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Estádios com história

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Estádios com história

Atenas, Londres, Berlim, Helsínquia, Munique e Moscovo. Seis cidades cujos estádios olímpicos marcaram a história dos Jogos.

Rui Gustavo


Atenas, 1896: Os primeiros jogos da era moderna Palco dos primeiros Jogos da Era Moderna, em Atenas, em 1896. Foi construído na colina de Ardettos, onde decorriam as provas de atletismo dos Jogos da Antiguidade - e que se realizaram com regularidade entre os séculos VIII aC e IV dC. Ainda hoje é um estádio especial para os gregos, que ali receberam a selecção nacional de futebol quando se sagrou campeã no Euro 2004, à custa de Portugal. Nos jogos de 2006, o estádio Panatenáico recebeu a prova de tiro com arco e a chegada das maratonas masculina e feminina. Tem uma pista em U - na altura, as medidas das pistas não estavam definidas - e capacidade para 80 mil espectadores. Foi projectado por Anastasios Metaxas e Ernst Ziller. Os gregos também lhe chamam Kallimarmaron - que significa "beleza em mármore".

Londres, 1908: O primeiro construído de propósito

Liderava a maratona há vários quilómetros, mas quando chegou ao estádio não aguentou mais. Dorando Pietri caiu várias vezes e teve de ser ajudado por alguns espectadores - entre eles Conan Doyle, o autor de Sherlock Holmes - para acabar a prova em primeiro lugar. Acabou desclassificado e a linha da meta é tudo o que resta do Estádio Olímpico de White City, o primeiro a ser construído de propósito para uns Jogos - os de Londres, em 1908. O estádio, inaugurado pelo Rei Eduardo VII, serviu para as provas de atletismo, arco e flecha e ginástica. Tinha capacidade para 68 mil espectadores. Posteriormente, foi usado em corridas de cães e de automóveis e em jogos de futebol e de râguebi. Em 1985 acabou demolido para dar lugar às novas instalações da BBC.

Berlim, 1936: Exemplo máximo da arquitectura nazi

Edificado em apenas dois anos, tem uma arquitectura grandiosa e monumental. A imagem de Hitler, furioso, a abandonar a bancada de honra após da vitória do negro norte-americano Jesse Owens, que derrotou o campeão alemão Lutz Long na final dos 100 metros, ficou para a História. Com capacidade para 74 mil espectadores, foi projectado por Werner March e substituiu o Estádio Alemão, construído pelo pai, Otto March. Escapou aos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial e em 2002, quando estava a ser remodelado para o Mundial de futebol, operários encontraram uma bomba não detonada. Casa do clube Hertha Berlim, o estádio foi palco da final no Mundial 2006 de futebol. A Itália venceu a França por penaltis, após um prolongamento onde Zidane agrediu Materazzi com uma cabeçada e se despediu do futebol.

Helsínquia, 1952: Onde começou a volta olímpica

Foi aqui que Adhemar Ferreira da Silva "inventou" a volta olímpica. O brasileiro ganhara o ouro no triplo salto e corria, feliz, a acenar para o público da bancada. Acabou por dar uma volta completa à pista do estádio. Ainda hoje, quando ganham uma medalha de ouro, os atletas cumprem a tradição. Construído entre 1934 e 38 pelos arquitectos Yrjo Lindegen e Toivo Jantti, só foi usado nos Jogos de 1952, por causa da II Guerra Mundial. Com 40 mil lugares, tem uma torre enorme, com 72 metros de altura, e vista para a capital da Finlândia. Foi ali que o checoslovaco Emil Zatopek conseguiu a proeza única de conquistar medalhas de ouro nos 5 mil metros, 10 mil e maratona nos mesmos jogos. À porta do estádio está uma estátua do herói finlandês Paavo Numi, que conseguiu nove medalhas de ouro em Jogos Olímpicos.

Munique, 1974: "Design" arrojado e iluminação única

Construído de propósito para os jogos, demorou seis anos até ficar de pé, uma eternidade para os parâmetros alemães. Ainda é um dos estádios com o "design" mais arrojado do Mundo, com tecto retráctil e um sistema de iluminação único na Europa. Tem a assinatura de Gunter Behnisch e lotação inicial para 80 mil pessoas - 69 mil, na actualidade. Os jogos ficaram marcados pelo rapto e assassínio de atletas israelitas por terroristas palestinianos, bem como pelas sete medalhas de ouro do norte-amaericano Mark Spitz, na natação - um feito jamais igualado. O recinto ficaria na posse do Bayern de Munique e do TSV e foi palco de exibições de sonho de dois grandes futebolistas: o argentino Diego Maradona e o alemão Gehard Muller, que marcou quatro tentos à URSS no primeiro jogo de futebol lá realizado.

Moscovo, 1980 : O urso que chorou

Nunca alguém tinha visto uma coisa daquelas: na cerimónia de encerramento dos Jogos de 1980, boicotados pelos países ocidentais em plena "Guerra Fria", uma coreografia na bancada pôs o urso Micha - símbolo daquela edição dos Jogos - a chorar. A imagem correu mundo e o recinto, construído em 1956, ficou para a História. Este ano, o Manchester United, com Cristiano Ronaldo, conquistou ali a Liga dos Campeões e o estádio foi classificado com cinco estrelas pela UEFA. Já se chamou Lenine, continua a ser o maior da Rússia e agora chama-se Lujniki, o nome da zona onde se ergue. A equipa de arquitectura foi liderada por A. V. Vlasov e tem 80 mil lugares nas bancadas.

in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/354473

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