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Arquitectura.pt


ruimsr

Globalização e Espaços Publicos

Acha o tema interessante e num nivel de ser debatido?  

11 members have voted

  1. 1. Acha o tema interessante e num nivel de ser debatido?

    • Sim
      10
    • Não
      0
    • Necessita de alguns ajustes
      1


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GLOBALIZAÇÃO...

Todos os dias somos bombardeados com noticias de um banco que fechou nos EUA, de uma empresa que comprou outra, dos preços do gasóleo, dos alimentos... "O Mundo não é plano."

A vida quotidiana é feita destas palpitações destes movimentos e destes acontecimentos que se cruzam e se relacionam. Mas qual será a sua influencia nos espaços públicos? De que modo estes fluxos afectam os espaços públicos? Os espaços tornam-se cada vez mais espaços de passagem, ao invés de serem espaços de concentração, poderão estar a tornar-se em espaços efémeros?

Estas serão as minhas grandes interrogações nos próximos tempos, pois faz parte do meu tema para a dissertação, e portanto gostaria de pensar convosco neles, pois penso ser um tema fascinante, e todos os dias sem sabermos somos afectados por ela, a globalização, vamos la pensar...:)


RRodrigues



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o que eu acho sobre isto é de outra natureza, e centra-se na realidade portuguesa, a que eu conheço bem

o povo português não usa os espaços públicos entendidos pelos arquitectos, usa os espaços públicos do seu próprio conceito

damos-lhe uma praça com cafés e lojas e bancos, eles vão ao shopping
damos-lhe um parque da cidade verde, com árvores, ele constrói uma moradia nos subúrbios com um pequeno espaço verde individual
damos-lhe um museu, ele fica a ver televisão porque é a borla
damos-lhe um museu grátis aos domingos, ele faz um churrasco no quintal e já não pode ir
damos-lhe uma rua de galerias a borla, ele fica na mesma na televisão porque é mais cómodo
damos-lhe uma rua pedonal para poder usar melhor o conceito de ir as compras, ele diz que está frio (ou calor) e vai ao shopping
damos-lhe o metro, ele vem de carro e paga parque
damos-lhe concertos e cinema na rua, ele compra um leitor de dvd´s
.....and so on

isto é culpa mentalidade comodista e individualista fomentada claro pela economia livre de mercado que inventa cada vez mais maneiras dum tipo não ter de se mexer para chegar a algo, não ter se pensar ou de sentir ou de se desenrascar, claro que é culpa da economia,
não sou comunista nem fascista, sou idealista acho que o estado tem de ter mão na evolução da sociedade, tem de a controlar e não deixar o mundo descambar para o comodismo não civico e individualista em que já vivemos.
sou a favor de um estado interventivo baseado na ideia e não na economia, um estado capaz de fomentar um desenvolvimento positivo e não deixar o desenvolvimento do mundo nas mãos da economia que não visa a qualidade mas a quantidade.

uma nota sobre os "espaços de passagem"
por espaço de passagem entendemos hoje em dia tudo aquilo que está entre uma casa totalmente equipada com tecnologia suficiente para um tipo não ter de se mexer e ar condicionado, e outros dois espaços de trabalho e lazer igualmente climatizados e de funções concentradas...o espaço de passagem torna-se assim em tudo aquilo que está entre estes dois ou três pontos e é normalmente percorrido de automóvel, igualmente climatizado, quase tão bem equipado de tecnologia como a casa ou o trabalho, ou o lazer(shopping)...

é este futuro que queremos...a vida no wall e?

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Sim, concordo contigo quando dizes que a culpa está na sociedade, porque é incrível como muitas pessoas se identificam apenas com não-lugares, entendidos como espaços sem identidade nem memorias, são espaços de mais fácil apreensão, feitos para um processamento rápido e eficaz. Contudo a classe de arquitectos não se pode descartar desta responsabilidade de trazer as pessoas para os verdadeiros espaços públicos, é certo que quem tem maior força são os políticos, mas nos temos o papel e a caneta na mão para redesenhar os espaços e torna-los espaços identificáveis e espaços de lugar. A sociedade de informação controlada pelo consumo leva ás pessoas a focarem-se em espaços sem interesse. Por isso como poderemos nos tornar um espaço de memoria num espaço que aguente todos os fluxos de vivências desta nova Era. Conheces algum espaço em Portugal onde penses que este esforço, foi ou está a ser feito?

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ruimsr

aqui no porto o que acontece ás praças, todas, é o seguinte:
ninguém usa os bancos, a relva, ninguém vê os canteiros, ninguém permanece...então aplaina-se, uniformiza-se os materiais e prepara-se para grandes eventos colectivos.
só, em praticamente todas as praças
por exemplo na batalha, à ainda um grande grupo de bancos, eu considero-a uma grande zona de estar, se fosse bem aproveitada...acontece, que a vivência dessa praça é usada quase por exclusividade por sem abrigos, drogados e imigrantes, claro com outra cultura de espaço público e de convivência, marroquinos, paquistaneses...que em redor têm os seus pequenos comércios.
essa praça a que me refiro tem desenho recente da Porto 2001, um bom desenho de chão, de bancos, tem uma fonte, é ladeada pelo Teatro S.João e pelo Cinema Batalha que tem um café porreiro, há restaurantes e cafés...e a praça, continua vazia de portugueses, nem no início e fim de espectáculos há permanência nas normais conversas antes e após o pessoal ter visto uma peça de teatro ou um concerto
porquê? não sei...tem tudo para dar certo....em Paris ou Roma estaria repleta de gente, em Portugal não...

no caso oposto
No Porto frequento regularmente a rua das galerias de Paris. 4 novos cafés instalaram-se numa rua. os cafés são pequenos, principalmente para grandes grupos e o pessoal, finamente, instala-se na rua com um copo na mão à conversa e a ouvir a música que vem de dentro dos bares.
porque conheço, nem que seja de vista o pessoal que por ali para posso-te dizer que a quase totalidade são artistas, arquitectos, designers...
identificam-se com a arquitectura da rua, com a sua história, o factor patrimonial, centro histórico,a qualidade do desenho do chão (Porto 2001), a musica, o bom design dos estabelecimentos, as acessibilidades....
outros utentes esporádicos que não pertencem a estas áreas queixam-se da qualidade musical, preferindo uma coisa mais comercial, da escuridão (os edifícios são em granito, escuros) não dando valor nenhum ao sítio onde se encontram...

resumindo, porque já me alonguei demais,
creio que um dos principais factores é que não existe neste país um a fomentação de coisas como cultura, património, qualidade, civismo, urbanismo, consciência social...
ninguem "ensina" isto em lado nenhum: o estado não ensina nas escolas, a sociedade civil não ensina nos media, a economia puxa as mentes menos consciencializadas à qualidade para acederem à novidade sem memória, o diferente pelo diferente e mais cómodo.

não vai haver mais ruas galerias de Paris no Porto porque não há mais do que aquela quantidade de pessoas a querer usar aquele tipo de espaços.
é necessário "criar" este tipo de pessoas

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Percebo a tua indiguenação, mas penso que nao podemos moldar as pessoas para mudarem, isso é utopico, será mais fácil adaptar e intrepertar os espaços tal como os conhecemos para espaços que se tornem aprazíveis de ser vividos, os portugueses não sabem viver os espaços públicos, é verdade, mas então que espaços eles vivem? é típico o tuga ir aos domingos á tarde para o shoping em vez de manha aproveitarem como tu dizes para irem a um bom museu, visto serem de graça, o mais engraçado é que muitos nem sabem que os museus aos domingos de manha são de entrada livre. Eu sou de Braga, e por cá penso que o centro vive-se e é vivido, já ouvi em varios debates como sendo um bom exemplo, Braga, Guimaraes, ..., ao contraio do Porto, que é uma cidade em que á noite se desliga. Penso que quando uma cidade consegue controlar desde cedo esta situação é benéfico, ao contrario do porto e lisboa, que agora os problemas são maiores. São cidades fortemente globalizadas em que as pessoas não têm tempo para grandes passeios, por vezes vão ao shoping para jantar e aproveitam e fazem todas as suas compras e satisfazem as suas necessidades, os shopings são modelos pensados para isso, responder a este nível fernético. Daqui passo para uma nova atitude das cidades em resposta este ritmo, As "Cidades Digitais", o nome é bonito e apelativo, mas por vezes os politicos, mais não fazem que instalar net wireless pelas praças e jardins para "ingles ver", pode ser um inicio, mas pouca gente usufrui desse serviço, por isso penso que é necessario criar atitudes e ai sim moldar e criar modos de vida e ritmos diários que levem as pessoas a frequentar um certo espaço, como as cidades Multi-on e em rede (mais tarde poderei falar melhor destes modelos de cidade). Estes problemas nao são apenas para ser pensados por urbanistas, sociologos, politicos e economistas, nós como profissionais aptos para pensar nos espaços publicos temos que dar resposta a esta realidade.

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100% de acordo com o Kwhil:o Parece que já nos conhecemos à muito tempo e defendámos as mesmas ideias...:) Não, em Braga não existe verdadeiramente espaço nenhum que se viva, tal como o Kwhil defendeu, como já se viveu hà uns 10-15 anos atrás!!! Eu também sou de Braga!!! Existem uns espaços (denominados xic's ou in) mas tirando a "velha a branca" , a cidade já foi melhor e agora existe o medo de ser assaltado seja de noite ou de dia, os nossos amigos querem ir ao centro comercial porque lá tem muitas gajas... ou então existem aqueles comodistas que estão preocupados em poder estaragar as solas dos sapatos por caminhar um pouco pela cidade (centro)... Eu continuo a dizer que as pessoas e mais a nova geração está tão comodista que nos põe doentes só em tentar perceber...!

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