica: Centro de Visitantes da Gruta das Torres, dos SAMI (Inês Vieira e Miguel Silva). Ilha do Pico. 2003. É arquitectura contemporânea, mas que tem uma extrema atenção à paisagem, à escala de intervenção, aos materiais e às tradições construtivas locais. Outra: o Museu dos Baleeiros, na mesma ilha do Pico, de Paulo Gouveia: situação em que ainda foi possível utilizar mão de obra especializada nas técnicas de construção em madeira (dos emigrantes e da construção naval). Bom proveito
  20. Penso que se não falares na influência do Alvar Aalto na obra de Siza Vieira, quem tem de ter aulas é a professora. A construção foi um reflexo da cultura há já muito tempo atrás, tal como vemos no inquérito à arquitectura popular. Hoje em dia a contrução não tem necessariamente qualquer relação com a cultura que habita. Faz-se de tudo e em todo o lado. Cada arquitecto vende o seu peixe e tenta ter a sua linguagem individual só sua, na total homogeneidade de ofertas de mercado. Quem andou preocupado com essa de se ser português foi o Távora, com a casa de Ofir. A principal característica da arq. portuguesa é a ruralidade de meios, a simplicidade e o pragmatismo dos construtores portugueses. Hoje em dia sobrevive algum vínculo com o artesanato, o valor do desenho (exclusivamente no Porto), e o sentido artístico dos arquitectos portugueses, e pouco mais. Em breve não haverá distinção qualquer.
  21. "Repetir nunca é repetir", tanto é que tiveram de fazer algumas alteraçõeszitas. Quanto a mim é só vantagens: para quem tem dificuldades em viajar até a Nince, dá um saltinho lá a Viana e imagina o resto. Inclusivo é uma aula dupla: ver uma composição do Corbusier, e ver o "como não se deve fazer" das construtoras portuguesas. Quanto ao plágio, claro que mais valia ter plagiado antes o método, o processo, que pressuponha uma análise prévia ao local, uma análise do programa, a aplicação dos princípios, etc., ao invés de copiar directamente a forma. Penso eu.
  22. Penso que o comentário do show-off é pertinente. A verdade é que este arquitecto, com apenas duas casinhas construídas e uma capelinham, todas na desconhecida ilha de São Miguel. lançaram-no para projectos megalómagos na China e EUA. Foi, portanto, uma pessoa que se soube publicitar, soube vender bem o seu peixe. Como já foi dito, os próprios clientes querem lá saber se a casa é habitável ou não, aliás, querem lá saber o que é arquitectura! Querem é investir o dinheiro num objecto que se valorize mais do que os juros do banco. O Rem Koolhaas tem a mesma estratégia: faz projectos alucinante não para serem contruídos, mas para impressionar, para se por em contacto com os "chefões" que lhe hão de encomendar qualquer coisita. Quanto a esta casa propriamente dita, está ainda na fase dos acabamentos, mas já se pode ver que as lagezinhas fininhas de 20 cm vão ter de engrossar e bem com as camadas isolantes, pladures e tal, e que a realidade será bem diferente daqueles 3ds todos simples, todos limpinhos, que, aliás, nem sequer revelam as "caixas de vidro" do rés-do-chão. O que parece é que o arquitecto desenhou umas formas, mas depois viu-se grego para enfiar lá o programa e para o construír. Esta é a diferênça entre comentar um projecto e comentar a construção - na construção descobre-se a eficácia do projecto.
  23. Por acaso há lá um capítulo sobre o locus... Quando li a primeira vez, no segundo ano, não percebi nada. O livro não esclarece os termos, aplica-os. Convém talvez saber o que significa tipologia primeiro (além do número de quartos de um apartamento); tb convém saber que, apesar da autoridade inquestionável do Aldo Rossi, nem tudo o que ele diz deve ser aceite inquestionavelmente. Por exemplo, ele acha que a tipologia é a própria essência da arquitectura, coisa que o Souto Moura discorda assumidamente. Até hoje os estudantes de arquitectura italianos andam (diria demasiadamente) agarrados à ideia de tipologia, muito por causa desse livro...
  24. O título "O silêncio em arquitectura" remeteu-me logo para a ideia de uma atitude silenciosa por parte do arquitecto (os silêncios de Paulo Gouveia), mas já vi que colocam em termos de audição. Talvez fosse pertinente também um tópico com "O cheiro em arquitectura". Enfim, tudo o que não seja visual, que visual já ela é demais. Aqui fica a sujestão: "Introdução à Cultura Tectónica" de Kenneth Frampton. O conceito de Metáfora Corpórea - a noção de quer o homem apercebe-se do mundo através da sua apropriação táctil, auditifa, olfactiva, sensitiva, e outros ivas mais.
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