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Arquitectura.pt


Rui Resende

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  1. “Phone Booth” (2002) IMDb cinema centrípeto Isto podia ter sido memorável. Tinha um conceito interessante detrás, mas quem executou arruinou-o. Suponho que em grande parte a responsabilidade devia ser atribuída a Schumacher. Ele é incompetente, ele vai com a maré, ele faz o que quer que as audiências consumam facilmente, e não se interessa por cinema ou como pode construi-lo numa base visual. Os seus filmes funcionam para mim como poluição visual, a estratégia dele é encher o olho com todo o tipo de imagens para substituir a falta das suas próprias ideias. Assim, algumas coisas boas perderam-se aqui: Este filme é, num certo sentido, o oposto do que Hitchcock fez em Janela Indiscreta. Esse foi uma obra prima, porque nos colocava dentro do olho de um observador, e o mundo do filme é tudo aquilo que ele é capaz de ver. Nem mais, nem menos. Tirando alguns poucos planos especiais, recebemos um mundo com as mesmas medidas do de Stewart. Isso foi especialmente bem feito, e a história desenvolve-se visualmente. Aqui tínhamos o oposto. O mundo está centrado num personagem, como em Janela indiscreta, mas a forma como vemos esse mundo é completamente oposta, [...] 7Olhares - Phone Booth
  2. “The Apartment” (1960) IMDb tempos modernos Vale a pena ver o que Billy Wilder fez, independentemente do que seja, ou sob que circunstâncias ele as fez. Isso porque ele sempre tentou contornar adversidades, mesmo se no final isso aparece com a forma da ironia e da crítica aos seus patrões, usando as possibilidades que eles dão. É o que ele faz aqui. Os resultados não são muito impressionantes, talvez porque ele mistura mundos diferentes. Ele tem um romance para contar, foi para isso que foi contratado, para produzir a comédia romântica que se esperava dele, início dos anos 60, mas feita como se fosse nos anos 50. Mas na verdade, ele está angustiado porque ele sente-se agarrado e dependente do sistema de produção cinematográfica que não lhe permite exprimir livremente as suas preocupações, os seus temas, da sua própria forma. Ele teria a sua última recusa tarde na sua vida, quando Spielberg não o deixou realizar a sua Lista de Schindler. Por isso imagino que Stalag 17 deve provavelmente ter sido um projecto muito pessoal para Wilder, um que procurarei verbrevemente. Neste processo de luta pela sua própria expressão, ele criou uma obra prima, Sunset Boulevard, e o menos interessante Ace in the Hole. O noir servia perfeitamente as suas intenções de integrar os seus sentimentos sem os gritar, e ainda assim produzir o filme que lhe tinham pedido. [...] o apartamento - 7Olhares
  3. “Helvetica” (2007) IMDb Catálogo Como um futuro arquitecto, eu senti-me próximo do que estava em discussão aqui. A evolução de muitas das concepções, concepções vulgares, do que arquitectura deveria ser ou, como o design gráfico deveria ser encarado, é bastante similar. Assim, temos design, aqui representado pelas diversas fontes de escrita, que surgem como resposta a uma necessidade, uma representação de um certo momento no tempo, ou o ícone de determinada postura política ou de vida. O título do filme é uma criação do modernismo, e isso significa que funciona, tenta ser universal, e é durável, em termos visuais. Isso não impede que seja um potencial alvo de críticas. O que se passa é, a natureza humana não permite que os humanos permaneçam iguais sempre. Isso porque a mente humana é criativa. Ao mesmo tempo, os homens gostam de fórmulas. [...] Helvetica - 7olhares
  4. “Die Fälscher” (2007) IMDb uma nova abordagem Tendo em conta todos os filmes que já foram feitos sobre a opressão nazi aos judeus, este é inteligente na forma como constrói os seus personagens e a sua abordagem ao tema. O que se passa é, os criadores aqui são suficientemente competentes, especialmente na cinematografia, que segue Rembrandt, uma tradição belíssima no que toca ao uso da luz, e a construção de um ambiente. Com isto falo de imagens onde a luz é uma massa com a forma do objecto iluminado no meio de um ambiente escuro, mas nunca, ou quase nunca, percebemos a fonte da luz, é como se ela irradiasse do próprio objecto. Isto faz-nos focar no centro da composição com especial concentração. Coisas comuns, aspectos miseráveis, tornados especiais por estarem num local escuro. Isto tem tudo que ver com a segunda guerra, e as profundas da miséria humana. Mas apesar desta fotografia, o resto é apenas competente, a câmara foi carinhosa em alguns momentos, mas apenas (falso) documental em praticamente todo o resto. As actuações são boas, e Markovics e os escritores merecem crédito, porque fizeram algo que eu nunca tinha visto num filme de Holocausto. Assim, não temos bem e mal, isso ganhou o meu coração imediatamente. Verificamos as falhas, e o mau carácter do falsificador logo do início. Ele tem tantas falhas como qualquer outro homem, talvez ainda mais. [...] os falsificadores - 7olhares
  5. “The Transporter” (2002) pólvora seca Isto está baseado em nada. Tudo explode, mas nada rebenta. Os elementos usados neste filme serão vistos, suponho, como as características principais nos filmes de acção desta primeira década do século. Temos uma cinematografia específica, baseada em tons azuis que funcionam como um tipo de imagem sóbria, dura, mesmo violenta. Isto supostamente marca o tom da acção, que por sua vez é coreografada, mas também dura, pesada. A edição tem um papel fundamental nisto tudo, [...] 7Olhares - The transporter
  6. “Billy Madison” (1995) Sandler com uma ajuda este é um filme vulgar com dois momentos que o valorizam parcialmente. O Adam Sandler acostumou-nos a projectos em que tudo gira em torno do seu personagem, todos os elementos existem para realçar as suas qualidades como intérprete de comédia. Ele é um daqueles humoristas que construíu uma carreira em redor de um personagem específico. Neste caso, alguém que é anormal, aparentemente aparte de tudo que, no entanto, acaba por ser capaz de completar feitos puramente honestos e difíceis. Assim é o caso aqui. Mesmo o título dá-nos o que veremos: billy e não muito mais. [...] 7Olhares - Billy Madison
  7. “No Country for Old Men” (2007) (Este país não é para velhos) as crianças que saíram da caixa de areia Este filme é uma grande experiência em muitos níveis, e um dos melhores usos do widescreen que tenho visto em produções recentes. A fotografia é invejável, e chamo a atenção para todas as cenas que têm lugar no sítio do massacre. Dia, noite, de cima para baixo e ao contrário, todas as situações e ângulos são tentados, todos eles significam coisas diferentes em pontos diferentes da narração. É realmente grande trabalho. Mas há questões aqui para ser analisadas, creio. Estou convencido que grande parte do gozo pessoal que podemos tirar de um filme (e de outros trabalhos criativos) é uma questão de decisão pessoal. Basicamente temos duas opções: ficar na superfície, ou pensar/sentir. A vasta maioria das audiências médias de cinema funcionam na primeira situação que basicamente se traduz em “gostei da história?”, “gostei das actuações?” (no nível básico de serem convincentes ou artificiais), e eventualmente a beleza das imagens. Para esse tipo de audiências este filme funcionará perfeitamente, porque está construído de situações/enredos/personagens já vistos. Nada do que temos aqui é pouco usual, traficantes de droga, dinheiro, xerife, e a fronteira dos EUA com o México. Ah, e o psicopata. Com estas afirmações, não me estou a retirar da audiência média. Mas procuro os meus caminhos para tentar compreender o que poderá estar por trás do que vi. Neste caso, não acredito que os Coens simplesmente fossem com a corrente, e fizessem tudo o que seria esperado de outros realizadores apenas competentes. Mas de facto, aparentemente eles fazem isso… suponho que foi propositado. [...] 7Olhares - no country for old men (2007)
  8. Vi este anúncio outro dia e achei uma coisa fantástica. Talvez já o conheçam, de qualquer forma cá vai: [ame="http://www.youtube.com/watch?v=xmbM8XGMZxI&feature=related"]YouTube - Comercial Hitler da Folha de Sao Paulo[/ame]
  9. “Breaking and Entering” (2006) visual, mas pouco vigoroso Interessa-me muito o trabalho de Minghella. Há uma poesia visual transversal a todos os seus filmes, bons ou maus que, apesar claramente enraizados em referências específicas, são bastante pessoais e honestos. Muitas vezes tenho a impressão que ao longo de todo o filme ele está apenas a mostrar uma única imagem, que é distorcida, desvanecida, ligeiramente mudada. Assim ele é coerente no seu próprio mundo. Ele é abstracto na forma como cria sensações e sentimentos que podem não estar directamente relacionados com a história ou os personagens do filme. E tem um elemento que sempre joga em concordância com o que ele pretende: a música de Gabriel Yared. Quando (se) eu comentar no Paciente Inglês, todas estas observações serão mais significativas e farão mais sentido (apesar de eu sentir aí a necessidade de explorar estas ligações com mais intensidade). Mas, em geral, estas são as características que prepassam os filmes de Minghella. Este não é excepção. Ele escolhe uma localização, facilmente identificável (Londres), e coloca aí a sua narrativa visual poética. Ele constrói a sua própria cidade dentro da localização real. Não admira que o protagonista seja um arquitecto. Apesar de tudo, o filme tem pouco que ver com arquitectura. O que se passa aqui é que há cineastas que operam (independentemente do que façam) sobretudo num mundo espacial (Welles, Antonioni, Tarkovsky, dePalma…) e outros enraizados em imagem [...] 7Olhares - Breaking and Entering
  10. “Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street” (2007) (demasiado) clássico Este filme está feito a partir de uma linha clara, que é pervertida e torcida de acordo com a visão própria de Burton montar as coisas. Temos a música como “números” no tipo de construção que os musicais americanos clássicos usavam, e que era já usada na ópera italiana (sobretudo bel canto). Esta estrutura usa canções onde a ópera usava as árias (momentos de reflexão), e os diálogos onde a ópera colocava o recitativo (desenvolvimento de acção). Burton não tenta nem por um momento mudar isto. Tudo bem para mim. Apesar do género musical ter ganho algum interesse renovado nos últimos anos (Moulin Rouge destaca-se aqui), creio que é aceitável recuperar a forma clássica. Sobre essa estrutura bastante dsenvolvida (e reconhecível), Burton coloca a sua visão pessoal. As suas preocupações têm muito que ver com imagem, o poder de uma visão, um ambiente, e também têm algo que ver com espaço. Quando ele é capaz de concretizar essa visão com força (Batman, Ed Wood, Edward…) ele permite-nos uma experiência profunda, visual, e duradoura. Batman foi especialmente bem feito, porque é profundo espacialmente, para além de visualmente. Este filme é trabalho menor, no grande quadro dos filmes de Burton [...] 7Olhares - Sweeney Todd
  11. “D-Tox” (2002) Como evitar ser um bom filme Quando chego a coisas como isto, tento não me fixar nas coisas óbvias que são más, ou que simplesmente não estão e deviam estar. Tento antes compreender as coisas que podiam ter sido boas, mas simplesmente falharam, por incompetência, pressões comerciais (seja isso o que for) ou pura inabilidade para ver as possibilidades. Aqui, esse potencial não usado é bastante claro para mim. Temos um personagem principal que é, até um certo ponto, louco. Ele é colocado junto com outros personagens, num espaço fechado, algures no meio de um clima frio adverso. Esses personagens são todos tão loucos como o principal, e todos parecem esconder algo. É isso. Isto podia ter sido explorado de forma visual. Temos uma pista fantástica que indica pensamento visual: [...] 7Olhares - D-Tox
  12. “Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón” (1980) no princípio… Suspeitava que iria ver algo assim antes de o ver. Estava interessado em compreender as raízes de Almodóvar como realizador, como ele começou a desenvolver o seu tipo de narração visual, que é tão único hoje. Ao mesmo tempo, queria compreender e sentir a pulsação do espírito underground de Madrid naqueles dias. Estas questões são pessoais para mim. Quero compreender como se pode utilizar uma força jovem (e inexperiente) disponível e talentosa e dar uma expressão fiel de um certo momento no espaço e no tempo. Também queria (e ainda quero) chegar aos “primeiros trabalhos” de realizadores que admiro, para assim compreender como eles usaram as suas limitações técnicas e orçamentais para perseguir as suas ideias. Este não é o primeiro filme de Almodóvar, mas é o mais antigo a que podemos ter acesso no mercado legal (e suponho que também no ilegal…). Creio que o filme falha. Não por ser tecnicamente e formalmente (muito) imperfeito. Na verdade até gostei de ver todas as falhas a passar em frente dos meus olhos, creio que por vezes um projecto pode funcionar melhor se o amadorismo/inexperiência por trás se mostrar. Este é o caso. De qualquer forma, para mim o filme falha porque aqui Almodóvar ainda não é capaz de transformar as suas vulgares histórias de novelas em algo inteligente de um ponto de vista da narrativa visual. A história aqui não é mais ou menos pobre que em muitos dos sucessos de Almodóvar. [...] 7Olhares
  13. “Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón” (1980) no princípio… Suspeitava que iria ver algo assim antes de o ver. Estava interessado em compreender as raízes de Almodóvar como realizador, como ele começou a desenvolver o seu tipo de narração visual, que é tão único hoje. Ao mesmo tempo, queria compreender e sentir a pulsação do espírito underground de Madrid naqueles dias. Estas questões são pessoais para mim. Quero compreender como se pode utilizar uma força jovem (e inexperiente) disponível e talentosa e dar uma expressão fiel de um certo momento no espaço e no tempo. Também queria (e ainda quero) chegar aos “primeiros trabalhos” de realizadores que admiro, para assim compreender como eles usaram as suas limitações técnicas e orçamentais para perseguir as suas ideias. Este não é o primeiro filme de Almodóvar, mas é o mais antigo a que podemos ter acesso no mercado legal (e suponho que também no ilegal…). Creio que o filme falha. Não por ser tecnicamente e formalmente (muito) imperfeito. Na verdade até gostei de ver todas as falhas a passar em frente dos meus olhos, creio que por vezes um projecto pode funcionar melhor se o amadorismo/inexperiência por trás se mostrar. Este é o caso. De qualquer forma, para mim o filme falha porque aqui Almodóvar ainda não é capaz de transformar as suas vulgares histórias de novelas em algo inteligente de um ponto de vista da narrativa visual. A história aqui não é mais ou menos pobre que em muitos dos sucessos de Almodóvar. [...] 7Olhares
  14. “Byt” (1968) Cinema codificado Este foi o meu primeiro contacto com Svankmajer. E que impressão forte tive! Ele está ‘rotulado’ com o movimento surrealista, e é frequentemente colado aos outros nomes do surrealismo em cinema. Por este filme sozinho, não verifico nada que possa ser chamado surrealismo, excepto por algumas escolhas estéticas, e alguma física do mundo do filme. Isto porque o surrealismo sempre teve que ver com a procura de transmitir através da arte estados de (in)consciência que estão para além da auto-consciência. Exemplo maior, os sonhos. Coisas que não podemos controlar, que não são materiais, não podemos tocar, que acontecem em tempo indeterminado (em forma e duração). Nada disso está aqui. Isto tem, claro, um discurso político velado nas entrelinhas. [...] 7Olhares - Byt (1968)
  15. “Byt” (1968) Cinema codificado Este foi o meu primeiro contacto com Svankmajer. E que impressão forte tive! Ele está ‘rotulado’ com o movimento surrealista, e é frequentemente colado aos outros nomes do surrealismo em cinema. Por este filme sozinho, não verifico nada que possa ser chamado surrealismo, excepto por algumas escolhas estéticas, e alguma física do mundo do filme. Isto porque o surrealismo sempre teve que ver com a procura de transmitir através da arte estados de (in)consciência que estão para além da auto-consciência. Exemplo maior, os sonhos. Coisas que não podemos controlar, que não são materiais, não podemos tocar, que acontecem em tempo indeterminado (em forma e duração). Nada disso está aqui. Isto tem, claro, um discurso político velado nas entrelinhas. [...] 7Olhares - Byt (1968)
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