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Connecty

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  1. Axel de Stampa transforma fotografias de projectos de SANAA, Herzog and de Meuron, MAD Architects em gifs   Fotos © Iwan Baan, James-Ewing, Luis-Garcia, Nico Saieh, Tom Arban GIF © Axel de Stampa                    
  2. Concordo Ana, acharia interessante subscrever a petição, onde posso encontrar a mesma?
  3. Alguns outros tópicos que podem ajudar: > > > > > > >   No campo de pesquisa no topo é possível procurar por mais tópicos da mesma forma que o fiz.   Boa sorte.
  4. O Arquitectura.pt deseja a todos um excelente Carnaval de 2014! Participe no nosso Carnaval e faça o download da nossa máscara "arquitectónica" e partilhe as suas fotos connosco. INSTRUÇÕES 1. Recorte pelo picotado as áreas brancas e utilize um fio de algodão para prender a sua máscara.2. Partilhe a sua máscara no nosso Facebook e no Arquitectura.pt. 3. Ver se os colegas conseguem adivinhar a sua máscara. Faça aqui o download:mascara2014_alvarosiza.pdf
  5. Calçada portuguesa, essa horrível beldade Revista Visão   A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou, esta terça-feira o Plano de Acessibilidade Pedonal, uma iniciativa que prevê a aplicação de 100 medidas, até 2017, para facilitar a mobilidade na capital do país. Uma das medidas prevê a retirada da calçada portuguesa.   A propósito desta medida, republicamos um debate organizado pela VISÃO, em Dezembro de 2013   Quando chegam à Praça do Rossio, Viviane Aguiar, 37 anos, e Paulo Ferrero, 50, parecem trajados para desempenhar papéis opostos: ela vem de vestido com padrão a preto e branco, como a calçada que detesta; ele, de roupas pardacentas, como o cimento que abomina.   A VISÃO pediu à autora do blogue A Casinha da Boneca e ao fundador do Fórum Cidadania Lx, que lançou a petição Pela Manutenção da Calçada Portuguesa, para debaterem as vantagens e desvantagens deste piso típico, a propósito do Plano de Acessibilidade Pedonal, da Câmara de Lisboa, que levanta a possibilidade de mudar o pavimento em várias zonas da cidade. À mesa de uma casa de chá da Rua do Ouro, falaram das responsabilidades da Câmara, de turistas e, claro, de saltos altos.   O que tem contra a calçada portuguesa? Viviane Aguiar (VA): Não vou tratá-la por calçada portuguesa. Vou apelidá-la, carinhosamente, de pedrinhas do demo, que é a melhor descrição das ditas pedras que nos dão cabo da saúde e dos nervos. São um perigo para a segurança pública, e, nessa medida, não se podendo alcatifar a cidade ou acolchoá-la como nos parques infantis, arranja-se uma situação de compromisso.   Paulo Ferrero (PF): Pedrinhas do demo... [risos] Compreendo que haja muita gente que não gosta da calçada portuguesa, neste momento, como ela está: mal colocada, mal cortada, sistematicamente ocupada por carros. Chegámos a um estado em que realmente... Eu já caí, uma série de pessoas já caiu - sobretudo senhoras, por causa dos saltos altos -, e as pessoas de idade têm dificuldade. Também é preciso ver que há vários níveis de intervenção: nas ruas íngremes é mais perigoso, quando as pedras estão muito polidas ou esburacadas. Aí, não tenho nada contra a mudança da calçada. Temos aqui um ponto de encontro?   VA: Aparentemente.   PF: Mas pedrinhas do demo não são...   VA: Eu disse isso com todo o carinho.   PF: A calçada portuguesa é um símbolo de todo o País, não só da cidade.   VA: Mas até que ponto devemos mantê-la quando há tanta desvantagem? As calçadas são uma evolução das ruas de terra batida. Acho que devia haver uma terceira etapa de evolução natural para um piso mais consentâneo com o nosso dia a dia, que está, neste momento, a ser posto em causa.   PF: Não, não acho que esteja...   VA: Olhe que eu acho que sim. Experimente pôr uns saltos altos...   PF: [Risos.]   VA: Com todo o respeito!   PF: Como no filme do Almodôvar?   VA: Uma família em que a mãe está de salto alto e tem um carrinho de bebé, em que o pai, coitado, se magoou e anda de muletas...   PF: Os saltos altos fazem mal às senhoras. Fazem mal à coluna.   VA: Mas fazem tão bem a outras coisas das senhoras... E dos senhores.   PF: E não é só o salto alto. É mais o salto de agulha.   VA: Não entremos por aí... A cidade seria tão mais cinzenta se as senhoras usassem chanatos! Não vamos promover a chanatização de Lisboa.   PF: Estamos a falar de vários níveis da calçada. A artística não está em causa. A câmara não vai mexer muito nos pontos turísticos, o que até é engraçado: o turista já pode cair, mas o lisboeta não.   VA: A verdade é que há muitas queixas dos turistas. Dizem: "São tão bonitas, aquelas pedrinhas, mas fazem-nos cair."   PF: Quando fizemos a petição, houve amigos que nos mandaram artigos de estrangeiros a dizer precisamente o contrário, que era um ex-líbris da cidade.   VA: Não temos de pensar nos estrangeiros, mas nas pessoas que andam na cidade diariamente. A calçada é bonita, mas esqueço a beleza quando não é funcional. Mas não é parte da identidade da cidade?   VA: Por isso mesmo, parece-me bem que se mantenha em determinadas zonas. O que não faz sentido é vermos habitualmente pessoas a irem pela estrada...   PF: Porque está mal colocada!   VA: ... Ou pelas ciclovias. As pessoas andam pelas ciclovias para evitarem os passeios.   PF: Eu sei. Eu também ando. O passeio está esburacado, vai-se pela ciclovia. Depois, leva-se com uma bicicleta.   VA: Então estamos a chegar a outro ponto comum. Concorda que esta calçada, da forma como está, é péssima.   PF: Ah, mas então o demo é a Câmara que não trata da calçada convenientemente. Olhe, as obras na via pública: cada empresa que abre um buraco, quando volta a pôr a pedra, deixa aquilo tudo mal. Ora não põem o cimento em dose adequada com a areia, ora não cortam bem... Onde há uma obra, já se sabe que vai haver asneira. Depois, vem uma chuvada, um carro em cima do passeio, e pronto, um buraco. Mesmo que tudo fosse feito na perfeição, não é verdade que a calçada portuguesa é muito mais exigente do ponto de vista da manutenção?   PF: Não sei. Isso dizem os adversários da calçada. O que eu acho é que a calçada contribui para a permeabilidade dos solos, ao contrário dos outros pisos que andam a pôr, e além do mais dignifica, ou devia dignificar, a profissão do calceteiro.   VA: É uma profissão muito dura, não? E essas profissões tendem a desaparecer.   PF: Mas até há métodos automáticos e maquinaria que permitem fazer a calçada.   VA: Então é para manter a tradição e fazemos a calçada com máquinas?   PF: Antes colocar uma pedra cortada por uma máquina do que aquele cimento que estão a pôr nas Avenidas Novas. Uma coisa horrorosa. Outro aspeto: a Câmara disse que não ia intervir nas zonas históricas. Mentira. Já interveio na Rua da Vitória, no miradouro de Santa Catarina, com pedra lioz, e na 5 de Outubro e no Areeiro, com uma mistura de betão e materiais horríveis. Não admite alteração nem nessas zonas?   PF: Não. Para quê? São zonas quase planas. Precisam é de bom tratamento. Além disso, a calçada é responsável pela grande luminosidade da cidade.   VA: Mas isso não se resolveria com outro tipo de pedra clarinha?   PF: Isso não sei, mas o que estão a pôr não é outra pedra. É cimento. A Viviane considera que a calçada portuguesa se está a demitir da sua função primordial, que é servir de piso para caminhar?   VA: Precisamente. Cadeiras de rodas, idosos, senhoras de salto alto, pessoas de muletas, invisuais...   PF: Daqui a pouco, só temos passadeiras rolantes.   VA: Basta um piso funcional.   PF: Mas a calçada é funcional!   VA: Da forma como está, não é.   PF: Então estamos de acordo. E a calçada é mais cara do que outros pisos.   PF: Quem disse? Só pelo facto de ser um processo moroso e manual...   PF: Não sei, não sei. O que eu sei é que é um elemento característico de Lisboa, permeável e amigo do ambiente, exportável, responsável pela luminosidade da cidade... Faz sentido a Câmara substituir a calçada em zonas íngremes, passeios estreitos. Resumindo, trocava de caras os saltos altos pela calçada.   PF: Não é isso que está em causa. A minha mulher também usa saltos, e nunca caiu. Cai-se quando se está distraído ou se tem pouca sorte e não se vê o buraco. [Risos.] Não é mais cansativo, mesmo para os homens, caminhar na calçada portuguesa?   PF: É, é. Talvez seja, sim. Sente-se na sola. Mas, para si, não é uma diferença que o faça pôr a calçada em causa. Já no caso da Viviane...   VA: Faz toda a diferença. Eu junto vários fatores: é o salto alto, é o carrinho de bebé, são as entorses crónicas nos joelhos.   PF: Pois, está em má condição. É evidente.   VA: Mesmo quando está bem mantida, também é uma espécie de rinque, muito lisinha.   PF: Se estiver muito polida, é, mas pode-se enrugar. Há técnicas para evitar isso. Claro que não evitam tudo. Se vem chuva...   VA: A chuva é uma maravilha, para isso. Se estivéssemos numa sociedade em que as pessoas processassem com frequência, como noutras, a Câmara já estava carregada de processos cíveis à conta de acidentes, com pedidos de indemnização. Eu própria já estaria rica.   PF: E quem processasse a Câmara, teria razão. A Câmara é que tem a responsabilidade de manter a calçada em condições.   Ler toda a notícia em: http://bit.ly/1cVRutp
  6. Caro Edgar,    Infelizmente acho essa questão um pouco particular a específica. Infelizmente a situação de construção e arquitectura está pouco favorável em Portugal, e será difícil para qualquer outro colega arquitecto dizer as suas opções. Mesmo com informação específica do seu passado profissional depende da empresa ou instituição avaliar as suas capacidades de contratação.   O melhor a fazer será como terá feito para ser contratado pela primeira vez na Inglaterra, procurar em bolsas de emprego, contactar empresas e enviar currículos. Ou se ajudar contactar velhos amigos de faculdade, colegas de profissão que o possam ajudar a responder melhor às suas perguntas e ajudá-lo.   Boa sorte
  7. Aqui ficam alguns: http://www.inkscape.org/en/ http://www.creativedocs.net/ http://www.serif.com/free-graphic-design-software http://www.getpaint.net/ http://www.rw-designer.com/image-editor http://www.gimp.org/ http://al.chemy.org/ https://www.openoffice.org/product/draw.html
  8. Alguma informação de 2009 que ainda pode ajudar. 1329404032C3oBD5fd7Sl57AU3.pdf
  9. Lamento mas acho que preciso de mais informação.
  10. O programa de um clube de ciclismo? Mas ideias de arquitectura para um clube de ciclismo?
  11. Treehouse por Arq. Aibek Almasov em Almaty, Cazaquistão  Quando um cliente contratou o arquiteto Aibek Almasov pedindo um retiro tranquilo nas montanhas do Cazaquistão, Almasov decidiu criar um novo tipo de casa na árvore. Ao invés de sentar nos ramos, a casa envolve completamente em torno de um pinheiro. A casa de quatro andares cilíndrica é murada com vidro para dar pontos de vista dos bosques circundantes. Não há privacidade, mas isso é uma preocupação menor quando os esquilos são seus únicos vizinhos.  Está totalmente equipado como uma casa , embora os proprietários pretende usá-lo apenas nos fins de semana . " Se eu estivesse construindo para mim eu viveria o tempo todo ", diz Almasov , que diz que ele é atraído para áreas rurais longe do barulho e poluição. Uma vez que os galhos das árvores se espalharam para preencher mais espaço nos níveis superiores da casa, mais espaço de vida é na base do edifício. O primeiro andar é dividido em uma casa de banho e cozinha, e uma cama se encaixa no segundo andar . A casa fica cerca de 14 quilômetros da cidade de Almaty, Kazazhstan . Não há acesso aos serviços da cidade, como a eletricidade , assim que o arquiteto está planejando usar fontes de energia renováveis ​​. A bomba de calor geotérmica provavelmente vai fornecer o calor no inverno, e um revestimento solar sobre as superfícies de vidro pode fornecer energia . A casa também vai reciclar a água cinzenta. Porque não há acesso rodoviário direto , os proprietários terão de caminhar ou andar de bicicleta a uma curta distância para chegar a casa.  A construção está previsto para começar no próximo ano e terá um efeito relativamente pequeno sobre o terreno circundante, uma vez que a casa vai ser pré-fabricados em uma fábrica e apenas montados no local . Apesar da mudança de habitat, a própria árvore deve ficar saudável, diz Almasov . "Isso não deve ser afetado porque ele vai sempre ser ventilado por janelas abertas ", explica ele , e ainda terá acesso a luz e água. E, claro , ao contrário de a maioria dos projetos de construção nos bosques , este vai deixar árvores permanecer no local . " É melhor do que o corte de dezenas de árvores , a fim de construir uma casa de madeira. " Embora não seja exatamente uma idéia de projeto que pode ser replicado em escala de massa, Almasov diz que já tem o interesse de outras pessoas que querem casas semelhantes .      
  12. Universidade de Viena cria casa ecológica que produz mais energia do que consome   Nas duas últimas semanas, 19 equipas de estudantes de todo o mundo mostraram as suas casas sustentáveis alimentadas por energia solar, num projecto chamado Solar Decathlon e promovido pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. O projecto vencedor veio da Áustria e foi projectado pela Universidade de Tecnologia de Viena, que desenhou a casa mais económica, eficiente em termos de energia e, claro, atraente. Alimentada por um sistema de energia solar no tecto, a Lisi gera mais energia do que consome ao longo de um ano. A energia extra poderá ser utilizada para abastecer um veículo eléctrico, por exemplo, ou vendida à rede.               Mais informação: http://bit.ly/Hzlr5H   Notícia: http://bit.ly/Hzls9O
  13. Ordem dos Arquitectos chumba concurso para internato feminino para Colégio Militar  Após analisar o procedimento concursal e, segundo um parecer a que a agência Lusa teve hoje acesso, o Departamento de Concursos da Ordem dos Arquitetos - Secção Regional do Sul - (OA-SRS) disse que "não recomenda" a participação no concurso, por este conter "dissonâncias quanto à interpretação da legislação aplicável e cláusulas que atentam ao devido regular da encomenda pública e do exercício da arquitetura". Entre as anomalias detetadas está o prazo de 15 dias estabelecido para a entrega das propostas, que a Ordem dos Arquitetos considera "manifestamente reduzido". A entidade contesta ainda a "conformidade de vários outros aspetos do concurso", nomeadamente a "exiguidade do preço base [128.722 euros], que se revela manifestamente reduzido e desproporcionado" em relação à empreitada, além de discordar também do "prazo para a execução do projeto". A OA-SRS considera que, tendo em conta as irregularidades detetadas, "não estão reunidas as condições necessárias que salvaguardam a desejável interpretação da legislação aplicável", assim como "os princípios da própria atividade profissional da arquitetura e da efetiva concorrência e da defesa do interesse público". Mais informação:http://bit.ly/1a89dLm
  14. Achas possível publicar a informação para que outros possam procurar da próxima vez?
  15. Algumas imagens da Casa, infelizmente não consegui obter os créditos do autor das imagens.
  16. Procura "Adega Mayor" na pesquisa do Arquitectura.pt no topo da página. Altera de "este tópico" para "fórum" para pesquisares por todo o site e encontras alguma informação sobre a Adega.   Informação tão específica será dificil encontrar pela internet. O melhor será sempre contactar os arquitectos do projecto.
  17. Abaixo o prémio Pritzker?    Prémio de Arquitectura recusa o pedido de Denise Scott Brown para ser reconhecida pelo seu trabalho com o marido Robert Venturi. Mais informação:http://bit.ly/131MFMz   
  18. Cada faculdade pede específicas diferentes, por norma é Geometria Descritiva. O curso de arquitectura, como outros artísticos requer muito trabalho, é um opção difícil, mas é possível trabalhar e estudar. Para consultares as disciplinas de cada curso, só consultando com as faculdades, existem várias que oferecem o curso e todas elas oferecem diferentes planos de curso.     Aqui podes consultar alguma informação: '?do=embed' frameborder='0' data-embedContent>>
  19. Informação sobre bolsas encontradas no site da OA: http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303937,209 http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303943,209 http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303906,209 http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303866,209 http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303833,209 http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303800,209 http://www.arquitectos.pt/index.htm?no=4040303772,209
  20. Siza Vieira “Quase que não vejo outra coisa que obras minhas destruídas” Imagem por Ricardo Castelo A marcha no interior do ateliê junto à Foz é lenta, como o ritmo das águas do Douro que se avistam das largas janelas do segundo andar. Agosto foi a banhos e a crise, que devia seguir-lhe os passos, não poupa talentos premiados. Na próxima semana, a Bienal de Arquitectura de Veneza rende mais uma homenagem a Álvaro Siza Vieira, que não irá a Itália receber o Leão de Ouro. A fisioterapia chama pelo braço direito, fracturado em Junho num descuido doméstico. Vejo que o seu braço ainda não está a cem por cento depois do acidente de Junho. Estou pacientemente a aguardar uma recuperação que sei que vai ser demorada. O braço direito, ainda por cima. Devo desaprender de desenhar, com uma paragem tão longa. Foi uma queda em casa, como normalmente acontece. Nunca é nos sítios perigosos. Tem sido uma angústia esta pausa? Bem, por um lado, não há muito trabalho. É geral. A crise também chegou aqui ao ateliê? Claro, desde há uns meses. Agravou-se este ano. Cada vez há mais contenção dos investidores, mais problemas com os construtores. Nem o facto de falarmos do ateliê de um Pritzker, que agora receberá mais uma distinção, o Leão de Ouro na Bienal de Veneza, melhora o cenário? Uma coisa não tem a ver com a outra. Por exemplo, as autarquias também não têm possibilidade de investir. É uma quebra geral de privados e públicos. Até há uns anos queixava-se do oposto, de não ter mãos para as encomendas. Eu tinha mãos para as encomendas, podia era ter de trabalhar muito mais. Agora, realmente está mau, e ainda pior para os jovens arquitectos. É muito difícil. Já disse em outras ocasiões que são muitos, os arquitectos portugueses, quase tantos como em Espanha. As escolas de Arquitectura, sim. Acho que estavam a sair recentemente dois mil por ano. Que lhe parecem estes números? Completamente desajustados. É realmente muito estranho. Espanha tem cinco vezes a população de Portugal. Isto está a sentir-se e de que maneira, agravado pela crise. Comentou uma vez que a mais importante formação de um arquitecto é a informação do conhecimento. A aprendizagem e o ensino nesta área têm evoluído muito com o tempo ou mantêm-se relativamente constantes? Tem havido mudanças e há uma coisa muito clara: um incremento, necessário, do trabalho interdisciplinar. Mesmo do ponto de vista da organização do trabalho, é muito mais complicado, há muita burocracia e uma multiplicação de regulamentos que, ainda por cima, mudam constantemente. A dificuldade é acrescida. Mas vem sobretudo pela complexidade que um projecto gradualmente vai tomando, umas vezes por razões compreensíveis, outras menos compreensíveis. Que mensagem costuma passar a quem começa a trabalhar consigo? Não é caso de dar conselhos. Tive outras condições. Neste momento, quem faz o curso de Arquitectura tem essa coisa importante da informação do conhecimento em doses multiplicadas em relação ao tempo em que me formei. Hoje, a internet põe à disposição toda a informação. É muito diferente o clima, e também não existem os constrangimentos que havia à actividade profissional. Como lhe chegava a informação? A partir dos anos 50 começou a haver um alargamento e havia duas razões para isso. Uma era a própria guerra. Houve uma paragem de muito do que era a informação, através de revistas, livros, etc.; e depois o isolamento em que o país se encontrava, a que era forçado. E também por razões económicas. Não havia bolsas de estudo, praticamente. Não havia programa Erasmus, que é uma das poucas coisas boas que noto na União Europeia. Nesse tempo distante do Erasmus, como é que a família reagiu à sua opção académica? As Belas-Artes tinham o curso de Pintura, Escultura e Arquitectura. A minha preferência ia para Escultura. Felizmente apanhei um momento muito bom de reformulação do ensino na escola de Belas-Artes. Acabei por me interessar mais por arquitectura que escultura. Por influência dos seus mestres também, como Carlos Ramos e Fernando Távora? Sim, entrou um novo director, o Carlos Ramos, uma pessoa muito inteligente e corajosa que criou um novo corpo docente. Além disso, havia acabado esse período que antes referi e havia uma relativa abertura. Aquilo que tinha sido uma luta inglória pela modernidade, asfixiada, passou a ser campo aberto. É verdade que se considerava um aluno de Arquitectura fraquinho? Não me considerava, consideravam-me [risos], e com razão, acho eu. Porque tinha voltado os meus interesses totalmente para a escultura e só para não ser desagradável com a família é que eu segui arquitectura. A escultura estava ligada à vida das artes, qualquer coisa sem futuro, vida de boémia. Não era um curso bem visto, que trouxesse confiança às famílias. De resto, também o curso de Arquitectura não era muito conceituado. Lembro-me que, durante muito tempo, algumas pessoas me tratavam por engenheiro porque tinham consideração por mim. Engenheiro era mais prestigiante? Havia poucos engenheiros, não havia uma tradição de grande protagonismo por parte dos arquitectos, que só começaram a ocupar, passo a passo, lugares importantes nas autarquias nos anos 40, quando o Duarte Pacheco começou a chamá-los para algumas câmaras, e praticamente só em Lisboa e no Porto. Houve uma grande procura de arquitectos após o 25 de Abril, com uma relativa descentralização que aconteceu. Todas as câmaras começaram a querer ter os gabinetes técnicos. Por outro lado, teve influência nisso o facto de ser muito difícil o acesso a alguns cursos, como Medicina ou Engenharia. Arquitectura era quase a última opção para quem não conseguia o acesso. Já não se escolhe Arquitectura como última opção. Porque se passou a falar bastante de arquitectura nos jornais e afins. Não com continuidade, mas há muitas notícias sobre arquitectura, às vezes com informação objectiva, outras não tanto. Lembra-se quando se tornou motivo de notícia? Não, mas logo nos primeiros tempos de trabalho, quando havia algum facto que envolvia a presença de políticos, como o projecto da Boa Nova, que veio cá um ministro, aí apareciam jornalistas. Mas o aumento da divulgação da arquitectura portuguesa, sobretudo para lá das fronteiras, foi depois do 25 de Abril – antes de mais, para lá da arquitectura, um interesse em geral de uma Europa que não sabia o que era Portugal. Houve muitos visitantes, entre eles arquitectos, que descobriram que também havia uma arquitectura portuguesa. Já não precisa da presença de uma figura de Estado para ser notícia ou para trazer os jornais até si. Não, mas também porque hoje, em muitas das autarquias, há notícias e polémica, e isso desperta o interesse pelos assuntos na ordem do dia. O conflito é também ele uma nota muitas vezes comum à sua obra? Às vezes sim, outras não [risos]. Polémica, críticas, opiniões diferentes, isso é normal que aconteça, e acontece. Quando o acusam de privilegiar a estética em detrimento da funcionalidade, por exemplo, encaixa bem críticas como estas? Encaixar, não encaixo, porque não corresponde à realidade. Como se pode dizer que a concentração do esforço está na estética quando a maior parte do que construí foi habitação social, condicionada por orçamentos apertadíssimos? Agora, a preocupação estética, isso é verdade. Como se pode ser arquitecto sem ter preocupações desse tipo? Já mencionou a sua primeira obra – quatro casas que construiu em Matosinhos aos 21 anos –, como um dos projectos mais importantes, porque lhe deram desde logo a noção de que é impossível agradar a todos. Essa foi a minha primeira experiência de construção e o primeiro contacto com a coisa real, com o mundo dos operários, toda a equipa que põe em pé um edifício. Nesse aspecto, marcou-me muito. Essas casas ainda existem? Existem e estão impecáveis. Os habitantes actuais sabem que vivem nunca casa projectada por Siza Vieira? Já não estou há muito tempo com eles, mas suponho que nem todos estejam vivos. Isso passa-se em 1954. Não tenho tido contacto com as famílias, mas sei que as casas estão lá. Na altura construía-se muito bem, era construção artesanal a cem por cento. Havia aqueles maravilhosos artesãos que em grande parte emigraram e fizeram um belíssimo trabalho em França e na Suíça. Nessa altura havia muito mais contacto entre os intervenientes. Hoje há muitos filtros, uma grande estrutura de hierarquias. Essa estrutura lida bem com a sua presença no terreno, onde gosta de estar? Em meu entender, o arquitecto deve estar dentro do assunto, mas nem sempre lhe é permitido actualmente. Vejo bem todos os cuidados da burocracia, no sentido do rigor, segurança, mas quando ela se torna uma máquina de emperrar… tudo o que sejam filtros criados entre equipas, isso lamento. Hoje há um especialista para cada coisa, o que é prejudicial para a qualidade da arquitectura. Já abandonou algum projecto a meio em desacordo com o excesso de filtros? Normalmente, pelo diálogo consegue-se chegar a consensos. A idealização de uma obra é uma história de compromissos. Os compromissos criam-se através de uma abertura de espírito. Agora, se realmente esse diálogo é cortado, não há nada a fazer. Mas poucas vezes me aconteceu isso: só me lembro de uma em que abandonei a obra. Qual foi? Não digo. Não vale a pena. Apesar dos constrangimentos, dispensa a chamada liberdade total. Liberdade total não há, e ainda bem que não há. Com liberdade total apenas podia fazer a minha casa, e a minha profissão não é fazer a minha casa. Já fez alguma para si? Tenho uma pequena casa que fiz quando estava a trabalhar em Évora, porque tinha de lá ir com frequência. Fiz a casa no sítio onde construía, de habitação de tipo colectivo. Serviu-me para ter um pouso quando chegava, para não ter de ir para um hotel, mas vou lá muito raramente. Aqui no Porto, não. Devia ser um cliente muito mau de mim mesmo. Vive numa casa projectada pelo seu amigo Souto Moura, que vive no mesmo prédio. Sim. Vim para essa casa por um acaso muito curioso. Houve uma desistência na construção do prédio, eram três clientes, e ele acabou por ficar com essa casa. Mais tarde houve outra desistência e disseram-me “porque é que não aproveitas, e tal”. Aquilo realmente é um sítio muito agradável e eu aproveitei. Os chefes de Estado viajam em aviões diferentes por razões de segurança. O núcleo duro da arquitectura portuguesa não devia viver em prédios diferentes, pelo mesmo motivo? [risos] Há muitos núcleos. Não é isso que me preocupa. É mais fácil desenhar uma casa para si ou para quem não conhece? Provavelmente, para os outros. Quando é para outros, há diálogo. Se for para o próprio, estará bem para o Fernando Pessoa dos heterónimos, mas para o normal das pessoas é mais difícil. Como é a casa de Évora? Pequena, num bairro construído em 1976 para cooperativas, com 1200 fogos. Comprei um lote baratíssimo e fiz um T2, em parte para serrações e em parte para introduzir umas coisas vantajosas mas que não eram aceites pelas pessoas. Era pôr as canalizações fora para evitar, quando há uma avaria, estar a partir uma construção. Era considerado feio e não consegui introduzir no projecto, mas na minha casa fiz isso e depois as pessoas até gostaram. Resto da Entrevista disponível no iOnline: http://bit.ly/PLDnZB
  21. Novo Campus para os escritórios do Facebook desenhado por Frank Gehry Plantas e maquetas foram divulgada para o novo campus dos escritórios oeste do Facebook em Menlo Park, que serão projectados pelo arquitectos Frank Gehry. O novo escritório terá 4 hectares de comprimento, um jardim no terraço e um complexo de estacionamento com capacidade para 3400 novos engenheiros.
  22. Bloco das Águas Livres projectado classificado como monumento de interesse público O realizador Pedro Costa captou o Bloco das Águas Livres numa cena urbana nocturna que podemos rever no filme O Sangue. É "o prédio perfeito" como cenário e está sempre a aparecer em spots publicitários, notou Catarina Portas numa crónica há uns anos no PÚBLICO. Desde esta segunda-feira, o edifício lisboeta desenhado por Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa Cabral em 1953 está protegido como monumento de interesse público, uma classificação nacional atribuída pela Secretaria de Estado da Cultura. É o prédio perfeito porque simboliza a vida moderna, a vida quotidiana do nosso tempo - mesmo 50 anos depois. O arquitecto João Afonso, que co-comissariou em 2004 a primeira exposição retrospectiva dedicada a Teotónio Pereira, explica porque é que o Bloco das Águas Livres, inspirado na Unidade de Habitação do arquitecto franco-suíço Le Corbusier, tem este significado: "É uma casa já pensada para uma família reduzida, que já não tem empregada. A sala e a cozinha têm um uso moderno, um espaço unitário. Ali podemos reconhecer o paradigma onde vivemos: não temos ninguém que vá à cozinha por nós. A Unidade de Habitação é onde Le Corbusier formalizou o seu sonho de habitação para o homem moderno." A sua classificação, continua Afonso, protege um exemplar único da revisão do Movimento Moderno em Portugal, porque os dois arquitectos - que tiveram ainda a contribuição de Gonçalo Ribeiro Telles nos espaços verdes - já se preocuparam com a integração do edifício no quarteirão da cidade. A portaria publicada esta segunda-feira em Diário da República diz que o edifício é "uma obra ímpar no panorama da arquitectura habitacional portuguesa contemporânea" e "uma das realizações mais inovadoras de Nuno Teotónio Pereira". Fixa uma zona especial de protecção do monumento, que salvaguarda as vistas do edifício para o Tejo e a relação com o Aqueduto das Águas Livres. O director-geral do Património, Elísio Summavielle, diz que "só há razões para estarmos contentes", porque "é um monumento importante da arquitectura moderna", feito por "um arquitecto consagrado e de referência como Nuno Teotónio Pereira". "Tem coisas muito interessantes do ponto de vista artístico, com património integrado de artistas plásticos relevantes do século XX. É um exemplo emblemático de um edifício de habitação e rendimento que se manteve íntegro todas estas décadas." O programa artístico para os espaços de uso colectivo junta Almada Negreiros, Manuel Cargaleiro, Jorge Vieira, José Escada e Frederico George. Esta segunda-feira, Teotónio Pereira, com 90 anos, estava "muito contente" com a classificação: "Foi uma obra feita quando éramos muito novos. Resultou muito bem. Tem muita coisa original." Dá como exemplos a concepção do espaço e a utilização de materiais "não muito comuns em Portugal". Nos anos 1950, os apartamentos em Lisboa, lembra, tinham uma divisão convencional: "Juntámos num único espaço a sala de visitas e a sala onde a família se reunia e chamámos-lhe "sala de estar". É um espaço maior." O arquitecto salienta ainda o trabalho feito em redor das varandas, "que são um prolongamento da sala de estar, com uma vista lindíssima sobre Lisboa e sobre o Tejo". Em Lisboa, as varandas "eram qualquer coisa fora de casa, muito estreitas, onde não se podia estar sentado numa cadeira". O escultor José Pedro Croft, que mora no Bloco das Águas Livres, acha a classificação "justíssima e maravilhosa" e diz que essa relação entre o exterior e o interior trabalhada pelos arquitectos fá-lo sentir que nunca está num espaço fechado: "Em qualquer sítio onde se está há grandes planos de vidro abertos para o exterior, que mostra uma grande sabedoria dos arquitectos. Há várias possibilidades de fuga." In Público
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