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Arquitectura.pt


NunoMourao

Porto | Mercado do Bolhão

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A título de curiosidade, aqui ficam algumas imagens inéditas sobre o Mercado do Bolhão. A 1ª é um dos anteprojectos em que era previsto o mercado ocupar as duas alas à direita e à esquerda da Rua Sá da Bandeira - a rua foi aberta ao mesmo tempo do que o mercado. A 2ª é a cobertura de aço e vidro para esse mesmo projecto. A 3ª é a única imagem que conheço em que é possível avistar o alçado interior do Mercado. Sem uma cobertura, a galeria foi rapidamente tapada.

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A título de curiosidade, aqui ficam algumas imagens inéditas sobre o Mercado do Bolhão. A 1ª é um dos anteprojectos em que era previsto o mercado ocupar as duas alas à direita e à esquerda da Rua Sá da Bandeira - a rua foi aberta ao mesmo tempo do que o mercado. A 2ª é a cobertura de aço e vidro para esse mesmo projecto. A 3ª é a única imagem que conheço em que é possível avistar o alçado interior do Mercado. Sem uma cobertura, a galeria foi rapidamente tapada.

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Manifestação em defesa do Mercado do Bolhão
2008/02/16 | 17:00

Cidadãos do Porto aderiram ao movimento cívico em favor deste «património»

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram este sábado, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou já idêntico protesto para o mesmo dia da próxima semana, noticia a agência Lusa.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantem que «não vão parar» e manifestam-se, agora, mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.

Providências cautelares contra novo Bolhão
Assinaturas para salvar Mercado do Bolhão

O arquitecto Correia Fernandes, em declarações à Lusa, lamentou que a Câmara do Porto se tenha «demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado».

«Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem», frisou.

O arquitecto, que hoje se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que «todos os edifícios vão mudando - veja-se o caso da Cadeia da Relação - mas o importante é a manutenção da memória».

No caso do Mercado do Bolhão, «trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial».

A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.

«Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime», acrescentou o escultor, considerando que «uma cidade vive de memórias».

«O Bolhão faz parte do Porto», afirmou.

A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da «festa» que decorria no exterior.

Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue, a meio da próxima semana, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão «deve ser reabilitado e não demolido».

Este abaixo-assinado já recolheu cerca de «20 mil assinaturas», segundo um dos promotores, mas espera-se que o número continue a aumentar até 21 de Fevereiro, dia em que será entregue no parlamento.

A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.

As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=916407&div_id=291

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Manifestação em defesa do Mercado do Bolhão
2008/02/16 | 17:00

Cidadãos do Porto aderiram ao movimento cívico em favor deste «património»

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram este sábado, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou já idêntico protesto para o mesmo dia da próxima semana, noticia a agência Lusa.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantem que «não vão parar» e manifestam-se, agora, mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.

Providências cautelares contra novo Bolhão
Assinaturas para salvar Mercado do Bolhão

O arquitecto Correia Fernandes, em declarações à Lusa, lamentou que a Câmara do Porto se tenha «demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado».

«Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem», frisou.

O arquitecto, que hoje se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que «todos os edifícios vão mudando - veja-se o caso da Cadeia da Relação - mas o importante é a manutenção da memória».

No caso do Mercado do Bolhão, «trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial».

A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.

«Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime», acrescentou o escultor, considerando que «uma cidade vive de memórias».

«O Bolhão faz parte do Porto», afirmou.

A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da «festa» que decorria no exterior.

Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue, a meio da próxima semana, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão «deve ser reabilitado e não demolido».

Este abaixo-assinado já recolheu cerca de «20 mil assinaturas», segundo um dos promotores, mas espera-se que o número continue a aumentar até 21 de Fevereiro, dia em que será entregue no parlamento.

A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.

As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=916407&div_id=291

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Bolhão/Porto: Vendedores manifestaram-se no Parlamento contra privatização do Mercado (ACTUALIZADA) Lisboa, 27 Fev (Lusa) - A Plataforma de Intervenção Cívica do Porto entregou hoje, na Assembleia da República, a Manuel Alegre, uma petição com 50 mil assinaturas em protesto pela exploração do mercado do Bolhão, por uma empresa privada. O abaixo-assinado hoje entregue manifesta a "defesa do Mercado do Bolhão", onde "o povo do Porto está contra o negócio da câmara municipal, para a exploração daquele espaço a privados", explicou à Lusa, Manuel Correia Fernandes, porta-voz do movimento cívico. Cerca de uma centena de manifestantes, que esta manhã saíram do Porto em autocarros, entoaram em cântico em frente à Assembleia da República, "o Bolhão é nosso até morrer", envergando uma tarja com a inscrição "obras sim - demolição não". Manuel Correia Fernandes lamentou "ter as portas do poder local fechadas na cidade do Porto", o que justifica a vinda a Lisboa, para entregarem as 50 mil assinaturas recolhidas. A vendedora no mercado do Bolhão, Aurora Novais, acusa a câmara e a empresa holandesa de "não dialogarem com os comerciantes", garantindo que não sai da loja que ocupa há mais de 30 anos. Para Maria Saldanha, de 60 anos, que vende hortaliças no interior do Bolhão, negócio que herdou da mãe, os políticos "são falsos como tudo, prometem uma coisa e fazem outra". A delegação de nove pessoas do movimento cívico foi recebida na sala de visitas do presidente da Assembleia da República, por Manuel Alegre, que não prestou quaisquer declarações aos jornalistas. Os comerciantes afirmam que nunca foram ouvidos, mas que anteriormente, o arquitecto Joaquim Massena garantiu que as obras podiam ser feitas com os vendedores a trabalhar. Os vendedores do mercado do Bolhão estão em desacordo com o contrato assinado a 23 de Janeiro, entre a câmara e a empresa holandesa Tramcorne, que ganhou o concurso de exploração do mercado nos próximos 50 anos. O contrato prevê que a Câmara do Porto ceda o edifício em direito de superfície, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção, além de uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano. A empresa holandesa Tramcorne já fez saber que pretende "manter a traça original do Mercado do Bolhão", e complementar com lojas novas outras áreas daquele espaço, metade das quais de cultura, lazer e restauração. MPC. © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. 2008-02-27 19:10:01

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Bolhão/Porto: Vendedores manifestaram-se no Parlamento contra privatização do Mercado (ACTUALIZADA) Lisboa, 27 Fev (Lusa) - A Plataforma de Intervenção Cívica do Porto entregou hoje, na Assembleia da República, a Manuel Alegre, uma petição com 50 mil assinaturas em protesto pela exploração do mercado do Bolhão, por uma empresa privada. O abaixo-assinado hoje entregue manifesta a "defesa do Mercado do Bolhão", onde "o povo do Porto está contra o negócio da câmara municipal, para a exploração daquele espaço a privados", explicou à Lusa, Manuel Correia Fernandes, porta-voz do movimento cívico. Cerca de uma centena de manifestantes, que esta manhã saíram do Porto em autocarros, entoaram em cântico em frente à Assembleia da República, "o Bolhão é nosso até morrer", envergando uma tarja com a inscrição "obras sim - demolição não". Manuel Correia Fernandes lamentou "ter as portas do poder local fechadas na cidade do Porto", o que justifica a vinda a Lisboa, para entregarem as 50 mil assinaturas recolhidas. A vendedora no mercado do Bolhão, Aurora Novais, acusa a câmara e a empresa holandesa de "não dialogarem com os comerciantes", garantindo que não sai da loja que ocupa há mais de 30 anos. Para Maria Saldanha, de 60 anos, que vende hortaliças no interior do Bolhão, negócio que herdou da mãe, os políticos "são falsos como tudo, prometem uma coisa e fazem outra". A delegação de nove pessoas do movimento cívico foi recebida na sala de visitas do presidente da Assembleia da República, por Manuel Alegre, que não prestou quaisquer declarações aos jornalistas. Os comerciantes afirmam que nunca foram ouvidos, mas que anteriormente, o arquitecto Joaquim Massena garantiu que as obras podiam ser feitas com os vendedores a trabalhar. Os vendedores do mercado do Bolhão estão em desacordo com o contrato assinado a 23 de Janeiro, entre a câmara e a empresa holandesa Tramcorne, que ganhou o concurso de exploração do mercado nos próximos 50 anos. O contrato prevê que a Câmara do Porto ceda o edifício em direito de superfície, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção, além de uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano. A empresa holandesa Tramcorne já fez saber que pretende "manter a traça original do Mercado do Bolhão", e complementar com lojas novas outras áreas daquele espaço, metade das quais de cultura, lazer e restauração. MPC. © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. 2008-02-27 19:10:01

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Houve de tudo um pouco no debate, ontem, travado no Rivoli, sobre o futuro mercado do Bolhão tensão, nervosismo, ansiedade e polémicas a par do esclarecimento. "Os comerciantes do Bolhão andam a ser enganados e tanto os autores do projecto [TCN] como a Câmara do Porto têm iludido as questões essenciais", adiantou Sérgio Modesto, um comerciante que saiu antes da reunião acabar, perto das 22 horas. O primeiro sinal de mal-estar começou antes dos convidados entrarem na sala, cerca das 18 horas, já que, tanto os jornalistas como o autor do projecto de reabilitação do mercado [arquitecto Joaquim Massena], foram impedidos de entrar pelos representantes da Associação dos Comerciantes do mercado do Bolhão. "Não pode ser. O presidente (Alcino Sousa) não é o dono do debate de uma coisa pública. É uma vergonha. Querem fazer um debate sem oposição", ouviu-se no "foyer" do pequeno auditório (cerca de 200 lugares) do Rivoli. Chega, entretanto, Laura Rodrigues e, ao JN, a líder da Associação dos Comerciantes do Porto resolve soltar a língua "O mercado precisa de obras, mas não pode ser demolido. Os interesses da TCN são comerciais e ignora a importância patrimonial deste espaço, um ícone da cidade", enfatiza. No meio da pequena multidão de comerciantes e jornalistas espalhada pelo Rivoli, Pedro Neves, da TCN, tenta serenar as vozes da ira e fala da importância do anteprojecto para a cidade. "Vamos respeitar o património e nada será demolido com valor histórico", diz. Por perto está o arquitecto Joaquim Massena e contraria esta tese "O anteprojecto que hoje [ontem] foi apresentado não respeita o valor edificado e as pessoas. Para a TCN conseguir o programa conhecido irá, inevitavelmente, destruir todo o seu interior. Só ficarão as fachadas", garantiu. Há gente que entra e sai, comerciantes optimistas e outros com pouca esperança de dias melhores "Não acredito na TCN nem no shopping. Vou embora porque tenho de estar a pé às 5 horas da manhã. O meu partido é o trabalho", respondeu uma comerciante com "quase 40 anos de Bolhão". No "primeiro grande debate", Lino Ferreira, vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, tentou desdramatizar os momentos de tensão ocorridos "As pessoas estão muito ansiosas por respostas, mas a TCN deu uma imagem de serenidade. O Bolhão não será destruído, muito menos demolido. Tudo será negociado", disse, antes do pano cair no Rivoli. JN

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Concordo com a reestauração do mercado, parques de estacionamento e residências no centro da cidade são sempre bem vindos, agora é preciso garantir todo o valor histórico do local e o emprego de quem lá trabalha. Mas como está actualmentenão gosto, e é preciso elevar a qualidade do que lá se passa. Nao digo mais nada, porque não gosto de falar sem saber bem o que se vai passar, ainda nao vi projecto nenhum, nem de licenciatura, nem de execução, se é que estes já existem....

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Porto: TCN divulga primeira imagem tridimensional do `novo` Mercado do Bolhão (c/ Foto)
Porto, 13 Mar (Lusa) - A empresa holandesa TranCroNe (TCN), que venceu o concurso público realizado pela Câmara do Porto para a reabilitação do Mercado do Bolhão, divulgou hoje à Lusa a primeira imagem tridimensional do ante-projecto para a requalificação daquele espaço.

O projecto definitivo ainda terá que ser submetido à aprovação da Câmara do Porto e do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico), antes de poderem começar as obras.

A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TCN, onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.

A TCN pretende que o Mercado do Bolhão mantenha a traça original e que a área comercial tradicional seja complementada com novas lojas, metade das quais de cultura, lazer e restauração.

Este projecto tem sido contestado por um movimento cívico de intervenção, que já entregou na Assembleia da República uma petição com cerca de 50 mil assinaturas, e admite interpor uma providência cautelar para impedir o início das obras.

As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

Nesse local existia um extenso lameiro, atravessado por um regato que ali formava uma bolha de água, de que resultou o nome `Bolhão`.

Alguns anos depois, esta praça foi melhorada com a construção de rampas de acesso e barracas de madeira no corredor central do mercado.

No início do século XX, os dirigentes da cidade decidiram construir fora do burgo um novo mercado, de forma a assegurar o abastecimento de alimentos que permita a expansão da cidade.

Em 1910 surgiu um ante-projecto do arquitecto Casimiro Barbosa, que previa um edifício com duas alas, tendo a Rua Sá da Bandeira como eixo central.

Este projecto foi abandonado por razões económicas, acabando por ser construído, em 1914, o actual edifício, num projecto desenhado pelo arquitecto Correia da Silva.

Tratou-se de uma obra de vanguarda para a época, devido à utilização do betão armado em conjugação com estruturas metálicas, coberturas em madeira e cantaria de pedra granítica.
Ao longo da sua história, o mercado foi sofrendo algumas alterações, ocorrendo na década de 40 a construção do piso que divide o edifício, fazendo a ligação das entradas entre as ruas Alexandre Braga e Sá da Bandeira.

A necessidade de uma reabilitação profunda começou a ser equacionada em meados de 1984, quando os serviços municipais detectaram patologias construtivas graves nos pavimentos do mercado.
Na sequência das obras que se seguiram, os técnicos concluíram que era necessária uma intervenção de consolidação e reabilitação do mercado, tendo a autarquia decidido abrir um concurso que veio a ser ganho por um projecto apresentado pelo arquitecto Joaquim Massena.

O projecto foi aprovado, por unanimidade, pelo executivo municipal a 22 de Setembro de 1992 e ficou a aguardar a execução.

Posteriormente, em 1994, o projecto foi retomado para incluir uma estação do Metro do Porto, culminando dois anos mais tarde com a adjudicação do desenvolvimento do projecto.

Para o efeito foi criado um Gabinete de Apoio que, na sequência do diálogo mantido com todas as partes interessadas, apresentou em 1998 um projecto que foi aprovado por unanimidade pela Câmara do Porto e por todos os restantes organismos envolvidos, entre os quais o IPPAR (actual IGESPAR).
Apesar disso, o projecto nunca foi executado e a Câmara do Porto começou progressivamente a afastar-se desta opção.

A autarquia acabou por lançar um concurso público internacional para a concepção, construção e exploração do Mercado do Bolhão, a que concorreram o Grupo Amorim e a empresa holandesa TCN.
A proposta dos holandeses foi aprovada pela Assembleia Municipal a 21 de Janeiro de 2008, numa votação disputada (27 votos a favor e 26 contra) e, dois dias depois, foi assinado o contrato entre a Câmara do Porto e a TCN.

FR.

in http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=333014&visual=26

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Porto/Bolhão: proibição de entrada a Massena cria momento de agitação na reunião dos comerciantes com TramCroNe

Porto, 11 Mar (Lusa) - Um grupo de comerciantes do Bolhão, Porto, abandonou hoje a sala do Rivoli onde os vendedores tomam conhecimento do ante-projecto da empresa TramCroNe (TCN) para o mercado em protesto por não ter sido autorizada a participação do arquitecto Joaquim Massena.







Pouco mais de uma hora depois do início da reunião, ocorreu este primeiro momento de agitação, quando um pequeno grupo abandonou a sala por entre protestos.

"Isto é uma vergonha, é uma falsidade, não é democracia", afirmou indignado um dos comerciantes, numa alusão ao facto do encontro decorrer à porta fechada, sem que tenha sido dada autorização para participar ao arquitecto Joaquim Massada, autor de um projecto alternativo para o Bolhão.
Outro comerciante afirmou ainda que "querem enganar as pessoas".

"Não queremos um centreo comercial no Bolhão, queremos que o mercado tradicional se mantenha", disse aquele vendedor.

O projecto de Massena prevê a reabilitação da traça original do mercado, contrariamente ao da TCN, que estipula alterações profundas no "miolo" do quarteirão.

Os vendedores que protestavam criticaram o presidente da Associação dos Comerciantes do Bolhão, afirmando que a sua actual direcção, presidida por Alcindo Sousa, que apoia o projecto da TCN, não os representa.

A Câmara do Porto assinou em 23 de Janeiro um contrato com a TNC que prevê a cedência do Mercado do Bolhão por 50 anos.

FR/MSP
Lusa/Fim

in http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=332522&visual=26

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Antigo directordo IPPAR diz que lei protege Bolhão
fernando timóteo errorpic.gifMercado do Bolhão terá de respeitar alma e vivência para manter classificação como património do IPPAR

Carla Soares

Lino Tavares, arqueólogo há 30 anos e antigo director do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), destacou, ontem, que a classificação do Mercado do Bolhão é um "elemento legal" que o protege e que o modelo a adoptar terá que respeitar a "alma" e "vivência" daquele espaço.

"Estamos perante uma situação que, a ser verdade, nos envergonhará a todos no Mundo", atirou Lino Tavares, num debate organizado pela Plataforma de Intervenção Cívica do Porto, que se centrou no Bolhão e no projecto de reabilitação aprovado pela Câmara e o IPPAR há uma década. "É impossível abordar a peça classificada diminuindo ou excluindo a sua vivência do quotidiano", defendeu, ainda, abordando, de modo mais geral, as questões do património humano e arquitectónico. Além disso, notou no debate sobre o Mercado do Bolhão, "só se acrescenta valor se não se tirar a alma". De resto, é uma questão de "bom senso", uma vez que se trata de um património que, ao ser qualificado, "tem que ser respeitado".

"O que temos sentido é que, na maior parte das vezes, a abordagem é feita sem conhecimento profundo do valor em causa. Julgo ser este o caso", acrescentou.

O arqueólogo aproveitou para criticar o que diz ser "uma lógica não de requalificação mas de deitar abaixo e fazer outra vez". E deu o exemplo do Palácio de Cristal que "perdemos".

Por sua vez, o arquitecto Joaquim Massena falou do seu projecto de reabilitação, apresentado à cidade em 1998, enumerando também os aspectos humanos. Começou por recordar que, quando em 1996 iniciou o projecto, o Bolhão não estava ainda classificado, o que apenas acontecera um ano depois. Questionado pela moderadora sobre o receio da estrutura ruir, o arquitecto recusou fazer "futurologia", destacando apenas "as anomalias de base" e "problemas de fundação". "Ninguém, de verdade, poderá dizer que o Mercado vai ruir", frisou. E os andaimes "pouco estão a fazer" para além de "criar dificuldades às pessoas na comercialização". As anomalias, defendeu, "têm de se corrigidas", com introdução de novos elementos e melhoria do modo de produção e comercialização.

O arquitecto Manuel Correia Fernandes destacou, por sua vez, a importância do Mercado para se voltar a introduzir no Porto os valores humanos e se conseguir manter a ligação à terra, numa época de regresso generalizado aos centros das cidades.

http://jn.sapo.pt/2008/04/04/porto/antigo_directordo_ippar_que_protege_.html

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Relatório projecto do Bolhão poderá estar concluído em Junho

O relatório da Comissão Parlamentar de Poder Local acerca da requalificação do Mercado do Bolhão, no Porto, poderá estar pronto em meados de Junho, disse hoje à Lusa o deputado socialista Fernando Jesus.

Segundo este parlamentar, que é também o relator destacado para este dossier, a comissão irá reunir-se na terça-feira para aprovar um relatório intercalar com informação sobre o projecto e o modelo de gestão para o Bolhão.
A partir de dia 21 ou 22 começarão as audições, no Governo Civil do Porto, com o Instituto e Gestão do Património Arquitectónico (IGESPAR), a Câmara Municipal do Porto, a Plataforma Cívica, a empresa de capitais holandeses TramCroNe e o arquitecto Joaquim Massena, criador de um projecto de reabilitação do mercado na altura da presidência de Fernando Gomes que também será ouvido.
Após as duas ou três semanas de audições, a comissão tem 60 dias para elaborar um primeiro relatório sobre o processo relacionado com o Bolhão. As audições decorrem da entrega a 27 de Janeiro, no Parlamento, de uma petição visando impedir a eventual demolição interior do histórico mercado portuenses


Chegou a ser equacionada a hipótese das audições se iniciarem já na segunda-feira, como apontou quinta-feira à Lusa o arquitecto Correia Fernandes, um dos primeiros subscritores da petição, mas a ideia acabou por ser afastada. Diário Digital / Lusa

in http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=327623&page=1

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Memórias do Mercado do Bolhão!!! ...o restaurante junto às escadas com espalnada, ao fundo quem entra pela Rua Formosa, e as "sinhoras" sempre a tratar-nos por "more".......é a "coube" fresquinha!!! é os "tomates cum pipino prá selada"!! A ASAE.........é que está a acabar com tudo isto..!! Eles vivem!!!

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Neste artigo publicado durante o mês de Março pode-se ver uma outra prespectiva.


Imagem tridimensional do novo Bolhão

http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/9727908

A empresa holandesa TranCroNe (TCN), que venceu o concurso público realizado pela Câmara do Porto para a reabilitação do Mercado do Bolhão, divulgou esta quinta-feira ao PortugalDiário a primeira imagem tridimensional do ante-projecto para a requalificação daquele espaço.


O projecto definitivo ainda terá que ser submetido à aprovação da Câmara do Porto e do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico), antes de poderem começar as obras.
A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TCN, onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.

Porto: momento de agitação no Bolhão
Igespar acompanha o projecto do Mercado do Bolhão

Segundo Pedro Neves, engenheiro responsável pela obra, esta «imagem do Mercado do Bolhão requalificado, demonstra a preocupação em preservar a memória que todos os comerciantes e cidadãos têm deste edifício e da sua alma».

A TCN pretende que o Mercado do Bolhão mantenha a traça original e que a área comercial tradicional seja complementada com novas lojas, metade das quais de cultura, lazer e restauração.

Este projecto tem sido contestado por um movimento cívico de intervenção, que já entregou na Assembleia da República uma petição com cerca de 50 mil assinaturas, e admite interpor uma providência cautelar para impedir o início das obras.
As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.


Fonte: www.IOL.pt

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No site do Arquitecto Joaquim Massena encontrei uma outra proposta para o mercado do Bolhão.

MERCADO DO BOLHÃO

CONCURSO PÚBLICO - 1º LUGAR - 1992
PROJECTO DE EXECUÇÃO 1996-1998

O Mercado do Bolhão é um dos maiores, senão o maior, dos símbolos do Comércio Tradicional da Cidade do Porto.

Equaciona, desde 1917:
- pelo lado exterior o Comércio tradicional de rua;
- no interior o terrado, a Praça e o comercio de bens perecíveis alimentares.

Realiza-se no período da primeira Grande Guerra, segundo o Plano de Melhoramentos da Cidade do Porto, para evitar a falta de abastecimento alimentar às pessoas (pela diversidade de Comerciantes e produtos) e simultâneamente para se constituir, como Mercado Abastecedor e bolsa de referência para o valor dos alimentos comercializáveis, no Porto e Arredores.

Actos simples e inteligentes dos Dirigentes Políticos e do Autor do Projecto...

É com base no conhecimento deste contexto ideológico e preceitos Patrimoniais, que se desenvolve o projecto de execução para a Reabilitação do Mercado do Bolhão entre o ano de 1996 e 1998, abrindo-se uma extensão do Gabinete dentro do Mercado do Bolhão, a fim de se reconhecer e estudar as patologias funcionais e construtivas e não alterar este principio elementar, estruturante, o de “garantir o abastecimento alimentar à cidade”, nomeadamente:

-manter, o Património e as suas estruturas compositivas e de acessibilidades;

-reequacionar, os espaços perdidos;

-acrescentar, as infra-estruturas;

-evitar, com a construção, que os Comerciantes e os seus Utilizadores perdessem o hábito de o utilizar.

O Custo previsto em 1998, com a apresentação do Projecto para a execução da Reabilitação do Mercado do Bolhão, alterou de 4.000.000.000$00 previsto no concurso público, para 2.500.000.000$00, em virtude da proposta de reabilitação recuperar e readequar a estrutura de betão armada, bem como, o posicionamento do estacionamento e armazéns na cave e subcave.

O Projecto de Reabilitação apresentado e aprovado por unanimidade pela Ex.ma Câmara do Porto, prevê:

-Mantém, o Mercado como simbolo do Comercio Tradicional;

-Mantém, as características funcionais de Praça Aberta com abrigos pontuais em cada espaço;

-Mantém, a galeria existente para o sector de restauração alimentar, apelativa e representativa da gastronomia da Região com esplanada coberta e do meio restante a galeria daria apoio a um sector de comércio livre, não alimentar, onde nas paredes envolventes seriam colocados os painéis alegóricos ;

-Acrescenta a galeria intermédia (por razões estruturais e de estabilização das paredes periféricas), para espaços comerciais, não alimentares, representativos da Região;

-Mantém, o Terrado (Praça) com a mesma composição funcional, recuperando todo o edificado, para a venda de produtos alimentares sazonais na zona central e na lateral para produtos alimentares perecíveis com exigência de rede de frio;

-Acrescenta, as infra-estruturas que serão realizadas de novo, tanto para as lojas do interior como para as do exterior do Mercado;

-Recupera, no exterior as caixilharias serão colocadas com igual desenho e execução às originais, com as devidas correcções e adaptações às exigências funcionais do Comércio (iguais à aplicada na Relojoaria Mendonça, a qual cumpriu o Projecto de Reabilitação);

-Retira, todos os equipamentos das fachadas;
Acrescenta, elevadores e escadas rolantes para uma comoda mobilidade dos Visitantes e Comerciantes;

-Acrescenta, na galeria um painel pictórico alegórico às actividades; - agrícola, vinícola com especial referencia ao vinho do Porto, navegação e mercantilismo e à terciarização de uma forma geral;

-Acrescenta, a placa de identificação das respectivas actividades e de referencia à loja;

-Acrescenta, em cave e subave um parque de estacionamento para o visitantes e residentes e armazéns com câmara de frio para armazenamento dos produtos alimentares.

As patologias construtivas no edifício do Mercado do Bolhão foram também localizadas e caracterizadas nas fundações, bem como, definidos os procedimentos para a sua estabilização, que não passa pelo escoramento das lajes e da cobertura da galeria metálica mas, tão somente, a consolidação das fundações que se encontram assentes sobre aterros consolidados (realizados aquando da construção acerca de 90 anos).

Deveriam ainda, evitar que os autocarros fizessem a utilização da rua de Alexandre Braga e que realizasse medições periódicas do comportamento do edifício face à base, dado o desvio do ribeiro para a rua de Santa Catarina efectuado aquando da realização do túnel / estação do metro do Bolhão.

O Projecto de Execução para a Reabilitação do Mercado do Bolhão, seguiu critérios de defesa do Património (neste caso em Classificação no IPPAR), utilizados em Portugal e nos Países desenvolvidos.




Informação retirada do site do arquitecto:
http://www.joaquimmassena.com/

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Mercado do Bolhão ideias para o futuro da cidade

alfredo cunha

Lígia Paz, Doutoranda na Universidade de Barcelona

Recentemente e pelas piores razões, a discussão sobre o futuro do Mercado do Bolhão ganhou um novo impulso. De um lado, o projecto de reconversão promovido por um grupo holandês e apoiado pelo actual executivo municipal; do outro, um activo grupo de cidadãos que desejam preservar o património arquitectónico e cultural que o Bolhão representa. Esta dualidade tem-se concentrado no edificado e nos usos inerentes ao espaço comercial que o mercado representa, deixando frequentemente de lado algumas principais questões que integram o futuro deste espaço.

Um dos problemas que tem vindo a enfrentar ao longo dos últimos anos está intimamente relacionado com o consumo local e, por conseguinte, com a progressiva desertificação da Baixa do Porto. Não só tem havido uma descida acentuada das pessoas que aí habitam, como também uma profunda e notória degradação da habitação disponível nesta zona da cidade. Actualmente, os planos do Executivo camarário parecem indicar uma preferência por uma reconversão de luxo, incentivando a transformação do actual parque habitacional degradado por um caro, exclusivo, e acessível a poucos - como é, aliás, o caso do próprio projecto recentemente apresentado para o interior do mercado do Bolhão. A aceleração da especulação imobiliária é já notória em diversas zonas da Baixa, e a substituição de uma população maioritariamente pobre e envelhecida irá rápidamente dar lugar a uma exclusiva classe social de elevado poder de compra.

Esta questão é essencial em toda a problemática do mercado do Bolhão. É importante promover a variedade de pessoas, usos, comércios; que se promova a diversidade de estratos etários e sociais. Apenas esta multiplicidade poderá garantir que o centro da cidade se desenvolva de uma forma saudável e acessível a todos. Com isto, o comércio local, no qual se insere o Bolhão, só terá a ganhar. O aumento do número de pessoas a viver na Baixa será benéfico em diversos aspectos, nos quais se incluem a diminuição do fluxo de tráfego (e suas consequências ambientais); o aumento de qualidade de vida para os seus habitantes; a preservação do património local.

O mercado da Boquería, em Barcelona, tem sido apontado como um dos possíveis exemplos a seguir. À semelhança do Bolhão, a Boquería localiza-se no centro da cidade; mas,ao contrário do Porto, o centro de Barcelona é densamente povoado, dispõe de excelentes condições de acessibilidade por transporte público, e prima por um completo leque de ofertas culturais e comerciais de todo o tipo e para todos os gostos. Além disso, o governo da cidade chamou a si a responsabilidade pela revitalização e desenvolvimento articulados da rede de mercados municipais. É importante referir que em Barcelona não há apenas o mercado da Boquería; há 40 mercados espalhados pelos diversos bairros. A proximidade de um comércio de qualidade alargado tem benefícios directos na vida dos seus consumidores, bem como para todos os habitantes da cidade.

Encontrando potencial para repensar o modelo dos mercados do século XXI, a Câmara de Barcelona impulsionou uma estratégia abrangente para preservar e de-senvolver estes espaços de comunicação e comércio. É então graças à inteligência do Executivo municipal que os mercados se aliam às variadas festas tradicionais, usam painéis solares, são palcos de espectáculos diversos. Veículos para a integração multicultural, aliam-se a restaurantes, lançam livros de receitas, promovem a cooperação com organizações de fomento da coesão social, comercializam os produtos autóctones, e mais um sem-número de actividades.

Os mercados de Barcelona comprovam apenas que é possível concretizar um modelo que satisfaça as necessidades das diferentes pessoas que vivenciam o espaço urbano novos e velhos, estudantes, reformados e empregados, turistas e residentes, ricos e pobres. E é exactamente no reconhecimento e adaptação a esta fantástica diversidade que o modelo se torna economicamente viável. É também neste tipo de investimento nos espaços cívicos que se avalia a qualidade da gestão municipal de uma cidade.

Link:
http://jn.sapo.pt/2008/05/20/porto/mercado_bolhao_ideias_para_o_futuro_.html

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Igespar ainda não recebeu projecto da TCN para Bolhão

alfredo cunha
Cedência do direito de superfície do Bolhão à TramCroNe só será assinada após a aprovação do projecto

Carla Sofia Luz

O projecto para a reconversão do mercado do Bolhão, no Porto, não deu entrada no Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). A arquitecta Paula Silva, da Direcção Regional da Cultura do Norte que trabalha em articulação com o Igespar, garantiu, ontem de manhã, que, "oficialmente, ainda não existe um projecto" para o edifício, tendo-se realizado apenas uma "reunião exploratória". No encontro, o instituto informou a TramCroNe que a preservação do edificado e a manutenção das funções do mercado são condições "essenciais" para a viabilização de uma proposta de requalificação do Bolhão.

No dia em que Pedro Neves, director-executivo da TCN Portugal, afirmou que a empresa está disponível para alterar a sua proposta para o Bolhão, Paula Silva esclareceu que o processo de análise pelo Igespar está em fase embrionária. "Foram apresentados alguns desenhos pela empresa e nós indicámos os princípios essenciais para o projecto de conservação e de requalificação do Bolhão, decorrentes da lei de base do património. É preciso preservar o edificado na sua essência e as funções do mercado. O Bolhão tem de continuar a existir enquanto mercado", sublinhou a arquitecta, após a audição pelo deputado Fernando Jesus, na qualidade de redactor do futuro relatório da Comissão de Poder Local no Parlamento, que analisa a petição de 50 mil pessoas contra a privatização do Bolhão.

Considerando que é "preferível que o projecto seja bem elaborado" e demore mais tempo a ser executado, Paula Silva explica que este processo não tem um tratamento de excepção, embora o "facto de ser um imóvel classificado" obrigue a uma "atitude de cautela e de atenção". Já está agendada uma segunda reunião.

Deixando claro que a TramCroNe não fará "qualquer projecto que não tenha o apoio da Câmara e do Igespar", Pedro Neves explicou o conceito da solução vencedora ao deputado Fernando Jesus, assinalando o acordo celebrado com a Associação de Comerciantes do mercado.

A solução da empresa, que coloca as bancas do mercado no último piso, manterá todas as lojas no exterior, mas as rendas serão revistas. Só os vendedores no interior do mercado que queiram permanecer após as obras não verão a sua mensalidade subir muito. "As rendas que hoje os comerciantes do interior pagam [5,45 euros por metro quadrado] vão manter-se, actualizadas com a inflacção", esclareceu Pedro Neves, que não receia um "chumbo" do Igespar à proposta da empresa. O contrato de cedência do direito de superfície do imóvel só será assinado após a aprovação do projecto. A expectativa da TramCroNe é que a obra inicie este ano.

"Se nos deixarem, avançamos já. Se nos disserem que há outros parâmetros a analisar e que entram em conflito com este projecto, estamos abertos a colher sugestões", continua, assinalando, porém, que qualquer solução definitiva terá de ser economicamente sustentável. "Tem que ser um projecto que interesse ao investidor privado e à banca que irá financiá-lo". Insistindo na disponibilidade para acomodar alterações à proposta actual, Pedro Neves questiona a vontade de algumas pessoas em parar este processo "Quando é feita uma petição e nós dizemos que estamos de acordo com os quatro pontos da petição e queremos fazer deles o nosso compromisso, por que é que essas pessoas continuam a dizer que são contra?"


Link:
http://jn.sapo.pt/2008/05/20/porto/igespar_ainda_recebeu_projecto_tcn_p.html

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Souto Moura não gosta do projecto do Bolhão
2008-05-20

CS

Ausência de um bom projecto e falta de diálogo são, no entender do arquitecto Souto Moura, os "problemas" do Mercado do Bolhão.
"Como é possível fazer um projecto sem se saber quem é o autor e o arquitecto?", questionou, durante a terceira e última sessão do seminário Porto Redux - (re)abitar a cidade, apoiado por alunos e professores da Faculdade de Arquitectura.

À margem da iniciativa, Souto Moura considerou que "não há diálogo entre os projectistas e as pessoas que reclamam". E, a título de exemplo, recordou que "quando se faz uma casa, também se fala com o cliente". Além disso, "o Bolhão não tem um bom projecto", destacou.

O arquitecto aproveitou, igualmente, para criticar o que diz ser a "decadência do Porto". E "o pior da decadência é o hábito desta". "Não há poder reivindicativo para se sair desta crise envergonhada", lamentou, falando ainda de um "problema de cultura" dos poderes político e económico, com fuga dos investidores para a capital.

Link:
http://jn.sapo.pt/Dossiers/dossier.aspx?content_id=919148&dossier=Bolh%E3o

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