Jump to content
Arquitectura.pt


Sputnik

A Poética Do Espaço

Recommended Posts

ah, afinal alguém lê isto... Longe de mim, caro Xs. Queria apenas exemplificar (desastradamente) que o livro é, em grande parte, feito deste tipo de "devaneios", de delírios momentâneos. Penso que uma casa, qualquer casa, deveria ser capaz de proporcionar ao seu habitante estas fugas de imaginação, que todos nós podemos ter, não só os poetas ilustres

Share this post


Link to post
Share on other sites

A maioria das casas que estudei e que estão firmemente solidificadas na minha cultura arquitectónica, nunca cheguei a visitá-las. São apenas reflexos do que eu acho que são. A deliciosa casa-pátio-piloto de Alvar Aalto, a Casa Malaparte, a Ville Savoye, todas vivem na minha imaginação. Como arquitecto, deveria conhecê-las. Como aprendiz de poeta, tanto me faz

Share this post


Link to post
Share on other sites

Estou a fazer uma avaliação de uma casa penhorada, com pátios e tudo. Vamos falar de ciências, sabia que segundo o "método do custo" com o uso da "depreciação linear" (a depreciação não deve ser linear, dizem alguns), uma casa desvaloriza da seguinte forma = vida real / vida útil estimada, ou seja: Edifício residencial com 50 anos > 50 / 100 = 0.5 Imagine o custo de construção da sua casa mais respectivo lucro ser multiplicado por 1/2 ao fim de 50 anos, isto em termos de euros, não tem poética nenhuma... Eu nem sequer leio Herberto Helder.

Share this post


Link to post
Share on other sites

É mais do que evidente que Bachelard tem uma admiração especial por Bauderaire. Será ironia este homem ter revolucionado o mundo da poesia através do seu minúsculo "casulo alugado" em Paris? E que escreveu, nesse preciso casulo: "Hoje mudei de casa três vezes (na sua imaginação)... para quê obrigar o meu corpo a mudar-se, quando a minha alma viaja tão destramente?" Não lamento aqueles a quem a casa foi penhorada, mas aqueles que não vêem um raio de luz, nem que lhes bata nos olhos. (PS: Convido-o, caro XXXXX, a abrir um tópico sobre métodos de avaliação, no qual terei todo o gosto em refutar o método de calculo linear.)

Share this post


Link to post
Share on other sites

Avante! Os antigos não tinham o nosso respeito pela palavra escrita. Era de longe muitíssimo melhor a transmissão oral. E se, por ventura, escreviam, o faziam como escrevemos hoje memorandos, pequenas notas para serem interpretadas, incorporadas por quem de direito, e lidas aos demais! pois só na tradução oral esse conhecimento poderia fazer eco. Sem essa garantia, o nosso Bachelard não tem outra hipótese senão servir-se das palavras e rezar para que elas tenham eco, como, aliás, todos nós. No entanto ele faz a sua escolha: "metáforas?...um crítico literário haveria de julgá-las exageradas. Um psicólogo positivo reduziria imediatamente a linguagem carregada de imagens à realidade psicológica do medo de um homem murmurado na sua solidão. Mas a fenomenologia da imaginação exige que vivamos directamente as imagens... Quando a imagem é nova, o mundo é novo" aí está, na minha opinião, a chave da capacidade de comunicar deste livro: na interpretação de imagens

Share this post


Link to post
Share on other sites

Pois bem, como investigador de fim de semana que sou, fui tentar descobrir coisa é essa que Bachelard tanto ama em Baudelaire. Encontrei este excerto em "Spleen de Paris", que deixo aos leitores a liberdade de... do que quiserem!: "Não é dado a todos tomar um banho de multidão: tirar prazer da multidão é uma arte... aquele a quem uma fada insuflou no berço o gosto pelo disfarce e pela máscara, o ódio pelo domicílio e a paixão pela viagem...Quem não sabe povoar a sua solidão não sabe também estar sozinho numa multidão atarefada... O peta tira prazer deste incomparável privilégio de poder, à sua vontade, ser ele mesmo e outrem. Como aquelas almas errantes que buscam um corpo, ele entra, quando quer, na personagem de cada um...""

Share this post


Link to post
Share on other sites

Li num romance italiano a história de um varredor de ruas que balançava a sua vassoura com o gesto majestoso de um ceifeiro. Na sua imaginação ceifava no asfalto um prado imaginário, o grande prado da natureza real em que reencontrava a sua juventude: o grande ofício do ceifeiro ao sol nascente. (pg. 81)

Share this post


Link to post
Share on other sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.


×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.