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Leça da Palmeira | Casa de Chá da Boa Nova | Álvaro Siza Vieira

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Casa de Chá da Boa Nova

arquitectura: Álvaro Siza Vieira
localização: Leça da Palmeira, Matosinhos
início do projecto: 1958
construção: 1963






planta

A Casa de Chá da Boa Nova é um dos primeiros projectos de Siza Vieira.

Um promontório rochoso marca a costa de Leça da Palmeira, um limite natural para o areal que se estende para sul. Neste local, a areia é substituída por grandes pedras que se amontoam e rodeiam o conjunto formado pela casa de chá e pela capela da Boa Nova.

O trabalho foi-lhe entregue pelo seu mentor e na altura patrão, Fernando Távora, depois de este ter vencido um concurso promovido pela edilidade de Matosinhos.

O edifício pertence verdadeiramente ao local, como se estivesse ali desde sempre e nos fosse impossível imaginar o espaço sem ele. Certamente que Siza Vieira terá passado ali muitas horas a desenhar a formação rochosa, o mar, a variação das marés, o tempo, a relação com a avenida e com a cidade, a imaginar e a criar um objecto que faz parte da paisagem.

Acede-se à casa pelo parque de estacionamento, através de um conjunto de muros, escadarias e plataformas que vão escondendo e revelando parcelas da paisagem. O acto de entrar é marcado pela baixa cobertura, e o percurso termina com o olhar a dirigir-se instintivamente para os vãos que finalmente revelam o esplendor do horizonte atlântico.

“Esta obra constitui um dado qualitativamente novo, quer na obra de Álvaro Siza quer na arquitectura portuguesa, em boa parte pela forma como ela correspondeu às expectativas de uma geração de arquitectos e de críticos. O projecto iniciou-se em 1956, ao vencer um concurso, a que concorreu uma equipa de colaboradores do gabinete de Fernando Távora e Francisco Figueiredo. Foi desenvolvido inicialmente por uma equipa de cinco pessoas sob a supervisão de Fernando Távora. Álvaro Siza no início de 1958, desenvolve a versão final do projecto, passando a ser responsável pelo mesmo (...) A presença maciça e pesada da paisagem, de elementos naturais e de uma capela, traduz-se em dois aspectos da obra. O percurso de acesso é disciplinado por muros e degraus, onde é retirada ao visitante a percepção plena da paisagem. A construção é vista a partir de um nível mais baixo com os telhados a dissolverem-se com o terreno, com as paredes brancas opacas. Depois do acesso, feito sob um alpendre baixo acentuando o acto de entrada num mundo interior quase sagrado, só então se revela a presença magnífica da paisagem. (...) Do ponto de vista compositivo, a relação com a paisagem e a topografia é obsessiva, numa minúcia que tenta deixar imaculadas as rochas, com a construção a contorcer-se, distender-se no sítio.”

(Rogério Vieira de Almeida, “Casa de Chá da Boa Nova”, in Arquitectura Portuguesa do século XX, Lisboa, CCB, 1997, p.238)



“A Casa de Chá de Boa Nova foi projectada e construída num importante período de transição da arquitectura portuguesa. Fernando Távora projectara o Mercado da Feira quatro anos antes e a Casa de Ofir em 1956; estava-se já na conjuntura do Inquérito de Arquitectura Regional e, portanto, em ambiente de referência vernacular, busca de enraizamento, crítica prática ao “estilo internacional”. Numa cultura arquitectónica muito voltada para a Itália e para a arquitectura popular portuguesa, a Casa de Chá aparece como uma obra insólita.
De fato, resultou de um projecto que, até no percurso arquitectónico do próprio Álvaro Siza, ocupa uma posição isolada.”

(Casa de Chá da Boa Nova / Boa Nova Tea House, Editorial Blau, Portugal, 1992. Edição bilíngue port/ing)

Junto à Capela da Boa Nova, uma peça da arquitectura do século XX. É a Casa de Chá da Boa Nova (1958 a 1963), projecto do arquitecto matosinhense Álvaro Siza. Prova de como é possível construir o novo sem descaracterizar os lugares e a sua identidade. Foi mandada construir pelo Presidente da Câmara Eng. Fernando Pinto de Oliveira. Em 1991, a Casa de Chá, teve a intervenção deste arquitecto não só na arquitectura, como na criação do mobiliário e decoração adequada, que até hoje permanece.

Neste espaço, sobre rochedos e bem perto do mar, umas vezes mais calmo outras mais bravo, encontra-se uma tranquilidade e uma beleza incondicional que não deve deixar de ser visitado em Leça da Palmeira.


Link:
http://www.leca-palmeira.com/historia_monografia/casacha.htm

Galeria Danda:
http://www.danda.be/gallery/boa_nova_tea_house/

GoogleEarth:

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Acrescento, após 45 anos com uma intervenção do Siza pelo meio em 1991. Confesso que desconheço o que levou a degradação que motivou essa recuperação. Li algures que terá sido um dia mais tempestuoso no mar, com a água das ondas a entrar pelo edifício, danificando tudo o que estava no interior, mas não sei até que ponto será verídico.

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Sim... Dreamer... não a dizer que seja algo negativo. Antes pelo o contrario.

Só fiz aquele comentário, no sentido que acaba por ser uma obra pouco observada por um simples passante pelo o local.

Mas, acho que esse tipo de construções, que se interligam com a natureza, bastante boas (quando estão bem feitas, como é o caso). Alias, mas obras deviam estar interligadas com a natureza.

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Só fiz aquele comentário, no sentido que acaba por ser uma obra pouco observada por um simples passante pelo o local.



Sinceramente eu não acho que isso seja uma coisa má! E nem creio que tenha sido feita com esse intuito, daí que a interacção que faz com a envolvente seja fantástica.

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