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Lisboa | Edifício no Largo do Rato | Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus

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Guest Ruce

se a base da primeira escolha foi concurso publico, porque é que a atribuição da segunda é feita a seu belo prazer da OA? tenho vergonha de me tar a formar para uma ordem destas...mas como o kwhyl diz : "amanha vou pensar diferente"

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A Secção Sul da Ordem dos Arquitectos considera o chumbo camarário do licenciamento do projecto no Largo do Rato de Valsassina e Aires Mateus «sem fundamento nem enquadramento legal» e vai promover a sua apresentação pública em Setembro.

«Consideramos que este é o momento oportuno para os arquitectos Valsassina e Aires Mateus poderem explicar o seu projecto, o que ainda não tiveram oportunidade de fazer», disse à agência Lusa Leonor Cintra Gomes, presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos (OA).
A responsável explicou que os promotores «ainda podem contrapor os argumentos da Câmara de Lisboa», que indeferiu o projecto em finais de Julho com os votos da oposição e do Bloco de Esquerda, podendo a construção do edifício de habitação e comércio no Largo do Rato ser reapreciada pela autarquia lisboeta.

Em comunicado, a Secção Regional Sul da OA sublinha que a proposta de indeferimento da emissão de licença de construção do edifício «não tem fundamento nem enquadramento legal», uma vez que «as questões que se prendem com a estética ou inserção urbana estavam já aprovadas».
Além disso, acrescenta, constitui «um caso de discricionariedade extemporânea» e «lesa a confiança dos cidadãos nos actos da administração pública» e no trabalho de um conjunto alargado de técnicos que avaliou o projecto. «A aprovação do projecto de arquitectura é constitutiva de direitos para o requerente, pelo que a proposta de indeferimento, nesta fase, prejudica a confiança dos cidadãos nos actos da administração pública», detalha o documento, sublinhando que o projecto de especialidades apresentado não foi objecto de qualquer parecer negativo e respeita as normas regulamentares, os preceitos legais e as orientações municipais aplicáveis.

Por isso, a Secção Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos considera «essencial a participação dos cidadãos, de forma informada, na construção da cidade e do território que habitam» e vai promover uma nova apresentação pública (o edifício em causa foi apresentado na Trienal de Arquitectura de Lisboa em 2007) do projecto pelos seus autores, na sede da Ordem dos Arquitectos, a 09 de Setembro pelas 21h00.

A Câmara Municipal de Lisboa indeferiu a 30 de Julho deste ano a proposta de emissão de licença de construção do edifício a implantar no Largo do Rato, apesar de o projecto de arquitectura ter sido aprovado por despacho, em Julho de 2005, pela então vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão (PSD), durante a presidência de Pedro Santana Lopes.

Votaram contra o pedido de licenciamento da obra situada no gaveto formado pela Rua do Salitre, Rua Alexandre Herculano e Largo do Rato, os vereadores do movimento Lisboa com Carmona, PSD, Cidadãos por Lisboa, PCP e Bloco de Esquerda. Os seis vereadores do PS votaram a favor do pedido de licenciamento.

O projecto foi contestado pelo movimento cívico Fórum Cidadania Lisboa pela volumetria do edifício, que consideravam «rebentar totalmente com a escala do Largo», descaracterizando definitivamente aquela zona lisboeta.

Lusa/SOL

in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=105735

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uma rica duma trapalhada ao bom estilo português... "politiquices" - a grande praga que assola o território português onde o mais difícil é perceber o que querem realmente certos senhores, se é progresso ou auto promoção.

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O meteorito do Rato

Published Wednesday, July 30, 2008. 7 messages.

English text is not available for this post.

A imagem tradicional do arquitecto radical é a de um jovem zangado rebeliando-se contra o sistema. A avant-garde define-se mais por aquilo que é contra do que pelo que é a favor. Isto conduz a uma sucessão de contradições edipianas em que cada geração diz o oposto daquela que a antecedeu. E se a tua agenda está dependente de ser o adverso de outra pessoa, então não és mais que um seguidor – ao contrário. (…)
[Bjarke Ingels (BIG), Manifesto #30 via Iconeye]

Confesso. Eu comprei a tese do Bjarke Ingels na primeira vez que a ouvi. Como “ser contra” pode ser um padrão cultural adquirido. Como o radicalismo pode não passar de uma forma de seguidismo intelectual. Nada mais, de facto, do que a expressão dissimulada do conservadorismo contra aquilo que é realmente desafiador.
Quanto mais penso nisso mais lhe reconheço razão. Que toda a estrutura do nosso pensamento intelectual parece estar construída sobre “ser contra” qualquer coisa. Ser radical vende; como se irreverência fosse equivalente a presunção de má fé para com tudo o que nos rodeia.

De vez em quando dou por mim a defender o projecto que todos odeiam. É uma patologia minha, reconheço. Mas não gosto de grandes certezas óbvias. Prefiro as minhas dúvidas.
Por várias razões – porque não faço deste espaço o repositório de prelecções assassinas, de peticionarismos, de bota-abaixo, de clamores contra tudo o que nos cerca porque todos sem excepção são “corruptos e vendidos e tristes” – vou merecendo epítetos de vendido ao sistema. O sistema, verifico-o muitas vezes, são pessoas que trabalham sete dias por semana com dedicação e pesadas contrapartidas pessoais. Mas eu, ao que parece, porque me movo mais pelo que dou valor do que por aquilo a que não reconheço mérito, vendi-me a “eles”.
Segundo esta blogosfera sou também um monstro censurador. Pela simples razão de achar que uma caixa de comentários não é um convite para a inanidade mental. Por considerar que a argumentação crítica não é incompatível com um mínimo de civilidade. Que a convicção de superioridade de argumento não legitima que se presuma do lado oposto a nulidade intelectual ou mesmo moral.

Se escrevo algumas linhas a propósito do projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, é motivado mais pela recusa de adesão ao panfletarismo do que pela aclamação daquele objecto. E, no entanto, aquele objecto devia, no mínimo, intrigar-nos. Acusam-no de ser a edificação pura dos mais elevados índices de construção. Talvez. Mas isso é o que resulta de grande parte das comissões de arquitectura – por cá, tanto de arquitectos como por não arquitectos. Em projectos irrelevantes, não-arquitecturas, modernidades de segunda ou pastiches fantasiados de “tipologia envolvente”, que a poucos desperta pulsões peticionárias.
Então: porquê este? O que é que incomoda ali, realmente?
O “sítio”! Sem dúvida. Não tanto a verdade do sítio – um quarteirão de remate indefinido, uma sequência de empenas acotoveladas, uma ausência de leitura de frente urbana. Mas uma ideia de sítio – a Lisboa histórica – e a preconceitualização do que nela pode ou não suceder.
A proposta de Valsassina e Aires Mateus pressupõe a volumetrização dura daquele fecho de quarteirão. O alinhamento de fachada mantém-se e sobre ele se define uma escavação que abre o térreo à rua. E assim resulta a ascensão daquela massa pesada – o edifício que se eleva para receber a frente pública – gesto praticamente imperceptível naquele infeliz “render” frontal.

Compreendo e aprecio aquela suspensão volumétrica, mais observável na vista da maquete e no corte longitudinal (ver abaixo). Mas tenho a minha distância para com a dureza impermeável daquela construção – não na sua materialização formal, bastante bela por sinal – mas no seu significado urbano. E aqui refiro-me a muita da arquitectura contemporânea que hoje incide exactamente nessa dimensão da densidade urbana – debruçando-se sobre o exercício de permeabilidades que abrem a possibilidade infinita de apropriação do lugar privado pelo público – tornando o sítio da arquitectura em parte do lugar da cidade. Exercícios – como muita da arquitectura contemporânea norte-Europeia, como Bjarke Ingels que acima referi, por exemplo – que são o oposto da urbanidade portuguesa estabelecida, de fronteiras duras entre o privado e o público.

E aqui estamos já a discutir algo que extravasa o projecto do Rato mas de que ele pode servir de ponto de partida, porque são as nossas tipologias urbanas depositárias de uma matriz cultural que promove a opacidade entre público e privado. E neste edifício talvez possamos começar por questionar isso mesmo; que é uma arquitectura pouco generosa. Mas que vem na matriz desse fazer cultural, do nosso erguer de muros entre o que é o meu espaço e o território de todos. Nesse sentido, nada ali é uma verdadeira ruptura. E assim, talvez encontremos alguma pertinência no que escreveu Ricardo Carvalho no Público. Que o que choca é o gosto: “aquilo é feio, uma monstruosidade, um mamarracho”! Ou seja, entramos no mínimo denominador comum de uma discussão de arquitectura.

O que nos deve intrigar ali, proponho eu, é uma tradução arquitectónica do jurídico e do económico, do fazer cidade através de objectos cuja textura deve ser eminentemente urbana. Que valores defende a arquitectura e o urbanismo inscritos em norma legal, em conceito económico, produto directo da nossa cultura, da nossa portugalidade. Que valores nos movem; como questionamos esta cisão entre os domínios público e privado que são expressão de uma carência do lugar da comunidade, enquanto conceito cultural que deveria estar na base de tudo o que é uma cidade, que é exactamente onde a comunidade devia acontecer.
E se quisermos de facto falar disto, então temos de defender o espaço público das ideias – seja nos blogs ou na arquitectura – não com peticionarismos, com reducionismos morais. Mas com a abertura bastante para compreendermos esta nossa natureza e o que nela queremos transformar. E dispormo-nos a ouvir, verdadeiramente, os outros.

in http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/

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Não subscrevo na íntegra o texto de Ricardo Carvalho, que a seguir transcrevo, apenas porque julgo que aos arquitectos cabe a obrigação de prestar contas do trabalho que fazem – um dever de accountability que, como referiu recentemente o Lutz Brückelmann, seria bom expandir-se também a outras áreas profissionais.
Dito isto, partilho da mesma inquietação perante um fenómeno de escândalo mediático, discutindo arquitectura com base em dois “renders”. Pior, quando a controvérsia é alimentada nos mesmos termos por colegas de profissão que exibem semelhante falta de conhecimento da matéria em causa. Eis a blogosfera e o culto do amador em todo o seu esplendor. Fazem-se teses comparativas com o «Franjinhas», depreciando um e reverenciando outro, esquecendo-se que o projecto de Teotónio Pereira foi à data merecedor de prelecções ainda mais ácidas - tão polémico, de facto, que o prémio Valmor não seria concedido durante os três anos seguintes à sua atribuição. A coisa, de resto, faz eco com a cultura dominante: que a arquitectura só parece ser notícia quando é tratada como se fosse um caso de polícia – veja-se, a título de exemplo, a polémica em torno do Mercado do Bolhão. Mas em Portugal parece ser mais fácil ficar-se famoso por se atar a uma árvore, do que por plantar mil.

Ironia ou uma petição que se enganou no objecto?
"Petição online - Largo do Rato - Crimes urbanísticos à solta em Portugal.” Aí está online uma petição contra a construção de um novo edifício de habitação entre a Sinagoga e o Largo do Rato em Lisboa. Sem conhecer o objecto de interesse destas pessoas, poderíamos pensar que se trata de um novo edifício de Seguros ou da Federação Portuguesa de Futebol, ou apenas de escritórios como esses que se constroem todos os anos e que são absorvidos pelo quotidiano sem direito a um qualquer blog. Porque é que este projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus teve honras de opinião de alguns vereadores e de centenas de bloggers?
Como arquitecto não posso deixar de pensar na possibilidade de os cidadãos participarem nos temas da sua cidade (bairro ou condomínio). Contudo, participar não pode significar manipular ou deixar-se manipular. Não será ingénuo supor que estamos todos preparados para discutir, para além do “gosto” ou “não gosto”, o conjunto de obras de arquitectura ou engenharia que todos os dias arrancam e que não são garante de uma transformação positiva? Não acontece, como todos sabemos. Não é possível nem desejável. É necessário delegar e responsabilizar quem tem essa tarefa.
E no Largo do Rato o que é que aconteceu? Um projecto aprovado pela Câmara Municipal que convoca outro tipo de relações urbanas que não habitualmente aquelas que (infelizmente) os lisboetas viram ser propostas por arquitectos e aprovadas pelos promotores. No projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus já não existe qualquer referência estilística ou forma reconhecível na tradição do pior pós-modernismo como acontece com os edifícios vizinhos. Por outro lado, não é anódino - essa não é uma qualidade em si, será apenas uma circunstância. A arquitectura não se discute aí. Discute-se nas qualidades de escala, tipológica e materiais, que em síntese produzem um significado cultural. Este significado será percebido nesta e numa geração futura como cultura mas também como “beleza”. A arquitectura é um conhecimento transmissível (que até é ensinado em algumas universidades) mas é cada vez mais difícil que possa acontecer e ser partilhado por todos. A ter que propor uma interpretação do projecto - e a sua defesa - diria que é um projecto que reequilibra o Largo do Rato que, como sabemos, já possui um magnífico edifício pétreo concluído em 1834 - a Mãe d’Água, da autoria do engenheiro-arquitecto pombalino Carlos Mardel. O projecto objecto da polémica possui essa mesma força compacta e trabalha com a densidade. A densidade é um dos temas da cidade histórica e, já o sabemos hoje, da cidade contemporânea. Mais do que protagonizar uma ruptura, o edifício permite uma leitura actual dessas permanências históricas. Essas permanências que vereadores e bloggers vêem ameaçadas e que no seu tempo de origem possuíam a mesma matriz e eventual radicalidade.
[Ricardo Carvalho, arquitecto, professor universitário e crítico de arquitectura do PÚBLICO]


in http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/

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Dito isto, partilho da mesma inquietação perante um fenómeno de escândalo mediático, discutindo arquitectura com base em dois “renders”. Pior, quando a controvérsia é alimentada nos mesmos termos por colegas de profissão que exibem semelhante falta de conhecimento da matéria em causa. Eis a blogosfera e o culto do amador em todo o seu esplendor. Fazem-se teses comparativas com o «Franjinhas»


Sublinho esta tua opinião, poi concordo muito com ela! Ainda ontem num jantar com um amigo, falavamos da falta de cultura em portugal... os portugueses são daqueles que cospem para o ar, pensando que o "cuspe" nunca mais vai descer! só assim... porque é mais facil. E o mais chato disto é que aqueles que têm capacidades para resolver os problemas sem os atirar pra outro "gajo" vão nesta cantiga e não o fazem. Sad...:)

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Sublinho esta tua opinião, poi concordo muito com ela! Ainda ontem num jantar com um amigo, falavamos da falta de cultura em portugal... os portugueses são daqueles que cospem para o ar, pensando que o "cuspe" nunca mais vai descer! só assim... porque é mais facil. E o mais chato disto é que aqueles que têm capacidades para resolver os problemas sem os atirar pra outro "gajo" vão nesta cantiga e não o fazem. Sad...:)


A opiniao eh deste senhor - http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/

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Notícia publicada na edição de hoje do Correio da Manhã:

Lisboa: Arquitectos apresentaram obra que chumbou na Câmara
Prédio polémico do Rato avança este ano


Alinha pela altura do edifício Ventura Terra, à esquerda, ergue-se em lioz para jogar com a pedra do chafariz do Palácio dos Duques de Palmela, à direita. O desenho é abstracto para baralhar o olho humano e esconder os sete pisos. A entrada levanta-se do chão, suspensa, para não chocar com a saída do metro.
Os arquitectos responsáveis pelo polémico edifício projectado para o Largo do Rato, em Lisboa, apresentaram publicamente o projecto que chumbou no licenciamento camarário e motivou um abaixo-assinado do movimento Fórum Cidadania LX.
Frederico Valsassina e Manuel Mateus sabem que é uma obra "perturbadora". Mas defendem que a ideia para preencher o gaveto entre a rua do Salitre e a Alexandre Herculano foi a de fazer a ponte entre os vários tempos e escalas dos prédios do Rato, acrescentando-lhe um legado do século XXI.
Numa apresentação promovida terça-feira à noite pela Ordem dos Arquitectos, perante uma plateia de arquitectos e moradores da cidade, a obra dividiu opiniões. "Um choque medonho", "corpo estranho", "monolítico" e "mentiroso até nos pisos" foram algumas.
Os arquitectos aceitaram todas as opiniões, menos uma: a da ilegalidade do edifício. O vereador do urbanismo, Manuel Salgado, atestou que, apesar do chumbo do licenciamento, tudo está dentro das regras. "Estou completamente seguro de que o projecto cumpre todos os regulamentos", disse, acrescentando que a questão voltará a ser debatida em reunião camarária dentro de poucas semanas. Desta vez, com um "maior esclarecimento" dos vereadores que votaram contra, como Helena Roseta.
A vereadora explicou que na base da sua decisão não estiveram razões estéticas, mas uma infracção a um regulamento sobre a altura e graus de inclinação do prédio, na fachada para a rua do Salitre. O arquitecto Frederico Valsassina respondeu que essa regra não se aplica em zonas históricas de habitação.

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Hoje em Sapo Local

"11 de Setembro de 2008


O projecto de um novo prédio na zona do Largo do Rato foi discutido numa Assembleia da secção Sul da Ordem dos Arquitectos e causou controvérsia. O «impacto excessivo» do edifício foi um dos pontos apontados como negativo enquanto que os defensores referiram a modernidade como valor a apoiar.

Numa sessão aberta a arquitectos e a cidadãos discutiu-se o projecto da autoria de Manuel Aires Mateus e Frederico Valsassina. Por um lado realçou-se a elevada volumetria do edifício em relação à area envolvente principalmente o impacto que o edifício poderá ter no Chafariz vizinho e nos Jardins da Procuradoria Geral da República. O recuo da fachada foi uma das sugestões apresentadas.

Imagem colocada

Por outro lado, os defensores do projecto, referem a sua modernidade. O Arquitecto Carrilho da Graça salienta as «linhas contidas e consistentes» e acrescenta «que vai dar relevo ao mau trato daquele pavimento e ao trânsito caótico». Um dos autores, Manuel Aires Mateus, ressalvou que o edifício que actualmente se encontra no local «não tem valor patrimonial».

Foi no ano de 2005, quando Santana Lopes ainda estava à frente da Câmara de Lisboa, que um despacho relativo ao projecto de arquitectura para o Largo do Rato foi aprovado. Recentemente, a 29 de Julho, em Reunião de Câmara o pedido de licenciamento para a sua construção foi rejeitado, apesar dos votos a favor dos vereadores do Partido Socialista.
Um inquérito executado pela autarquia socialista não encontrou nenhuma ilegalidade no plano para o edifício. António Costa, Presidente da Câmara Municipal, referiu, na altura, que os vereadores do Partido Socialista votaram a favor do pedido de licenciamento pois o executivo optou pela política de não inteferir com projectos provenientes de mandatos anteriores.

O projecto para o prédio a ser construído na esquina da Rua Alexandre Herculano com a Rua do Salitre contempla apartamentos T0 e T1, num edifício de 7 pisos acima do solo e 5 de estacionamento.

A polémica em redor deste projecto não é recente e já deu origem a uma petição apelidada de «Salvem o Largo do Rato», que conta com mais de 3000 assinaturas."



Frederico Batista



Fonte: Sapo Local

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Agora existe uma expressao no qual os arquitectos usam muito: - Liberdade de Concepcao O que interessa para alguns arquitectos eh que os politicos devem aceitar um projecto de arquitectura caso este estiver dentro dos regulamentos existentes. Se eh feio ou nao, nao interessa. O que interessa eh que o projecto esteja de acordo com os regulamentos existentes. Caso contrario os politicos estao a violar a liberdade de concepcao dos arquitectos.

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O que interessa eh que o projecto esteja de acordo com os regulamentos existentes. Caso contrario os politicos estao a violar a liberdade de concepcao dos arquitectos.

Não percebo, achas mal que não se metam em considerações estéticas e se limitem às questões regulamentares? Então deves viver numa realidade bastante diferente daquela com que me confronto diariamente: A esmagadora maioria dos políticos que conheço, se pudesse escolher, escolheria um país tipo "Portugal dos Pequenitos" para gente crescida, acreditando piamente que estava a prestar um óptimo serviço aos seus eleitores.
Mesmo alguns arquitectos fariam melhor se se limitassem a uma apreciação regulamentar do trabalho dos colegas (já vi muito parecer de colega do IPPAR - actual IGESPAR - a defender o pastiche mais grotesco como estratégia acertada de intervenção).
Claro que gostaria que muito do que se constrói por aí tivesse sido indeferido pelas respectivas Câmaras Municipais pura e simplesmente por falta de qualidade arquitectónica, nem me interessa se cumpre ou não os regulamentos. Mas quem e como é que se avaliaria a qualidade arquitectónica ou a falta dela?

Por isso, e voltando ao projecto para o Largo do Rato: Se cumpre todos os regulamentos e mais alguns, pois que se aprove e se construa! É o que supostamente se passa por todo o país todos os dias e não vejo blogs indignados nem manifestações populares de desagrado. Não me parece que o Largo do Rato seja merecedor de mais nem menos cuidados do que a Amadora, o Pinhal Novo ou Armação de Pêra.

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Não percebo, achas mal que não se metam em considerações estéticas e se limitem às questões regulamentares?


No momento em que nos limitamos a questões regulamentares deixamos de ser arquitectos e passamos a ser engenheiros. Quando os eng e os des deiuxarem de fazer arquitectura vao deixar um vazio.

Esse vazio vai ser substituido pelos arquitectos legisladores. Penso que sempre houve estes senhores. Antes existia um estilo universal. Os arquitectos respondiam ao programa e depois revestiam-no com uma "pele" estilistica. Foi assim com os neoclassicos, depois com os modernistas. Com o pos-modernismo acabou-se o estilo universal e cada um tem o seu estilo. Cada reveste da forma como quer. Os modernistas tem o seu estilo neomoderno, os comerciais tem uma mistura de modernismo com a arquitectura do vidro, os tradicionais tem o estilo do portugues suave etc.


Claro que gostaria que muito do que se constrói por aí tivesse sido indeferido pelas respectivas Câmaras Municipais pura e simplesmente por falta de qualidade arquitectónica, nem me interessa se cumpre ou não os regulamentos. Mas quem e como é que se avaliaria a qualidade arquitectónica ou a falta dela?


Pois aqui a solucao seria a regulamentacao da forma. A Beleza no tempo do Renascimento e do Neoclassicismo tinha canones. Canones que davam harmonia aos objectos arquitectos por mais entediantes que eles fossem.

Agora regulamentar a forma seria um regulamento considerado pela maioria dos arquitectos muito ostensivo que podia ser comparado ao Portugues Suave instaurado pelo Estado Novo.

Por isso, e voltando ao projecto para o Largo do Rato: Se cumpre todos os regulamentos e mais alguns, pois que se aprove e se construa! É o que supostamente se passa por todo o país todos os dias e não vejo blogs indignados nem manifestações populares de desagrado.


Seria mais um.

Não me parece que o Largo do Rato seja merecedor de mais nem menos cuidados do que a Amadora, o Pinhal Novo ou Armação de Pêra.


Penso que os suburbios ainda hao-de ser considerados Patrimonio Nacional tal como Alfama ou como o Bairro Alto. A marquise vai ser um elemento arquitectonico popular tal como o alpendre. Isto dentro de 100 a 200 anos.

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No momento em que nos limitamos a questões regulamentares deixamos de ser arquitectos e passamos a ser engenheiros. Quando os eng e os des deiuxarem de fazer arquitectura vao deixar um vazio.

Não me referia a nós (arquitectos) mas sim aos políticos, era deles que falavas e foi em relação a isso que disse o que disse - prefiro que eles se limitem aos regulamentos pois de arquitectura geralmente não percebem nada (eu também não me meto na política, disso supostamente percebem eles).
Quanto aos regulamentos, o Souto de Moura, que suponho ninguém duvida ser um excelente arquitecto, fundamenta muitas soluções de projecto fantásticas em exigências regulamentares. Os regulamentos não são uma parede contra a qual estamos condenados a bater com a cabeça, são só mais um desafio entre tantos outros (cliente, orçamento, clima, gravidade...) que temos de ultrapassar. A (boa) arquitectura nunca se esgotou aí nem nunca se irá esgotar. Acho é que muitas das opiniões que se emitem sobre outras questões mais subjectivas (como a estética) carecem geralmente de fundamento ou são prepotentes, por isso é melhor nem serem emitidas.

E essa de "passamos a ser engenheiros" nem percebo, então um mau arquitecto na tua opinião passa a ser um engenheiro ?!... Para mim um mau arquitecto é um mau arquitecto, ponto. Mal comparando, um mau automóvel não se converte numa scooter, quando muito dá para fazer um galinheiro...

Pois aqui a solucao seria a regulamentacao da forma.

Estou genuinamente interessado em saber o que mais tens a dizer sobre isto - o que é isso de regulamentação da forma? Voltarmos ao academismo?
O que pensas da Holanda, que é um país de referência no panorama arquitectónico mundial? Achas que isso é resultado de os arquitectos não terem liberdade de concepção, de haver regulamentação da forma, de ambas as coisas ou de outra coisa qualquer?

Já agora apenas mais uma coisa: sendo tu contra a liberdade de concepção devias considerar mudar de avatar.: "I claim for architects the rights and liberties that painters and poets have held for so long"?... :rolleyes:

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Nos Estados Unidos desde que se cumpram os regulamentos existe Liberdade de Concepção e os arquitectos são responsáveis pela obra de arquitectura! Não existe em alguns estados a figura do arquitecto camarário que licencia a obra de arquitectura, mas sim uma reunião com o arquitecto(s) autor e responsáveis políticos, urbanistas, ambientalistas e arquitectos quando tal se justifique (por exemplo grandes obras), por que nos outros casos ninguém tem o direito de definir o “gosto”, desde que cumpra os regulamentos vigentes é sempre deferido com as implicações positivas ou negativas. Mas o bom de tudo isto é que o arquitecto é sempre responsável assim como as empresas de construção que não necessitam de construir com projecto feito por um arquitecto!
Vale tudo na terra do Bush desde que a lei seja respeitada!

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Quanto aos regulamentos, o Souto de Moura, que suponho ninguém duvida ser um excelente arquitecto, fundamenta muitas soluções de projecto fantásticas em exigências regulamentares. Os regulamentos não são uma parede contra a qual estamos condenados a bater com a cabeça, são só mais um desafio entre tantos outros (cliente, orçamento, clima, gravidade...) que temos de ultrapassar. A (boa) arquitectura nunca se esgotou aí nem nunca se irá esgotar. Acho é que muitas das opiniões que se emitem sobre outras questões mais subjectivas (como a estética) carecem geralmente de fundamento ou são prepotentes, por isso é melhor nem serem emitidas.


Concordo.

E essa de "passamos a ser engenheiros" nem percebo, então um mau arquitecto na tua opinião passa a ser um engenheiro ?!... Para mim um mau arquitecto é um mau arquitecto, ponto. Mal comparando, um mau automóvel não se converte numa scooter, quando muito dá para fazer um galinheiro...


Um arquitecto que siga os regulamentos tambem eh um bom arquitecto. Ninguem estah a afirmar que um arquitecto que siga os regulamentos eh mau. Hoje em dia um arquitecto deve resolver o programa de acordo com os regulamentos. Se o fizer serah um bom arquitecto. Se o fizer originando excelentes solucoes passa a ser um excelente arquitecto.

Penso que nao entendeste nada do que eu escrevi. E nem vais entender. Eh como uma galinha que estah todo o dia a comer e a colocar ovos. Um dia chega uma galinha do campo e diz ah galinha do aviario que os ovos dao pintainhos. A outra certamente pensa que aquilo era caca.

O que estah em questao eh a forma exterior. Eh um assunto estetico. A Estetica eh uma area no qual pouco se ensinou na Faculdade. O que eh a Beleza? Eh objectiva ou subjectiva?

Hoje em dia um bom arquitecto nao precsa de se preocupar com a Beleza isto porque vivemos o tempo a seguir ao das Vanguardas. Quem nao leu os futuristas que afirmavam que um Automovel era mais belo que a Venus de Mileto. Ou Le Corbusier que afirmava que a Casa era uma maquina de habitar?

Hoje em dia somos todos modernistas. Somos todos discipulos de discipulos de modernistas. Tal como os catolicos sao discipulos dos discipulos dos discipulos de Cristo. Hoje seria impensavel termos varios deuses.

Hoje eh impensavel um arquitecto julgar outro arquitecto pela beleza da obra dele. Quem os faz sao as pessoas vistas pelos arquitectos como ignorantes. Hoje julgamos os arquitectos pela forma como resolve determinados problemas.

E agora eu coloco a questao. No momento em que o arquitecto se justifica com leis e com programas nao estarah o arquitecto a prescindir a importancia da beleza na arquitectura?

Nao estarah o arquitecto a tornar-se um desenhador? E nao estou a referir aos Soutos de Moura. Meu caro Void... existem mais arquitectos alem do Siza, do ESM, do Tavora, do Tainha, do Carrilho da Graca, do Aires Mateus e dos Promontorio. Existem os arquitectos das Estacoes da Galp, existem os arquitectos do Hotel Ibis, das Estacoes de Servico da Galp, ...


- o que é isso de regulamentação da forma? Voltarmos ao academismo?
O que pensas da Holanda, que é um país de referência no panorama arquitectónico mundial? Achas que isso é resultado de os arquitectos não terem liberdade de concepção, de haver regulamentação da forma, de ambas as coisas ou de outra coisa qualquer?


Nao percebi esta parte. A Holanda tem uma regulamentacao da forma?


Já agora apenas mais uma coisa: sendo tu contra a liberdade de concepção devias considerar mudar de avatar.: "I claim for architects the rights and liberties that painters and poets have held for so long"?...


Liberdade a mais dah em asneira. Quando alguem clama por liberdade clama por poder fazer asneira.

Tal como o Pancho Guedes eu sou um Anarco Conservador. Sou conservador numas coisas e anarquista noutras. Sou conservador em relacao ah Liberdade de Concepcao. Quando alguem me fala em Liberdade referindo que os politicos devem estar preocupados com politica, que os medicos devem estar preocupados com a saude e que os arquitectos devem estar preocupados com edificios... fico preocupado.

Imagina que um medico refira que quer liberdade de tratamento. Refere que a melhor forma de tratar o paciente eh matando-o porque mais vale ele estar morto. E mata-o.

Agora imagine todos os arquitectos decidam fazer o que lhes apetece... nao precisa de imaginar... vah ao Parque das Nacoes. Tem a regulamentacao da forma porem os edificios sao todos diferentes... falam em formas gratuitas, falam em diversidade, falam em tudo e mais qualquer coisa.

Acredito que deve haver Liberdade porem contida.

E referiu ainda nos Suburbios?

Imagine que os suburbios eram desenhados por arquitectos e nao por pato bravos. Voce certamente adoraria viver lah.

Hoje ps suburbios de Alcochete sao desenhados por arquitectos. Jah lah foi ver.

Se apoio o regresso ao academismo? O que apoio eh que haja o que houve no Parque das Nacoes mas sem as expectativas demasiado altas.

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Nos Estados Unidos desde que se cumpram os regulamentos existe Liberdade de Concepção e os arquitectos são responsáveis pela obra de arquitectura! Não existe em alguns estados a figura do arquitecto camarário que licencia a obra de arquitectura, mas sim uma reunião com o arquitecto(s) autor e responsáveis políticos, urbanistas, ambientalistas e arquitectos quando tal se justifique (por exemplo grandes obras), por que nos outros casos ninguém tem o direito de definir o “gosto”, desde que cumpra os regulamentos vigentes é sempre deferido com as implicações positivas ou negativas. Mas o bom de tudo isto é que o arquitecto é sempre responsável assim como as empresas de construção que não necessitam de construir com projecto feito por um arquitecto!
Vale tudo na terra do Bush desde que a lei seja respeitada!


Nos EUA quando algum edificio deixa de ter interesse eh demolido. Quantos edificios modernistas foram demolidos? Nao sei.

Nos EUA existe um conceito que aqui eh capaz de exitir no campo que se chama Comunidade. As pessoas fazem o que a Comunidade manda fazer directa e indirectamente.

Noutro dia vi um Doc sobre a ida de Michael Moore a uma Universidade ao UTAH e os que eram contra a ida afirmavam que a Comunidade nao o queria lah. O que eram favoraveis perguntavam? Mas que ideologia eles defendiam. Era a Comunidade.

Os EUA sao outro Universo.

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Questoes:

Porque eh que a Paisagem Urbana em Portugal eh FEIA?

Como resolver este problema? Sera a Liberdade de Concepcao a melhor estrategia dos arquitectos para resolver este problema? Ou deixamos estar porque eh o preco da nossa liberdade de concepcao?

Como devemos mudar os gostos arquitectonicos dos portugueses?

Devemos ensinar os portugueses a aceitar toda arquitectura ou soh alguma? E em que criterios devemos escolher a boa arquitectura? E como podemos seleccionar a boa arquitectura se aceitamos que todos sao livres de conceber como bem entenderem? Ha qualquer coisa aqui...

Serah que devemos obrigar as pessoas a comer sopa picante para quem nao gosta de picante soh porque estah dentro da legislacao da ASAE?

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Voltando ao tema, o edifício proposto para o Largo do Rato: Estou dividido entre duas posições: A de considerar que é uma proposta meritória, válida e adequada para o local, no modo como acompanha respeitosamente a volumetria do edifício de Ventura Terra e usa o mesmo material da Mãe de Água e do chafariz mas, simultaneamente, consegue ser arrojada no seu jogo de depuração formal e subversão da escala e no corte dramático do volume que foge ao contacto com o solo no ângulo do gaveto, e a de considerar que o edifício é manifestamente inadequado para o local, por ser demasiado bom para ter como contexto urbano próximo um nó viário, que é afinal aquilo que o Largo do Rato actualmente é e, quanto a isso que não é novidade, que eu saiba nenhum blogger (ou outro tipo de "opinador") manifestou incómodo... Talvez essa condição lhes pareça respeitosa do espírito histórico do local.

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vOid até que enfim alguem coloca a questão do nó viario. Não percebo todo o mal estar causado por este edificio, se fosse mais uns bloco de apartamentos não dava tanto celeuma. O grande problema do Largo do Rato é ter sido transformado num nó viario sem nenhum significado urbano, esta situação poderia ser resolvida alterando o desenho do chão sem grandes custos para a camara. Naquele local podia nascer uma praça/praceta para a cidade de Lisboa que sente muita falta de espaços publicos qualificados e dirigidos ao peão. Em vez disso discute-se um projecto feito por duas equipas de arquitectos que dão total garantia da qualidade deste e um projecto que pelo ser caracter compacto ajuda na defenição do espaço urbano. O desejo de muita gente parece ser o de deixar o Largo do Rato como está transformado num nó viario.


Imagem colocada
(Convento das Trinas - Largo do Rato, Santa Isabel
Fotografia de 1943, Eduardo Portugal)


Imagem colocada
(Largo do Rato, por Eduardo Portugal em 1935)

Este lugar nasceu no cruzamento de vários caminhos que faziam o escoamento do trânsito da cidade.

Além da antiga Cotovia, agora Escola Politécnica, ali entroncavam também o Salitre, proveniente das Hortas de Valverde e Rua das Pretas, o caminho de São Bento, que nascia na Boavista, junto ao rio, a estrada de Campolide, hoje rua das Amoreiras e, por fim, duas estreitas azinhagas que levavam uma ao alto de Campo de Ourique, a actual rua do Sol, e outra aos terrenos da quinta dos padres do Oratório.

O nome desta zona tem origem na alcunha que popularizou o esquecido patrono do Convento Trino, que domina o largo, e até finais do século XIX o único edifício de características nobres. Em 1621, Manuel Gomes de Elvas, influente cristão-novo de Lisboa, ali fundou um convento para Senhoras da Ordem da Santíssima Trindade, o primeiro desta Ordem em Lisboa. Depois da sua morte continuou a ser apadrinhado pelos seus descendentes, um deles, Luís Gomes de Sá e Meneses, tinha por alcunha “o Rato”, alcunha que se apegou ao convento e estendeu-se ao largo fronteiro. O edifício, que hoje se vê, foi profundamente alterado ao longo dos tempos e, entre 1881-85 – depois da extinção dos conventos –, sucessivamente adaptado para outros fins.

A construção do Aqueduto tornou o lugar mais procurado, e a consequente abundância de água permitiu a instalação de algumas indústrias como a “Real Fábrica das Sedas”, a “Real Fábrica de Loiça do Rato”, e a inauguração, em 1744, do chafariz na esquina com a rua da Escola Politécnica.

Em 1781 Luís José de Brito, "Contador do Real Erário e tesoureiro das contribuições para a superintendência das obras das Águas Livres", construiu uma enorme casa-nobre com dois pisos: o inferior com janelas de peito, o segundo de sacadas e, ao centro, um enorme portal de acesso sustenta um janelão com varanda, ao gosto da época.

Depois da morte de Brito o palácio foi comprado pelo barão de Quintela. Aqui viveu a sua filha D. Maria Gertrudes e o marido, 4º conde da Cunha. Neste palácio se deram as festas mais badaladas da Lisboa cabralista. Em 1839, a casa é aumentada à custa da fábrica de loiça e os donos mandam construir uma capela, hoje mais conhecida por “capela do Rato”, onde se realizou a célebre vigília contra a guerra colonial nos dias 30 e 31 de Dezembro de 1972. Em 1876, os problemas financeiros dos marqueses de Viana obrigam à alienação do palácio, sendo adquirido pelo visconde de Monforte. Até à sua venda ao Partido Socialista foi propriedade dos marqueses da Praia e Monforte.

Só nos finais do século XIX o velho largo, cujo crescimento não tinha merecido qualquer atenção por parte das autoridades, conhece alguma disciplina urbana mantendo o seu carácter de largo de cruzamento de caminhos. Abriu-se a rua Alexandre Herculano, ligando o local à avenida Liberdade, cerca de 1930 cortou-se a avenida Pedro Álvares Cabral, ligando à Estrela, e depois a rua de D. João V.

Numa tentativa de homenagear a República dos Estados Unidos do Brasil, a jovem República Portuguesa tentou mudar-lhe o nome para Praça do Brasil, esforço inglório. Não obstante o total desconhecimento do "Rato", patrono do convento Trino, os lisboetas resistiram à mudança toponímica.

- Revelar Lisboa

(Publicado originalmente no CDS-PP Santa Isabel)


http://carmoeatrindade.blogspot.com/2007_04_01_archive.html

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Mais uma notícia sobre a apresentação píblica do projecto:

Construção no Largo do Rato divide opiniões

Lusa
11 de Setembro de 2008

Uma plateia dividida entre o "choque" e os aplausos assistiu no passado dia 9 de Setembro, terça-feira, à apresentação pública do projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus no Largo do Rato, Lisboa, onde o vereador do Urbanismo assegurou o cumprimento de "todos os regulamentos".
A par da vereadora independente na Câmara de Lisboa Helena Roseta, o socialista Manuel Salgado participou na iniciativa da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, depois de o executivo, com excepção dos seis vereadores do PS, ter indeferido a proposta de emissão de licença de construção de um moderno prédio de habitação naquela zona, em Julho passado.
O projecto de arquitectura havia, no entanto, sido já aprovado em Julho de 2005 pela então vereadora do Urbanismo Eduarda Napoleão (PSD), durante a presidência de Pedro Santana Lopes.
Explicando que o pelouro que tutela "não teve hesitações" quanto à qualidade do projecto, Manuel Salgado admitiu estar já à espera de alguma polémica, mas garantiu que os requisitos legais foram satisfeitos na íntegra.
"Estou completamente seguro de que o projecto cumpre todos os regulamentos. O único reparo da sindicância [análise administrativa] era o de que devia estar na área de intervenção do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade, o que nunca foi feito por se pensar que o Rato teria um plano específico", afirmou.
Segundo o autarca, o promotor pode agora reclamar do indeferimento da licença, uma vez que qualquer decisão administrativa "obriga a uma audição prévia dos interessados" que, neste caso, não aconteceu.
Ainda assim, Manuel Salgado acredita que a questão voltará a ser debatida em reunião camarária dentro de poucas semanas, desta vez com um "maior esclarecimento" dos vereadores que votaram contra, como Helena Roseta.
Na sessão de terça-feira à noite, a líder do movimento "Cidadãos Por Lisboa" justificou o seu voto com a detecção da infracção de uma norma do Regulamento Geral das Edificações Urbanas, um erro que o vereador do Urbanismo e os arquitectos recusam, já que o Plano Director Municipal invalida o artigo em questão em zonas históricas de habitação.
Durante mais de duas horas de debate público, foram muitas as opiniões manifestadas por arquitectos e cidadãos - alguns mostraram-se contra a construção de um prédio mais vanguardista num largo antigo, outros optaram pelos elogios.
Manuel Graça Dias elogiou a elegância do projecto - "uma maneira de deixarmos o século XXI participar no Largo do Rato", enquanto o arquitecto José Luís Garrido o descreveu como "seguro, relativamente contido, consistente e interessante".
Em resposta às críticas, Manuel Aires Mateus lembrou que a obra no gaveto formado pela Rua do Salitre, Rua Alexandre Herculano e Largo do Rato não corresponde a uma substituição, na medida em que o degradado prédio ali existente não tem qualquer valor patrimonial.
"Este é o gaveto onde é possível afirmar o nosso tempo", defendeu, depois de explicar que o prédio será composto por apartamentos T0 e T1 e terá um desenho abstracto, com a distribuição irregular de pedra e vidro, para melhor o relacionar com os edifícios com mais ou menos andares.

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...E esta é a imagem do edifício que tanta polémica tem causado?... Gostava de ver os acérrimos defensores do património que tanto se têm manifestado a insurgirem-se também contra a monstruosidade que aparece em fundo, essa sim completamente fora de escala e de qualidade arquitectónica mais do que duvidosa. Por mim subscrevia sem hesitações um abaixo-assinado a propor que lhe cortassem uma boa meia dúzia de pisos, para o alinhar pela cércea do edifício do Ventura Terra.

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Agora eh que eu vou confundir o Void... seguindo a logica de Naif Pixel Architecture (ideia dada pelo Ark) elaborei uma proposta arrojada. Aqueles edificios com 2 a 4 pisos seriam demolidos para construir um edificio marcante no Rato. Nao teria de ser arredondado... nao encontrei uma imagem melhor... podia ser uma Casa da Musica ou uma Opera arrojada e desta maneira o Rato passava ser um espaco muito cosmopolita.

Imagem colocada

A imagem foi feita em 20 minutos. Eu consigo fazer melhor do que isto.

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Não vejo qualquer problema no edifício proposto para o largo do rato. A 1ª vez que vi o render até me lembrei do Herzog, lol

Não é de admirar que tenha causado polêmica. A ideia que as pessoas em geral tem da arquitectura são os edifícios marquisados onde moram, ou seja os patos-bravos dos Cacéns, Amadoras, Almadas, etc. Para eles a arquitectura "moderna" é isso, foi isso que viram a vida inteira.

Tudo o que foge ao medíocre e banalíssio causa temor, inveja, desconfiança, etc. Tudo misturado com uns discursos politicamente correctos e bitaites sobre estética.

Seria útil lerem o livro Lisboa Pombalina e o Iluministo do José Augusto França, que fala da lisboa pré e pós terramoto. Poderão compreender muitos sintomas actuais da cultura portuguesa. Um povo desinteressado da arte, da pintura e da arquitectura, e que só aprecia o banal e o foleiro.

Num dos livros do Asterix ( O domínio dos Deuses) aparece um lusitano escravo. Enquanto todos os outros escravos do império romano cantam bem alto durante toda a noite e os romanos passam-se da cabeça, eis que surge um silencioso lusitano a dizer: bem, eu não sei cantar mas posso recitar qualquer coisinha.

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