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Porto | Recuperação de um Edificio na Praça Carlos Alberto | Saraiva & Associados

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Bem, eu ainda sou um estudante e em parte time faço tudo o que tenha a ver com madeiras na habitação (mobiliario, cozinhas, roupeiros, carpintarias, pavimentos, etc) e ja passei na pratica por muitas coisas, neste momento tou a resolver um projecto de recuperação e por isso cá vim parar a este tópico e queria deixar o meu testemunho de algumas das habitações por onde passei... O exemplo que está a ser feito na praça Carlos alberto nao vejo mal nenhum, estamos perante o sec. XXI e cada vez mais vemos o interior da cidade a ser despovoado, isto pq? as habitações sao minusculas, actualmente a população precisa de espaço pra viver e se mantermos a tipologia existente, bem que se faz a recuperação e depois nao teremos quem compre... outra das coisas, ja actuei no meu parte time em algumas recuperações que foram totalmente recuperado o que de sempre foi, os engenheiros e os arquitectos todos xptos foram pra la fazer estudos e projectos, as habitações ficaram tal e qual como eram, aproveitaram toda a estrutura, fachadas frente e tras e agora tenho o dono da casa a pedir pra voltar a desmontar tudo e a proteção civil á porta da casa... ou seja, tanta coisa pra deixar o mais original possivel e o dono da casa agora vai ter de arrecadar com milhares de €€€€ de prejuízo... eu nao entendo mt de engenharia mas a primeira vez que la pus os pés disse logo "se fosse comigo ía tudo a baixo menos a fachada".... agora digam, acham mesmo que alguem quer arriscar nestas coisas?????? eu nao o faria

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Muitas vezes importa manter não o excepcional mas o banal de uma época, existe no Porto um genero de estrutura espacial, que se replica por toda a cidade nos edificios habitacionais do sec XIX-XX, que no meu entender deveria ser mantida pelo caracter dos espaços e por ser impossivel fazer-se hoje um espaço semelhante quer pelos constrangimentos economicos como os regulamentares. Estes edificios podem sofrer mudanças de função (que os espaços permitem por serem genericos) e melhorados nalguns aspectos como, por exemplo a acustica, assim seria uma intervenção menos agressiva do ponto de vista ambiental, historico e provavelmente economico se houve-se toda uma industria virada para a recuperação e reabilitação. Para isto é ver o caso de Guimarães. Já o caso do Freixo parece-me incrivel como foi a pior solução a vencer :angry3:, não me queria alongar mais sobre o assunto neste momento mas penso que dava uma discussão bastante interressante.

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Neto BBS, apenas deixo uma pergunta, se pensa assim (o que não condeno), qual é a razão para se manter apenas a fachada?...



eu compreendo que reformulando todo um quarteirao mantendo todas as bases originais do mesmo que é uma mais valia para a imagem da cidade,
mas tb temos de ver que o issencial da arquitectura acima de tudo é o bem estar dos que o usam, por isso ha que misturar um pouco estas realidades, a imagem da cidade com o bem estar dos que lá vivem...

mas se ha coisa que nao defendo é a recuperação aproveitando a estrutura interior de um edificio historico, ja por mao falar nas dimensoes das tipologias interiores que se tornam muito minusculas face ao tipo de vida actual

se calhar a minha ideia com o tempo poderá mudar, ainda sou novo por cá e o pouco que ja li ja deu pra aprender algumas coisas, e a recuperação no curso ainda é um nascer do sol pra mim

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questiono uma coisa o porque de queremos o interior "alterado" e moderno? se o exterior continua com "floreados, cornijias e colunas dóricas " loollo isso é incrivel. querem que? dizer que é passado? os nossos antepassados construiam em cima de outras construções. é uma falta de consciência... o passado é bom e bonito, o presente é feio e não se enquadra. enquanto tivermos um pensamento retrogada acerca deste assunto não se passa da "cepa torta"... o problema é sempre o mesmo. existem aqueles gajos do tempo da pedra que querem que isto seja tudo feito com cornijas, com as pedras do Obelix, e a ouvirmos presley... ainda não perceberam que existe o aço, o Bob o construtor e ouve-se coldplay na rádio. assusta-me esta ligação com o passado das pessoas....e a sua continuidade.... daqui a 100 anos o que se poderá dizer da baixa de lisboa e do porto? que continua igual? continua a pedra cagada, suja. existem outros materiais mas usamos isto porque é o típico da zona?! arrepiante.

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Acho que também não podemos ser tão radicais. Cada caso é um caso, e o Pedro deverá compreender isso. Agora por vezes tenta-se imitar algo que não pode ser imitado e o resultado não é o esperado. A recuperação é um tema que daria muito que discutir, precisamente porque existem muitas opiniões acerca do tipo de recuperação a fazer. Para os orientais, a recuperação é simples, deita-se abaixo e constrói-se de novo. O sentido de património é completamente diferente do pensamento ocidental. Mas isto já é desviar um pouco do tema...

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Orientais? Na China ves templos em madeira impecáveis, mais antigos que os nossos castelos (que sofreram intervenção nos anos 30). Também acho que não podemos ser radicais, afinal o património é a nossa história e a nossa identidade, por essa ordem de ideias os velhos tratados de arquitectura podiam se queimar porque já não são modernos, nem actuais. Sendo esta comunidade de jovens arquitectos, no futuro vamos trabalhar mais em restauro do que em novas construções, o que é pena porque ao longo do curso (falo por mim) pouca coisa nos é transmitida. O critério de intervenção, quanto a mim reside no factor utilidade, maior parte das "ruínas" surgem porque os modelos e modos de vida se alteraram profundamente e logicamente essas estruturas caem em desuso, não podemos recuperar só para ficar apresentável, temos que lhe dar um sentido. Acho um enorme desperdício de meios não aproveitar a matéria física das ruínas. Peço desculpa se estou a ser um pouco ríspido mas ando stressado com entrega de projecto... Cumprimentos

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Orientais? Na China ves templos em madeira impecáveis, mais antigos que os nossos castelos (que sofreram intervenção nos anos 30).


Sim... Orientais. Eles se for necessário destroem e constroem exactamente igual ao que era. A questão da idade não tem grande importância na questão da recuperação. Para eles é importante ter a imagem correcta.

Vá lá... depois de acabares a entrega de projecto, investiga um pouco isso:)

Cump.

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Olá pessoal. Este assunto da reabilitação também me intriga um bocado. Como estudo na ESAP na baixa do porto, estou a par de dezenas de requalificações que se estão a fazer ou vão fazer na cidade. Não concordo absolutamente nada, em deixar a fachada e fazer tábua rasa no interior, que apesar de não se ver, como já foi falado aqui, possuem também a essência do porto. O interior é um resultado do exterior, e é perfeitamente possível refazer arquitectura de qualidade mantendo a tipologia. Caso contrário entramos no campo do “fachadismo” hipócrita. Um dos casos mais flagrantes desta arquitectura de fachadismo, é mesmo à beira da estação de S. Bento, vão requalificar 6 prédios todos seguidos em que tem um placard a fazer propaganda, igualzinho aos que se encontram na periferia:clap:. Por amor de Deus:nervos:…Para quem não dá valor às casas antigas do porto, que as deixe em paz, e vá construir a sua arquitectura xpto para a periferia. Indigna-me o facto da maior parte dos arquitectos, não serem arquitectos, mas serem empreiteiros……BAHHHHHHHHHHHHH:icon_pistoles:

E mesmo quando é impossível fazer o restauro do edifício devido ao seu estado de conservação, não temos o direito de agredir todo um conjunto arquitectónico com características próprias. Entramos neste caso na INTEGRAÇÂO que quase nenhum arquitecto consegue fazer… Não me prolongo mais, se não é para haver porrada:icon_pistoles:

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O que acontece neste caso é que as tipologias que existem nao se adaptam ao estilo de vida actual. As tipologias do seculo dezoito ou dezanove, pelo mau estado de conservaçao e pela sua essencia nao podem adaptar-se, na grande maioria dos casos, ao nivel de vida que temos hoje em dia. Nestes casos de deixar a fachada e remodular totalmente o interior, é o mais viavel por uma questao de preço e de rapidez, exemplos destes com qualidade existem varios no Porto e é o que se faz também em varios paises europeus. A ideia de deixar estas casas como estao na actualidade por uma questao de identidade, só leva a um abondono da baixa e de todo o casco histórico, levando que assim realmente as populaçoes tenham de deslocarse para as periferias deixando os centros urbanos vazios e abandonados. Os tais placards que tanto assustam o companheiro anterior, sao o preço que temos de pagar certas vezes para que se pode reutilizar estas construçoes, de qualquer maneira nao creio que seja um preço tao alto... P:S (desculpem se a mensagem vai com erros ortograficos, escrevo desde España)

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questiono uma coisa
o porque de queremos o interior "alterado" e moderno? se o exterior continua com "floreados, cornijias e colunas dóricas " loollo
isso é incrivel.
querem que? dizer que é passado? os nossos antepassados construiam em cima de outras construções.
é uma falta de consciência...
o passado é bom e bonito, o presente é feio e não se enquadra.
enquanto tivermos um pensamento retrogada acerca deste assunto não se passa da "cepa torta"...
o problema é sempre o mesmo.
existem aqueles gajos do tempo da pedra que querem que isto seja tudo feito com cornijas, com as pedras do Obelix, e a ouvirmos presley...
ainda não perceberam que existe o aço, o Bob o construtor e ouve-se coldplay na rádio.

assusta-me esta ligação com o passado das pessoas....e a sua continuidade....
daqui a 100 anos o que se poderá dizer da baixa de lisboa e do porto? que continua igual?
continua a pedra cagada, suja. existem outros materiais mas usamos isto porque é o típico da zona?!
arrepiante.



Pedro,

Sem qualquer laivo de provocação e sem ponta de ironia, apenas te posso pedir que reflictas nas consequências que o assumir dos princípios que advogas nesta matéria tiveram quando duas personagens marcantes do Sec XX (marcantes, para o bem e para o mal, ainda que ambos tendam para o péssimo) as materializaram no exercício das suas funções governativas:

Nicolau Ceausescu, que destruiu uma grande fatia de Bucareste, arrumando no esquecimento da humanidade duma forma definitiva um património histórico monumental e não monumental para construir aquela borrada chamada "Palácio do Povo" e nos espantar com o descalabro das monumentais avenidas que a ele vão dar;

Oliveira Salazar, tutoriado por Continelli Telmo, com a Alta Coimbrã - onde hoje está instalado o Pólo I da UC -, com as mesmas consequências do anterior, ainda que numa escala diferente, ou não fossemos nós um país liliputiano.

Se analisares bem as intervenções dos "anti-fachadistas" deste post, não vês ninguém a pugnar pela reprodução de formas e técnicas do antigamente em edifícios novos; a única coisa que eles defendem é o respeito do autentico nas intervenções de imóveis revestidos de valores patrimonial.

Ninguém quer obrigar ninguém a ouvir Presley; unicamente queremos poder ouvir a 9ª do Ludwig Van sem gramarmos com as guitarras electricas, as baterias e os sintetizadores. Porque é que a arquitectura é diferente?

Muitas vezes importa manter não o excepcional mas o banal de uma época, existe no Porto um genero de estrutura espacial, que se replica por toda a cidade nos edificios habitacionais do sec XIX-XX, que no meu entender deveria ser mantida pelo caracter dos espaços e por ser impossivel fazer-se hoje um espaço semelhante quer pelos constrangimentos economicos como os regulamentares. Estes edificios podem sofrer mudanças de função (que os espaços permitem por serem genericos) e melhorados nalguns aspectos como, por exemplo a acustica, assim seria uma intervenção menos agressiva do ponto de vista ambiental, historico e provavelmente economico se houve-se toda uma industria virada para a recuperação e reabilitação.
Para isto é ver o caso de Guimarães.
Já o caso do Freixo parece-me incrivel como foi a pior solução a vencer :angry3:, não me queria alongar mais sobre o assunto neste momento mas penso que dava uma discussão bastante interressante.



Tatlin, quem escreve isto não pode aplaudir a anterior intervenção do Pedro...


O exemplo que está a ser feito na praça Carlos alberto nao vejo mal nenhum, estamos perante o sec. XXI e cada vez mais vemos o interior da cidade a ser despovoado, isto pq? as habitações sao minusculas, actualmente a população precisa de espaço pra viver e se mantermos a tipologia existente, bem que se faz a recuperação e depois nao teremos quem compre...
outra das coisas, ja actuei no meu parte time em algumas recuperações que foram totalmente recuperado o que de sempre foi, os engenheiros e os arquitectos todos xptos foram pra la fazer estudos e projectos, as habitações ficaram tal e qual como eram, aproveitaram toda a estrutura, fachadas frente e tras e agora tenho o dono da casa a pedir pra voltar a desmontar tudo e a proteção civil á porta da casa... ou seja, tanta coisa pra deixar o mais original possivel e o dono da casa agora vai ter de arrecadar com milhares de €€€€ de prejuízo... eu nao entendo mt de engenharia mas a primeira vez que la pus os pés disse logo "se fosse comigo ía tudo a baixo menos a fachada".... agora digam, acham mesmo que alguem quer arriscar nestas coisas?????? eu nao o faria



Neto, não querendo duvidar de ti, mas essa história está mal-contada: se deixaram tudo igual não há autoridade alguma que possa obrigar o cliente ao que quer que seja, muito menos a protecção civil que não tem jurisdição nestas matérias; por outro lado pressuponho que tenha existido um projecto feito pelos tais engenheiros e arquitectos XPTOs, devidamente aprovado por uma ou várias entidades administrativas pelo que, tendo este sido cumprido, mais não se fez do que implementar o previamente estabelecido. E no caso do cliente se sentir lesado pela intervenção dos arqs e engs XPTOs, então recomenda-lhe que se queixe à Ordem respectiva, pois já é tempo de pormos responsabilidade nestas coisas e acabarmos com o disse que disse e queimarmos pessoas sem que elas tenham alguma responsabilidade no que quer que seja.

Quanto à questão de adaptar os espaços à forma de viver das pessoas e com a qualidade que elas pretendem e merecem, isso é óbvio e é uma condição sine qua non para que o património sobreviva. Mas uma coisa é destruir tudo menos a fachada (opção que por sinal é mais caro do que refazer de novo, contrariamente ao que pensas) e outra coisa é adaptar os espaços minimizando as estruturas e respeitando as técnicas ancestrais e assumido estas como um valor cultural a preservar.
É isto que destigue as intervenções de restauro levadas a cabo pelo Fernando Távora daquelas outras similares a esta que deu origem ao post.

Uma vez que percebes de madeira facilmente compreenderás que uma viga emendada com uma simples boca de lobo ou uma ligação a meia-madeira suportando um piso num edifíco do Sec XIX é algo mais do que pôr um simples e hoje vulgarizado perfil de aço enformado a vencer todo o vão, ou uma vigota de betão pré-fabricada, ainda que as duas últimas consigam o mesmo desempenho da primeira - estabilidade do piso.
Existe valor e criatividade no engenho do construtor/ carpinteiro dessa época para com essa simples técnica de assemblagem conseguir ultrapassar limitações do próprio material e assim conseguir vencer vãos absolutamente incríveis. Sermos capazes de conseguir ler esses valores num edifício, algumas vezes muito escondidos, é o que nos faz distinguir a obra autentica do pastiche.
Por isso é que há ressaltar o valor histórico que a tecnologia construtiva da altura encerra a par da beleza da cornija e da janela, etc.
Todas as Cartas internacionais de intervenção no patrimonio, nomeadamente do ICOMOS, do Conselho da Europa e da Unesco vão nesse sentido.

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Sim... Orientais. Eles se for necessário destroem e constroem exactamente igual ao que era. A questão da idade não tem grande importância na questão da recuperação. Para eles é importante ter a imagem correcta.

Vá lá... depois de acabares a entrega de projecto, investiga um pouco isso:)

Cump.


Destroem? Onde é que viste isso?

Ainda à pouco tempo tive a ver a barragem enorme que estão a construir na China, o nível das águas iria submergir um templo e eles optaram por deslocá-lo, e referiram a questão da idade.

Tomara que tivessemos a sensibilidade que eles têm, sendo a China um país que se conhece.
________________________

Eu compreendo a problemática das fachadas, a demolição destas implicaria que a estética e a força enquanto conjunto se perdesse e com isto acho que deverá ser preservada, vejamos a frente da ribeira é património da humanidade enquanto conjunto.
Agora a demolição do interior...


Crime foi o que fizeram, já referi numa thread qualquer deste fórum, uma habitação unifamiliar do Arménio Losa, movimento moderno, que transformaram na maior das calmas em parque automóvel, mantendo a fachada e tapando os vãos...

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O que acontece neste caso é que as tipologias que existem nao se adaptam ao estilo de vida actual.
As tipologias do seculo dezoito ou dezanove, pelo mau estado de conservaçao e pela sua essencia nao podem adaptar-se, na grande maioria dos casos, ao nivel de vida que temos hoje em dia. Nestes casos de deixar a fachada e remodular totalmente o interior, é o mais viavel por uma questao de preço e de rapidez, exemplos destes com qualidade existem varios no Porto e é o que se faz também em varios paises europeus.
A ideia de deixar estas casas como estao na actualidade por uma questao de identidade, só leva a um abondono da baixa e de todo o casco histórico, levando que assim realmente as populaçoes tenham de deslocarse para as periferias deixando os centros urbanos vazios e abandonados. Os tais placards que tanto assustam o companheiro anterior, sao o preço que temos de pagar certas vezes para que se pode reutilizar estas construçoes, de qualquer maneira nao creio que seja um preço tao alto...

P:S
(desculpem se a mensagem vai com erros ortograficos, escrevo desde España)




:clap::clap::clap: só nao concordo como ja foi dito, que aproveirando a fachada seja mais barato, pois implica mts reforços com vigas de aço e mt mao de obra...

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vitor. é claro que a minha afirmação pode ser considerada radical, mas é o que apetece dizer. claro que existem marcos, espaços, locais arquitectónicos que devem ser preservados...mas muitos são questionáveis! o que penso é no agora e no futuro, e diz-me, se continuarmos sempre assim...então não destruimos nada, não adaptamos, por exemplo, o simples desenho arquitectónico às necessidades actuais ( e isso é o que deve ser levado em conta e ser privilegiado, é esse o nosso objectivo!)das populações... o que quer dizer isto? uma constante criação do passado, uma constante "positividade" por maus exemplos que não estão adaptados a nós!! continuaremos a recuperar, e pensar que estamos nos séculos passados. as grandes cidades e principalmente os centros históricos são requalificados por 3 sectores: instituições bancárias habitação de luxo centros comerciais. consquências? positivo para os turistas que passam, tiram fotos, é bonito... mas as cidades são feitas para quem? para viajantes, ou para a pessoa real que bebe o café às 8h da manhã e vai para o trabalho? será que mantermos esta filosofia nos leva a algum lado?... não vejo a qual eu acho que esta visão de continuarmos com a fachada de desenho "antigo" e o interior moderno, não tem nexo! não pode ter! e é,sim, arrepiante. muitos criticam o Frank Ghery devido à forma pela forma, então e os centros históricos? que são definidos por isto mesmo. forma pela forma? não será uma prédio construido na Amadora já histórico, porque simplesmente existe? este já pode ser substituido pois está nos suburbios? e tem uma qualidade "dúvidosa" definida por alguns. Mas o desenho de à 50 anos atrás e com caracteristicas que veem do tempo do "Robin Hood" adaptam-se (afirmam eles) aos nossos dias pode coexistir... eu não consigo pensar assim. desculpa mas não consigo. ps. desculpa vitor, mas ainda nao vi os trabalhos que te referes, e pelo passar da hora nao vou ter tempo...mas com tempo vou pesquisar sobre os mesmos :)

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Presumo que conheçam as diversas cartas e correntes do restauro, o romântico de Ruskin, o estilístico de Viollet-le-Duc e o intermédio da carta de Atenas, não confundir com a do CIAM. Estas são as correntes de intervenção que actualmente influenciam os critérios de intervenção: O romantismo de Ruskin consistia em deixar "morrer" a construção porque defendia que tinha o seu ciclo de vida mas neste caso a intervenção nunca se chegava a fazer. O Viollet-le-Duc defendia um restauro estilístico, exagerando e levando ao extremo a reprodução do edifício de acordo com o seu estilo arquitectónico, limitando-se a conferir-lhe a sua identidade original, muitas vezes errada. A Sé de Lisboa sofreu uma intervenção deste tipo, as torres sineiras estão exageradamente mais altas que as originais... Na carta de Atenas foi convencionado que ao intervir tem que se assumir a intervenção, um exemplo disso é a Acrópole, a mátéria física original contrasta com a nova intervenção. Tudo isto está documentado e a recuperação quando bem feita obedece a isto.

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Vitor nina

Tatlin, quem escreve isto não pode aplaudir a anterior intervenção do Pedro...


Mensagem Original de Pedro_Ribeiro Imagem colocada
questiono uma coisa
o porque de queremos o interior "alterado" e moderno? se o exterior continua com "floreados, cornijias e colunas dóricas " loollo
isso é incrivel.
querem que? dizer que é passado? os nossos antepassados construiam em cima de outras construções.
é uma falta de consciência...
o passado é bom e bonito, o presente é feio e não se enquadra.
enquanto tivermos um pensamento retrogada acerca deste assunto não se passa da "cepa torta"...
o problema é sempre o mesmo.
existem aqueles gajos do tempo da pedra que querem que isto seja tudo feito com cornijas, com as pedras do Obelix, e a ouvirmos presley...
ainda não perceberam que existe o aço, o Bob o construtor e ouve-se coldplay na rádio.

assusta-me esta ligação com o passado das pessoas....e a sua continuidade....
daqui a 100 anos o que se poderá dizer da baixa de lisboa e do porto? que continua igual?
continua a pedra cagada, suja. existem outros materiais mas usamos isto porque é o típico da zona?!
arrepiante.


A mensagem do Pedro Ribeiro vai no sentido de se procurar ter uma arquitectura mais "autentica" "para quê manter a fachada se o interior é moderno" a minha mensagem tem exactamente a mesma posição só que vista de um modo diferente "se é para manter a fachada então o miolo deveria ser mantido com os melhoramentos possiveis".O Pedro Ribeiro quis aqui dizer que se deve evitar uma situação de falsidade na baixa do Porto, pelo menos foi isso que retirei da mensagem. Eu defendo o mesmo.

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"O Pedro Ribeiro quis aqui dizer que se deve evitar uma situação de falsidade na baixa do Porto, pelo menos foi isso que retirei da mensagem. Eu defendo o mesmo."


Na minha opinião, é um ponto de vista um pouco pretensioso e egocêntrico, temos que saber ver e interpretar a arquitectura, e fazê-lo sobretudo de uma forma séria, senão vejamos:
qual é o papel desses edifícios na cidade ? o quando e o porquê da sua construção? será que faz sentido continuarem a existir tal como os conhecemos ?

Este tipo de construções são a alma da cidade, o Porto é assim, e é essa a imagem que fica para quem visita e vive a cidade, aprendam a respeitar os outros que antes passaram, foram feitas alterações ao longo de décadas e décadas, tenham calma não queiram mudar tudo de uma vez,… é o papel do tempo na arquitectura, lembram-se ….outra vez o tempo de Fernando Távora…
se todos pensássemos só no presente e no futuro, depressa transformava-mos o Porto noutra coisa qualquer,…
Imaginem que não havia protecção nestas zonas, daqui a trinta anos, fruto dessa ambição ostensiva, o Porto, Lisboa ou Coimbra, eram uma feijoada de grelos com arroz, alface, grão e beterraba !!

“Cornija em pedra e tal…” já vi recuperações geniais em que estes elementos foram deixados e formam com os novos um todo, resultou, aí está a dificuldade, o desafio, fazer com que as coisas resultem…

Tenham calma, vão devagar,… senão ainda se atropelam !! :)

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Muito interessante, e mais ainda por serem uma equipa a trabalharem. São obras como esta que me vão dando animo e que tem um papel importante no desbravar de novos rumos e mentalidades.

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De acordo com uma interpretação semiológica da arquitectura, define-se a natureza do signo arquitectónico pela correspondência do espaço interno da arquitectura - enquanto arte do espaço - com o significado, e as formas externas com o significante, o que é o mesmo que dizer que o conteúdo corresponde ao espaço interno e o continente ao invólucro, ou espaço externo.



ora este fachadismo (demolição sistemática do interior dos edificios antigos, substituindo-o por uma nova contrução com profundas mudanças tipológicas e volumétricas) decorre de tentativas de manutenção da imagem urbana histórica através da preservação das fachadas o que leva a interpretar a imagem histórica apenas como cenários, onde foi perdida a qualidade funcional e ficou apenas o visual e o regalo estético.
esta prática é sem dúvida a mais aceite mas será que estará correcta? na verdade não me parece, a preservação e a salvaguarda do património deve ser a bandeira nos respectivos instrumentos politicos onde se devem dar apoios através de normas ou mesmo financeiros para amenizar o dificil restauro destas tipologias. isto digo eu....

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